Na política e na economia, 2018 promete ser um ano movimentado

Políticos, economistas e empresários opinam a respeito dos rumos que o Brasil pode tomar no ano que vem

Daniel Vilela prevê dificuldades para votar a reforma da Previdência; Virmondes Cruvinel pensa que Lula, se canditado, está garantido no 2º turno; Adriana Accorsi diz que PT pode lançar candidato ao governo em Goiás | Fotos: Fernando Leite e Arquivo / Jornal Opção

O ano de 2017 está se encerrando e a tendência é olhar para trás a fim de fazer retrospectivas e reflexões. Contudo, 2018 promete ser movimentado — principalmente nos campos da política e da economia — e, por isso, talvez seja mais pertinente, neste momento, buscar traçar uma prospectiva para o ano que vem. É com esse objetivo que o Jornal Opção ouviu políticos, empresários e economistas de diferentes posições para trazer a lume um debate amplo sobre os rumos que Goiânia, Goiás e o Brasil podem vir a tomar.

No dia 24 de janeiro, o ex-presidente Lula da Silva (PT) será julgado, no Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF4), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem dinheiro referentes a uma suposta obtenção de benefícios irregulares da empreiteira OAS por meio de um tríplex no município de Guarujá, em São Paulo.

Independentemente de qual seja a decisão da Justiça, é fato que irá influenciar a conjuntura da política brasileira. Se condenado em segunda instância, o petista, que é líder das intenções de voto para presidente, ficará inelegível. Referência em Direito Eleitoral em Goiás, Dyogo Crosara explica que, caso haja a condenação em segunda instância, a defesa de Lula da Silva pode entrar com um pedido de suspensão no Superior Tribunal Federal (STF) ou no Superior Tribunal de Justiça (STJ). “O cenário está indefinido porque há tempo para ele conseguir a suspensão. Então, ainda não dá para saber se ele será candidato ou não.”

De acordo com o deputado estadual Virmondes Cruvinel (PPS), Lula da Silva, se for candidato, tem lugar garantido no segundo turno. “A dúvida é saber se o eleitor escolherá um antagonismo mais de centro, como o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, ou um antagonismo mais radical, como Bolsonaro [deputado federal pelo Rio de Janeiro ainda filiado ao PSC].”

Outros nomes, como o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), a ex-senadora Marina Silva (Rede), o senador Álvaro Dias (Podemos), o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa (sem partido, mas cogitado pelo PSB) e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), se apresentam, alguns já oficialmente, como pré-candidatos ao Planalto. Com o alto número de candidatos e a tanto tempo das eleições, o cenário fica ainda mais imprevisível caso Lula da Silva não se candidate.

Previdência

Sem o número de votos necessário para aprovar a reforma da Previdência ainda em 2017 — mesmo após mudanças no texto —, o governo do presidente Michel Temer (PMDB) adiou a votação para o ano que vem. A expectativa é de que a matéria entre na pauta da Câmara Federal em fevereiro.

Correligionário de Temer, o deputado federal Daniel Vilela antevê uma situação de muitas dificuldades para a aprovação da reforma. “O ambiente político não é favorável e a aproximação do período eleitoral tende a piorar. O governo errou muito na forma como apretsentou o projeto, que previa medidas equivocadas, e na maneira como promoveu sua discussão. Não será fácil agora ter sucesso no trabalho de convencimento.”

Goiás

As pesquisas para governador em Goiás apontam três candidatos como favoritos ao pleito: o vice-governador José Eliton (PSDB), o deputado federal Daniel Vilela (PMDB) e o senador Ronaldo Caiado (DEM). Questionada sobre a ausência de um candidato do PT, a deputada estadual Adriana Accorsi, que pretende disputar a reeleição à Assembleia Legislativa, afirma que há mais chances do partido lançar candidato próprio do que apoiar outra candidatura, mas pondera que as possibilidades ainda estão sendo estudadas.

