PT de Goiânia movimenta a pré-campanha e evidencia fissura interna do partido

Com início do período pré-eleitoral, sigla que detém o poder na capital tem quatro pré-candidatos ao Paço Municipal. Clima de disputa é intenso e o nome petista para sucessão de Paulo Garcia poderá ser escolhido por meio de prévias 

Prefeito Paulo Garcia não tem boa aprovação de sua gestão, mas parte dos petistas acha que isso não é problema | Foto: Fernando Leite

Prefeito Paulo Garcia não tem boa aprovação de sua gestão, mas parte dos petistas acha que isso não é problema | Foto: Fernando Leite

Frederico Vitor

O diretório municipal do PT em Goiânia, partido do prefeito Paulo Gar­cia, vive dias atribulados no que diz respeito à pré-campanha. Até o momento, quatro nomes se colocaram à disposição para disputar a Prefeitura de Goiânia — os deputados estaduais Luis Cesar Bueno, Humberto Aidar e Adriana Accorsi e a ex-deputada federal Marina Sant’anna —, dando início a uma luta interna que evidenciou ao público externo um fissura na unidade partidária da sigla.

Caso o partido não chegue a um consenso em relação se ao nome que entrará na disputa eleitoral com a missão de manter a hegemonia política do PT na capital, o diretório deverá realizar uma prévia. Como a convenção do partido está prevista para julho, ainda muita coisa poderá acontecer. Porém, as lideranças das diversas tendências orgânicas que compõem o partido acham que a definição sobre o quadro que tentará a sucessão deverá ser conhecido pelo resultado de uma votação interna.

As prévias do PT são semelhantes às primárias eleitorais americanas, ou seja, o candidato se apresenta e articula politicamente junto a suas bases internas no partido. Desta forma, os delegados das zonais se reúnem para as discussões partidárias. Desta discussão é definido se haverá processo de escolha do candidato petista a prefeito por meio de encontro de delegados ou se convoca prévias com a participação dos 6,5 mil filiados de Goiânia, que poderão ir à votação com cédulas eleitorais para a escolha do nome. Tudo será normatizado na próxima reunião do diretório nacional, no Rio de Janeiro, no próximo dia 26.

Coliga ou não?

Ainda persiste a dúvida se o PT abriria mão de ter seu próprio candidato para apoiar um aliado, como o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB), por exemplo. Mas, por conta das recentes declarações do cacique peemedebista, desfavoráveis a permanência da aliança com o PT em favor de um alinhamento ao DEM do senador Ronaldo Caiado, há a possibilidade real de o PT ter um prefeitável nas eleições de outubro.

Marina Sant’Anna está no páreo pela postulação ao Paço Municipal

Marina Sant’Anna está no páreo pela postulação ao Paço Municipal | Foto: Fernando Leite

O PT sempre teve mais de 30% dos votos em todas as eleições em que disputou em Goiânia, com inegável tradição eleitoral. Apesar da fase ruim vivida pelo partido em âmbito nacional e em recuperação da administração municipal, o PT é uma legenda que está no páreo. O objetivo maior da sigla em Goiás é de dobrar o número de prefeituras sob sua administração, saltando de 17 para 35 prefeitos, além de permanecer à frente dos Executivos municipais de Goiânia e Anápolis.

Na capital, o PT tem um histórico de protagonismo eleitoral, em diferentes épocas e distintos contextos. Em 1988, apesar do revés nas urnas, Pedro Wilson obteve 32% dos votos. Em 1992, Darsi Accorsi foi eleito prefeito com 47%. Em 1996, Valdir Camarcio conseguiu 25% e por pouco não foi para o segundo turno. Em 2000, Pedro Wilson foi eleito com 58%. Em 2004, ele tentou a reeleição mas foi derrotado no segundo turno por Iris Rezende, terminando o pleito com 42% dos votos. Em 2012, Paulo Garcia liquidou as eleições logo no primeiro turno com 63% dos votos. Portanto, tradição em eleições é o que não falta ao PT em Goiânia.

Luis Cesar Bueno: defesa da tradição administrativa do PT na capital

Luis Cesar Bueno: “Partido precisa defender o legado de folha de serviços” | Foto: Renan Accioly

Luis Cesar Bueno: “Partido precisa defender o legado de folha de serviços” | Foto: Renan Accioly

Antes das possíveis prévias, os dirigentes petistas ouvidos pelo Jornal Opção afirmam que é necessário criar um consenso em torno de um candidato. Ou seja, o melhor caminho para o partido seria um acordo entre as pré-candidaturas. Tal convergência poderia ser construída em cima de três critérios: representatividade política, densidade eleitoral e capacidade de defesa do projeto do partido.

Um dos quadros que advoga esta saída pacífica para a escolha de um nome do PT a prefeito é o pré-candidato Luis Cesar Bueno. Ele integra a tendência Movimento PT, grupo próximo ao Articulação, do prefeito Paulo Garcia. Nesta fase pré-eleitoral, o deputado tem como principal bandeira a defesa da tradição do PT e de seu legado administrativo em Goiânia.

Afirmação de trabalhos

O parlamentar se articula internamente com um discurso de afirmação dos trabalhos das administrações de Darsi Accorsi (1992-1996), Pedro Wilson (2000-2004) e Paulo Garcia (2010 aos dias atuais). “As folhas de serviço no meio ambiente, mobilidade urbana, infraestrutura, assistência social, saúde e educação precisam ser reafirmadas pelo PT goianiense. Temos que defender o legado histórico construído pelas gestões petistas”, diz.

