Existe algo especial que sustenta os museus de Goiânia muito além dos contratos de manutenção, das emendas parlamentares ou das portarias oficiais: o amor de quem dedica a vida a esses espaços. Abrigando um patrimônio museológico que ultrapassa 200 mil itens catalogados, a capital se distribui entre instituições estaduais e municipais que guardam desde documentos históricos da fundação da capital até obras de arte contemporânea, acervos fonográficos e peças arqueológicas. 

A cidade conta com pelo menos uma dezena de museus principais e mais de uma dezena de espaços culturais reconhecidos, administrados por diferentes esferas de governo e instituições privadas. Em entrevista ao Jornal Opção, gestores estaduais e municipais revelaram os bastidores da administração desses espaços, os avanços recentes e os desafios que permanecem.

A estrutura estadual: quatro museus sob a gestão da Secult

O Governo de Goiás administra quatro museus em Goiânia por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás). São eles: o Museu Pedro Ludovico Teixeira, o Museu Goiano Professor Zoroastro Artiaga (Muza), o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e o Museu da Imagem e do Som (MIS-GO). A secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, detalhou a política de manutenção adotada pela pasta, que inclui contratos preventivos e corretivos.

“Hoje, nós trabalhamos com um modelo de manutenção diária e constante. Então, todos esses museus, diariamente, existe uma equipe de manutenção, seja para cuidar de jardim, seja para cuidar das telhas, para verificar a parte elétrica”, afirmou.

Secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

A secretária reconheceu, entretanto, que a situação nem sempre foi assim. Antes da atual gestão, não existiam contratos formais de manutenção, o que obrigava servidores a arcarem com despesas do próprio bolso. “Quando nós chegamos na Secult, não existia esse contrato de manutenção. Então, os próprios servidores que estavam ali tinham um certo desespero. Um exemplo, lá no Museu Conde dos Arcos, os próprios servidores, muitas vezes, pagavam do bolso algumas manutenções”, relatou Yara Nunes.

O Museu Zoroastro Artiaga, localizado na Praça Cívica, passou recentemente por um restauro completo, que foi entregue no início de 2026. Já o Museu Pedro Ludovico, antiga residência do fundador de Goiânia, recebeu intervenções corretivas ao longo de 2025. “Ele não chegou a ser um restauro completo como aqui, mas conseguimos corrigir várias falhas que aumentam e prolongam a vida útil daquele patrimônio”, explicou a secretária.

Acervos impressionantes e horários ampliados

Os números dos acervos estaduais impressionam. O Museu da Imagem e do Som (MIS) concentra aproximadamente 140 mil itens fotográficos, incluindo negativos, cartões-postais e álbuns. O acervo fonográfico reúne cerca de 50 mil itens, com discos de cera de 78 rpm, LPs, fitas magnéticas e outros registros sonoros. Já o acervo videográfico soma 12,5 mil itens em formatos como U-matic, VHS, Betacam e DVD.

O Museu Pedro Ludovico abriga mais de 8 mil documentos de natureza pessoal e política, cerca de 1,8 mil peças entre mobiliário e objetos, além de uma biblioteca com aproximadamente 500 volumes. O Museu Zoroastro Artiaga possui 4.300 peças, enquanto o MAC conta com 1.226 obras. “É um acervo enorme. Temos muito cuidado com tudo isso para que continue bem preservado”, afirmou Yara Nunes.

Sobre o funcionamento, a secretária destacou que todos os museus estaduais têm entrada gratuita e operam das 8h às 17h, incluindo finais de semana. A única exceção é o Museu Zoroastro Artiaga, que ainda está em fase de reestruturação após o restauro. “Ele é o único dos nossos museus aqui de Goiânia que ainda não está sendo aberto aos sábados e domingos. Mas estamos organizando com a equipe para que ele possa ter o mesmo funcionamento dos demais museus”, disse.

O gargalo dos servidores e o sonho do concurso público

Um dos principais desafios apontados pela gestão estadual é a falta de servidores efetivos especializados. Atualmente, os quatro museus estaduais em Goiânia contam com aproximadamente 60 pessoas, entre efetivos, temporários e comissionados. 

