Os desafios do próximo governador para desenvolver e crescer a economia

Economistas sugerem medidas que devem ser tomadas para aprimorar o funcionamento do estado

Daniel Vilela, Kátia Maria, José Eliton e Ronaldo Caiado: apenas um deles terá a missão de comandar o governo e trabalhar pela continuidade do desenvolvimento e crescimento econômico de Goiás | Fotos: Divulgação

A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2018, o cenário segue indefinido. Dos sete candidatos, quatro se destacam: Ronaldo Caiado (DEM), José Eliton (PSDB) — que concorre à reeleição —, Daniel Vilela (MDB) e Kátia Maria (PT) — apenas um deles terá a missão de comandar o governo e trabalhar pela continuidade do desenvolvimento e crescimento econômico de Goiás.

Pensando nisso, o Jornal Opção ouviu economistas para entender quais são os principais desafios do candidato que for eleito em outubro e que políticas devem ser mantidas — temas como burocracia, incentivos fiscais, austeridade, parcerias público-privadas (PPPs) e agronegócio.

Professor dos cursos de Economia, Administração e Ciências Contábeis da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Eber Vaz sugere que os candidatos devem focar na redução da burocracia, que, segundo ele, existe em excesso.

Economista Everaldo Leite: investimento em tecnologia é essencial para reduzir a burocracia | Foto: Divulgação

Economista pela PUC-GO, Everaldo Leite concorda e explica que a desburocratização depende de dois fatores. “Presença de técnicos com habilitação adequada e investimento em tecnologia.” De acordo com ele, o segundo é essencial para reduzir o tamanho dos processos dentro dos estados.

Um outro ponto de convergência entre os economistas diz respeito aos incentivos fiscais — ambos avaliam como um instrumento fundamental e que deve ser mantido. “Goiás não tem tantos atrativos e é muito importante o estado atrair empresas”, ressalta Eber Vaz.

A austeridade é também um elemento que deve ser prioritário na gestão do próximo governador. Everaldo Leite diz que a Secretária da Fazenda precisa ser ocupada por um técnico que tenha interesse de reduzir gastos e Eber Vaz postula que a única maneira de se obter um governo austero é por meio da transparência aliada ao acompanhamento da população.

Economista Eber Vaz: políticas de estímulo ao agronegócio estão no caminho certo| Foto: Divulgação

Everaldo Leite enxerga as parcerias público-privadas como relevantes. “As PPPs são importantíssimas no sentido de que o governo não tem capacidade financeira para tocar todo tipo de serviço e obra.” Contudo, há ressalvas. Segundo ele, tem que ser uma parceria que não crie vínculos de compadrio, isto é, laços entre empresas e setor públicos que sejam muito pessoalizados. “As PPPs são essenciais, mas tem que haver impessoalidade.”

Eber Vaz elogia as políticas de estímulo ao agronegócio — a “vocação” de Goiás —, que, na prática, é um dos setores responsável por sustentar o estado. “Não vejo onde poderia ser melhor. Talvez a única coisa a ser feita é intensificar os investimentos em infraestrutura e construir mais estradas para ajudar a escoar os produtos.”

Empresários elencam prioridades

Marcelo Baiocchi e Sandro Mabel: diálogo entre candidatos e classe empresarial | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opçaõ

Anunciado como presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) a partir de 2019, Sandro Mabel sublinha que tem visto, nas propostas de José Eliton, Daniel Vilela e Ronaldo Caiado, preocupações semelhantes, como geração de empregos, atração de investimento e novas indústrias.

Em relação à candidata Kátia Maria, Sandro Mabel argumenta que a petista tem um “foco diferente”. “Ela fala mais do lado do trabalhador, de aumento de renda.”

Para o empresário, a Fieg está disposta a dialogar com qualquer um dos candidatos que sair vitorioso do pleito de outubro. “O próximo governador e a classe empresarial sentarão à mesa para trabalhar juntos e discutiremos assuntos que consideramos prioritários, como desburocratização e tributação excessiva de produtos industrializados”, assinala.

Presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), Marcelo Baiocchi diz que a instituição já conversou praticamente com todos os candidatos e as propostas apresentadas por eles tratam do fortalecimento da economia e da geração de empregos, que, para ele, é a “única saída” para o setor produtivo.

Marcelo Baiocchi propõe aos governadoriávies que seja feita uma administração cada vez mais “simples”. “O estado tem que diminuir o tamanho da máquina, ou seja, reduzir despesas. É muito pesado, ninguém suporta mais. Não é nem necessário arrecadar mais. O que precisa ser feito é gastar melhor”, enfatiza.

