Quem será o sucessor de Marconi dentro da base aliada estadual

A eleição de 2018 ainda está muito distante, mas a disputa interna já registra movimentos entre os possíveis pretendentes. Filiação de José Eliton ao PSDB é parte dessas ações

Vice-governardor, José Eliton, se filiou ao PSDB e é um forte nome para o governo em 2018, mas não é o único | Jota Eurípedes

Vice-governardor, José Eliton, se filiou ao PSDB e é um forte nome para o governo em 2018, mas não é o único | Jota Eurípedes

Afonso Lopes

O governador Marconi Perillo nem cumpriu um quarto de seu mandato e já é grande a movimentação dentro da base aliada para a sua sucessão, em 2018. Pressa demais por parte dos pretendentes ao trono do Palácio das Esmeraldas e, de quebra, o comando, ou parte dele, da base aliada a partir de 2019? Não. A base sempre se comportou exatamente dessa forma: governa agora, mas discute ao longo do mandato os formatos de sua representação, seja em relação aos nomes eventuais, seja em discursos e projetos que remetam a uma renovação a ser apresentada aos eleitores. Só para se ter uma ideia do contraste que se pode observar na base em relação aos opositores, enquanto o primeiro grupo se articula internamente, o segundo, no caso o PMDB, maior partido de oposição, se divide entre iristas e maguitistas para saber quem deve ser o seu próximo presidente regional.

Mas, afinal, há alguma coisa encaminhada dentro da base aliada em termos de nomes, que é sempre o que mais movimenta os bastidores políticos? Há, sim, sem dúvida. E não é um, mas vários. Cada qual com armas políticas que vão ser cada vez mais aprimoradas ao longo do período, de agora em diante.

Pretendentes

O primeiro nome a aparecer naturalmente em qualquer cenário que se montar para uma análise prévia sobre 2018 dentro da base aliada de Marconi Perillo é o do vice-governador José Eliton. Na quinta-feira, 24, ele foi recebido com festa no PSDB. E mereceu desembarque densamente povoado de novas filiações.

Faz algum sentido prático uma filiação como essa já que Eliton não tinha rivais na Presidência do PP regional e contava com o apoio da cúpula nacional do partido? Faz, sim. No PSDB, ele quebra uma possível pedra que poderia ser colocada em seu caminho rumo a uma candidatura à reeleição de governador. Até onde se consegue vislumbrar em relação a 2018, é bastante natural acreditar que o governador Mar­coni Perillo deverá deixar o go­verno no final de março, início de abril, daquele ano para disputar algum outro cargo, seja o de senador, vice ou presidente da República. Então, como atual vice-governador, José Eliton chegará às urnas de 2018 em pleno exercício do mandato principal. Seu objetivo desde sempre, portanto, é ser candidato à reeleição.

Disputar um cargo como esse no exercício do poder é muita “bala na agulha”, sem dúvida. Independente de qualquer outro fator, isso será levado em conta. Mas até lá, José Eliton vai procurar construir a imagem de gestor eficiente. Chance para isso ele está tendo. O governador Mar­coni Perillo entregou ao seu comando uma das chamadas super-secretarias resultante da fusão promovida no início do ano na chamada reforma administrativa, a de Desenvolvimento Econômico. Nela, Eliton está tendo a oportunidade de se mostrar administrador, além de, com a filiação ao PSDB, também cimentar sua parceria partidária com o próprio Marconi.

É claro que o vice-governador não é o único com pretensões de disputar o governo pela base aliada em 2018. O deputado federal Giuseppe Vecci, um dos principais formuladores do pensamento administrativo do PSDB de Goiás, também quer o cargo. Ele é representante de um segmento importante no partido: os fundadores. Tem influência interna, e sempre se apresentou como um dos melhores quadros do alto tucanato goiano. Com sua eleição em 2014 para deputado federal, ele demonstrou que também possui veia eleitoral, pelo menos na disputa proporcional. Seu prestígio junto à cúpula nacional do PSDB em Brasília se deu de forma natural. Embora com certa discrição, até pela proposta de mandato, ele tem chamado a atenção no Congresso Nacional pelas propostas de debate que tem levantado. É esse o seu principal trunfo para 2018, mas ele terá que aumentar sua visibilidade também nas ruas.

Outro técnico-político que sonha com a disputa pelo governo do Estado em 2018 pela base aliada é o deputado federal Thiago Peixoto. Espécie de “patinho feio” quando ainda estava no PMDB, mas sem seguir cegamente as determinações do principal líder do partido, Iris Rezende, Thiago desembarcou na base aliada pelas mãos e influência direta do governador Marconi Perillo, que delegou a ele, de cara, uma secretaria que estende influência direta em cada cidade do Estado, a de Educação, durante o mandato anterior, encerrado em 31 de de­zembro. Thiago se aproveitou da criação do PSD e deixou o PMDB, onde já não tinha bom ambiente com os iristas. Thiago está agora na Secretaria de Planejamento, que é onde esteve por muitos anos Giuseppe Vecci, o que é um claro sinal de que seu prestígio junto a Marconi permanece no alto.

No momento, e dentro da base aliada, esses são os três nomes que mais se destacam. Um deles, ou alguém que ainda não se apresentou na ordem do dia, poderá ser o encarregado de conduzir eleitoralmente uma das mais complexas sucessões de Marconi. Em 2006, quando o então vice-governador Alcides Rodrigues se firmou como candidato, não foi um grande problema. Já se sabia, desde sempre, que era apenas uma pausa de quatro anos para o retorno de Marconi, em 2010, como realmente acabou acontecendo. Desta vez, pode ser diferente. Se concretizada a possibilidade de vôo nacional como vice ou mesmo como candidato a presidente, aquele que suceder Marconi será mais do que um mero sucessor. Será praticamente um herdeiro.

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