Quando jogar um simples papel no lixo torna-se uma tarefa quase impossível

Um olhar cuidadoso sobre a cidade revela que ela não é pensada para sua população e leva à conclusão: andar a pé na capital goiana é uma odisseia

Fernando Leite/Jornal Opção

Fernando Leite/Jornal Opção

Frederico Vitor e Marcos Nunes Carreiro

O repórter caminha de­vagar e atento a tudo o que se passa na Rua 9. Esta via do Setor Oes­te em Goiânia parece um tanto mais movimentada que o normal. “Será o horário?”, pensa. Talvez. Também podem ser aquelas pessoas evitando tomar o caminho da Avenida 85, devido às obras do corredor preferencial para ônibus.

O dia se aproxima de sua metade e já é possível sentir certo cheiro de comida no ar, o que indica panelas no fogo. Há restaurantes na região, visto que há hospitais por ali. A própria rua começa no fundo do Hospital Geral de Goiânia (HGG), um local bastante movimentado.

O pensamento sobre comida faz o repórter lembrar de que ainda não tomou café da manhã. O ronco do estômago alerta para a fome então esquecida e ele tira do bolso uma balinha. Coloca na boca para enganar o apetite, amassa o plástico da balinha e prepara-se para jogá-lo na lixeira. Não há nenhuma. Continua andando com o plástico na mão.

Quinhentos metros à frente, a mão se cansa do trabalho de amassar a embalagem. Já andou mais de duas quadras, o congestionamento dá sinais de que a Avenida Assis Chateaubriand se aproxima, mas nenhuma lixeira à vista. Em um trabalho de concentração, como para matar o tédio, ele dobra o plástico simetricamente e o guarda no bolso esquerdo da calça.

Enquanto caminha o jornalista percebe que, embora haja muitos carros, há poucas pessoas andando a pé. Como ele próprio só faz seus trajetos sobre quatro rodas, estranha ao notar tal fato, embora se sinta bem caminhando naquele dia. Ameaça chover, um vento fresco balança seus cabelos e ele enfim chega à Praça do Sol, a única existente na Rua 9. Um pedaço de verde em meio a tantos prédios. Anda alguns poucos metros e “ah! Uma lixeira”. Duas, na verdade, com poucos metros entre elas.

Pega a pequena obra de arte que fez com o plástico do doce, mas não joga no cesto de lixo. Decide percorrer a rua até o seu fim, na Rua T-55, no Setor Marista, apenas para contar quantas lixeiras ele encontrará pelo caminho. “Precisei andar mais de um quilômetro para encontrar uma, quanto terei que andar para achar outra?”.

Se ele soubesse a resposta, não teria feito isso. Um quilômetro e meio depois, as pernas nada acostumadas a andar tanto já doendo, o rapaz descobre que precisará caminhar um pouco mais, pois não encontrou nenhum local onde depositar seu lixo. Ainda bem que há outra praça a poucos metros, a Tira­den­tes, no encontro das avenidas 85 e 136. Seguindo a lógica, na praça será possível encontrar um cesto de lixo.

Depois de andar quase três quilômetros, o repórter se senta em um ponto de ônibus e sua curiosidade aguça: “Se nos quase três quilômetros da movimentada Rua 9 existem apenas duas lixeiras, quantas há em Goiânia?”. Impossível saber. Mas um levantamento feito nas principais avenidas e ruas da cidade pode dar um parâmetro de comparação. Liga para seu colega de jornal e faz a proposta: “Quer andar pela cidade?”.

Os dois, então, dividiram as tarefas: um iria percorrer as avenidas 85, T-9, T-63 e República do Líbano; o outro ficaria responsável pelas avenidas Araguaia, Paranaí­ba, Tocantins, Goiás, 10/Univer­sitária e Anhanguera.

Em dois dias, na companhia do repórter fotográfico Fernando Leite, a dupla percorreu esses locais com um único trabalho: contar lixeiras. No terceiro, encontraram-se para trocar as informações:

— Como foi?

— Espera. Deixa eu ligar esse ar-condicionado porque eu andei demais hoje. No 17 está bom? Beleza. Então, veja só: nos mais de quatro quilômetros da Av. 85 encontrei 16 lixeiras. Entre a Praça Cívica e o viaduto da antiga Praça do Ratinho são apenas duas, localizadas no cruzamento com a Rua Dr. Olinto Manso Pereira. Um bom lugar, afinal, é próximo à Praça Cí­vi­ca e também do Tribunal de Justiça. Há um bom fluxo de pessoas por lá. Não havia nenhuma antes, a não ser em volta do centro administrativo da capital. Deste ponto ao fim da via, no Setor Serrinha, contei 14. Mas tem uma questão.

