Vanderlan se mostra mais e eleitor aprova

Candidato do PSB sobe em pesquisa ao passar mensagem clara sobre o que pretende fazer se for eleito prefeito de Goiânia

Vanderlan Cardoso faz campanha em contato direto com os eleitores e no planaque eletrônico do rádio e da TV, o que o levou a superar Delegado Waldir | Foto: Divulgação / Facebook

Vanderlan Cardoso faz campanha em contato direto com os eleitores e no planaque eletrônico do rádio e da TV, o que o levou a superar Delegado Waldir | Foto: Divulgação / Facebook

Cezar Santos

A sucessão em Goiânia começa a delinear um rumo. Iris Rezende (PMDB) segue na liderança, mercê de seu reconhecimento por parte do eleitorado. Não poderia ser diferente. Afinal, é o mais antigo político em atividade em Goiás, detentor de vários mandatos, como vereador, deputado estadual, prefeito várias vezes, governador, senador e ministro.

É natural que Iris Rezende seja mais lembrado, porque mais conhecido, o que se reflete nas pesquisas de intenção de votos. Foi o que aconteceu novamente, dessa vez no levantamento do Serpes divulgado há uma semana. Lembramos os números: Iris, 37,8%; Vanderlan Cardoso (PSB), 17%; Delegado Waldir, 16%; Adriana Accorsi (PT), 7,7%; Francisco Júnior (PSD), 1,7%; Flávio Sofiati (PSol), 1%; e Djalma Araújo (Rede), 0,3%.

O leitor percebeu que a pesquisa (que entrevistou 601 eleitores entre 30 de agosto e 2 de setembro, com margem de erro de 4 pontos porcentuais para mais ou para menos, foi registrada no TSE com o protocolo GO-03786) mostra um fato novo: a segunda colocação não é mais de Delegado Waldir, e sim de Vanderlan Cardoso. Esse é o rumo que começa a ser delineado na sucessão em Goiânia. Enquanto Vanderlan Cardoso está em crescimento, Waldir Soares está no chamado viés de queda.

Se os números são frios, são também indicadores de uma tendência, que pode ou não ser confirmada pelas próximas pesquisas. A história mostra que boas pesquisas indicam tendências que são confirmadas por próximas aferições que sejam também bem-feitas. Fato é que o nome de Vanderlan Cardoso está em crescimento.

A pergunta que cabe fazer é: porque o candidato do PSB está crescendo?

A resposta está na massificação do nome do socialista, bem como de suas propostas. No que ele é fa­vo­recido por ter mais tempo na TV e no rádio, resultado direto de uma coligação mais ampla, mais plural, em suma, mais forte que a de seus adversários, incluindo a de Iris Rezende, o líder. A curva da intenção de voto em Vanderlan Cardoso é ascendente.

Por sinal, o socialista exala otimismo. Vanderlan já nem demonstra maior preocupação com Delegado Waldir, a quem superou, mas, na verdade, está em empate técnico. O ex-prefeito de Senador Canedo fala em alcançar o líder Iris Rezende, o que ele espera acontecer nesta e na próxima semanas. Para isso, conta com a campanha na rua e no horário eleitoral. “Devo iniciar o segundo turno praticamente empatado com Iris, mas eu vindo numa trajetória de forte crescimento. A virada virá no início de outubro”, disse Vanderlan.

O candidato do PSB está em cres­­cimento por uma razão simples. Ele está se expondo de forma categórica. Além da presença maciça na TV e no rádio, graças, repita-se, ao maior tempo que dispõe, Vanderlan não se furta a comparecer aos debates. Ele leva sua mensagem, questiona adversários, faz críticas e se coloca como alternativa tanto ao atual governo petista, quanto a Iris, o fiador de Paulo Garcia.

