União entre religião e ciência não é uma utopia; é uma necessidade

Campanha da Fraternidade deste ano mostra que igrejas podem fazer mais do que esperar pela intervenção divina. Podem agir. Talvez esse seja o maior legado do papa Francisco às religiões atuais

Francisco, o papa que não é apenas um guia religioso: “O desafio de proteger a nossa casa comum é urgente”; Edward O. Wilson, biólogo não-cristão: “Como fazemos parte da Criação, o destino da Criação é o destino da humanidade”

Francisco, o papa que não é apenas um guia religioso: “O desafio de proteger a nossa casa comum é urgente”; Edward O. Wilson, biólogo não-cristão: “Como fazemos parte da Criação, o destino da Criação é o destino da humanidade”

Marcos Nunes Carreiro

“A religião e a ciência são as duas forças mais po­de­ro­sas do mun­do, inclusive e especialmente nos Estados Unidos. E, se pudessem se unir no terreno comum da conservação biológica, o problema logo seria resolvido.”

O trecho foi retirado do livro “A Criação”, do biólogo estadunidense Edward O. Wilson. A obra, que tem como subtítulo “Como salvar a vida na Terra”, é um apelo do cientista pelo empenho de todos em concentrar esforços a fim de não permitir a completa destruição do planeta em que vivemos.

E. O. Wilson — que não se considera ateu, mas tem uma visão extremamente crítica sobre a religião — acredita que o século 21 é o “século do meio ambiente”, um tempo em que os humanos vão escolher entre celebrar a biodiversidade ou destruir a vida na Terra. Assim, ele entende que é necessário preservar a criação, independente de acreditarem que ela tenha surgido pelas mãos divinas ou da evolução biológica.

Ele, E.O. Wilson, deixa claras as suas posições em seu livro, que é escrito em forma de carta, endereçada a um pastor evangélico. “Prezador Pastor”, começa ele, “escrevo-lhe agora para consultá-lo e pedir-lhe ajuda. É claro que, ao fazer isso, não vejo como evitar as diferenças fundamentais entre nossas visões de mundo. O senhor rejeita a conclusão da ciência de que a humanidade evoluiu a partir de formas inferiores. […] Sou um humanista secular. Creio que a existência é aquilo que nós fazemos dela, como indivíduos.”

O que importa é que, acentuadas as diferenças de postura ideológica, E.O. Wilson vai direto ao ponto: “Alguns verão no mundo natural a criação divina e o Senhor da Vida que não fez nada em vão; enquanto outros, em todas as plantas ou animais, ‘obras primas da biologia’. Essa diferença de visão separa todas as coisas? Não… Vejamos, então, se conseguimos, se vocês estão dispostos, a encontrar um meio termo da metafísica para chegar a um acordo com o mundo real que compartilhamos”.

O centro do livro de E.O. Wilson é simples: se existe algum preceito moral que deve ser compartilhado por todos os humanos, cientistas ou crentes de todas as religiões, é que “devemos, a nós mesmos e às futuras gerações, um ambiente belo, rico e saudável.” Por isso, apesar das diferenças entre as diversas convicções metafísicas, “proteger a beleza da Terra e sua prodigiosa variedade de formas de vida deveria ser um objetivo comum” a todos.

Isto é, no momento atual, do século que vai decidir se os seres humanos vão viver ou destruir, não importa a crença; importa a ação. O livro de E.O. Wilson foi publicado em 2006. Dez anos depois, o pedido do biólogo ao pastor evangélico parece ter sido atendido… pelo papa.

A primeira encíclica escrita pelo papa Francisco e publicada no fim do ano passado parece uma resposta a E.O. Wilson. Em pouco mais de 80 páginas, o pontífice dá nome à causa do biólogo: o cuidado com a “casa co­mum”, admitindo inclusive que a reflexão de inúmeros cientistas, filósofos, teólogos e organizações sociais enriqueceram o pensamento da Igreja sobre as questões ambientais.

