Vanderlan ainda não acertou o passo

É a primeira vez que o candidato do PSB consegue montar uma ótima estrutura partidária para disputar a eleição, mas até agora ele ainda não se afinou com seus parceiros

Vanderlan Cardoso tem de aceitar a base aliada para que ela o aceite | Foto: Renan Accioly

Vanderlan Cardoso tem de aceitar a base aliada para que ela o aceite | Foto: Renan Accioly

Afonso Lopes

Desde 2010, quando deixou a Prefeitura de Senador Canedo (PSB) para disputar o governo do Estado, Vanderlan Cardoso sempre sofreu desidratação profunda durante as campanhas eleitorais. Resultado direto de um certo exclusivismo político que ele exerce naturalmente, talvez até sem perceber. E ele sempre pagou um preço altíssimo por essa forma de fazer política. Em 2014, ele terminou a campanha com bem menos votos do que as pesquisas inicialmente indicavam, o que significa que muitos eleitores que estavam dispostos a votar nele acabaram trocando de candidato ao longo da campanha.

O mau desempenho nas urnas em 2010 e 2014 foi resultado direto da falta de estrutura partidária. Não que se ele tivesse conseguido escapar do isolamento venceria uma ou outra eleição, mas certamente teria condições de ir bem mais longe do que conseguiu.

Base aliada

Ao conquistar este ano o apoio da base aliada estadual, Vanderlan Cardoso deu um salto extraordinário. Ele quebrou o casulo político em que estava, e passou a contar com a maior e mais bem estruturada máquina eleitoral dentre todos os candidatos.

Mais até do que Iris Rezende terá depois do rompimento da aliança entre PMDB e PT. Mas ainda falta acertar os passos de um lado e do outro nessa coligação imensa. É como se um lado falasse um dialeto qualquer e o outro respondesse em mandarim.

Grosso modo, não seria falso afirmar que Vanderlan é oficialmente o candidato da base aliada estadual, especialmente por causa do apoio do PSDB, que indicou o candidato a vice-prefeito, mas ainda não consegue se identificar nesse meio. Essa integração é fundamental para que sua campanha possa usufruir não apenas de maior tempo no rádio e na TV, mas para o aproveitamento de todo o potencial que a coligação representa.

Há questões bastante evidentes sobre a falta de sintonia de Vanderlan para com a base.
Em recente debate com outros candidatos, ele não soube como escapar de questões básicas, como a adoção do sistema de gestão de OS na saúde. O Estado fez essa opção e tem dado certo, mas isso não significa que a Prefeitura tem a obrigação de fazer a mesma coisa para gerir postos de saúde. São instâncias de atendimento à população, embora na mesma área, completamente diferentes. O problema é a forma como se diz isso. No caso, a resposta de Vanderlan soou como uma crítica direta à gestão do parceiro em nível estadual.

Há inúmeras outras situações que devem ser melhor exploradas por Vanderlan. Ele vai carregar, por menos que queira, o ônus de ser um candidato apoiado, portanto ligado politicamente, pela base aliada estadual. É uma sandice não usufruir dos bônus que essa condição enseja. O único caminho para isso é agregar internamente as alas que compõem a base aliada. Se esse contingente fica do lado de fora, certamente ele terá mais uma vez que caminhar sozinho. E, pelo menos por enquanto, é exatamente assim que Vanderlan está.

Observe-se o comportamento do deputado estadual Francisco Júnior, candidato do PSD.
É completamente diferente. Ele tem livre trânsito dentro da base aliada não apenas por pertencer a ela, mas por integrá-la em seu dia a dia de campanha. E olha que ele é filiado ao PSD, partido mais rebelado da base no processo eleitoral goianiense, cujo comando foi acusado diretamente pelo deputado federal Giuseppe Vecci.

Vanderlan Cardoso tem todas as condições de ganhar prestígio nas relações internas, mas precisa somar um pouco mais. É evidente que o início é sempre complicado em qualquer montagem de uma grande coligação. Mas é fundamental que ele aceite a base aliada estadual para que, na prática, a base aliada realmente o aceite. Da forma como está hoje é apenas uma grande coligação, não equivalente a uma grande união.

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