Perguntado se uma aliança com o PMDB seria possível, Bueno afirma que a sigla de Iris Rezende, em âmbito nacional, é um aliado da presidente Dilma, e que em Goiânia ainda participa da gestão petista ocupando importantes secretarias. Segundo ele, até o momento a aliança não foi desfeita, isto é, o PMDB é parte do projeto de 2016 do PT. “Nós iniciamos um processo agora e temos a opção de ter candidatura própria. Mas jamais poderia dizer que a aliança com o PMDB é algo descartável.”

Humberto Aidar: pré-candidatura em protesto à atual administração

Humberto Aidar: “Sou pré-candidato a prefeito a menos que me proíbam” | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Humberto Aidar: “Sou pré-candidato a prefeito a menos que me proíbam” | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

O deputado estadual Hum­berto Aidar, que faz parte da tendência PT Pra Vencer — grupo liderado pelo deputado federal Rubens Otoni —, é pré-candidato com um discurso crítico ao correligionário e prefeito Paulo Garcia e, especialmente, à pré-candidata Adriana Accorsi. Em seu quarto mandato na Assembleia Legislativa, o parlamentar que concentra sólidas bases ligadas à Igreja Católica, promete bancar sua pré-candidatura até as últimas consequências. “Não deixarei de ser pré-candidato a menos que me proíbam de participar da convenção”, afirma.

Ele, que tem conversado com quadros que não estão satisfeitos com a atual administração municipal, diz que há uma determinação da Executiva do PT, da qual ele diz não concordar, para que a disputa das pré-candidaturas termine em prévias. “Isso é meio caminho andado para a derrota nas urnas.”

Em relação a um possível acordo em prol de uma convergência em favor de um nome, Humberto Aidar afirma que ainda não é possível dizer que isso é possível. Segundo ele, há forças no partido que estão à espera de uma sinalização de Iris Rezende para que o PT possa indicar a vice do peemedebista à Prefeitura de Goiânia. Trata-se de uma situação que o parlamentar se coloca contrário e a rechaça veementemente. “Participarei da convenção para demonstrar a minha indignidade e a de muitos outros companheiros. Portanto, acredito que a disputa será fratricida”, afirma.

Adriana Accorsi: pré-candidatura propositiva e de ações para Goiânia

Adriana Accorsi: “População espera propostas no período pré-eleitoral” | Foto: Fernando Leite

Adriana Accorsi: “População espera propostas no período pré-eleitoral” | Foto: Fernando Leite

Eleita com 43.424 votos para Assembleia Legislativa, a deputada estadual Adriana Accorsi demonstrou ter densidade eleitoral em Goiânia e foi escolhida pela tendência interna do PT, a Articulação, a mesma de Paulo Garcia, como pré-candidata à Prefeitura. Além da expressiva votação em seu teste nas urnas em 2014, ela tem a seu favor uma imagem como delegada de polícia de postura rígida e dedicada, além, é claro, de seu DNA político como filha do falecido ex-prefeito Darci Accorsi.

Adriana Accorsi afirma que, apesar de ser a pré-candidata da Articulação, isso não a impede de conversar com as demais forças. Ela diz que realiza reuniões e promove debates com militantes e simpatizantes de todos os grupos internos do partido em diferentes zonais. “Dedico-me a este trabalho interno de diálogo com os demais companheiros paralelamente a meu mandato de deputada. Meu principal objetivos na fase de pré-campanha é ser ungida candidata do PT à Prefeitura da capital.”

Questionada sobre como superar as rusgas internas ela afirma que, apesar de algumas frases de um lado e picuinhas de outro, o clima de competição no PT não excede os limites de uma disputa fraterna. Ela acredita que depois de decidido o nome, o partido seguirá unido. “Farei minha parte para que isso aconteça. Caso eu não seja escolhida trabalharei na campanha e vestirei a camisa do PT”, afirma.

Em relação as suas propostas, ela diz que pode contribuir para Goiânia levantando questões que considera importante, em proveito do aprendizado que obteve como delegada de polícia à frente da Delegacia de Proteção da Criança e do Adolescente, além da experiência como gestora da Polícia Civil. Mais: sua bandeira é de resgata às referências administrativas de seu pai, Darci Acorsi, de Pedro Wilson e do legado que Paulo Garcia deixará na prefeitura. “Tenho perfil técnico, propositivo, com prioridade em propostas e ações deixando de lado o debate político partidário em si. Pretendo realizar uma campanha neste nível.”

Adriana Accorsi reconhece que o PT não passa por seus melhores momentos tanto em âmbito nacional quanto regional. Mas, segundo ela, a legenda caminha para uma superação, uma vez descartada a possibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff, e no processo de recuperação da gestão de Paulo Garcia em Goiânia. “O que a população de Goiânia espera neste momento de pré-campanha são propostas. O eleitor sabe distinguir as pessoas do partido.”

Uma resposta para “PT de Goiânia movimenta a pré-campanha e evidencia fissura interna do partido”

  1. Avatar Epaminondas disse:

    Petista goianiense age como se o PT nacional não estivesse esfrangalhado com a Lava Jato. Talvez creiam que o truque do Lula, “eu nada sabia”, vá funcionar novamente como funcionou no Mensalão.

    O que eles vão fazer para dizer que são de um PT diferente do PT da Dilma Rousseff, odiada por 9,5 cidadãos de cada 10?

    A prévia só tem uma serventia: Decidir quem vai perder a eleição. E quem vai dar um abraço no Iris pra apoiá-lo, se houver segundo turno. E se Iris estiver no pário.

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