Última cartada para impedir reeleição de Marconi

Iris Rezende, Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide vão ter que caprichar nas mensagens para evitar que Marconi vença mais uma vez

conexao.qxdAfonso Lopes

A vida eleitoral de Iris Rezende (PMDB), Van­derlan Car­doso (PSB) e Antônio Gomide (PT) não está nada mole. Des­de o final do ano passado, o governador Marconi Perillo (PSDB) tem conseguido acrescentar eleitores com intenção de votar nele, apesar das movimentações dos principais candidatos oposicionistas. Vanderlan, por exemplo, começou a batalhar espaço na seara eleitoral logo no início deste ano. Pouco depois, em abril, Gomide também começou a andar pelo interior do Estado se anunciando como candidato. Iris foi o último a se lançar candidato, embora sempre tenha se mantido em atividade. O problema dele, ao contrário de Vanderlan e Gomide, seus colegas na trincheira da oposição, foi a disputa interna com o empresário Júnior Friboi. Iris sempre teve prestígio eleitoral, mas o PMDB estava completamente seduzido por Friboi. A candidatura de Iris nasceu num parto complicadíssimo e dolorido.

Talvez aí esteja um perfil coletivo das dificuldades dos oposicionistas até agora. Vanderlan esperava muito mais de possível recall de sua candidatura ao governo em 2010. E quanto mais se mostrou candidato, mais perdeu intenções de voto. Assim, 2010 não foi o patamar de lançamento para 2014. Funcionou exatamente como o oposto disso. Como teto, e não como piso inicial.

Muitos dos problemas verificados na candidatura de Vanderlan não foram provocados por ele. O pior empecilho, por exemplo, foi criado por Marina Silva, que era candidata a vice-presidente na chapa até então liderada por Eduardo Campos. Vanderlan procurou, conversou e conquistou o apoio do DEM goiano, ganhando de cara um candidato ao Senado que lidera as pesquisas atuais, Ronaldo Caiado. Foi Marina inicialmente, e Eduardo logo após, que impediu a consolidação dessa aliança, que ampliaria bastante a visibilidade da candidatura de Vanderlan. Não seria exagero afirmar que o candidato goiano foi traído pela direção nacional do seu partido, que além de nada acrescentar a ele, ainda impediu o acordo com Caiado. O resultado disso é o que se pode ver nas hostes de Vanderlan, um candidato praticamente único, sem chapas proporcionais competitivas que possam gerar repercussão de suas ações, salvo caríssimas excessões.

Não cresceu

O petista Antônio Gomide também derrapa sem avançar desde que largou a Prefeitura de Anápolis. Em meio à crise interna do PMDB, Gomide era a bola da vez para os grupos de Friboi e Iris. Quem perdesse a disputa peemedebista tenderia inicialmente a abrir dissidência interna em favor do petista. O problema é que ninguém embarca numa canoa que não rema pra frente. E o barco eleitoral de Gomide faz água desde então, e está isolado no meio do nada. Se tivesse conseguido ganhar alguns pontinhos logo que a bomba explodiu de vez no PMDB, provavelmente ele ganharia apoios importantes dos perdedores.

A situação dele é ruim, mas pe­lo menos ele tem uma chapa proporcional bem melhor, mais ampla e representativa que Vanderlan Cardoso. O PT tem várias estrelas conhecidas do eleitor, algumas delas candidatas à reeleição como deputado estadual, além dos nomes mais conhecidos para a Câmara dos Deputados. É com essa base muito mais consistente que a do PSB que Gomide deve contar na reta final da campanha.

O principal nome das oposições a Marconi também não desgrudou do patamar histórico dele, já registrado em 2010. Iris Re­zen­de chega ao horário eleitoral no rádio e na TV exatamente como antes. Ou como sempre. Ele conseguiu vencer o isolamento ao firmar aliança com Ronaldo Caiado, do DEM, mas isso até agora não lhe rendeu dividendos eleitorais. Ficou apenas na visibilidade, na intensidade do barulho de sua campanha. Caiado também não ganhou eleitores que já não os tivesse. Com Vanderlan ou com Iris seria mais ou menos o que se vê, um candidato bastante consistente, e que vem se mantendo em todas as pesquisas até aqui com uma vantagem absolutamente confortável. Ele segue em marcha batida para as urnas, e somente uma grande reviravolta mudará essa situação.

1º turno?

Iris Rezende, Van­der­lan e Go­mi­de fazem suas últimas apostas eleitorais nos programas de rádio e TV. De agora até a eleição, vão ser apenas 17 edições, com repetição vespertina ou noturna, além das chamadas pílulas de 30 segundos espalhadas nas programações das emissoras. Não é muito, mas é o que se tem. Há um problema. De todo o tempo destinado à campanha eletrônica, Marconi fica sempre individualmente com maior espaço graças à sua aliança, bem maior que as dos demais concorrentes.

Isso dimensiona bem o grau de complexidade que as candidaturas o­posicionistas vão ter que enfrentar nesta última fase da campanha eleitoral deste ano. Vanderlan Car­doso, por exemplo, com pouco me­nos de dois minutos em cada bloco de 20, é quase um “Enéas” – his­tórico candidato à Presidência da República que não tinha mais que alguns segundos pa­ra dar sua mensagem. Gomide es­tá menos sufocado, com pouco mais de três mi­nutos, enquanto Iris Re­zen­de tem à sua disposição quatro minutos e meio. Já Marconi pode trabalhar bem melhor, com pouco mais de sete minutos em cada bloco de 20.

E o que se pode realmente fazer com tempo menor de exposição no rá­dio e na TV e, de quebra, contra um candidato com mais espaço, com melhor e mais densa chapa de candidatos a deputado estadual e fe­de­ral, líder nas pesquisas e que disputa a reeleição? Se até aqui quase na­da funcionou como os oposicionistas imaginavam que funcionaria, não há muito o que se fazer. Impedir que Marconi Perillo seja reeleito já no priemiro turno, situação que está se avolumando aos poucos, deve ser a única meta imediata e racional da oposição. Mais do que isso, apenas se o tal “imponderável” acontecer. Ainda assim, teria que ser um baita “imponderável”. E bota baita nisso.

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