MDB à espera de um milagre

Se a declaração de um prefeito emedebista em jantar festivo promovido pelo senador Ronaldo Caiado representar uma corrente interna no partido, o MDB exige de Daniel Vilela um autêntico milagre eleitoral

Daniel Vilela | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Enquanto boa parte, para não dizer a totalidade, dos opositores filiados ao MDB e ao DEM discute critérios para união das candidaturas de Daniel Vilela e Ronaldo Caiado, as divisões entre eles permanecem impolutas e inabaláveis. Para piorar, o próprio MDB está profundamente dividido entre aqueles que defendem o lançamento de Daniel Vilela, ou em último caso de Maguito Vilela, pai do deputado federal, e os que querem abertamente que o partido feche em torno da candidatura de Ronaldo Caiado. Como pano de fundo dessa disputa, há guerra pelo domínio da estrutura partidária em nível estadual, que durante quase três décadas esteve nas mãos de Iris Rezende e agora dormita no reino dos Vilela.

Desde a década de 1980, os iristas mantinham amplo domínio sobre o MDB goiano, ao ponto de desencadear sucessivas debandadas ao longo do tempo. Entre algumas das principais estrelas que deixaram o partido nesses anos estão políticos como Mauro Borges, Henrique Santillo, Irapuan Costa Júnior, Iram Saraiva, Nion Albernaz e Lúcia Vânia. Não é um time de notáveis da política local, mas um seleção de craques que fizeram e ainda fazem história. Um dos que deixaram o agora MDB é o governador Marconi Perillo, que se tornou o algoz principal do irismo no poder estadual. Em 2014, o poder de Iris Rezende no diretório estadual acabou sob intervenção direta do comando nacional do partido, que repassou as diretrizes internas para as mãos dos Vilela. Desde então, a guerra entre iristas e maguitistas é praticamente declarada, embora alterne momentos mais contundentes com alguma paz de cemitério.

Divisão

Maguito Vilela: mais conhecido que o filho, pode ser o candidato. Ronaldo Caiado: frente em pesquisas o torna preferido de uma ala do MDB | Fotos: Arquivo / Jornal Opção

Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM, não tem nada a ver com essa disputa interna do MDB. Mas ele tem, sim, algumas restrições que nasceram há mais de uma década. Em 1994, ele, Lú­cia Vânia e Ma­guito Vilela dis­putaram uma eleição duríssima pelo governo do Esta­do. Embora Lúcia também te­nha atacado Maguito, foi de Caiado que o emedebista recebeu a maior carga. Alguns anos depois, em conversas mais íntimas, Maguito ainda se lembrava de um ataque que mexeu com ele durante a campanha, a de que ele não teria carteira de identidade, e que usava a de Iris Rezende. Em­bora possa parecer, nem de longe Maguito foi somente uma vítima no duro embate contra Ronaldo. Ele também atacou dezenas de vezes, inclusive devolvendo golpes considerados politicamente abaixo da linha de cintura.

O problema maior, porém, não é essa fragilidade nas relações amistosas entre Caiado e os Vilela. O presidente do DEM sempre foi um notável adversário do MDB até 2014, quando a­bandonou a base aliada e se aliou ao MDB através de Iris Re­zende. O prefeito tem no de­mo­crata seu maior pon­to de apoio atualmente. Es­sa boa e produtiva relação entre os dois acabou, logicamente, resvalando para a tal disputa entre Caiado e Daniel Vilela. Quem vencer essa disputa carimba também uma vitória dentro da estrutura do MDB estadual. Ou seja, se Caiado ganhar a unidade, leva junto Iris Rezende em seu prestígio, já que o prefeito, embora não admita publicamente, é seu maior avalista. A supremacia da candidatura de Daniel consolidaria o poder interno dos Vilela sobre os iristas dentro do MDB goiano.

Antes de resolver essa questão interna, a possibilidade de união de candidaturas do MDB e do DEM em uma só é difícil. Os ges­tos de um lado e do outro a­cabam sem­pre so­ando como petardos do “inimigo”. É o que se de­duz de de­claração do prefeito emedebista Renato Menezes de Castro, de Goia­nésia, que defendeu, após jantar promovido por Caiado para os emedebistas, que Daniel Vilela precisa crescer nas pesquisas eleitorais até março. Sem conseguir isso, Renato deixa evidente que seu apoio vai para a candidatura de Caiado.

Esse crescimento imediato nas pesquisas só ocorreria através de um milagre da multiplicação de pontos porcentuais. Daniel precisaria ir para as ruas para se tornar mais conhecido de toda a população, para aí tentar seduzir o voto de eleitores que ainda não sabem quem ele é. E ir para as ruas neste momento é implorar publicamente por uma intervenção direta da Justiça Eleitoral, que certamente agiria contra ele sob acusação de campanha eleitoral antecipada. O que ainda não se sabe é se cada vez mais haverá defesa da tese de pesquisas eleitorais como único critério para a definição do nome a ser escolhido e apoiado pelo MDB ou se Renato de Castro representa um setor pequeno dentro do partido. Se for tendência minoritária e inexpressiva, a candidatura de Daniel Vilela continua viva. Se não, é provável que ele seja substituído pelo pai, Maguito Vilela, muito mais popular e conhecido que o filho. Só depois, numa terceira fase, é que MDB e DEM vão saber se é possível caminhar eleitoralmente unidos ou se vão arriscar a separação no primeiro turno e sonhar com união no segundo turno. Até lá, o jogo permanece aberto. l

1 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
1 Comment authors

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Fabiano Oliveira

VIVA O CAIADO !!!