Todo mundo sabe como começou, mas como este ano irá terminar?

Depois de dois anos, 2015 e 2016, sem qualquer esperança a curto prazo, 2017 tem alguma chance de ser melhor?

Afonso Lopes

Politicamente, é muito difícil encontrar alguma sinalização de que a situação irá melhorar em Brasília. A bagunça ainda é imensa, e o presidente Michel Temer já fez burradas demais para acreditar em uma recuperação imediata. Se é que ele vai conseguir mesmo se recuperar. No Estado de Goiás, há otimismo, sim, no campo político, inclusive com mudanças importantes entre os prefeitos que foram eleitos no final do ano passado e o governador Marconi Perillo, que chegou à metade de seu atual mandato. Não que isso signifique ausência de conflitos de interesses partidários. A questão central é observar que há muito maior disposição de todos para se trabalhar pelas convergências.

E na economia, há como manter o otimismo? Se a política não atrapalhar muito, a tendência é que na pior das hipóteses o país vai parar de piorar, o que já seria um grande alívio. Pode até ir além disso, apresentando alguns poucos sinais de equilíbrio e melhora. Para a população, principalmente para os mais de 25 milhões trabalhadores sem emprego, e que vivem sem renda fixa, o alívio, se houver, será mínimo. Resta a esperança de que toda essa multidão não seja acrescida de outros milhões.

Recentemente, ao comentar a queda de 0,75% na taxa de referencial de juros, Selic, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse que novas quedas em patamar idêntico vão ocorrer nos próximos meses até que a economia comece a respirar. Para os analistas de mercado, inclusive de organismos internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, as previsões são tímidas, mas otimistas sobre um possível crescimento da economia brasileira neste ano. Se isso vai mesmo acontecer ou não, a resposta não está no presente, mas ao longo do ano.

Goianos

É claro que os goianos sofreram os efeitos da crise tanto quanto todos os demais brasileiros. Não será um ano sem problemas na esmagadora maioria dos municípios. Os prefeitos que assumiram seus cargos agora encontraram os cofres não apenas vazios, mas com as mesas lotadas de papagaios vencidos e não quitados pelos seus antecessores. Efeitos da crise. Essas dificuldades iniciais podem ser equacionadas durante este ano, mas a superação depende da recuperação da economia como um todo e dos cuidados que os prefeitos vão ter neste 2017 para controlar as despesas. Quem não fizer o dever de casa vai sofrer, juntamente com sua população, o mandato inteiro.

O Estado iniciou esse processo atrás do equilíbrio desde o final de 2014, quando surgiram os primeiros sinais de que a economia brasileira iria mergulhar numa duríssima recessão.

Novas medidas de contenção de despesas foram adotadas ao longo de 2015, e agora, no fechamento de 2016, completou o que o governo imagina ser a última dose do sempre amargo, mas necessário remédio contra o colapso total. Goiás evitou o que ocorreu em Estados bem mais ricos, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, e manteve as folhas de pagamento dentro do limite legal, inclusive o 13º salário, coisa que não ocorreu na maior parte dos demais Estados do país.

Goiás também foi o primeiro a desestatizar uma empresa pública. Esse roteiro as autoridades da economia nacional entendem que precisa ser seguido por todos os demais governos estaduais para aliviar a pressão em seus caixas. Não há milagre. Se não se adotar esse caminho, a crise poderá ainda assim ser superada, mas vai doer mais e por muito mais tempo. Para a população, o que importa mesmo é a prestação de serviço com qualidade, seja pela empresa pública ou privada.

O Estado faz as contas e acredita que este ano poderá investir bem mais do que em 2015 e 2016. Para isso, Goiás está contando muito mais com sua própria capacidade de acerto nas despesas e condições de crescimento da economia. O que não pode acontecer é Brasília atrapalhar. Se por lá a equipe liderada por Henrique Meirelles conseguir domar a fera insaciável das despesas públicas, tornando a economia menos instável e mais confiável, é provável que o Estado finalmente fique livre da crise.

Essa é a esperança.

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