Nesse ponto, alguém pode observar: mas Iris fugiu dos debates e também cresceu em relação à pesquisa anterior. De fato, Iris fugiu e também cresceu. Até o início deste mês, Iris Re­zen­de não tinha ido a nenhum dos debates realizados — segundo auxiliares próximos do peemedebista, ele só deve aparecer em debates nas TVs de maior au­diên­­cia, como Anhanguera, Re­cord e Serra Dourada, desdenhando também dos debates de rádio.
Certo, Iris fugiu aos debates e mesmo assim teve crescimento na pesquisa. Por uma razão simples e já descrita antes: é o nome mais conhecido do eleitor. Mas uma questão tem de ser lembrada. Os debates realizados se deram num momento de pouco interesse do eleitor, afugentado da política pelas bandalheiras flagradas em mensalão e Lava Jato. A partir de agora, com a proximidade da eleição, os debates passam a ter mais peso.

Vanderlan se valeu desse mo­mento. Com a ausência de Iris nos debates, o socialista marcou diferencial em relação, principalmente, a Waldir Soares. E pelo fato de ter uma campanha eletrônica mais estruturada, está crescendo. A primeira vítima foi o delegado. A próxima poderá ser o peemedebista. Mesmo que não consiga “empatar” com Iris, Vanderlan poderá ir ao segundo turno com uma margem muito interessante. E isso numa trajetória de crescimento.

O fato é que a ascensão de Vanderlan Cardoso preocupa o staff de Iris Rezende. Os peemedebistas não tinham maior preocupação com Delegado Waldir, um candidato pouco consistente, com uma plataforma de campanha praticamente baseada apenas em segurança pública. Um segundo turno contra Waldir seria mais tranquilo, visto que o policial civil tem uma coligação que não seria tão reforçada.

Mas num segundo turno contra Vanderlan Cardoso a “parada” é diferente. Trecho de nota-reportagem da coluna Bastidores da semana passada ilustra bem essa possibilidade. “…se superar Waldir Soares e descolar ao menos 5%, acima da margem de erro, Van­derlan Cardoso passa a ser uma ameaça para Iris Rezende. Por duas razões. Primeiro, por ser visto como um político mais consistente e agregador de correntes díspares, tende a levar o embate eleitoral para o segundo turno — quando, como se sabe, zera-se o jogo.

Segundo, se superar o postulante do PR, denotando ascensão e força eleitoral, Vanderlan Cardoso cria uma nova expectativa de poder. E, ao contrário de Waldir Soares, o candidato do PSB tem a imagem de gestor eficiente e, ao mesmo tempo, de ser mais técnico. Por não ter experiência administrativa, o delegado não joga no mesmo campo de Iris Rezende. Vanderlan Cardoso, por ser empresário e por ter sido prefeito de Senador Canedo, joga no campo do próprio Iris Rezende — o dos gestores.”

E o governador Marconi Pe­rillo já anunciou que vai entrar na campanha. Por mais que os adversários digam que o tucano nunca ganhou uma eleição de Iris em Goiânia, a verdade é que o governador é um eleitor qualificado, além de ter muitas realizações na capital — aliás, um cartel de obras que poderá ser explorado pelo candidato apoiado pela base marconista.

A entrada de Marconi na campanha de Vanderlan será selada em evento previsto para quarta-feira, 14, no Parque de Exposições, como informa reportagem do Jornal Opção no meio da semana. Segundo a reportagem, Marconi vê a parceria com Vanderlan Cardoso como uma chance de trazer para Goiânia obras e benefícios históricos. O governador tucano hoje é afinado com o governo do presidente Michel Temer (PMDB), tem bom trânsito com todos os ministros e com Vanderlan na prefeitura firmaria uma tríade em prol da capital: governo federal, governo estadual e prefeitura falando a mesma língua.

A reportagem assinala ainda que que tanto do lado do PSDB como do PSB, a aproximação tem sido avaliada como o início de um novo tempo na política — que simboliza a maturidade das articulações e projetos. E não há dúvida de que Iris Rezende, que já foi derrotado por um “tempo novo”, tem motivos de sobra para temer um “novo tempo” com Vanderlan Cardoso aliado a Marconi Perillo num segundo turno em Goiânia. l

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