O reino inabalável de Maguito

No meio de seu 2º mandato como prefeito da 2ª maior cidade do Estado, peemedebista tem clara perspectiva de eleger seu sucessor

Maguito Vilela: habilidade suficiente para receber mais recursos do que o petista Paulo Garcia

Maguito Vilela: habilidade suficiente para receber mais recursos do que o petista Paulo Garcia

Afonso Lopes

Ex-vereador em Jataí, a segunda mais importante cidade da rica região Sudoeste do Estado, ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-governador e ex-senador da República, o prefeito Maguito Vilela, de Aparecida de Goiânia, foi reeleito já no primeiro turno em 2012. Nesse período, ele parece ter passado incólume aos desgastes que a permanente crise nos municípios brasileiros acomete quase todos os prefeitos. E é exatamente por isso que ele mantém a perspectiva de conseguir indicar e apoiar uma vitoriosa campanha sucessória no ano que vem, quando não poderá disputar o cargo novamente.

Ao mesmo tempo, os opositores não estão em situação muito confortável. O nome mais popular na cidade além do prefeito é o do deputado federal Delegado Waldir, do PSDB, recordista de votos em 2014. E talvez esse seja o grande problema dele. Recém-eleito para seu primeiro mandato, como justificar para o eleitor uma nova candidatura apenas dois anos depois? Geralmente, casos assim resultam numa tremenda queda de popularidade durante as campanhas.

O outro grupamento forte na política de Aparecida de Goiânia é liderado pelo ex-prefeito e ex-vice-governador (de 2007 a 2010) Ademir Menezes. Nesse caso, a questão a ser enfrentada é o desgaste causado pelo longo tempo de permanência no poder municipal, além da aparente ruptura que aconteceu dentro do grupo nas eleições de 2008, quando o então prefeito José Macedo acabou não sendo candidato à reeleição. Já o deputado estadual Marlúcio Pereira (PTB), nome hoje mais expressivo desse eixo político de Aparecida, não conseguiu evitar a reeleição de Maguito em 2012.

Historicamente, o grupo de Maguito Vilela costuma ser um osso duríssimo de roer eleitoralmente depois que se instala em uma prefeitura. Foi assim, por exemplo, que se deu em Jataí. Os maguitistas dominam o cenário local há várias eleições. Só o prefeito Humberto Machado já está em seu quarto mandato. Entre o segundo e o terceiro, a prefeitura foi dirigida por Fernando da Folha, que era vice de Humberto e se lançou como dissidente.

Esse enraizamento dos maguitistas no poder tem tudo a ver com a forma de atuação do grupo. Após vencer as eleições, eles se espalham e agregam aliados, mesmo entre os derrotados. Com isso, os opositores passam a sofrer horrores a cada eleição. Humberto, que não será candidato porque foi reeleito, deverá fazer seu sucessor com certa tranquilidade, graças também à aprovação de seu governo.

De uma maneira geral, o grupo maguitista é atualmente o mais expressivo eleitoralmente dentro do PMDB estadual, apesar do domínio exercido pelo ex-governador e ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende. Mas existe intensa disputa nos bastidores pelo poder no partido. A coisa não explode de vez graças ao eterno tom conciliador do próprio Maguito, um especialista na arte de conviver com diferentes interesses. É também por essa razão que ele consegue agregar tanto.

Maguito foi o primeiro prefeito expressivo da oposição a ir ao Palácio das Esmeraldas, em 2011, logo após a terceira posse do governador Marconi Perillo. Parte do PMDB, ainda dolorido pela derrota em 2010, chiou barbaridade. O prefeito de Aparecida não respondeu diretamente qualquer crítica e entoou seu velho lema: governo não faz oposição a governo. E deixou o barco seguir a corrente. O resultado dessa política de distensão entre os poderes foi a assinatura de inúmeros convênios com o governo do Estado.

Da mesma forma, Maguito costuma ir rotineiramente a Brasília correr atrás de dinheiro para obras. Ele usa e abusa do conhecimento e das amizades que fez por lá durante seus oito anos como senador. Recentemente, um levantamento estadual mostrou que a Prefeitura de Aparecida foi a que mais recebeu verbas federais durante o primeiro mandato da presidente Dilma Roussef. Mais até do que Goiânia, cujo prefeito, Paulo Garcia, é tão petista quanto Dilma.

Euler Morais?

Aparentemente, Maguito teria sinalizado bastante de que o nome de sua preferência na sucessão é o do ex-deputado federal Euler Morais. Coordenador dos programas sociais durante o governo de Maguito no governo do Estado, como secretário da Solidariedade Humana, Euler foi incentivado pelo próprio Maguito a disputar a eleição em 1998. Venceu com certa folga, mas não tentou a reeleição. Preferiu voltar a fazer o que ele sempre gostou e fez: coordenar ações políticas e também administrativas dentro do âmbito do maguitismo.

O único empecilho para a candidatura de Euler é a falta de conhecimento de seu nome pela maioria da população. Ele é um ótimo articulador, mas nunca aparece na linha de frente. Em 98, isso, a falta de popularidade, não foi problema graças à exposição a que foi submetido positivamente como coordenador das ações sociais do governo. Agora, ele atua nos bastidores das articulações de sustentação da administração, o que não gera visibilidade.

Caso se confirme sua candidatura no ano que vem, Euler terá decisivamente um grande trunfo, que é o apoio de Maguito Vilela, além de suas próprias qualidades, como a serenidade nos debates, a boa articulação de discurso e a fidelidade aos princípios que sempre nortearam os maguitistas. É ver no que vai dar tudo isso.

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