Iris Rezende quer arrecadar mais, mas não cuida do futuro da cidade

Mutirões e hortas comunitárias até beneficiam parcela da população, mas os goianienses esperam e precisam de um gestor antenado com a modernidade

Prefeito de Goiânia, Iris Rezende: gestor preso ao passado | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Cezar Santos

A arrecadação da Prefeitura de Goiânia vai começar a crescer de forma exponencial com a instalação de fotossensores nas vias da capital. No final de maio, o prefeito Iris Rezende (PMDB) assinou o contrato de R$ 61,4 milhões com a empresa Eliseu Kopp Ltda., que ganhou a licitação para a manutenção dos equipamentos por cinco anos. Serão 258 equipamentos para fiscalizar 643 faixas de trânsito.

Na quinta-feira, 8, a prefeitura anunciou que a instalação dos primeiros fotossensores começa nesta segunda-feira, 12, e o trabalho deve ser concluído em quatro meses.

O certo é que a prefeitura vai arrecadar uma fábula com milhares de multas que os olhos eletrônicos vão lavrar diariamente nas vias da cidade. Essa é a marca da gestão do prefeito Iris Rezende: modernidade e alta tecnologia a serviço… de arrecadar mais.

É natural que todo e qualquer gestor busque mecanismos para reforçar o erário, afinal, obras, programas e ações custam dinheiro. O problema é quando os esforços do gestor se voltam única e exclusivamente para esse objetivo, qual seja tirar mais e mais dinheiro do bolso do cidadão. Normalmente, esse tipo de prioridade tem o objetivo político-eleitoral em primeiro lugar.

Com muito dinheiro em caixa, o gestor público de mente tacanha promove ações com vistas à reeleição ou, se não puder ser candidato novamente por causa da legislação, fazer o sucessor. Uma das características mais evidentes dos gestores atrasados é justamente essa sanha no bolso do cidadão, com o objetivo eleitoral, quando não para outros objetivos mais inconfessáveis.

E quando se fala em gestor pouco afeito à modernidade, muitos consideram que o prefeito de Goiânia se encaixa como um exemplar perfeito. Sua história política e administrativa não deixa dúvida quanto a isso. O contrato milionário com a empresa Eliseu Kopp Ltda. é ilustrativo das prioridades definidas pelo prefeito Iris Rezende.

Desde que assumiu, o decano peemedebista nunca havia falado em projetos de futuro, que identifiquem preocupação com o porvir da cidade, em ações que beneficiem não só a atual geração, mas também os nossos netos e bisnetos. A curteza de visão tem sido apanágio de Iris Rezende, o que fica mais uma vez demonstrado.

Menos mal que no início da semana passada, ele tenha quebrado esse paradigma, pelos menos verbalmente. Por incrível que pareça, para quem conhece a história de Iris, ele tocou no assunto e disse textualmente: “Vamos modernizar Goiânia”. Foi num encontro no Paço Municipal, de lançamento de projeto que busca a modernização dos sistemas tecnológicos utilizados no município. Algo que deve ser rotina em qualquer administração, mas que Iris coloca como se fosse “diferente”, inédito.

Âncora no passado

A âncora passadista que segura o decano pode ser ilustrada, por exemplo, na ênfase que ele dá aos tais mutirões de serviços. O prefeito enche a boca para falar disso, como algo avançado. Não é, claro. Os mutirões, ao levar serviços para a comunidade, não resta dúvida de que beneficiam parcela da população, mas não podem jamais ser colocados como uma estratégia de governo que faça a diferença para a cidade.

Trata-se de uma ação comezinha, do cotidiano, como dar acesso a serviços como saúde, higiene pessoal, emissão de documentos, orientação jurídica, agendamento para casamentos coletivos e divórcios, além de emissão de carteira de trabalho, carteirinha de estudante, etc. A primeira edição ocorreu na semana passada e o coordenador dos Mutirões da Prefeitura de Goiânia, Aristóteles de Paula, informou que outras 14 edições serão realizadas até outubro deste ano.

Do ponto de vista de administração moderna, os mutirões são instrumentos atrasados. Tão atrasados, aliás, que essa conversa está no repertório de Iris Rezende desde sua primeira passagem pela prefeitura, na década de 1960, e depois nas vezes em que ele assumiu o governo estadual e novamente na administração da capital.

