Qual é a melhor estratégia?

Principal partido da coalizão de governo no Estado, sigla renova diretório de olho na eleição de Goiânia

Afonso Lopes

Maior partido da base governista estadual, o PSDB renova o comando do diretório metropolitano de olho na guerra eleitoral que se prevê para o ano que vem em Goiânia. O partido lidera uma coalizão que vence quase tudo desde 1999, mas que apanha com igual intensidade na capital desde a vitória de Nion Albernaz, em 1996. Em 2000, perdeu feio com a então deputada federal e hoje senadora Lúcia Vânia. Em 2004, não conseguiu evitar a vitória de Iris Rezende ao apoiar o deputado federal Sandes Júnior, do PP. Em 2008, repetiu a dose na candidatura e na derrota. Em 2012, afundou junto com o deputado federal Jovair Arantes, do PTB, com quem montou chapa. São quatro eleições e quatro derrotas inapeláveis, sem seque conseguir se classificar para o segundo turno. Nas duas primeiras, em 2000 e 2004, terminou em terceiro. Nas duas últimas, os adversários venceram já no primeiro turno. Ou seja, o que era ruim, piorou com o tempo.

Nome

As perspectivas para o PSDB em Goiânia não são nada alvissareiras. Ao contrário. Desde a aposentadoria de Nion, ao final de seu terceiro mandato como prefeito, em 2000, o partido jamais conseguiu lançar um candidato fora de série. E nem conseguiu apoiar ninguém com esse biotipo eleitoral entre os aliados.

Hoje, o nome com maior densidade eleitoral do partido é o do deputado federal Delegado Waldir. Mas isso, longe de ser um trunfo, é quase um castigo. Waldir tem ótima penetração em uma parcela cada vez maior do eleitorado, aquele que defende um endurecimento no jogo bruto contra a bandidagem. Nesse sentido, o discurso do delegado veste como uma luva.
Embora seja considerado de linha dura, ele sempre atuou nas delegacias dentro do rigor da legislação, que atualmente parece muito mais proteger o ladrão do que o policial. Mas como candidato a prefeito esse perfil não tem muita utilidade. Não cabe a um prefeito propor cadeia para os bandidos. Então, Waldir teria que passar por uma vigorosa e radical mudança de imagem, o que não seria tarefa simples nem rápida.

Todos os demais nomes empolgam mais ou menos em patamar equivalente: quase nada. O PSDB tem perfis interessantes, como o tocador de obras e pau pra todo discurso Jayme Rincón. Se a opção for a aposta nesse tipo de candidatura, ele vai correr em faixa própria, sem nenhum concorrente. O problema é que Rincón terá que passar por um corredor polonês de pavões maravilhosos, que se acham o suprassumo da política goianiense. Ou seja, muito mais do que o fogo externo, o tiroteio interno é que poderia matar uma possível candidatura dele a prefeito de Goiânia.

Há também perfis pacificadores e bem postados, como o dos deputados federais João Campos e, principalmente, Fábio Souza, além de técnicos, como o de Giuseppe Vecci, deputado federal e um dos pensadores da equipe de Marconi Perillo.

Ou seja, não é por falta de bons quadros que o PSDB não irá para a disputa do ano que vem sem condições de disputar. A questão fica presa na posição dos demais aliados e, mais do que isso, nas brigas internas.

De qualquer forma, o pior nem é essa questão. É claro que a máquina eleitoral da base aliada, quando realmente unificada, é a mais azeitada dentre todos os eixos políticos estabelecidos no Estado. Mas é necessário definir primeiro qual é a melhor estratégia para enfrentar PMDB e PT, partidos que podem inclusive disputar a sucessão do prefeito Paulo Garcia rachados. Hoje, essa seria a tendência. Se apostar em um só nome, é certo que o escolhido da base aliada estadual vai se apresentar com muita força. Mas não dá pra saber antes se essa força e potencial serão suficientes para derrotar, por exemplo, um Iris Rezende, do PMDB, considerado previamente como candidato favorito.

Os peemedebistas têm sinalizado insistentemente que o velho líder será mais uma vez candidato a prefeito, mas isso não está tão certo assim. Nestes tempos ainda de forte indefinição geral, Iris tem ouvido muito mais do que falado. Ele tanto pode trabalhar na eleição apenas como um coordenador geral das ações como encabeçar a chapa. Se resolver ser mesmo candidato, vai correr riscos bastante evidentes. Como ele foi o grande avalista da reeleição do prefeito Paulo Garcia, em 2012, e a administração do avalizado não é nenhuma Brastemp aos olhos do eleitorado, esse aval será cobrado na campanha de 2016. Historica­mente, raríssimas vezes um avalista como esse vence as eleições.

Nada disso modifica o fato de que o PSDB renova seu diretório sem ter um nome realmente competitivo para as eleições goianienses e nem sequer consegue abrir um debate interno sobre a estratégia a ser adotada. Corre, assim, o mesmo risco que ocasionou derrotas no passado.

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