Por que Vanderlan cresce enquanto Iris bate no teto

Especialistas avaliam razões da diferença entre o desempenho dos dois principais postulantes à Prefeitura da capital nos levantamentos de intenção de voto

Candidato do PSB, Vanderlan Cardoso  potencializa apoio e cresce, enquanto  Iris Rezende, do PMDB, fica estaganado

Candidato do PSB, Vanderlan Cardosopotencializa apoio e cresce, enquanto Iris Rezende, do PMDB, fica estaganado

Cezar Santos

As mais recentes pesquisas de intenção de votos na capital não deixam dúvida: Vanderlan Cardoso, do PSB, está em crescimento, enquanto Iris Rezende, do PMDB, está estagnado. Pesquisa Grupom, divulgada na quinta-feira, 22, pela rádio 730, aponta diferença de apenas 6,6% entre eles: Vanderlan, com 27,4%, e Iris, com 34%, dentro da margem de erro, de 4,3% (registro no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás-TRE-GO sob o protocolo nº GO-05920/2016). No mesmo dia, levantamento do instituto Paraná Pesquisas mostra Vanderlan com 27,1% e Iris com 35,7% — diferença de pouco mais de 8 pontos porcentuais (registro no TSE nº GO-07803/2016).

Esses números ratificam o que já estava desenhado há algumas semanas, em levantamentos do Serpes e do Ibope, que registraram o crescimento de Vanderlan e a estagnação de Iris, que vem liderando desde que entrou para valer na disputa: a eleição em Goiânia será em dois turnos, com o peemedebista e o socialista chegando na frente no dia 2 de outubro, para a disputa definitiva entre eles no dia 30 do mesmo mês.

O Jornal Opção ouviu profissionais que por dever do ofício acompanham as campanhas eleitorais goianas, para ouvir delas suas impressões sobre a ascensão de Vanderlan Cardoso, que no início estava em terceiro lugar nas pesquisas, e chega “fustigando” o líder na reta final. Os números mostram que Vanderlan vai disputar com Iris em condições efetivas de virar a eleição no segundo turno.

Professor da Facul­da­de de Ciências Sociais da Uni­ver­sidade Federal de Goiás (UFG) e cientista político, Pedro Célio Borges inicia sua análise dizendo que “os números estão falando por si”. Ele lembra que há algumas eleições o patamar de Iris Rezende tem sido 37% a 40%, inclusive no segundo turno em Goiânia.

Pedro Célio: “Vanderlan fala com proopriedade”

Pedro Célio: “Vanderlan fala com proopriedade”

Segundo Pedro Celio, a estagnação de Iris na campanha atual não tem muita teorização, e se daria por ele ter começado próximo ao teto de intenção de votos, tendo iniciado a campanha eleitoral altamente encaminhada em termos numéricos. “Ele entrou de forma abrupta na campanha e chegou inteiro. Como é um nome superconhecido e de julgamento fácil por parte da população, a intenção de voto dele já começou bem alta, eu não digo no limite, no teto, mas muito próximo disso.”

Já a análise do crescimento de Vanderlan exige uma formulação mais nuançada. Segundo Pedro, houve um pró-Vanderlan na ausência de alternativas próprias na base aliada do governo Marconi Perillo para a eleição. As forças do governo não chegaram a um acordo, no meio do caminho se esfacelaram completamente e o governador ficou livre para abraçar a candidatura de Vanderlan. Apoio do governador, observa o acadêmico, é uma força que não pode ser desconsiderada.

Desempenho individual

Pedro Célio insere um segundo fator muito importante que é a própria presença de Vanderlan Cardoso na campanha, a performance individual do candidato, que tem conseguido criar uma imagem de alteração do padrão político local. Observa que ainda que ele esteja próximo de Marconi, Vanderlan conseguiu essa imagem, não exatamente de renovação, mas de alternância.

“Ele construiu essa imagem trazendo um discurso de viabilidade de propostas. Na propaganda na TV ele fala com propriedade de temas locais dos bairros e sub-regiões de Goiânia, fala pelo lado de dentro do assunto. É um desempenho convincente no tratamento das questões da capital. Ele soube construir um discurso com abordagem convincente e isso está colando, está dando certo. Ao lado de uma imagem de alternância. Tudo isso vem causando impacto positivo em favor de Vanderlan Cardoso nas diferentes pesquisas”, acentua o professor.

Pedro Célio não dá maior importância ao fato de Vanderlan Cardoso ter sido prefeito de Senador Canedo. “Não tenho pesquisa se o fato de ter sido gestor de Senador Canedo esteja contribuindo para uma ascensão nas pesquisas agora. E não acredito que o efeito Senador Canedo esteja sendo determinante. Certamente esse fator faz parte do conjunto, mas não sei se é decisivo. O fato é que Vanderlan tem sido muito competente, muito eficiente, na construção de uma imagem pessoal diferenciada do padrão político que polariza em Goiânia há muito tempo.”

Bráulio Morais: “Iris não caiu, mas parou de crescer”

Bráulio Morais: “Iris não caiu, mas parou de crescer”

Participante da linha de frente em várias campanhas eleitorais no Estado, o advogado e ex-vereador Bráulio Morais diz que o quadro de estagnação de Iris Rezende era previsível e não chega a ser surpresa. “Iris Rezende bateu no teto”, afirma categoricamente.