— O quê?

— Das 16 lixeiras, nem todas estão em condição de uso. Muitas delas ainda são da gestão do ex-prefeito Nion Albernaz (1997-2001), aquelas azuis, sabe?

— Sei, sim. E nas outras avenidas?

— Bom, na T-9 são duas.

— Duas?! A T-9 tem quase cinco quilômetros.

— Pois é. As duas ficam na Praça C-220, aquela cercada por agências bancárias. Na T-63 há muitas, 76. Porém, com o mesmo problema das que vi na Av. 85: uma boa parte sem condição de uso e com o agravante de estarem em locais não muito estratégicos, como atrás de postes de energia. São um tanto inacessíveis. Além disso, entre o Mercado do Setor Pedro Ludovico e o viaduto da Av. 85, não há nenhuma, apenas os suportes. As melhores que encontrei estão na República do Líbano, mas são apenas 24 ao longo de toda a via. E você, o que encontrou?

— Dei um pouco mais de sorte, com exceção da Av. Anhan­guera. Ao longo dos quase 10 qui­lô­metros que percorri, entre a Praça da Bíblia e o Terminal do Padre Pelágio, encontrei o mesmo número que você na T-63: 76. Foi complicado contar todas porque no trecho que passa pelo Centro, por exemplo, praticamente não há lixeiras, apenas os suportes, muitas vezes usados pelos am­bulantes como marco para de­positar os sacos de lixo que acu­mulam du­rante o dia. Fica di­fícil vê-los. São 18 cestos da Praça da Bíblia à Av. Tocantins, 31 até a Praça A, 71 até o Ter­minal do Dergo, fechando 76 no Terminal Padre Pelágio.

— E as outras avenidas do Centro?

— Sim, foi por elas que disse ter dado mais sorte que você. Na Araguaia são 37 – até o cruzamento com a Anhan­guera, muitas; depois, esparsas. Na Paranaíba, 60, mas veja só: no trecho entre a Anhanguera e a Araguaia há apenas um PEV (Ponto de Entrega Voluntário) em frente ao Colégio Cla­re­tiano. Mesmo assim, meio aberto, vazando lixo. Até o reencontro com a Anhanguera, já perto da República do Líbano, há as outras 75, mas muitas quebradas, algumas furadas. Na Tocantins são 40 e na Av. 10 são 38, muito devido à ciclovia. Porém, entre a Praça Universi­tária e o Terminal da Praça da Bíblia não há nenhuma.

— Faltou a Av. Goiás.

— Essa é diferente, talvez pela sua importância e história de conservação. Afinal, é a principal Avenida da cidade, o centro do traçado original de Goiânia. Nela, há 125 cestos de lixo. 44 da Praça Cívica à Av. Anhanguera; 45 entre esta e Av. Paranaíba; e 36 até a Praça do Trabalhador.

Avenida Goiás é exemplo para o resto da cidade

Pedro Wilson: “Queríamos incentivar as pessoas a se utilizarem da Av. Goiás no fim de tarde. A ideia era criar como fizeram com a Las Ramblas, uma Avenida de Barce­lona, na Espanha, que é um local referência”

Pedro Wilson: “Queríamos incentivar as pessoas a se utilizarem da Av. Goiás no fim de tarde. A ideia era fazer como na Las Ramblas, uma Avenida de Barce­lona, na Espanha, que é um local referência”

O título acima resume a análise pretendida para o restante da cidade no que concerne à qualidade de vida dos pedestres. O diálogo entre os repórteres mostra a fragilidade da bandeira sustentável por que Goiânia se propôs a ser conhecida, não apenas pelo escasso número de cestas de lixo distribuídas nas principais vias de tráfego da capital goiana, mas também pela falta de atenção ao pedestre. Afinal, como bem diz a arquiteta urbanista, doutora em transportes e pesquisadora na Universidade Federal de Goiás (UFG) Erika Cristine Kneib: “Devemos pensar a cidade como um conjunto”.