“E não podemos ignorar que, também fora da Igreja Católica, noutras Igrejas e Comunidades cristãs – bem como noutras religiões – se tem desenvolvido uma profunda preocupação e uma reflexão valiosa sobre estes temas que a todos nós estão a peito”, reflete Francisco. “O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar.”

Chama a atenção a escolha lexical do papa Francisco. Sendo um homem de muita leitura, o nome de sua encíclica nos diz muito de sua intenção. “Laudato si: sobre o cuidado da casa comum”. Falemos brevemente sobre isso.

O movimento ecumênico da Igre­ja Católica se diz marcado “pela ação e pelo desafio de construir uma casa comum justa, sustentável e habitável para todos os seres vivos”. O termo “casa comum” se repete, mas não é influenciado totalmente pela encíclica de Francisco. A origem do termo é muito anterior ao papa, surgindo do grego oikoumene — ou oikoumenç —, palavra que dava nome aos territórios habitados por seres humanos.

Quem explica bem a construção do termo é o escritor e filólogo britânico J.R.R. Tolkien: “O nome é a forma moderna (que apareceu no século XIII e ainda está em uso) de midden-erd > middle-erd, um antigo nome para o oikoumenç, o local de moradia dos Homens”. Ou seja, a Terra é o local onde habita a humanidade, tratando-se assim de uma casa compartilhada, comum. Parte daí a ideia de que cabe a todos cuidar dela.

Um adendo: a explicação de Tolkien é baseada em seus estudos de filologia, campo da ciência que o ajudou na ficcionalização da história da Inglaterra e na criação de seu universo literário, a Terra-média, apresentado em algumas de suas maiores obras, como “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”. Afinal, Terra-média é a forma final da evolução: middan-geard, no inglês antigo > midden-erd e middle-erd, no inglês medieval > middle-earth (terra-média), no inglês moderno.
Em outras palavras, embora ficcionalizada, a Terra-média tolkieniana é a casa comum a qual se referem papa Francisco e E.O. Wilson. O próprio Tolkien, que era católico, sempre foi fascinado pela natureza, defendendo em todos os seus livros a preservação ambiental. Veja este trecho de “O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel”: “Nenhum outro povo pisa tão pesadamente — disse Legolas. — Parece que o prazer deles é ferir e derrubar tudo o que estiver crescendo, mesmo que não esteja em seu caminho”.

A fala de Legolas é em relação aos Orcs (seres mitológicos), mas poderia ser sobre os nós, seres humanos. Não somos a espécie que mais destruiu o meio am­biente até agora, sem achar que também dependemos dele? Veja as guerras. As guerras em “O Senhor dos Anéis”, assim como em quase todos os livros do autor britânico, são instrumentos para mostrar como o mundo foi se transformando ao longo do tempo e ficando cada vez mais exposto, mais feio, com sua natureza devastada.

Ora, veja a fala do papa Fran­cisco, em sua encíclica, sobre as guerras da atualidade: “É previsível que, perante o esgotamento de alguns recursos, se vá criando um cenário favorável para novas guerras, disfarçadas sob nobres reivindicações. A guerra causa sempre danos graves ao meio ambiente e à riqueza cultural dos povos, e os riscos avolumam-se quando se pensa na energia nuclear e nas armas biológicas”.

Dessa forma, sendo ele próprio um homem que reunia em si ciência e religião, Tolkien, ao ficcionalizar essa preocupação com a natureza, não poderia ser mais contemporâneo, pois antecipa uma bandeira que pode unir ciência e religião, hoje.

Feitas as devidas explicações, devemos voltar à questão inicial, pois fica clara a intenção do papa em utilizar o termo “casa co­mum”. Podemos até dizer que Francisco se coloca no lugar do pastor ao qual E.O. Wilson endereça as considerações que fez em “A Criação”.

Ao explicitar o que há de co­mum entre todos os seres humanos, a Terra, o papa transcende sua posição de guia religioso e passa a ser um mediador humano, que desfaz os imbróglios ideológicos e se atém ao prático, àquilo necessário à sobrevivência da humanidade. E faz isso com a clara intenção de mobilizar o mundo em torno de um tema que precisa da atenção de todos.