A secretária Yara Nunes reconheceu que a realização de um concurso público para a área da cultura é uma prioridade, embora ainda enfrente entraves burocráticos. “Nós temos, mais ou menos, sim, estruturado um concurso para a Secretaria de Estado da Cultura, onde estamos conversando com a Secretaria de Estado de Administração (Sead). Nós sabemos que não é somente a nossa vontade, mas o Estado estava em regime de recuperação fiscal, agora entrou no Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados)”, explicou.

A gestora defendeu a importância dos servidores concursados para a continuidade das políticas culturais. “A continuidade só existe se as pessoas que estão ali naquele trabalho sentirem que terão segurança de que estarão ali por muito tempo. Nós precisamos dos servidores efetivos, que são a verdadeira memória desses equipamentos”, ressaltou.

Terceiro setor como alternativa de gestão

Para ampliar a capacidade de captação de recursos e modernizar a gestão, a Secult estuda a adoção de um modelo que já funciona em outras instituições culturais do país: a parceria com organizações do terceiro setor. O modelo é baseado na lei 13.019 (conhecida como o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil), que regulamenta as parcerias entre o poder público e organizações da sociedade civil.

“Os museus seguem sendo da Secult, administrados pela secretaria, com os servidores pasta, mas com essa possibilidade de que o terceiro setor também possa vir para ajudar no dia a dia desses museus, mas também trazer grandes programações para dentro deles”, explicou Yara Nunes.

A secretária citou o exemplo da Pinacoteca de São Paulo, que conta com uma associação de amigos para captar recursos externos. “Esses entes do terceiro setor têm a possibilidade de captar recursos em outras leis de incentivo, outras leis de fomento, outros editais, algo que o Estado não tem. Então, nós podemos mais do que triplicar o que é investido dentro desses museus”, afirmou.

Museu de Arte de Goiânia: 55 anos de história e resistência

Do lado municipal, o Museu de Arte de Goiânia (MAG) se destaca como a instituição mais antiga dedicada às artes visuais na capital. Criado por decreto em agosto de 1969, o museu começou a funcionar efetivamente em outubro de 1970, na Praça Universitária. A transferência para o atual endereço, no Bosque dos Buritis, ocorreu em 1981, por iniciativa do artista plástico Amaury Menezes. O diretor do MAG, Antônio Da Mata, de 75 anos, está à frente da instituição desde 2005 e relembrou esse período. “Ele veio aqui, olhou e resolveu trazer o museu para cá em 1981”, contou.

Diretor do MAG, Antônio Da Mata | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Antônio Da Mata explicou que o prédio atual do MAG não foi construído originalmente para abrigar um museu. “Ele foi construído para ser o Hospital Municipal do Servidor Público de Goiânia. Nunca funcionou o hospital aqui”, revelou. O espaço também abrigou a Escola de Artes Visuais, que posteriormente se desmembrou e formou o Centro Livre de Arte.

A luta e o amor que mantém a conservação

Um dos pontos apontados pelo diretor do MAG é a ausência de dotação orçamentária específica para o museu. “Não temos uma dotação orçamentária para o museu na questão de uso aqui, como obras e manutenções. Temos que fazer esses pedidos a gestão. Então, nessa parte o museu vive de pequenos expedientes, de ajuda de artista, a nossa ajuda e a boa vontade de todo mundo”, desabafou Antônio Da Mata. Um exemplo é a claraboia com cobertura translúcida e sistema de refrigeração natural instalada no museu.

A estrutura, no entanto, só foi possível graças à doação de um visitante, que, ao perceber os problemas no antigo telhado (que permitia a entrada de chuva e de excesso de sol e calor no espaço) decidiu contribuir para a melhoria do local. A equipe atual conta com 28 pessoas, das quais 26 são concursadas e duas são comissionadas.

Apesar das limitações, o museu mantém uma rotina rigorosa de conservação das obras. “Quando a obra entra aqui, primeiro ela é avaliada a partir do artista. Depois de avaliada, ela é submetida à restauração para saber se ela está perfeita. É feito um inventário de como ela chega. E, nesse inventário, nós descrevemos tudo. Cada obra tem a sua descrição de inventário. Após isso, ela é tombada e colocada no acervo”, explicou. 

Uma coisa que o diretor não esconde é o envolvimento emocional que desenvolveu ao longo de duas décadas à frente do Museu de Arte de Goiânia. Ele descreve o espaço como um lugar que absorve quem trabalha ali, a ponto de confundir os limites entre vida pessoal e rotina profissional. “Aqui é um lugar muito bom de trabalhar. É muito prazeroso. E a grande maioria veste a camisa mesmo, corre atrás”, afirmou, ressaltando o comprometimento da equipe mesmo diante da ausência de recursos garantidos.

