Quem já se garantiu, e quem ainda corre atrás

Bittencourt, Vanderlan e Iris têm vaga assegurada. Waldir, Rincón e Vecci disputam no PSDB. Virmondes depende do PSD. PT segue indefinido

Montagem

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Afonso Lopes

Ainda está muito cedo para discutir as eleições municipais do ano que vem, certo? Negativo. O calendário político-eleitoral é diferente do gregoriano. Dentro de seis meses, por exemplo, o ano vai acabar para uma porção de candidatos. É quando vão ser realizadas as convenções partidárias para determinar candidaturas ou alianças. É um funil implacável, onde só cabe um candidato a prefeito por partido.

Dois nomes demonstram plena atividade e vigor político neste momento, além de contarem com partidos totalmente pacificados em torno deles: Luiz Bittencourt, pelo PTB, e Vanderlan Cardoso, pelo PSB. Eles só não vão disputar a sucessão do prefeito Paulo Garcia se não quiserem. Vanderlan é o manda-chuva do partido em nível municipal, com total apoio da senadora Lúcia Vânia, que é quem dá as cartas em nível estadual. Já Bittencourt tem carta branca para falar e negociar em nome do PTB concedida pelo seu comandante estadual, o deputado federal Jovair Arantes.

Indefinições

Tudo e todos os que existem além do mundico desses dois partidos correm para nortear o caminho a ser seguido em 2016. No PMDB, a grande, e única, esperança é novamente lançar a candidatura de Iris Rezende. Ex-governador e ex-prefeito, ele permanece com um recall eleitoral extraordinariamente forte, e representa a esperança dos peemedebistas para retomarem o comando de Goiânia.

A capital é o universo de Iris. Ele já foi o bambambã de Goiás, mas perdeu todo o encanto, como demonstram as derrotas que sofreu na disputa pelo governo e até para o Senado. Algumas pesquisas realizadas este ano mostram que seu nome é o preferido por cerca de 30% do eleitorado. Isso significa que, mantido esse patamar, no mínimo ele entra na campanha com um pé no segundo turno. Ele não é mais tão favorito como já foi em eleições passadas, e de certa forma sua candidatura apresenta algum tipo de risco, mas é o nome referencial para 2016. Seu maior problema é a aliança com o PT. Se for confirmado o rompimento entre os partidos, a campanha de Iris deve pender para um discurso oposicionista, o que pode irritar os petistas e abrir uma guerra que pode revelar dados sobre uma comentada herança complicada de Iris ao seu sucessor.

Há rumores no PMDB de que o velho líder prefere acompanhar e se preservar na eleição municipal para, talvez, tentar um mandato de senador em 2018, quando vão estar em jogo duas vagas, como em 1994, ano em que ganhou para o Senado naquela que marcou também a sua última vitória numa disputa estadual.

A indefinição de Iris amarra o PMDB de Goiânia. Sem Iris, o partido não terá candidatura com ao menos uma pontinha de favoritismo inicial. Ao contrário, quem quer que seja o substituto, ele deverá começar a campanha atrás de outros concorrentes. Em outras palavras, com Iris o PMDB inicia com um pé no segundo turno. Sem Iris, não.

No PSDB, a situação é ainda mais complicada pelo potencial explosivo que a disputa interna carrega. Há três nomes em condições de brigar pela unção partidária: o deputado federal Waldir Soares, o presidente da Agetop, Jayme Rincón, e o também deputado federal Giuseppe Vecci. São três perfis completamente diferentes. Waldir tem um fortíssimo apelo popular, setor do eleitorado onde nada de braçada. Fora desse numeroso nicho, a coisa complica bastante. Ele não consegue a mesma penetração no eleitorado do patamar cultural do andar acima.

Jayme Rincón é a melhor opção dos tucanos goianienses se a opção for por um candidato com perfil de gerentão. Nesse sentido, ele é um candidato absolutamente pronto. Não precisa nem mesmo afiar o discurso, bastante agressivo ao debater diretamente contra os adversários. O problema dele é exatamente o andar de baixo, onde reina Waldir Soares. O maior trunfo de Jayme Rincón internamente é sua excelente relação com os principais grupos que compõem o PSDB de Goiânia, mais até do que Vecci.

Giuseppe é o discurso técnico. Ele sempre atuou nos bastidores do alto tucanato, e representa o setor pensante do partido. Estreou nas urnas no ano passado e ficou entre os mais votados para a Câmara dos Deputados graças à herança que recebeu de tucanos que não disputaram a reeleição. Essa herança foram diretórios muito bem estruturados, e ele correspondeu às expectativas internas, o que mostra que além de ótimo técnico também sabe trabalhar no campo político. Ele também não se dá tão bem no patamar abaixo.

Fora dos holofotes onde se encontra essa turma do barulho, o deputado federal Fábio de Souza procura se construir como alternativa. Ele pode ser a carta na manga do PSDB caso a disputa descambe para a pancadaria interna, o que prejudicaria a todos. É inteligente, tem discurso fácil e navega fácil entre todas as faixas do eleitorado, mas não é fortemente destacado em nenhuma delas. É a opção do partido numa campanha de “paz e amor”.

No PSD, o deputado estadual Virmondes Cruvinel tem demonstrado mais vontade de se candidatar do que o seu partido em lançar candidato próprio. Essa é uma característica do PSD goiano. A cúpula é composta principalmente pelo ex-deputado Vilmar Rocha e pelo deputado Thiago Peixoto, duas raposas inteligentes e conciliadoras. O partido tende sempre a levar um tempão para se decidir em torno de alguma posição peremptória, como uma candidatura solo, mas depois que decide não recua. Se definir por candidatura própria a prefeito de Goiânia, Virmondes é o nome. Se não, se resolver estrategicamente se posicionar na vice de alguma outra chapa, Virmondes torna-se uma das opções.

Por fim, entre os chamados grandes partidos, o PT vive um dramalhão mexicano por falta de definições. O partido é mestre no blefe, mas algumas vezes acaba tendo que acreditar nele até por falta de opção. Foi o caso da candidatura de Antônio Gomide ao governo do Estado no ano passado. Apresentado como nome do PT, quando todo o mundo político sabia que suas chances eram praticamente insignificantes, demorou demais para abrir negociações e foi obrigado a seguir em frente e acreditar num milagre. Quebrou a cara, e não a urna, como se esperava.

Para o ano que vem, o melhor dos mundos seria ocupar a vice da chapa de Iris Rezende, mantendo assim a complicada aliança com o PMDB. A impressão que se tem neste momento é que o PT sonha com uma piscadela de Iris nesse sentido, mas por enquanto, e até onde se pode ver nesse horizonte, esse sonho tem todo o enredo para se transformar em pesadelo. Se for para a eleição com nome próprio, a deputada estadual de primeiro mandato Adriana Accorsi tem a preferência.

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