Já a vereadora Tatiana Lemos (PCdoB), cogitada para disputar a eleição à Câmara Federal, acredita na possibilidade de alianças. “Ninguém consegue governar sem alianças”, frisa. Para ela, a esquerda de Goiás precisa se unir em torno de um nome. Mas, se não houver candidato, é possível que o PCdoB se alie a algum outro. “Estamos conversando com José Eliton e Daniel Vilela”, revela.

No tocante aos temas que devem pautar a eleição do executivo goiano, Daniel Vilela aposta que segurança pública e questões sociais estarão em evidência. O peemedebista promete proporcionar uma discussão mais ampla sobre os desafios da gestão pública no mundo contemporâneo com base em tecnologia e criatividade. “É um projeto no qual já estamos trabalhando, com o auxílio de especialistas em tecnologia, gestão pública e também lideranças da iniciativa privada, e vamos apresentar no momento adequado.”

Goiânia

Tatiana Lemos e Lucas Kitão criticam a relação do prefeito de Goiânia, Iris Rezende, com a Câmara Municipal, cujo presidente, Andrey Azeredo, promete ampliar a eficiência da gestão e a transparência da Casa | Fotos: Fernando Leite e Arquivo / Jornal Opção

A relação entre a Prefeitura de Goiânia e a Câmara Municipal foi conturbada em 2017. No entendimento de Tatiana Lemos, foi uma relação “distante”. O vereador Lucas Kitão (PSL) avalia que o prefeito Iris Rezende não deu a devida atenção para os vereadores ao governar por meio de decreto.

Tanto Tatiana quanto Kitão são pessimistas no que concerne a uma alteração do status quo em 2018. “O prefeito não mostra interesse em ter um líder na Câmara. É uma gestão muito isolada e penso que mais partidos poderiam contribuir, mas não vejo perspectiva de mudança”, sublinha a vereadora do PCdoB. “O prefeito pode melhorar a relação com o Legislativo cumprindo emendas impositivas”, sugere o parlamentar do PSL.

Por outro lado, o presidente da Câmara, Andrey Azeredo (PMDB), promete ampliar a eficiência da gestão e a transparência da Casa. “Essas medidas terão reforço com o concurso público que realizaremos no próximo ano, além das licitações concluídas nesse ano e as que ainda serão realizadas.”

Andrey Azeredo destaca alguns pontos que deseja ver concretizados no ano vindouro. “Vejo a capital pujante no cenário nacional e se consolidando como um centro de prestação de serviços da região Centro-Norte. Por isso, gostaria de ver a Bernando Sayão e a Rua 44 com um protagonismo ainda maior.” O início da reforma da antiga Estação Ferroviária e a revisão do Plano Diretor são ou­tros temas que motivam Andrey Azeredo em 2018.

Vai haver crescimento em 2018, mas a retomada será lenta

Valdivino de Oliveira e Sérgio Duarte: impacto da reforma da Previdência será a médio e longo prazo | Fotos: Fernando Leite e Arquivo / Jornal Opção

Ex-secretário de Finanças de Goiânia, Valdivino de Oliveira assinala que a perspectiva é de crescimento econômico em 2018. “Passamos três anos de recessão com as empresas acumulando ociosidade, que, com o aumento da demanda, será eliminada e, assim, os investimentos irão aumentar.”

O governo federal prevê um crescimento de 3% em 2018, mas algumas instituições internacionais falam em cerca de 2,6%. Doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sérgio Duarte é cauteloso. “Há indicadores que registram uma melhora, mas o cenário ainda é de incerteza e a retomada deve ser lenta.”

Em relação às reformas, Valdivino de Oliveira e Sérgio Duarte, que são professores da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), concordam que a reforma da Previdência terá uma influência maior a médio e longo prazo e não deve surtir efeito em 2018.