“Temos que pôr a mão na massa, juntar o dinheiro e fazer o bem”

Padre Rodrigo de Castro: “A luta pelo saneamento básico é mundial”

Padre Rodrigo de Castro: “A luta pelo saneamento básico é mundial”

Em tempos de crise hídrica no Brasil, em que tanto as grandes cidades, como São Paulo, quanto as médias e pequenas, como Senador Canedo, sofrem com a falta de água tratada, a “resposta” dada pelo papa Francisco à proposta de E.O. Wilson chama atenção para um problema a ser resolvido. E a Igreja parece ter entendido o recado.

É comum pensar que o papel das igrejas, das mais diversas religiões, é puramente espiritual. No geral, tem sido. Porém, a urgência do assunto faz com que esse papel seja revisto e coloque as igrejas no front da ação.

No caso da Igreja Católica, esse papel social ativo parece ter sido repensado com a ascensão de Jorge Mario Bergoglio ao pontificado. Ele assumiu o papado no dia 13 de março de 2013 e, desde então, a Igreja tem tentado se movimentar no sentido de intervir nas questões importantes do mundo; das sociais às políticas.

Aqui entramos no assunto principal desta reportagem.

A Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema “Casa comum, nossa responsabilidade”, cujo objetivo geral é assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e se empenhar a fim de alcançar políticas públicas e atitudes responsáveis para a área. Em outras palavras, a Igreja pretende agir em prol das questões de saneamento básico no Brasil.

A campanha coincide com um dos pontos da encíclica, aquele em que o papa diz: “O acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável”.

Porém, o interessante a se observar é que a campanha não nasceu da encíclica. Padre Rodrigo de Castro explica: “É uma feliz coincidência. Trata-se, realmente, de uma subdivisão da encíclica, que não fala só de religião e nem apenas para os católicos, mas para a humanidade e sobre o cuidado com a criação. Mas o tema é definido com três anos de antecedência”. Ou seja, quando o papa escreveu sua carta, o tema da campanha brasileira já estava definido.

O motivo é explicado pelo padre. “O papa Francisco assumiu o pontificado há três anos. E nós podemos perceber que o papa tem buscado um cuidado com a criação. A encíclica Laudato si é uma preocupação com a vida em si, em todos os ambientes. Queremos ver a justiça e o direito brotarem em todas as circunstâncias, pois vivemos em uma casa comum”, relata.
Rodrigo recebeu a reportagem em sua paróquia na Vila Canaã, em Goiânia. Segundo ele, a Campanha da Fraternidade surgiu há 50 anos, com o bispo Dom Luciano Mendes de Almeida, quando era arcebispo de Natal (RN) e, desde então, se tornou um importante evento social. Neste ano, ele aponta, pela primeira vez a campanha é internacional.

“Está ligada à Alemanha, a um organismo da igreja chamado Misereor, que também tem uma preocupação em cuidar da casa comum, especificamente com o saneamento básico”. A Misereor se diz uma obra da Igreja Católica da Alemanha para cooperação ao desenvolvimento, “comprometida com a luta contra a pobreza na África, Ásia e América Latina.”

E o que será feito de concreto pela igreja em relação ao saneamento básico no Brasil? “Nós temos dois gestos concretos”, responde Rodrigo. “O primeiro é nos comprometermos, como católicos, na política de saneamento básico da nossa sociedade; o segundo será uma coleta que faremos no próximo dia 20 de março, Domingo de Ramos, para investir em saneamento básico.”

Essa arrecadação, segundo o padre, não será feita apenas pela Igreja Católica. O dinheiro será coletado por todas as igrejas que pertencem ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic). Além da Igreja Católica Apostólica Romana (Icar), são: Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (Isoa), Igreja Presbiteriana Unida (IPU).

