Se o eleitor quer mesmo gestor…

Experiência administrativa é o critério para escolher o próximo prefeito de Goiânia, o que leva o foco a fechar em Iris Rezende e Vanderlan Cardoso, com vantagem para o socialista, antenado com a modernidade

Vanderlan Cardoso é um gestor testado na vida pública e na iniciativa privada, enquanto Iris Rezende é um realizador que ainda pensa em mutirões

Vanderlan Cardoso é um gestor testado na vida pública e na iniciativa privada, enquanto Iris Rezende é um realizador que ainda pensa em mutirões

Cezar Santos

Finalmente, foi fechado o quadro de candidatos a prefeito de Goiânia. Iris Rezende (PMDB), Dele­ga­do Waldir Soares (PR), Van­der­lan Cardoso (PSB), Adriana Ac­corsi (PT) e Francisco Junior (PSD) são os que têm estrutura a possibilitar campanhas competitivas. Djalma Araújo (Rede) e Flávio Sofiati (PSol) concorrem apenas para marcar presença, quer seja pessoal (no caso do primeiro) ou partidária (o segundo).

De há muito vem se dizendo que o eleitor quer um gestor, ou seja, um gerente com capacidade para resolver os problemas da cidade. Faz sentido, afinal, a um prefeito cabe mesmo cuidar do dia a dia, do básico. Se fizer isso, o básico, já estará de bom tamanho. Será o prefeito dos sonhos se também realizar obras estruturantes que a população necessita e que se fazem necessárias na medida mesmo do crescimento populacional e consequente expansão urbana.

Fato é que muitos prefeitos se perdem justamente por não conseguir resolver as demandas básicas que impactam diretamente na qualidade de vida das pessoas, como saúde, educação, transporte urbano, trânsito e limpeza das ruas, por exemplo.

E se o critério do eleitor for mesmo um gestor, um gerente, então, há duas possibilidades efetivas: Iris Rezende, cujo currículo dispensa comentários, e Vanderlan Cardoso, que além de ser um bem-sucedido empresário na iniciativa privada, foi por duas vezes prefeito de senador Canedo, realizando administrações elogiadas.

Francisco Júnior também pode ser arrolado na condição de gestor, considerando sua experiência na administração de Iris Rezende, quando foi secretário de Planejamento. Ocorre que a campanha de Francisco Júnior não tem apresentado, pelo menos não até aqui, potencial para chegar ao segundo turno.

Delegado Waldir, o vice-líder nas pesquisas, por sua vez, definitivamente, não entraria no rol de gestor, de administrador. É, portanto, uma incógnita nesse campo. O mesmo pode-se dizer da petista Adriana Accorsi. Portanto, nem Waldir nem Adriana serão objetos de maiores considerações no presente texto.

Iris Rezende é de fato um gestor, cuja maior qualidade, alardeada por ele mesmo, é a capacidade de decidir. Com Iris não há titubeio, o que realmente é boa qualidade para um Executivo.
Mas Iris tem um tremendo handicap, que é a dessintonia com a modernidade. Um traço tão marcante que numa de suas recentes campanhas, seu staff político tratou de propagar imagens dele usando um notebook, numa tentativa um tanto tosca de dar um upgrade na imagem. A coisa soou tão artificial que nem mesmo Iris deve ter acreditado naquilo.

Lembrando que o apego do peemedebista ao passado é tão grande que ele nem sequer consegue atualizar sua forma de expressão. Volta e meia Iris se refere aos mutirões como uma estratégia de administração. Certamente por querer de volta o benefício eleitoral que angariou com os mutirões realizados quando ele foi governador.

Ora, mutirão da forma como Iris Rezende propõe chega a ser uma excrescência nos tempos modernos. Por isso, é sintomático que o decano não consiga assimilar termos como planejamento, por exemplo. Para ele, o voluntarismo baseado na intuição é a pedra de toque de uma boa administração.

Neste ponto, é preciso considerar outra característica que o eleitorado quer de um candidato: a renovação. Nesse tópico, Iris Rezende, com seu passadismo renitente, se sai muito mal.
E aí que o ex-prefeito Van­derlan Cardoso pode crescer na sucessão, desde que consiga fazer uma campanha realmente propositiva, apresente boas propostas e também ressalte sua experiência com administrador, tanto na iniciativa privada, como grande empresário, e na vida pública.

Duas gestões para apresentar

Vanderlan tem suas duas gestões em Senador Canedo para mostrar. E por mais que adversários e mesmo parte da imprensa insistam que a comparação não teria razão de ser, pela diferença de tamanho entre a capital e a cidade da região metropolitana, Vanderlan tem argumentos consistentes ao destacar que os resultado estão lá e produzem efeitos até hoje.

Em entrevista ao Jornal Opção na semana passada, o ex-prefeito foi preciso na resposta a esse questionamento:

“Tudo é uma questão de orçamento. Se você pegar o orçamento de Senador Canedo, comparado ao de Goiânia, proporcionalmente, o da capital é maior. Em Senador Canedo também não dava para fazer nada. Quando eu recebi a administração, os professores não tinham direitos, escolas estavam caindo, os postos de saúde caindo, não tinha uma avenida, uma obra que prestasse, porque diziam que não tinha dinheiro. Entramos e no outro dia começou a acontecer (obras); da mesma forma que vai acontecer aqui. Goiânia é maior? É, mas o quadro de pessoal é outro, é bem maior; os recursos são maiores. Então, nós vamos agir com rigor, com transparência. O que estou vendo, hoje, em Goiânia, é um pensamento de que ‘o último que sair apaga a luz’, e cada um quer tirar o melhor proveito desse final de governo.”

Mais adiante Vanderlan reforçou: “É humanamente impossível eu não citar Senador Canedo porque é a experiência administrativa que eu tenho, e olha que foi uma experiência gratificante e que me enriqueceu muito. Então, eu cito porque foi lá que as coisas aconteceram. Eu vejo algumas pessoas me criticarem sem administrar nem um carrinho de picolé, ou se administrou, não realizou.

Então, eu tenho experiência, eu não fui um prefeito omisso nesta ou naquela área, nós trabalhamos em todas. Você quer falar de ação social, geração de emprego e renda, esporte, cultura… Vários programas foram feitos, milhares e milhares de pessoas atendidas. Agora, o conhecimento que eu tive lá é o que me qualifica hoje para apresentar as propostas. Quando eu falo de saúde, eu falo com conhecimento de causa, porque nós resolvemos o problema da saúde e vamos resolver em Goiânia. E não é simplesmente dizer ‘Eu vou resolver o problema da saúde’, é dizer como.”

O fato é que Senador Canedo, que antes de Vanderlan Cardoso mais parecia um ajuntamento de casas, uma cidade feia, até inóspita, é hoje uma cidade aprazível, que se tornou opção de moradia para muitos pessoas que residiam na capital.

E aqui é bom que se destaque o trabalho do sucessor de Vanderlan, o prefeito Misael Oliveira, que deu prosseguimento ao bom trabalho e imprimiu marca própria na administração local. Em outras palavras, além de não ter deixado “a peteca cair”, como se diz popularmente, Misael ainda promoveu avanços para a sociedade canadense nos últimos quatro anos.

Por tudo o que foi dito, está claro que Vanderlan Cardoso tem as credencias que o eleitorado goianiense demanda, se o critério de escolha realmente for a experiência administrativa, como denota as pesquisas qualitativas. E isso com a vantagem sobre o seu adversário mais direto nesse quesito, Iris Rezende, por ser um homem afinado com o seu tempo, dentro da contemporaneidade.

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