Bráulio observa que as pessoas votavam em Iris por falta de opção, e que os 36%, 37% que ele apresentava em eleições anteriores é um índice altíssimo. “Em uma eleição de primeiro turno é difícil um candidato passar disso. Lembrando que na última eleição, Iris teve uma votação muito maior, mas em função de que o candidato de oposição não tinha o perfil que os eleitores queriam naquele momento, um gestor eficiente.”

Agora, avalia Bráulio Morais, Vanderlan Cardoso tem mostrado que é um candidato com qualidades, um homem experiente que vem da iniciativa privada, passou pela administração pública e mostrou capacidade de enfrentar e resolver problemas. “Por isso, Vanderlan tem preenchido esse vazio que havia na política goianiense. Na medida em que Iris atingiu o teto dele, a outra opção pra o eleitor é um candidato que reúne qualidades de administrador, com campo para crescer nas pesquisas, o que de fato vem ocorrendo.”

Parou de crescer

Ele observa que Iris nunca caiu, mas parou de crescer. Segundo Bráulio, como o peemedebista é muito conhecido, de praticamente 100% dos goianienses, ele poderia estar com os 65% que teve na última eleição, mas não está porque o teto dele é esse mesmo, 37%, 38%. A partir daí, diz, Iris terá de preencher a aspiração popular, o que ele não consegue mais.

“Não estou dizendo que Vanderlan seja superior a Iris, mas o eleitor quer segurança de resultados, segurança de que o eleito vai cumprir o mandato, que tem futuro. Iris está dizendo que é a sua última campanha, que vai cumprir os quatros anos e não terá outra eleição. O eleitor não gosta disso, porque alguém assim implicitamente não precisa trabalhar bem, já está no fim de carreira, não tem aspirações mais. O eleitor pensa que Iris já teve muita oportunidade de fazer e não fez, tampouco vai fazer agora, que está no fim. Não estou dizendo fim de vida, mas fim de carreira. É Iris mesmo que está dizendo isso, que quer cumprir o mandato e acabou.”

Diferentemente de Vanderlan Cardoso, que está iniciando um projeto e foi bem-sucedido em Senador Canedo. “Mesmo que os adversários divulguem pílulas contestando o trabalho de Vanderlan na cidade, a verdade é que ele transformou Senador Canedo e os moradores de lá atestam isso, há um referencial de trabalho prestado. Não tenho dúvida de que isso está ajudando a alavancar Vanderlan nas pesquisas”, diz Bráulio Morais.

Wilson Ferreira: “Iris deixa o eleitor inseguro” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Wilson Ferreira: “Iris deixa o eleitor inseguro” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Cientista político e professor na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Wilson Ferreira da Cunha começa observando que é preciso olhar as pesquisas com desconfiança, mas ele marca uma diferenciação entre os programas eleitorais de Vanderlan Cardoso e de Iris Rezende. Afirma que os programas do socialista mostram certa coerência em pensar a gestão municipal um pouco diferente dos adversários, embora no fundo com as mesmas propostas, variando o modelo.

“Emocionalmente, Vanderlan transmite mais sabedoria sobre como governar uma cidade, a exemplo do que fez em Senador Canedo. Talvez seu crescimento se dê por isso. Mas também devemos considerar a fraqueza dos outros candidatos. Aí temos de analisar a campanha de Iris Rezende, que se apresenta com um discurso tradicional, envelhecido”, diz o cientista político.

Wilson Ferreira chama a atenção para o fator rejeição, lembrando que a de Iris é muito maior que a de Vanderlan — Iris e Delegado Waldir (PR) são os mais rejeitados. Nessa análise, Iris tem um desgaste histórico pelo tanto de eleições que disputou, pelos vários cargos que ocupou. “E agora ele entra na mira do eleitor com um grau de desconfiança, por vários fatores, como ter entrado na eleição na última hora, a dúvida se ele continua no cargo em 2018 ou se sai para disputar o governo mais uma vez. O eleitor fica meio inseguro com Iris.”

Itami Campos: “Apoio do governo ajuda Vanderlan”

Itami Campos: “Apoio do governo ajuda Vanderlan”

Também cientista político e professor, Itami Campos diz que até o momento, o crescimento de Vanderlan Cardoso se dá por ele tirar votos do Delegado Waldir e de Adriana Accorsi (PT), os dois delegados. “Vanderlan não tirou votos de Iris Rezende, pelo menos ainda não. Iris cresceu um pouco, chegou ao teto e parou. Os dois delegados perderam votos e isso denota que o discurso da segurança se esvaziou um pouco, perdeu força. Talvez o fato de Iris ter colocado Major Araújo como vice, o que mostrava a segurança pública como um item de força na campanha dele, também pode estar contribuindo de certa forma para a estagnação do peemedebista.”

Itami reitera que o crescimento de Vanderlan se dá com o apoio do governo estadual e na medida em que ele coloca propostas de gestão, deixando em segundo plano o discurso pesado de segurança pública, que tirou votos dos dois candidatos delegados para Vanderlan. “Além disso, Vanderlan tem um suporte de campanha maior que seus adversários, cresce e se aproxima de Iris, que também se coloca como um político gestor, que resolve problemas, que faz obras, asfalto, etc. Só que a campanha de Vanderlan tem se mostrado mais efetiva.”

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