Um grupo de estudantes do Colégio Santo Agostinho da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, teria usado inteligência artificial para criar nudes falsas de pelo menos 20 alunas da instituição e espalhado as montagens em grupos do WhatsApp. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil nesta quarta-feira, 1º, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) instaurou um inquérito do caso após denúncias dos pais das jovens.

Os suspeitos são alunos do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental que teriam baixado um aplicativo para remover as roupas de fotos das jovens que foram postadas nas redes sociais. Em seguida, eles teriam enviado as montagens pelo aplicativo de mensagens. As vítimas seriam alunas do 9º ano, com idades entre 14 e 16 anos.

A instituição escolar está conduzindo uma investigação interna, enquanto a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente segue apurando o caso. Mães das vítimas relatam que suas filhas estão sofrendo de crises de ansiedade, enquanto aqueles responsáveis pela disseminação das imagens falsas permanecem impunes.

“A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) instarou procedimento para apurar os fatos. Todos os envolvidos estão sendo chamados para serem ouvidos na especializada. Diligências seguem para indetificar a autoria do crime e esclarecer o caso”, afirmou a Polícia Civil em nota.

A direção do Colégio Santo Agostinho enviou um comunicado para os pais e responsáveis em que lamentou o ocorrido e divulgou uma nota de esclarecimento à imprensa. “O Colégio Santo Agostinho tomou conhecimento de que fotos alteradas de alguns de nossos alunos foram divulgadas por meio de aplicativos de troca de mensagens”, explicou.

Ao Estadão, a Polícia Civil disse que já identificou parte dos adolescentes envolvidos no caso. O delegado da DPCA do Rio de Janeiro, Marcus Braga, disse que a partir de segunda-feira, 6, serão ouvidas novas vítimas, alguns dos suspeitos de produzir as falsas nudes e funcionários do colégio.

O delegado ainda explicou que, como os suspeitos são menores de idade, eles devem responder por ato infracional previsto no artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente, que pune “simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de representação visual”. A pena nestes casos é de um a três anos de reclusão e multa.

Inteligência artificial

Além do caso no Rio de Janeiro, situações semelhantes envolvendo o uso de IA para criar falsas imagens íntimas foram registradas em outras partes do mundo, incluindo na Espanha e nos Estados Unidos. Estas ocorrências ressaltam a importância da conscientização sobre o uso responsável da tecnologia, do combate ao cyberbullying e da necessidade de leis e regulamentos eficazes para enfrentar esse problema crescente.