No conjunto da obra, temos: calçadas, iluminação, árvores e o mobiliário urbano de forma geral, como bancos, tipos de pavimento, lixeiras, entre outros elementos. E no que concerne a esses pontos, em grande parte — não em todos —, a Avenida que deveria ter sido chamada Pedro Ludovico Teixeira, mas por força deste foi inaugurada com o nome de Goiás, é símbolo para a cidade. Exemplo de cuidado não apenas com a história, mas com as pessoas que por ela circulam todos os dias.

Cuidado que pode ser remetido à figura de Pedro Wilson, o ex-prefeito que atualmente preside a Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma). Quem vive na cidade há mais tempo sabe que os comerciantes chamados ambulantes hoje fixados no Mercado Aberto da Av. Paranaíba tinham na Av. Goiás seu “lar” profissional. As barracas que “ornamentavam” o lugar eram sua fonte de renda, mas acabavam com qualquer qualidade de vida que a população poderia ter na via mais importante da cidade.

Coube a Pedro Wilson encarar o problema, tirar essas pessoas de lá e devolver à primeira Avenida da capital seu caráter de boulevard, palavra usada pelo próprio ex-prefeito ao sair de uma reunião para atender à ligação desta reportagem numa tarde de quinta-feira. Nenhuma reunião em Brasília impediu que Pedro falasse por alguns minutos do projeto marca de sua gestão à frente da cidade, o conhecido Cara Limpa.

“A Avenida Goiás”, ele diz, “é símbolo do projeto do arquiteto Attilio Corrêa Lima. Por isso, tiramos todos os ambulantes dali e os levamos para o Mercado Aberto e para outros lugares. Retomamos a consciência ao conjunto da obra que há naquele lugar”. Sim, o conjunto estilístico art déco.

Mas a recuperação foi para além disso, segundo o ex-prefeito. Ele afirma: “Nós temos no Cen­tro de Goiânia muitos apartamentos para aposentados e pessoas idosas, que escolhem a região porque tem quase todas as atividades ali”. Por isso, tantas lixeiras, bancos e a cuidados na recuperação da paisagem do local. “Queríamos incentivar todas essas pessoas a se utilizarem da Av. Goiás no fim de tarde. A ideia era fazer como a Las Ramblas, uma Avenida de Barce­lona, na Espanha, que era comum e depois acabou se transformando em uma referência comercial e cultural”, explica Pedro.

A ideia foi boa e as 125 lixeiras existentes na Av. Goiás, embora nem todas estejam utilizáveis, dão ao lugar um caráter mais limpo, mais agradável para ficar. É isso que falta em Goiânia. Os dois repórteres que assinam esta reportagem puderam perceber algo na cidade ao percorrer a pé suas principais vias: andar em Goiânia é uma verdadeira odisseia.

Não são apenas lixeiras que faltam, mas também calçadas adequadas. Há dificuldade em disputar espaço com carros, comércios e recuos de estacionamento. Falta limpeza. É possível ver, ao longo de muitos caminhos, inúmeras garrafas pet, latinhas de cerveja e refrigerante; e papéis de balinha — ora, nem todas as pessoas são entediadas o bastante para dobrar simetricamente a embalagem e guardá-la no bolso da calça como o fez o jornalista descrito na abertura desta matéria.

Erika Kneib: “As pessoas já não andam mais a pé por ser difícil”

Erika Kneib, arquiteta: “As pessoas já não andam mais a pé por ser difícil”

A especialista

“Quando trabalhamos com planejamento da cidade, é importante observar três escalas: a macro, que é a escala da cidade; a média, que é a de bairro, onde há os parques, as vias etc.; e por último a micro, a escala do detalhe, da pessoa, do pedestre. Esta última é aquela que as pessoas entendem como qualidade de vida e que tem sido abandonada pelas gestões públicas.”

A fala é da arquiteta urbanista e professora da Universidade Federal de Goiás (UFG) Erika Cristine Kneib. Em termos técnicos, esta escala da pessoa é sobre o que esta matéria está trabalhando desde seu princípio, pois trata do, infelizmente, mal projetado e mantido mobiliário urbano de Goiânia.

No dia em que a reportagem esteve na Av. Goiás, havia uma equipe da Companhia de Urbani­zação de Goiânia (Comurg) fazendo a manutenção do local: cortando a grama e coletando o lixo — sim, mesmo com 125 lixeiras havia lixo no chão e isso é descrédito para a população. Entretanto, não é algo que se veja com constância nos outros locais da cidade.

