Governo pensa em privatizar, mas ainda não tem plano concreto

Secretários dizem que empresas estatais podem ser vendidas, mas que, no momento, o assunto não é prioritário

Cristiane Schmidt e Pedro Henrique Sales - Fotos Divulgação e Rubens Salomão Sagres ON

Secretários Cristine Schmidt (Economia) e Pedro Henrique Sales (Administração) dizem que ordem do dia do governo não é discutir privatizações, mas assunto não está descartado | Fotos: Reprodução/Sefaz e Rubens Salomão/Sagres ON

Em entrevista ao Jornal Opção, secretários avaliam a perspectiva de privatizações – uma das pautas esperadas para a atual gestão. Não há projetos sólidos em discussão no momento, mas a agenda encontra adeptos no Executivo e Legislativo. Há o consenso de que, antes de qualquer especulação, é necessária a renegociação de custos de operação e estudo das propostas do setor privado.

A secretária estadual de Economia, Cristiane Schmidt, afirma que a principal intenção das privatizações seria conseguir recursos para a criação de políticas públicas. “As discussões têm de ir para um outro patamar: o que é melhor para a sociedade? Temos 6,8 milhões de habitantes em Goiás e 83% da receita é gasta com 170 mil funcionários públicos, ativos e inativos. Para o governador, é impossível criar políticas públicas com o que resta. A ideia é deixar de ter obrigação com empresas como a Metrobus, que foi mal gerida por muito tempo.”

Pedro Henrique Sales, secretário estadual de Administração, confirma que as privatizações não estão descartadas, mas não fazem parte da pauta imediata do governo estadual. “Na Celg e na Saneago, por exemplo, a medida mais adequada seria uma abertura de capital. Quanto às demais estatais, há que se avaliar se o passivo recomenda propriamente uma venda ou uma liquidação. Entretanto, as ações do governo a esse momento ainda são incipientes. É muito cedo para afirmar qual delas podem ser vendidas e qual seria o formato do negócio”, diz o titular da pasta.

Cristiane confirma ainda que “Saneago, Metrobus e outras serão fonte de estudo”. “Temos vontade, mas isso não significa nada. A privatização só é boa quando funciona a médio e longo prazo, ou teremos novamente o que houve com a Enel há pouco tempo”, declara em referência à investigação do Ministério Público de Goiás sobre o destino do dinheiro arrecadado com a privatização da Celg Distribuição.

A secretária contesta os dados do Tesouro Nacional, segundo os quais o gasto com pessoal em Goiás esteve abaixo do limite de 49% da Receita Corrente Líquida. Para Cristiane, as Emendas Constitucionais 54 e 55, de 2017, maquiaram o uso do tesouro na gestão anterior de forma que este parecesse estar em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal. “Já me coloquei à disposição de qualquer um que queira ver os dados”, afirma a titular da Economia ao justificar a necessidade das privatizações.

Legislativo
Os parlamentares Delegado Waldir (PSL) e Vanderlan Cardoso (PP) já sinalizaram em entrevistas ao Jornal Opção que são favoráveis às privatizações. Para o deputado federal do PSL, se faz necessário privatizar todas as empresas estatais que não estejam relacionadas a saúde, educação e segurança. “É preciso fazer caixa para tentar resolver as questões do Estado”, diz Waldir. Para o senador Vanderlan Cardoso, o governo deve ser um órgão regulador, formado por técnicos, de forma a reduzir gastos e corrupção.

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