Propostas dos candidatos

Veja algumas das principais propostas para a área econômica de José Eliton, Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Kátia Maria, conforme consta em seus respectivos planos de governos:

José Eliton

Promover o relacionamento direto e permanente da comunidade acadêmica com o setor produtivo, com participação nas plataformas de cooperação para o desenvolvimento socioeconômico sustentável e inovação aberta

Implantar o programa Goiás ECOSOL, programa de economia solidária como alternativa de geração de trabalho e renda e de inclusão social para pequenos produtores e catadores de material reciclável, por meio da regularização e legalização, implantação dos centros de comercialização dos produtos, promovendo o intercâmbio de tecnologias entre os produtores de economia circular e solidária

Fomentar o desenvolvimento econômico e social da comunidade negra através de projetos de apoio à micro e pequenos empresários negros e de projetos de economia produtiva solidária para grupos organizados de afrodescendentes e implantar um programa voltado para a cidadania e a preservação do patrimônio histórico e cultural da população afro-brasileira, visando o fortalecimento da identidade cultural da população negra

Manter e ampliar, por meio da Goiás Fomento e do Banco do Povo, o acesso a crédito com juros subsidiados pelo Governo de Goiás para os empreendedores individuais, as microempresas e as empresas de pequeno porte dos setores da economia goiana

Consolidar as políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação integradas à educação, promovendo o desenvolvimento social, econômico e ambiental. Melhorar a competitividade do Estado, a qualidade de vida da sociedade e a geração de novas oportunidades para as pessoas

Apoiar a implantação de Parques Tecnológicos, Condomínios Empresariais Tecnológicos e Distritos de Inovação para o desenvolvimento da inovação tecnológica, por meio de pesquisa a fim de fortalecer a competitividade econômica de Goiás

Desenvolver estudos e projetos de viabilidade econômico-financeira, visando implementar parcerias público-privadas, concessões e outras formas de parceria para investimento em projetos de interesse estratégico, social e econômico do estado de Goiás

Gerir, mapear, diagnosticar, planejar e fiscalizar são as prioridades com objetivo de garantir que o desenvolvimento econômico tenha simbiose com a sustentabilidade

Criar programa de incentivo a instalação de negócios que diversifiquem, ampliem e subsidiem o encadeamento produtivo da economia circular, visando regenerar sistemas naturais pelo reaproveitamento de produtos e materiais em ciclos de uso, eliminar resíduos e a poluição no processo produtivo, gerando novas fontes de receitas e sustentabilidade

Promover o desenvolvimento da agricultura familiar pautado na assistência técnica rural, enquanto ferramenta de inclusão social articulada com a política agrícola e fomentar a cooperação técnica multissetorial com os municípios, envolvendo setores afins ao desenvolvimento socioeconômico sustentável para qualificação de mão de obra, ampliação da produtividade e da qualidade de vida para a população das áreas rurais

Ampliar o Programa de Desenvolvimento Regional, Territorial Sustentável e Economia Solidária como instrumento de planejamento e de gestão, contribuindo para a redução das desigualdades, a ocupação racional do território e o fortalecimento da governança regional por meio de uma agenda estratégica de cooperação entre os entes – municípios, regiões de planejamento e Estado

Manter e aperfeiçoar as políticas de atração de investimentos para incentivar a ampliação do setor empresarial em Goiás, estimular o crescimento dos negócios, fortalecer a competitividade das empresas e contribuir para a melhoria da produtividade dos setores de indústria, comércio e serviços

Apoiar o fortalecimento do comércio exterior em Goiás, aperfeiçoando as políticas públicas de incentivo às exportações, expandindo as ações de acesso a mercados, promoção comercial e investindo na preparação de negócios goianos para a internacionalização. Manter e ampliar os investimentos em infraestrutura e logística para o comércio exterior

 

 

Ronaldo Caiado

Um dos temas mais relevantes para o desenvolvimento dos projetos econômicos de crucial importância para a geração de emprego e renda para o povo goiano é o do licenciamento ambiental, exigido por lei para a mensuração e adoção de medidas mitigadoras de impacto ambiental

Precisamos colocar em Goiás o conhecimento e a inovação a serviço da sustentabilidade. A serviço dos desafios de ter uma trajetória de crescimento que não comprometa as gerações futuras, que saiba aliar desenvolvimento econômico e qualidade ambiental e que se paute por uma matriz energética limpa

A educação, a ciência e a tecnologia são componentes fundamentais para resolvermos o problema da produtividade e da inovação na economia, que são requisitos essenciais para o crescimento do emprego e da renda

A reestruturação a ser realizada deve aproveitar os fatores econômicos favoráveis ao estado de Goiás: um cenário de crescimento do comércio internacional aponta que a atividade agroexportadora deve continuar em alta. Também a pauta da produção agropecuária tem incorporado crescentemente culturas com maior participação do mercado interno e maior possibilidade de agregação local de valor. Assim, existe a necessidade urgente de reestruturação financeira da gestão estadual, mas existem também os pressupostos econômicos que permitem essa reestruturação bem-sucedida. O desenvolvimento econômico é medido pela capacidade das regiões em produzir bens e serviços que atendam às necessidades locais, regionais, nacionais e internacionais

Para superar este imenso fosso de desigualdade econômicas de cada uma das regiões, em meu governo vou trabalhar intensamente para potencializar as vocações em cada uma das regiões, implementar projetos públicos voltados a extrair de cada uma delas o que de melhor existe em termos de atividades geradoras de emprego e renda