Por isso, é possível afirmar que a Av. Goiás é exemplo para o que deve ser feito em todas as outras ruas de Goiânia. “Um mobiliário urbano bem projetado, bem implementado e funcional traz uma presença de cuidado para o espaço. O local que não tem lixeira, por exemplo, e em que a calçada está esburacada, é um lugar que ninguém gosta de ir porque não inspira segurança. Na questão urbana, uma coisa puxa a outra”, analisa Erika.

Isto é, a implantação do conjunto dessas coisas faz com que se crie a possibilidade de fazer um lugar ser agradável ou não. Veja-se o exemplo do que aconteceu em Nova York, nos Estados Unidos, com o programa Tolerância Zero: um papel no chão tem x segundos para ser recolhido, porque um papel no chão estimula as pessoas a jogarem outro. A partir do momento que se tem um espaço limpo, as pessoas ficam inibidas de sujar. Mas se sujam e não há a devida manutenção, infelizmente a tendência é sujar cada vez mais.

Nisso entra a presença do Es­ta­do com a conscientização das pessoas e também com a fiscalização. Em lugares em que há manutenção constante e fiscalização, as pessoas pensam duas vezes antes de jogar um papel no chão. É um ciclo vicioso: “As pessoas andam de carro porque é muito fácil, mas também andam pouco a pé por ser difícil. E essa falta do andar a pé, por sua vez, ajuda a não ter uma manutenção efetiva nas calçadas e em relação ao mobiliário urbano. Só conseguimos resolver os problemas de mobilidade quando temos um conjunto de fatores funcionando integrado”. Erika tem razão.

Com poucas lixeiras pela  cidade, onde há uma o  lixo se acumula

Com poucas lixeiras pela cidade, onde há uma o lixo se acumula, como é possível ver neste cesto no fim da T-63

Goiânia precisa de pelo menos 7 mil lixeiras

Cabe aos urbanistas estudarem a cidade. Assim, Renato Rocha, arquiteto e urbanista, doutorando pela Universidade de Brasília (UnB) e diretor do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniEvangélica, aponta que há um número ideal para a quantidade de lixeiras em uma cidade: uma para cada 100 habitantes, no mínimo uma lixeira para cada 200.

Se considerarmos que a capital abriga aproximadamente 1,4 milhão de habitantes, Goiânia, portanto, deveria ter cerca de 14 mil lixeiras disponíveis nos espaços públicos — o mínimo aceitável é 7 mil —, principalmente em locais onde há grande fluxo de pedestres. Mas, como já sabido, esta não tem sido uma realidade, para a infelicidade dos contribuintes e munícipes da capital.

O resultado da falta de políticas públicas voltadas para uma urbanidade mais limpa e sustentável é a diversidade de problemas como doenças, entupimento de esgotos e atração de insetos e roedores, um perigo para a saúde pública. Se a prefeitura provém suficientemente bem de lixeiras em praças centrais, é também um dever levá-las para os bairros em sua totalidade. Afinal, todos têm o mesmo direito.

Jogar lixo nas vias públicas é uma prática que evidencia a falta de educação de alguns pedestres ou a consequência direta da falta de disponibilização de lixeiras em vias públicas. De bitucas de cigarro a embalagens e restos de comida, papel e outros rejeitos, a cidade vai se tornando um enorme depositório de lixo a céu aberto. Qualquer resíduo jogado na rua produz um acúmulo final de toneladas de sujeira, cujo destino é quase sempre os bueiros.

O acúmulo de sujeira em bocas de lobos, geralmente causado pela má utilização das lixeiras — as que existem —, é o principal responsável pelas fortes enxurradas que, além de disseminar doenças, contribuem significativamente para a poluição dos lençóis freáticos.

Segundo Renato Rocha, o déficit no planejamento da cidade reflete di­retamente na falta de lixeiras em locais onde há aglomeração de pe­destres. “É uma preocupação, pois se o pedestre produz lixo durante sua caminhada, ele não tem onde jogá-lo. No afã de desfazer dos resíduos por faltas destes importantes equipamentos públicos ele é levado a lançá-lo ao chão, emporcalhando ainda mais a cidade”, afirma.

Mas não basta inundar as ruas de cestos de lixo se a população não tiver consciência de que é preciso fazer o descarte adequado de resíduos. A grande questão é trabalhar a conscientização da população. Isso precisa ser prioridade. Renato Rocha chama atenção para a necessidade dos programas e projetos de educação para destinação correta do lixo.

