“Salto alto” derrubou Iris uma vez

Clima de “já-ganhamos” na campanha do PMDB leva comandados do ex-prefeito a “montar” secretariado, do mesmo jeito que aconteceu na campanha ao governo em 1998

Iris Rezende: decano peemedebista exige trabalho sério da equipe, mas há aliados que já estão cantando vitória e “montando” secretariado | Foto: Facebook

Iris Rezende: decano peemedebista exige trabalho sério da equipe, mas há aliados que já estão cantando vitória e “montando” secretariado | Foto: Facebook

Cezar Santos

A “mosca azul” está voejando freneticamente na campanha de Iris Re­zende. O “já-ganhamos” impera entre os peemedebistas, e muitos deles não escondem a soberba, com a liderança do velho líder nas pesquisas de intenção de voto na capital. Se há peemedebistas com calibrado senso de realidade, que admitem uma campanha com fatores de complicação, também há os eufóricos que não titubeiam em bradar: “Vamos ganhar no primeiro turno”.

De fato, Iris é o líder inconteste nos levantamentos. O mais recente, do Serpes, apontou que ele ampliou a frente na disputa para Prefeitura de Goiânia. Foi o único candidato a crescer na segunda rodada da pesquisa Serpes, colocando quase 18 pontos de frente ao segundo colocado, Delegado Waldir Soares (PR).

No levantamento, realizado dos dias 23 a 26 de agosto, Iris aparece com 37,1% – mais 5,2 pontos em relação à pesquisa anterior, divulgada em 14 de agosto. Waldir chega a 19,2% de intenções de voto (oscilação negativa de 1,4 ponto sobre o levantamento anterior). O empresário e ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso (PSB) registrou variação negativa de 2 pontos, somando 14,8%.

Certo, não há dúvida de que os números são alvissareiros para Iris Rezende. Mas será que isso justifica aos peemedebistas começarem a “montar” o próximo secretariado no Paço Municipal? Esse tipo de movimentação está ocorrendo nas hostes peemedebistas. Mas, por questão de justiça, deve-se registrar que Iris Rezende não estimula esse tipo de atitude.

O velho líder sabe que cantar com o ovo ainda dentro da galinha não é boa política. Mesmo porque ele é escaldado com isso, certamente lembrando-se de 1998, quando disputou o governo com Marconi Perillo e perdeu ao fim de uma campanha em que começou com mais de 70% de intenção de votos, contra 6% do tucano. Naquela oportunidade, a euforia dos peemedebistas era tanta que até “festa da vitória” foi promovida faltando dois meses para a eleição.

Lembremos um pouco dos bastidores de 1998. Com tão ampla frente, os peemedebistas montaram no salto 15 e se lançaram numa disputa interna fratricida. Explica-se: os iristas começaram uma ação belicosa contra os maguitistas. Os iristas buscavam se articular com o então chefe da campanha, o irmão de Iris, Otoniel Machado, escanteando os aliados do ex-governador Maguito Vilela, uma força nova em ascensão na sigla. Esses iristas tratavam de ocupar os espaços, “montavam” equipes, divulgando listas de “secretariáveis” naturalmente sem a presença de maguitistas.

Otoniel Machado sofreu uma intensa pressão dos aliados, que tanto buscavam assegurar cargos para si como também fazer “listas negras” com nomes de aliados de Maguito Vilela. Essa cisão foi um dos fatores que levaram à derrota de Iris naquela campanha. Todos os dias, nos bastidores, secretariados eram montados. Nomes como Wolney Siqueira, Flávio Peixoto, Juarez Magalhães, João de Paiva Ribeiro, entre outros iristas históricos, eram “nomeados” para tais e quais pastas. Isso muito antes de os goianos irem às urnas.

Deu no que deu. Campanha em curso, Marconi Perillo vai crescendo aos poucos, vira uma onda, ganha o primeiro turno com 946 mil votos (Iris teve 914 mil), ratifica a vitória no segundo turno, com 1.157.988 votos, contra os 1.015.340 sufrágios do peemedebista. E o PMDB levou um tombo ciclópico ao cair do salto 15.

Alguns dirão que não vale a comparação entre 1998, uma campanha estadual, com 2016, um pleito municipal, concentrado numa cidade. E numa cidade onde Iris goza de grande prestígio, até pelas duas gestões em que saiu altamente conceituado. Bem, se há fundamento na argumentação, não se deve esquecer que soberba é um fator negativo em quaisquer campanhas. O já-ganhou, o oba-oba, a arrogância, a presunção, a imodéstia, a jactância tiram o foco, desviam forças.

Por isso, não ajuda nada a Iris Rezende um movimento como o que dá conta de que seu vice, Ma­jor Araújo, vai assumir a Prefeitura em 2018. Segundo esse ponto de vista, Iris, fortalecido pela boa eleição na capital, vai renunciar (como fez na maioria dos cargos que ocupou) na metade do mandato para disputar o governo estadual. Até mesmo peemedebistas mais próximos de Iris dizem que o grande desejo do decano é realmente voltar ao Palácio das Esmeraldas. E em 2018, com Marconi Perillo fora do páreo, seria a grande chance de realizar o sonho.

Agenor Mariano: “Iris Rezende está superando o ‘teto do PMDB’, cerca de 30%, e se aproximando dos 40% das intenções de voto” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Agenor Mariano: “Iris Rezende está superando o ‘teto do PMDB’, cerca de 30%, e se aproximando dos 40% das intenções de voto” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Repetindo o que se disse antes, Iris Rezende não dá mostras de embarcar na euforia antecipada. Há poucos dias, em entrevista ao Jornal Opção, o vice-prefeito, Agenor Mariano, um dos mais fiéis seguidores de Iris, deu seu testemunho sobre isso.

À pergunta se o peemedebista avalia que tem condições de ser eleito no primeiro turno, Agenor respondeu: “Iris nos diz que é preciso trabalhar redobrado, sem vaidade e arrogância, respeitando todos os candidatos e, sobretudo, os eleitores. Não se ganha eleição por antecipação, temos consciência disso. No momento, nós temos 44% dos votos válidos e as pesquisas de intenção de voto sinalizam que estamos em processo de crescimento. O que esperamos é que, por meio do que se pode chamar de ‘migração de votos’, o nosso candidato conquiste votos dos indecisos e que, aos poucos, retire votos dos demais candidatos, como Waldir Soares. A tendência é que o candidato que está liderando, de maneira consistente, tanto por sua experiência em termos de gestão quanto pela estatura política, absorva o chamado voto útil”.

Mas, mesmo com cuidado, A­ge­nor Mariano também deixa nas en­trelinhas que acredita na vitória em pri­meiro turno. Segundo ele, ao exa­minar as pesquisas, pouca atenção se tem dado ao fato de que Iris Rezende está superando o que al­guns chamam de ‘teto do PMDB’, cerca de 30%, e se aproximando dos 40% das intenções de voto.

“Ao mesmo tempo, os demais candidatos, como Waldir Soares e Vanderlan Cardoso, longe de crescerem, perderam contato com o postulante peemedebista. Eles não estão crescendo. No caso específico do postulante do PR, há sinais evidentes de que está caindo e não se sustenta até 2 de outubro. Por certo, daqui para frente, lutará, não para se aproximar de Iris, o que parece impossível, e sim para não perder espaço, ainda mais, para Vanderlan. O fato é que só Iris está numa situação confortável. Os demais lutam para disputar o segundo turno com o nosso candidato. Este é o quadro real. O resto é filigrana política”, afirmou Agenor.

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