É verdade que as distâncias, o isolamento geográfico e o menor desenvolvimento relativo fazem com que algum tipo de compensação tributária de desvantagens competitivas seja necessário ainda por algum tempo para atividades que realmente gerem valor para a economia do estado, em projetos que representem novos investimentos e geração de empregos. A concessão de benefícios fiscais deve ser um instrumento de política fiscal voltado à promoção do desenvolvimento, para adoção pela União e pelos estados brasileiros visando à redução de desigualdades sociais e regionais, a promoção de crescimento setorial, a expansão, a modernização e a diversificação das atividades econômicas, estimulando o aumento da competitividade estadual

Incentivar o desenvolvimento de tecnologias (empresas + universidades) voltadas para os setores onde a economia de Goiás se destaca (agropecuário, alimentos, farmacêutico, etc)

Investir em ciência, tecnologia e inovação para tornar Goiás o estado mais eficiente e empreendedor do Brasil, seguindo sua vocação econômica, seus recursos e suas potencialidades. Essas iniciativas criam: a) atração de empresas e geração de empregos; b) produção e eficiência em todo o estado; c) criação de mudanças sociais, melhoria da educação e renovação de ambientes de negócios; d) ampliação da arrecadação e do valor agregado que é produzido no estado

 

 

Daniel Vilela

Tem como o foco o desenvolvimento econômico por meio da geração de emprego, melhoria na renda, capacitação do cidadão, exploração das potencialidades e vocações de cada município e utilização de tecnologias de última geração para integrar todas as áreas do governo. Todas as ações convergem para que o Estado volte a ser o grande indutor do desenvolvimento

O plano de governo da Coligação Novas Ideias, Novo Goiás propõe revolucionar a forma de gestão pública em Goiás e promover transformação social. Para alcançar essas metas, Daniel definiu sete eixos de atuação, com ações focadas no cidadão e no aumento da qualidade de vida: gerir, conectar, proteger, cuidar, amparar, conhecer e empreender

O objetivo é desenvolver uma gestão eficiente e austera, com transparência e estruturada em tecnologia, focada em parcerias municipalistas e de caráter republicano. Garantir uma gestão eficiente, com mais trabalho e realizações, integrando os diversos setores do governo em uma plataforma digital convergente

Somente um Plano Diretor de Desenvolvimento Econômico poderá realmente direcionar o nosso futuro para as próximas décadas e a gestão de Daniel Vilela irá, em parceria com os setores produtivos, trabalhadores e entidades de classe, desenvolver este projeto já nos primeiros dias do Governo.

Goiás precisa de uma nova mentalidade para um novo ciclo de crescimento econômico, baseado em educação, ciência e tecnologia, sem interferências da política na inovação. Esse é o nosso desafio: inserir a inovação como cultura em nossa sociedade.

Aumentar a renda deste produtor rural é um desafio, mas ele sabe que o caminho é através de programas concretos de fomento ao agronegócio, de defesa e extensão rural, de apoio ao pequeno e médio produtor e de auxilio os municípios para melhorar as condições das estradas vicinais e, com isso, facilitar escoamento da safra. O agronegócio tem literalmente salvado a economia goiana

Eixo de Desenvolvimento Goiânia-Brasília. Implantar uma infraestrutura consistente e ampla como suporte aos projetos de desenvolvimento (energia, transporte, saneamento básico, agricultura, indústria, educação, saúde, segurança). Esses são os requisitos essenciais para a melhoria das condições econômicas e sociais que possibilitam antever, nas próximas décadas, uma região organizada e próspera. Atrair grandes investimentos industriais para a região, estimulando o desenvolvimento econômico e social, a geração de emprego e a melhoria da qualidade de vida

 

 

Kátia Maria

A estruturação de um novo modelo de desenvolvimento passa pela renovação e ampliação da capacidade de produção e de consumo, fundada em novos paradigmas tecnológicos e produtivos, sustentáveis ambiental e socialmente. Esse novo modelo deve se voltar para o atendimento das necessidades do povo goiano, objetivando: a geração de empregos e oportunidades para todos, a integração e cooperação entre os agentes públicos e privados para reduzir as desigualdades regionais, o desenvolvimento de políticas de investimentos e fomento às atividades econômicas das famílias no campo e nas cidades, o restabelecimento do equilíbrio tributário, do desenvolvimento das ciências e das inovações tecnológicas

Para implantar esse novo modelo é necessário: a) Criar um plano emergencial de emprego, recuperação da renda e do crédito. b) Implantar uma política estadual de desenvolvimento regional, territorial e local: redução das desigualdades. c) Emprego, ocupação e renda para todos. d) Planejar, coordenar e garantir financiamento do investimento público. e) Promover finanças saudáveis com tributação simplificada e justiça social. f) Desenvolver estratégias de expansão e descentralização industrial, com infraestrutura e inovação com sustentabilidade ambiental, social e regional. g) Investir em ciência, tecnologia e inovação

 

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