Também pouco adiantaria instalar novos equipamentos públicos se não forem implantados em locais estratégicos e de fácil acesso. Segundo o urbanista, partir diretamente para iniciativas como as que ocorrem em Londres ou São Paulo, por exemplo, em que o pedestre que joga lixo no chão recebe uma multa, não resolveria o problema. “Seria interessante em um primeiro momento trabalhar com a conscientização da população, no sentido de promover campanhas educativas”, diz.

De qualquer forma, a simples presença de uma lixeira na trajetória de quem transita pela cidade caminhando já é um grande incentivo para a destinação correta dos lixos. Numa época em que as questões ambientais e de sustentabilidade precisam ser encaradas de forma mais séria pelo poder público, conscientizar a população da importância do manejo correto do lixo deve ser visto como ponto de partida para uma gama de ações que de fato surtirão efeitos para uma cidade mais limpa e sustentável.

“As pessoas enxergam a cidade como se ela tivesse nascido na gestão do prefeito Paulo Garcia”

Em alguma época houve cestos de lixo na cidade. Hoje, em alguns locais, há apenas os suportes, como este na Av. T-63

Em alguma época houve cestos de lixo na cidade. Hoje, em alguns locais, há apenas os suportes, como este na Av. T-63

Como a maior interessada no assunto é a Prefeitura de Goiânia, a reportagem foi ao Paço Municipal ouvir o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano Susten­tável (Semdus), Paulo César Pereira, a respeito das políticas de limpeza. Entrevistado em seu gabinete, por voltas das 17 horas de quinta-feira, 5, o titular parecia desconfortável em suas respostas. Contudo, garantiu que o Executivo tem voltado suas atenções para a melhoria da disponibilização de equipamentos públicos, que, no caso das lixeiras, poderá ser contemplado pela licitação de novos desses equipamentos e pela aprovação de um projeto de lei municipal, conhecido como Lei das Calçadas, o que deve ajudar a melhorar a questão.

— A Prefeitura de Goiânia tem se voltado às questões de mobilidade urbana, principalmente do transporte coletivo, que deve de fato ser privilegiado em detrimento do individual. Dentro desta diretriz o poder público municipal tem instalado corredores preferenciais de ônibus em vias importantes, como nas avenidas 85 e T-63, tendo como próximo passo a implantação do sistema no corredor da T-7. Entretanto, essa política não estaria se esquecendo do cidadão que se locomove a pé pela cidade? Qual é a dificuldade do Executivo em prover lixeiras públicas para que os pedestres, de maneira geral, possam descartar corretamente o lixo individual?

— Estamos elaborando o edital para contratação de empresas que possam disponibilizar alguns equipamentos públicos. Nós já tivemos algumas ofertas de empresas que queriam explorar a propaganda e instalar esses equipamentos. Eles vieram até mim e disseram que têm a pre-disposição de montar essas lixeiras. Mas eu disse a eles que a Prefeitura está montando um edital para contratação de uma empresa, portanto um certame público que permitirá quem quer seja a instalar alguns equipamentos públicos que, dentro deles, compreendem lixeiras e identificações de logradores públicos. A imprensa nos tem cobrado a respeito da manutenção dessas placas. A Prefeitura vem correndo contra o tempo, tentando instalar alguns desses equipamentos, e tem se deparado com os problemas no qual você bem apontou. Assim, pretendemos concluir essa licitação ainda neste primeiro semestre, não só para disponibilizar esse serviço como fazer o mapeamento que você sugere e identificar onde está a maior concentração de pedestres e a maior demanda de instalação destes equipamentos para que a cidade esteja bem servida.

Paulo César Pereira: “É preciso fazer uma avaliação histórica de todas as gestões da cidade ao longo dos anos para vermos efetivamente as ações que a contemplaram como um todo”

Paulo César Pereira: “É preciso fazer uma avaliação histórica de todas as gestões da cidade ao longo dos anos para vermos efetivamente as ações que a contemplaram como um todo”

Nesse momento, apresentamos ao secretário o exemplo da Avenida T-63, onde está evidenciada a falta de planejamento da disposição das lixeiras, já que nos locais onde há uma maior aglomeração de pedestres, em razão da grande concentração de comércios, bares, restaurantes, padarias, agências bancárias, postos de gasolina e empórios, não há cestos de lixo suficientes:

— Na Avenida T-63, por exemplo, existem 76 lixeiras públicas. Acontece que no trecho após o viaduto João Alves de Queiroz, no cruzamento com a Avenida 85, em sua extensão até a Praça Nova Suíça, nós contamos apenas duas lixeiras. Os outros cestos de lixo estão todos bem distribuídos ao longo da via depois daquela praça, onde, diferentemente do trecho anterior, não há grande fluxo de pedestres.

