Situação do Brasil não é positiva e pode complicar em 2019

O país avançou, sobretudo graças a Henrique Meirelles, mas Michel Temer não fez reformas básicas e perdeu legitimidade

Michel Temer e Henrique Meirelles: o primeiro está descontruindo tudo o que o segundo fez para restabelecer a credibilidade do governo | Foto: Beto Barata/PR

Michel Temer jamais teve a simpatia da maioria da população brasileira. Nem quando se apresentou como única alternativa constitucional para substituir a detestável administração da ex-presidente Dilma Rousseff, a mulher errada, no cargo errado, e à frente de um governo errático que mergulhou o país na pior recessão de sua história. Temer era, conforme disse o ex-presidente Fernando Hen­ri­que Cardoso, somente uma “pinguela” até as eleições de 2018. E, agora, nem de “pinguela” seu governo pode ser chamado.

Apesar da ojeriza pela figura pública do sempre empertigado presidente-herdeiro, a população depositou em sua administração bastante credibilidade, principalmente por ter o engenheiro Henrique Meirelles no comando da equipe econômica e apresentar resultados práticos com bastante fluidez diante do caos que dominava o ambiente da economia. A aventura ilusionista dos tempos de balbúrdia populista com que a condução estratégica da economia foi levada deu lugar ao realismo. Meirelles cumpriu muito bem as primeiras etapas do processo, amparado pela segurança gerada pela presença de Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central. A montanha de problemas que veio depois, e que resultou na atual avalanche que está destruindo tudo o que se fez, não tem praticamente nada a ver com os condutores da economia.

Política e crime
Há praticamente um ano o governo do presidente Michel Temer acabou. O que há agora é um zumbi perdido, deslocado, sem eira nem beira, desmoralizado e líder — se é que assim ele possa ser classificado — de uma administração política que mais se parece com crônica policial. Temer sempre foi suspeito aos olhos da população, e hoje é investigado pela Polícia Federal. À frente de uma equipe ministerial que se escuda em seus cargos não para defender os interesses nacionais, mas para protegerem seus próprios interesses e, mais do que isso, provavelmente a liberdade.

O governo de Temer acabou no exato momento em que ele foi gravado por Joesley Batista, o capo do grupo que um dia o ex-presidente Lula da Silva, que cumpre pena em Curitiba, credenciou para se fartar de dinheiro público do BNDES sob o pomposo título de “campeão nacional”. Pois, para Temer, Joesley é somente um bandido. Logo ele, o presidente da República que abriu ao suposto “bandido” as portas do Palácio à noite para um bate-papo que em muito trouxe a imagem de conversa entre iguais.

Não se deve esperar nada de 2019. Quando muito, pelo menos isso, um novo inquilino no Palácio no Planalto. A credibilidade do governo não será recuperada tão cedo — qualquer que seja o eleito em outubro, e sem acreditar na condução do país resta somente uma nação dividida. Nem se deve acreditar numa mudança de todo o corpo de elite do funcionalismo em todas as esferas, que luta bravamente apenas para participar do banquete dos andares superiores e da cobertura. Aos moradores da marquise restarão, como sempre, apenas as migalhas que por ventura caírem das alturas. Aos perdedores, diria Machado de Assis, as batatas… podres.

Se este é um Congresso Nacional que em seu conjunto funciona de dentro para dentro, mandando apenas a conta para o lado de fora, provavelmente o coletivo de vitoriosos que brotará das urnas não será melhor. Talvez seja até pior, como antecipou, em sua época, Ulysses Guimarães, um dos últimos remanescentes da política brasileira em escala republicana.

O teatro diz que o brasileiro tem como profissão a esperança. A frase contém, sim, muita verdade. Talvez seja exatamente essa característica que ainda mantém o Brasil como um país em busca de um futuro (Stefan Zweig dizia que o Brasil era o país do futuro). Não é possível, aos olhos da atualidade, enxergar com otimismo para os próximos anos. Talvez seja um erro de avaliação sob o olhar de um prisma quebrado. Mas certamente não se deve esperar que a situação econômica melhore em 2019. Quem sabe a melhoria venha mais rapidamente do que é possível perceber agora, mas não será no ano que vem. Se em 2018, com eleições estaduais e nacionais, o quadro é ruim, nenhuma perspectiva aponta para algo melhor do que isso que aí está em 2019. E talvez essa seja uma boa notícia, por incrível que pareça. O país perdeu uma boa oportunidade para melhorar, e aquilo que foi feito até aqui terá que ser refeito.

Vale ressaltar que o Brasil está entre os dez países mais ricos do mundo. Não é pouco coisa, sobretudo considerando que o país, em termos de independência, ainda é novo: só tem 196 anos. l

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