Grupos de criação de games se articulam no Centro-Oeste

De forma independente ou com apoio, interessados na produção de games se articulam, às vezes com sucesso internacional

Frequentadores das Game Jams têm de criar um jogo em um final de semana | Foto: Arquivo Pessoal  

O estado de Goiás não passou batido pelo crescimento internacional do mercado de games. Enquanto em 2016 se contava três empresas de game development, há estimativas de que o número de grupos de criação na capital tenha passado a pelo menos vinte em três anos. Apesar de não haver mapeamento oficial, profissionais que trabalham com a área relatam a história de estúdios goianos que conseguem vender seus produtos em escala internacional. 

Gustavo Christino é produtor de games e realizador de eventos acerca do tema, e afirma que, como Goiás não tem cursos superiores que forneçam profissionais específicos da área, quem trabalha com video games vem de outras áreas. “Os profissionais se complementam com cursos na internet, tutoriais, palestras, com a prática. O pessoal do áudio que tem facilidade com games já estudou para teatro, curta metragem. Eu mesmo venho da engenharia da computação, sou programador”, afirma ele.

Tendo notado a necessidade e o interesse pela formação, o programador criou a Game Jam Goiana, um grupo que organiza encontros mensais por videoconferência para debater técnicas, mostrar o que se produziu e testar ideias de produção de jogos. Além disso, há também duas maratonas anuais de produção que duram um final de semana com um tema específico. “Trazemos pessoas experientes para fazer mentorias nesse tipo de evento. Damos um tema e nos desafiamos a construir um jogo neste estilo hackaton ou startup weekend”, afirma o organizador dos encontros. 

Produtores se reúnem para trocar experiências de forma independente  | Foto: Arquivo Pessoal   

Segundo Gustavo Christino, há orientação do Sebrae nacional para que os representantes estaduais do órgão apoiem a produção de jogos. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas realiza seminários, capacitação, apoio institucional e com vínculo na geração de empresas. Fora isto, os (mais ou menos) vinte grupos de criação de jogos goianos se organizaram de forma independente. 

Apesar de começarem a atuação de maneira artesanal, os profissionais de arte gráfica, áudio, programação, roteiro, gamedesign, marketing, gerência e negócios envolvidos com games atendem um mercado internacional. A franquia “Momodora”, do desenvolvedor “rdein”, talvez seja o maior hit nascido em Goiânia. Disponível na Steam e tendo vendido centenas de milhares de cópias, o jogo encontrou um nicho no Japão.

Além de Momodora, Gustavo Christino cita outros games goianos dignos de menção: 

“Cosmo Rangers, projeto com o qual contribuí por conta de minha amizade com o desenvolvedor, Leonardo Medeiros. O jogo teve boa quantidade de downloads e creio que possa ser continuado algum dia.

Cito também o jogo Josh Journey: Totens da Escuridão, do estúdio de animação Província Studio. Hoje posso dizer que há grande qualidade e potencial no projeto.

Outras equipes e desenvolvedores chamaram bastante a minha atenção: Breezeblocks, Spheres, Funbites, GameBlox, Warrior e diversos outros…”

Além das maratonas de produção, grupo se reúne mensalmente desde 2015  | Foto: Arquivo Pessoal  

Aprendizado gameficado

Erick Henrique é gerente de Tecnologias e Mídias Educacionais da Secretaria de Educação Juventude e Esportes (Seduc) do Tocantins, e também é um desenvolvedor de jogos. Em seu trabalho, Erick Henrique busca fomentar a criação de clubes de programação de jogos nas escolas públicas. “Não adianta acreditar em trazer empresas para a região se não há quem desenvolva os jogos. Os meninos já começam a entender no ensino médio o processo.”

Além dos clubes de programação de jogos em escolas públicas, a Seduc incentiva a criação de  startups de alunos cujos jogos atingem maturidade para o mercado. “Procuramos financiamento para investir nas startups e acredito que assim criaremos uma indústria com potencial de profissionalizar estes alunos. Trabalhamos para isso há três anos e percebemos que, quanto mais cedo os alunos aprenderem a programar, mais fácil é o ingresso deles nesse mercado de trabalho.”

Em Goiás, interessados em aprender a criar jogos podem ficar atentos às Game Jams por meio do grupo do evento no facebook. A próxima edição será realizada na primeira semana de outubro. Além de frequentar eventos e buscar especialização por meio de cursos, Gustavo Christino faz uma sugestão para quem quer começar: “A primeira coisa é descobrir se você gosta de produzir jogos, ou se apenas gosta da ideia de trabalhar com isso. A única forma de descobrir é com a prática.” 

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