Mas o que Iris está fazendo não é surpresa. Na campanha eleitoral, no ano passado, o peemedebista falou exatamente em voltar com os mutirões, a ideia fixa que ele alimenta como solução para praticamente todos os problemas da cidade. Ele propôs o mesmo das campanhas anteriores, tanto para a prefeitura quanto para o governo estadual.

E pensar que o adversário que disputou com Iris no segundo turno, Vanderlan Cardoso (PSB), o discurso foi diametralmente oposto ao do peemedebista. Tanto na propaganda de rádio e TV como nas redes sociais, o empresário teve como slogan: “O que pro¬pomos é uma administração mo¬derna, pautada no planejamento”.

Enquanto Iris falava em mutirão, Vanderlan falava em atrair empresas para dar uma dinâmica nova na economia goianiense, para isso criando parques industriais na cidade.

Estava certo Vanderlan Cardoso. Uma capital jovem como Goiânia, com uma população jovem, precisa de mais e mais empregos e a prefeitura tem um papel ativo nessa realidade. Principalmente, considerando o cenário de crise econômica que o País atravessa. Polos industriais propiciam condições para o desenvolvimento de micro, pequenas, médias e grandes empresas, ampliando o leque de geração de emprego.

Passada a eleição, com Iris Rezende vencedor, esperava-se uma renovação no discurso e na prática administrativa do peemedebista. Mas, que nada! Seria esperar muito de um gestor que fala ter recebido de Deus a “missão” de governar.

De olho em candidatura, Dona Iris faz ações de pouco resultado

Dona Íris entrega pães a trabalhadores: ação midiática visa eleição de 2018 | Foto: Divulgação

Para piorar as coisas na administração de Goiânia, a primeira-dama, a ex-deputada Iris de Araújo, ou Dona Iris, como gosta de ser chamada, também não é muito afeita à modernidade. No afã de ganhar visibilidade com vistas a uma candidatura à Câmara Federal em 2018, ela promove ações midiáticas, mas de pouco alcance prático para a cidade.

No mês de abril, ela lançou uma horta comunitária em frente ao Paço Municipal. No lançamento, muito discurso e muita foto para a imprensa. A conotação eleitoreira ficou evidente no estardalhaço que Dona Iris fez para construir a horta.

Por sinal, o lançamento dessa horta foi objeto de questionamento por parte da Câmara de Vereadores. O secretário de Finanças de Goiânia, Oseias Pacheco, esteve na Câmara e lhe foi perguntado o porquê e os custos da instalação de horta comunitária no Paço Municipal. O vereador Zander Fábio (PEN) quis saber o quanto a prefeitura investiu. Ele observou que o projeto era dispensável, em face da situação da administração de Iris Rezende. “Estamos sem pagar até as creches filantrópicas, mas o secretário não soube dizer nem se foram utilizados verba e mão de obra da prefeitura”, disse.

Reportagem do Jornal Opção Online registrou que a horta foi anunciada com festa e carro de som por Dona Iris, e inaugurada menos de um mês depois de o vereador Jorge Kajuru (PRP) denunciou que as crianças de várias escolas goianienses estão recebendo como merenda apenas arroz e feijão, enquanto em outras, elas comem três bolachas para a refeição.

O Jornal Opção tem denunciado que desde que Iris assumiu a Prefeitura, Dona Iris, que não tem nenhum cargo oficial no Paço Municipal, vem atuando como uma secretária, o que é irregular. Foi ela quem criou e protagonizou a entrega da horta.

E a mais recente “façanha” da primeira-dama se deu no mutirão da prefeitura, na semana passada, quando ela foi para a rua distribuir pão para trabalhadores que estavam fazendo o recapeamento asfáltico no Parque Amazônia. Mais uma vez, o ato foi devidamente registrado pela assessoria da futura candidata a deputada — nos bastidores se diz que ela pode até sair para o Senado. Os assessores tiraram muitas fotos e espalharam nas redes sociais, como se distribuição de pães fosse uma das mais importantes ações na história da administração da capital.

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