— Na verdade, se você começar a fazer esse apontamento estatístico seria melhor conversar com a Comurg, que é a companhia responsável pela limpeza urbana. Nessa licitação na qual o edital será lançado, certamente nós vamos envolver a companhia de limpeza urbana porque ela deve ter dados muitos mais precisos que vão apontar os locais onde devemos fazer as instalações e em quais os locais nós devemos fazer a substituição e as devidas manutenções. Portanto, o indicativo e quantitativo da instalação desses equipamentos são feitos pela Comurg e eles mesmos categorizam as vias prioritárias para receberem novas lixeiras.
Insisto em perguntar sobre as calçadas, pois, na maioria das vias verificadas, há um claro desleixo em relação a estas estruturas, e isso acaba recaindo também na ausência ou depredação de cestos de lixo:

— Ainda em relação às políticas voltadas aos pedestres, como anda as ações em relação às estruturas das calçadas? É visível que as normas que regularizam as calçadas não são respeitadas, já que muitas são usadas como estacionamento e outras estão completamente destruídas, esburacadas e oferecendo riscos aos pedestres. Por consequência, há muitas li­xei­ras depredadas. Muitas delas apresentam apenas o suporte, sem o cesto.

— A Prefeitura e o próprio prefeito têm sido alvos de muitas críticas com relação à sustentabilidade e ao transporte coletivo. O interessante é que essas críticas enxergam a cidade como se ela tivesse nascido na gestão do prefeito Paulo Garcia. É preciso fazer uma avaliação histórica de todas as gestões ao longo da idade da cidade para vermos efetivamente as ações que contemplaram a cidade como um todo. Há ações emblemáticas de um ou de outro gestor, mas quando entramos no mérito do planejamento da cidade vamos abrir espaço para fazer questionamentos a muitos gestores. O que a gente está propondo? E aí a pergunta é oportuna, porque, apesar do não conhecimento e da não divulgação, o prefeito Paulo Garcia está tendo uma atitude de muita coragem ao instituir e instalar os corredores de ônibus. Muitas vezes, vêm pessoas querendo fazer uma discussão superficial e colocam como se a gestão não buscasse a sustentabilidade. No projeto dos corredores, por exemplo, é acompanhado todo o conjunto, inclusive olhando para as calçadas a fim de assegurar não só que o pedestre tenha acesso aos terminais e possa transitar com conforto. Em linhas ge­­rais, há diretrizes da Prefei­tura para as calçadas e estamos elaborando uma minuta de projeto de lei que estabelece critérios muito claros e bastante razoáveis em relação à construção de calçadas em Goiânia, não somente nos eixos que estamos fazendo para o transporte coletivo.

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luis

A realidade é mesma na maior feira aberta da América Latina, a Feira Hippie, onde milhares de consumidores e visitantes, não encontram nenhuma lixeira em toda a extensão da feira para descarte do lixo. No final a feira é um verdadeiro lixo. Acredito que é a realidade em várias feiras de toda a nossa Goiânia.

arthur de lucca

Gostei da matéria. Posso fazer uns comentários? O que nos preocupa é que vereadores na “falta do que fazer” ou de “fazer além do que deveria” estilo Chiquinho de Oliveira, Amarildo Pereira, Wladimir Garcêz e quase todos; enviem alguma propositura semelhante do que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro. “Multas” em pessoas que jogam bitucas de cigarros nas ruas. Copacabana, Ipanema, Leblon, porque na Rocinha, fiquei impressionado com as montanhas de lixo no Largo do Boiadeiro e com o “Valão” de esgoto a céu aberto quando lá estive. Em Goiânia, nesta administração(?) PT/PMDB,cujo slogan de campanha foi “Cidade ecologicamente… Leia mais

Leandro Sant'Anna

Quem é educado leva seu lixo consigo até achar uma possível lixeira. O problema não é tão simples. Não é só existir lixeiras que a cidade estará limpa. O problema é a péssima educação dos goianos, que ainda acham que vivem em uma roça. Podem colocar lixeira de metro em metro, mas enquanto a população continuar sem o mínimo de civilidade, teremos lixo no chão. Infelizmente.