E são neles que a falta de climatização adequada preocupa. O sistema de ar-condicionado, considerado essencial para a conservação das obras, está inoperante há cerca de um ano. “Se tivesse o ar-condicionado, isso nos facilitaria muito. Era muito melhor a nossa vida”, relatou Antônio Da Mata. A situação se agravou no início deste ano, quando parte dos equipamentos foi roubada. “Em meio de fevereiro vieram aqui e roubaram o resto”, relatou.

A esperança de solução vem de uma emenda parlamentar impositiva da vereadora Adriana Accorsi (PT), que destinou recursos para a aquisição de novos aparelhos. Ele explicou que o ar-condicionado é ainda mais importante para a reserva técnica do que para as salas de exposição. “Se não tiver um ar-condicionado ali, corre o risco de a gente perder aquelas obras todas”, alertou.

A segurança também aparece como uma preocupação constante no MAG. O museu não conta com vigilância presencial dentro das instalações. “Qualquer museu do mundo que você vai tem segurança dentro dele. Aqui, quando se fala de segurança, você tem que telefonar: ‘Oh, arrebentaram aqui uma porta’, aí vem e fica fazendo mil perguntas. Eles não estão presentes para saber como aquilo aconteceu. Teria que ter essa presença in loco para saber como aconteceu. Eles só estão aqui depois que acontece”, diz a educadora Malu Vaz, de 67 anos, concursada pela Secretaria de Educação e que trabalha na ação educativa do museu. 

O diretor também mencionou os problemas causados pela poeira do Bosque dos Buritis, que exige cuidados redobrados com as obras. “Um dos grandes inconvenientes nossos aqui é a poeira. Nós temos que lidar muito com isso. Aqui é um espaço de conservação ambiental. E o povo aqui usa, por exemplo, soprador. Nós fechamos a porta, tudo fechado. Isso contribui muito para a conservação das obras”, explicou.

Formação de público

Quando Antônio Da Mata assumiu a direção do MAG, em 2005, a visitação mensal era de 400 a 600 pessoas. Ele implementou um trabalho de abordagem direta aos frequentadores do Bosque dos Buritis e de contato com escolas. “Eu fiz um trabalho de sair no final de semana abordando as pessoas que estavam beijando na boca, pegando na mão, passeando. Dizer que aqui existia um museu. Convidando para que eles viessem aqui”, contou.

O resultado foi expressivo: a média atual varia entre 1,8 mil e 2 mil visitantes por mês, podendo chegar a 6 mil durante os períodos de exposição. Apesar do esforço da equipe, o diretor contou que ainda vê uma necessidade de divulgação institucional por parte do poder público. “Eu acho que tem duas questões: o nosso trabalho e o trabalho que é feito pelo poder público, que precisa ser mais divulgado. Tem muita gente que não sabe que o museu existe”, afirmou.

A educadora Malu Vaz reforçou a importância do trabalho com as escolas. “As escolas trazem criança, adolescente, e eles trazem família, colegas, amigos. É o trabalho feito aqui dentro. Essa é a formação de tudo”, disse. 

Malu Vaz | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Ela relatou uma experiência marcante com a exposição sobre Dom Quixote, quando os alunos chegaram preparados após lerem a obra literária. “Eles vieram para a exposição preparados porque tiveram um trabalho prévio. Eles fizeram só perguntas pertinentes e fizeram a comparação do Dom Quixote que foi escrito com o Dom Quixote que estava aqui”, relembrou.

A especificidade do trabalho museológico

Novamente, um problema estrutural apontado pelos gestores é a ausência de concursos específicos para a área museológica. O último concurso para a cultura municipal ocorreu em 2000, sem vagas direcionadas às necessidades específicas de um museu de artes. “Para o museu nunca teve, na verdade. Porque aqui nós precisamos de profissionais específicos. Você nunca viu falar que tem jornalista de cultura aqui. Ou que tem uma pessoa especialista em restauração. Nós temos que fazer um concurso especializado para essas coisas”, defendeu Antônio Da Mata.

A situação se agrava com as aposentadorias. A bibliotecária do museu se aposentou e o setor permanece fechado. “A bibliotecária aposentou. Está fechada. A grande maioria das pessoas que estão aqui não tem especialidade naquilo que eles deveriam. Vão aprendendo aqui com a convivência”, lamentou o diretor.

