Para poder aguentar as intensas rotinas de trabalho, estudos ou até mesmo lazer, cada vez mais pessoas buscam nos remédios formas de se sustentarem em tal cotidiano contemporâneo. Entretanto, o uso de tais medicamentos podem causar vícios e problemas de saúde ainda maiores na população.

“São vários fatores que levam ao vício, mas não podemos esquecer o fator social. Essa sociedade hiper produtiva que vemos no qual há um estímulo para que trabalhemos cada vez mais”, disse o psicólogo Domenico Uhng Hur, professor de psicologia da Universidade Federal de Goiás (UFG), para o Jornal Opção. “Então, o vício é muito comum em antidepressivos, estimulantes ou outros remédios porque é um imperativo do capitalismo”, completou. 

Na análise do doutor em psicologia social pela Universidade de São Paulo (USP), as pessoas consomem os medicamentos para suprir diversos imperativos. Por exemplo, ser feliz, alegre e ter ânimo, faz com que busquem antidepressivos. Segundo ele, é impossível pensar no vício sem que haja uma influência social. 

“O problema é esse: a medicação é uma promessa de mudança de vida e que você vai ficar mais alegre ou que vai conseguir dormir. Ou, ainda emagrecer ou ficar forte de um dia para outro. Então, é uma saída rápida, mas que não possui eficácia no longo prazo. Isso que precisamos pensar”, explicou o especialista. 

De acordo com Hur, tais medicamentos ainda podem causar consequências sérias para o organismo. Por exemplo, certos remédios podem prejudicar a operação de neurotransmissores e fazer com que o corpo pare de produzir algumas substâncias encontradas no medicamento. Já o estimulante faz com que as pessoas necessitem tomar cada vez mais dele para ter o efeito e isso pode gerar transtornos de humor, arritmia e outros efeitos colaterais. 

Domenico ainda ilustrou a situação com uma história de uma mulher que fazia doutorado e teve problemas com o uso excessivo de medicação. 

“Conheço o caso de uma doutoranda que ficou tomando muita Ritalina para escrever a tese dela e sofreu uma síncope no meio do trânsito porque estava tomando em excesso por conta da pressão”, contou o professor da UFG.