Todo o dinheiro será transformado em políticas públicas. Como? “Dom Dominique Maria, bispo da Prelazia de Santíssima Conceição do Araguaia, acabou de participar em Roma, a convite do papa, de uma aplicabilidade de recursos da Laudato si. Nesse exato momento, estão aplicando esse dinheiro em cacimbas, espécies de cisternas, para captar água para a população no Norte do País”, exemplifica Rodrigo.

Outra ação proposta, segundo Rodrigo, é o combate a doenças que estão ligadas diretamente à falta de saneamento básico. “As dificuldades hoje envolvem, por exemplo, essa situação com a chikungunya, zika e dengue, doenças que são transmitidas devido à água parada ou à falta de saneamento básico: cisternas abertas, caixas de água, águas empoçadas etc. E sabemos o quanto as pessoas estão sofrendo com essas doenças, inclusive perdendo as próprias vidas. Por infeliz coincidência, estou com zika”, conta o padre.

A situação do saneamento básico em Goiás 

obra

Foco das ações do Estado será em tratamento de esgoto. Na foto acima, as obras de conclusão da estação de tratamento em Águas Lindas

O Plano Nacional de Sane­amento Básico do governo federal definiu 2033 como ano-meta para a universalização do saneamento básico no País. Entretanto, tudo aponta que a meta não será cumprida. Estudo elaborado pela Confe­deração Nacional da Indústria (CNI) prevê que somente em 2054 todos os brasileiros conseguirão ter acesso a água encanada e tratamento de esgoto.
Outro levantamento, realizado pelo Instituto Trata Brasil, mostra que o País não conseguirá alcançar a universalização do sistema nos próximos 20 anos, caso o trabalho de implantação dos serviços de água e esgoto continue no ritmo atual. A pesquisa se tornou um ranking, o “Ranking do Saneamento Básico nas 100 Maiores Cidades”.

Das capitais, apenas quatro conseguiram universalizar a distribuição de água: Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. A única capital que tem 100% de tratamento de esgoto é Belo Horizonte. Apenas uma cidade tem 100% de tratamento de esgoto, segundo o levantamento: Santos; e apenas uma capital, Curitiba, tem mais de 80% da população atendida com o serviço.

Goiânia, de acordo com a Saneago, já apresenta índice de 100% no fornecimento de água tratada, assim como outros 167 municípios. “Do total de cidades atendidas pela Saneago, cerca de 74,7% tem abastecimento universalizado”, aponta documento enviado à reportagem pela assessoria de imprensa da empresa.

Os outros municípios que não têm 100% de cobertura no fornecimento de água estão no alvo da empresa goiana, mas demandam altos investimentos e ainda é atrapalhado pela lenta cadeia entre a conclusão de um projeto e a execução da obra. O documento diz: “Muito está sendo feito para ampliar esses índices no estado e manter o quadro nos locais que já atingiram a universalização. Em Goiânia, por exemplo, está em andamento uma das maiores obras de saneamento do Brasil: o Sistema Produtor Mauro Borges”.

A previsão é que o Sistema Mauro Borges dobre a produção de água e garanta o abastecimento de uma população de até três milhões de pessoas da capital e região metropolitana. A obra deve ser entregue no primeiro semestre deste ano.

Outro investimento feito, segundo a Saneago, na construção do Sistema Produtor Corumbá, que vai beneficiar cerca de 1,3 milhão de habitantes na região do Entorno do Distrito Federal a partir do ano de 2017. A obra envolve aproximadamente R$ 319 milhões e permitirá a produção de 2.800 litros de água por segundo.

O Entorno, aliás, é uma das regiões que será beneficiada pelos R$ 550 milhões, provenientes do PAC 2 e emissão de debêntures de infraestrutura incentivadas, aprovada pelo Ministério das Cidades. As ordens de serviço foram assinadas pelo governador Marconi Perillo no fim do ano passado.

Esgoto

Vilmar Rocha | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Vilmar Rocha | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Dados da Saneago dão conta de que 96% dos goianos têm acesso à água potável e 51,9% dispõem dos serviços de coleta e tratamento do esgoto. Nos últimos cinco anos, a empresa afirma ter investido cerca de R$ 2 bilhões em obras de saneamento básico em Goiás. Novas unidades de tratamento de água e esgoto estão sendo implantadas, assim como ampliadas as redes de distribuição de água e coleta de esgoto. Há um total de 110 obras em andamento.