Museu Frei Confaloni: o caçula que aposta na acessibilidade

O Museu Municipal Frei Nazareno Confaloni, instalado na antiga Estação Ferroviária de Goiânia, é o mais jovem entre os museus da capital. Inaugurado em 2019, o espaço tem como missão promover a ocupação permanente do prédio histórico, que passou por restauração completa.

A gestora Adriana Alves Ferreira Godinho, diretora de Ações Formativas de Difusão e Acervo Cultural de Goiânia, assumiu o cargo na nova gestão municipal eleita em outubro de 2024. “Nós já está com projetos para a restauração do museu. E aí trouxemos um restaurador de Salvador para trabalhar sobre o painel também, que estava precisando de restauração”, afirmou.

Adriana Alves Ferreira Godinho | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

O museu se destaca pela política de portas abertas para artistas iniciantes, sem a burocracia de editais formais. “Aqui não tem nada imposto. A pessoa pode fazer uma exposição aqui tranquilamente. Temos uma agenda que é disponibilizada sem custo nenhum”, explicou Adriana. Ela defendeu a importância desse acolhimento. “O que custa para o museu receber isso? E o que isso vai acrescentar? De repente, o fulano de tal não é nada hoje, mas ele pode ser um Siron Franco na vida. Então, é o primeiro espaço que estamos dando”, disse.

Um prédio histórico com murais de valor inestimável

O prédio da Estação Ferroviária, construído em estilo Art Déco, abriga dois murais originais de Frei Confaloni, pintados em 1953 com a técnica de afresco. Já suas obras, em uma exposição fixa no museu, retratam a Via Sacra e são consideradas patrimônio de valor inestimável. A gestora explicou que existem outras duas cópias dessas obras: uma na cidade de Goiás e outra que pertenceu ao padre César, cujo paradeiro atual é desconhecido. “Então são três vias sacras que ele fez. Uma ficou com o padre César, que faleceu. Não sabemos onde ela está ainda. Aí tem essa aqui e tem a da cidade de Goiás”, contou Adriana.

Além dos painéis, o museu abriga cerca de 100 obras doadas por Amaury Menezes, entre estudos e desenhos de Frei Confaloni. O espaço também conta com a Biblioteca Amaury Menezes, especializada em arte, que recebeu doações do acervo pessoal do artista. “O Amaury doou para gente o acervo todinho. Tem muito pesquisador de arte, estudante de arte, que quer alguma coisa específica, sabe, um livro ou alguma coisa assim, tem a biblioteca”, explicou a gestora.

Visitação expressiva e o passeio ao relógio

O Museu Frei Confaloni funciona de segunda a segunda, das 8h às 17h, incluindo finais de semana e feriados. A visitação média mensal varia entre 5 e 6 mil pessoas, segundo a gestora. “Porque fazemos o registro e contabilizamos também as crianças que vêm em excursão escolar. Às vezes, eu recebo aqui 120 crianças. Param dois ônibus aqui na frente”, relatou a gestora Ketty Leite de Morais, que há 22 anos trabalha na área cultural de Goiânia e está no museu há dois anos.

Ketty Leite de Morais | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Um dos atrativos diferenciais é a possibilidade de subir até o relógio da estação, uma estrutura original da construção. A partir de outubro, a equipe planeja oferecer visitas guiadas aos finais de semana. “Esse passeio até o relógio é assim: você vai subir pela escada, que é uma escada feita na construção do prédio, original, tudo original. É uma coisa que ninguém viu aqui em Goiânia. É uma coisa bem diferente”, descreveu Adriana.

A gestora Ketty Leite destacou a importância da experiência. “É um programa de família. É uma coisa bem bacana”, afirmou. Ela também ressaltou o caráter educativo do espaço. “A criança vai lembrar daquilo para o resto da vida: ‘Nossa, eu já fui lá’. Isso é muito bom, ela vir aqui, ser recebida, ver coisa nova, ver coisa diferente, conhecer a história”, disse.

Desafios de segurança e infraestrutura

Apesar do otimismo, o Museu Frei Confaloni enfrenta problemas semelhantes aos de outras instituições culturais da capital. A questão da segurança é uma preocupação constante, especialmente por se tratar de uma região central. “A questão da segurança é uma coisa muito séria. Por exemplo, quando chove, às pessoas em situação de rua vão ficar onde? Eles vão se abrigar, ficar embaixo da marquise. Então, isso é um problema social”, explicou Adriana.