No que tange à reforma trabalhista, Valdivino argumenta que a medida vai amenizar a briga jurídica entre empregado e empregador, diminuindo o número de ações e, dessa forma, podendo favorecer a economia brasileira. Já Sérgio Duarte entende que o lado social é mais preocupante. “É claro que o Brasil precisa se modernizar, mas o vetor dessa reforma foi mais pelo lado da precarização das relações de trabalho do que de uma modernização produtiva e inclusiva socialmente.”

Empreendedorismo

Virmondes Cruvinel entende que o estímulo ao empreendedorismo deveria ser uma das prioridades de qualquer administração pública. “Por mais que o momento econômico, que ainda é de crise, provoque dificuldades, o espírito empreendedor está ali justamente para encontrar soluções para o desenvolvimento.”

Na quarta-feira, 20, a Câmara Municipal derrubou o veto do prefeito Iris Rezende, mantendo o recolhimento de 2% do Imposto sobre Serviços (ISS) das empresas do setor de tecnologia e inovação, o que incentiva a abertura de novos empreendimentos do referido ramo e, consequentemente, gera novos postos de trabalho.

Lucas Kitão salienta que objetiva transformar Goiânia em um polo empreendedor, aproveitando a posição geográfica estratégica da cidade. Entretanto, o vereador não vê a Prefeitura de Goiânia dando o devido incentivo à área, enquanto outros municípios, como Aparecida de Goiânia e Senador Canedo, estão se tornando cada vez mais atrativas para o empreendedor. “Espero que o ano de 2018 desperte nos agentes públicos a vontade de transformar Goiânia, que é analógica, em digital.”

Empresariado

Roberto Elias Fernandes e André Rocha se mostram otimistas com os efeitos da reforma trabalhista | Fotos: Fernando Leite e Arquivo / Jornal Opção

Presidente da Associação das empresas do mercado imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Roberto Elias Fernandes recomenda que, no início de 2018, as pessoas aproveitem para comprar imóveis, pois os preços, que geralmente sobrem após uma crise, ainda não terão aumentado. “Vai ter mais crédito e menos juros.”

André Rocha, empresário do setor de etanol e cotado para assumir a presidência da federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), ressalta que o aquecimento da venda de combustíveis e o aumento da demanda de energia elétrica são sinais de que a atividade econômica está aumentando.

Ambos empresários se mostram otimistas com a reforma trabalhista. “Está diminuindo o número de ações trabalhistas e dando mais confiança para o empresário. Em 2018, isso só vai melhorar”, diz Roberto Elias Fernandes. Segundo André Rocha, a reforma em questão não tira direitos do empregado e o grande impacto vai ser sentido no primeiro semestre do próximo ano com o aumento da celebração de acordos e convenções coletivas, além do fato de que os sindicatos deixarão de contar com a contribuição obrigatória.

O que dizem os políticos

“Sou otimista por natureza. Acredito que 2018 será um ano melhor para a economia, assim como 2017 já apresentou pequenos, mas claros, sinais de recuperação dessa que está sendo a pior crise econômica vivida pelo país” — deputado estadual Virmondes Cruvinel (PPS)

“A minha expectativa é de um ano catastrófico na economia. A gasolina não para de subir e povo está voltando a passar fome” — deputada estadual Adriana Accorsi (PT)

“O cenário econômico para 2018 é melhor do que o que havia sido vislumbrado para 2017” — presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Andrey Azeredo (PMDB)

“Vejo que hoje existe um consenso de que a melhora da economia, que já é real, tende a ganhar um ritmo maior no próximo ano” — deputado federal Daniel Vilela (PMDB)

“Se o governo federal mantiver essa política de entregar o Brasil para outros países, a economia só tende a piorar” — vereadora Tatiana Lemos (PCdoB)

“O candidato que vencerá a eleição para presidente, ao meu ver, vai ser o que mostrar um plano mais confiável para a recuperação da economia” — vereador Lucas Kitão (PSL)

 

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