Em Goiânia, o esgotamento sanitário abrange 88,5% da cidade. Mas ainda existem regiões que carecem de rede coletora. A mais expressiva é a Sudoeste, na bacia do Ribeirão Dourados, e também nas bacias dos córregos Taquaral, Salinas, For­quinha e Cavalo Morto. No caso da primeira bacia, o projeto básico está em andamento. Nas demais, os projetos estão em fase de aprovação para que a captação de recursos possa ser iniciada, visando a execução das obras.
Na Região Noroeste, por sua vez, a Saneago diz estar investindo cerca de R$ 240 milhões para implantação do sistema de esgoto. São mais de 800 quilômetros de redes e troncos coletores, interceptores e ramais que devem possibilitar 50 mil novas ligações domiciliares. O benefício estimado para a região é de 150 mil pessoas que moram nos mais de 40 bairros da região.

Secima
Após o lançamento da Cam­panha da Fraternidade, Vilmar Rocha, secretário de Meio Ambi­ente e Recursos Hídricos de Goiás (Secima), se reuniu com o arcebispo de Goiânia, dom Washington Cruz. “Con­versei com ele para que a Igreja participe de nossas programações e nós participemos das dela”.

Desde então, Vilmar diz que reuniões foram feitas para ver as possibilidades de ação do governo em relação ao tema da campanha. Ele conta que na semana passada foi realizada uma reunião para preparar um plano de desenvolvimento na área de saneamento.
Porém, Vilmar relata que o foco da atuação do governo não será o fornecimento de água. “Esse é um problema mundial e brasileiro, mas em Goiás essa não é uma preocupação. Tem muita água aqui e a falta dela é localizada em algumas cidades. No geral, a situação é confortável”.

Dessa forma, o plano do governo de Goiás para o saneamento será centrado no tratamento de esgoto, uma área em que o Estado ainda precisa fazer muito para alcançar a universalização. O secretário aponta: “Estamos elaborando ações para ampliação do saneamento básico em Goiás, levando em consideração que temos aproximadamente 100 cidades com menos de 5 mil habitantes. Nessas cidades, é inviável a criação de estações de tratamento de esgoto (ETEs), pois o número de pessoas é muito pequeno”.

A solução para esses municípios, segundo o secretário, é a construção de fossas sépticas. “A fossa séptica é ambientalmente recomendável. Não se trata daquela fossa rudimentar e tradicional; aquela é apenas um buraco. A séptica tem especificações técnicas e poderá resolver o problema de saneamento nessas cidades menores”, explica.

O tratamento do esgoto em uma fossa séptica não é tão completo como em uma ETE, mas a ferramenta é muito superior às fossas comuns. Nesses locais, há a ausência quase completa de oxigênio e isso faz com que o esgoto in natura, uma vez lançado na fossa, tenha um menor fluxo de água. Isso permite que a parte sólida fique depositada, liberando a líquida.

Após esse processo, bactérias podem agir sobre a parte depositada do esgoto, decompondo-o.

Esse processamento é essencial, pois faz com que o esgoto residual fique com uma menor quantidade de matéria orgânica. E isso ocorre porque a fossa remove cerca de 40% da demanda biológica de oxigênio, fazendo com que o conteúdo possa ser lançado de volta à natureza causando menor prejuízo.

A fim de identificar quais cidades receberão as fossas sépticas e quais demandam a construção de uma estação de tratamento, Vilma conta que a Secima, em parceria com a Saneago e a Secretaria de Planeja­mento (Segplan), estão fazendo um levantamento. O prazo para que tudo fique pronto é 2018. O plano é parte do Goiás Mais Competitivo, programa lançado pelo Estado no fim do ano passado para otimizar a eficiência da gestão pública nas diversas áreas do governo.

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