A gestora mencionou o episódio do roubo de fios elétricos que deixou a estação sem energia por 25 dias. “Roubaram a fiação inteira. Ficou só uma fase. É um problema. E isso aconteceu na cidade inteira”, relatou. A esperança vem da instalação de novas câmeras de segurança com reconhecimento facial pela prefeitura. “As câmeras agora começaram a chegar. Isso para nós é ótimo. Ficamos bem mais seguros aqui”, afirmou.

A manutenção do prédio segue um trâmite específico por se tratar de patrimônio tombado nas três esferas. “Como aqui é um patrimônio histórico tombado, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem as suas regras e normas que todo o prédio público tem que respeitar. A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) dá esse suporte para que a gente consiga”, explicou Adriana. 

A gestora revelou que está em elaboração um projeto de restauração que precisará da aprovação do Iphan logo mais. “Nós já recebemos a visita da Seinfra aqui no prédio para ver o arquiteto, o engenheiro, para ver as nossas demandas. Isso aí está em fase de elaboração desse projeto”, disse.

A importância da comunicação digital

A nova gestão municipal também implementou mudanças na comunicação dos museus. Antes centralizada na assessoria da Secretaria de Cultura, a divulgação agora é feita diretamente pelas unidades. “Na gestão passada, era mais fechado. Nós não tínhamos tanta liberdade para divulgar. Existia um entendimento de que tinha que ser unificado. Todo material, de todas as unidades, era repassado para a assessoria. O que, na verdade, ficava muito sobrecarregado”, explicou Ketty.

A mudança trouxe agilidade e maior alcance, com a equipe contando com aparelhos celulares disponibilizados pela Prefeitura para registrar as atividades e alimentar as redes sociais. “A pessoa que faz para gente, ela está aqui, ela fotografa com o material, a gente já tem um acervo. Então, fica tudo aqui. Nós temos esse controle também de imagem”, completou.

O que falta para os museus de Goiânia avançarem?

Os depoimentos dos gestores apontam para desafios comuns: falta de recursos orçamentários específicos, carência de servidores especializados, problemas de segurança e infraestrutura, e a necessidade de maior divulgação institucional. 

A secretária Yara Nunes resumiu o principal gargalo. “A Constituição fala algo que é muito piegas: todo poder emana do povo. Nós precisamos que as pessoas gerem a demanda para que consigamos aumentar a oferta. Quanto mais as pessoas visitarem esses museus, mais vamos entender que precisa aumentar o investimento, a estrutura e tudo o que for necessário”.

Ela reconheceu os avanços, mas destacou a necessidade de ampliar os recursos. “Chegamos num momento que talvez seja um dos melhores que o Estado já teve em relação aos museus e seus equipamentos culturais, mas não queremos ficar aqui. A casa foi arrumada. O que nos cabe agora é evoluir e avançar. E isso requer mais recursos”, afirmou.

No âmbito municipal, o diretor do MAG, Antônio Da Mata, descreve ainda o apego pelo local, que, segundo ele, ultrapassa as obrigações funcionais e se transforma em um sentimento de pertencimento que poucos ambientes de trabalho conseguem despertar. “Nós estamos tão envolvido aqui que eu nem presto atenção nessas outras coisas. Nós funcionamos e acho muito bom que funcionemos, porque a comunidade vem e estamos aqui para receber”, disse. 

Para Antônio Da Mata, é justamente esse amor pelo acervo e pela história do museu que mantém a instituição viva. “O que eu acho, pelo amor que temos por isso aqui, é que deveria ser muito, mas muito mais valorizado. Porque um lugar desse, um acervo desse, um pessoal que está aqui, tinha que ser muito valorizado”.

A gestora Adriana Alves, do Museu Frei Confaloni, reforça isso e demonstra otimismo com o futuro. “Se tiver um investimento e tiver essa vontade, o museu vai ficar aí muito tempo. Eu acho que precisa, sim, ter gente que queira continuar, porque o espaço é bom, é agradável e temos procura. Não é um espaço que não tem ninguém. Tem demanda. Então, enquanto ele estiver funcionando, atendendo bem, ele tem tudo para dar certo”, concluiu.

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