Governo navega com absoluta maioria, mas prefeito vai conseguindo apoios silenciosos

As urnas garantiram uma esmagadora maioria na Assembleia Legislativa para o governo do Estado. Na Câmara Municipal, o prefeito Paulo Garcia tem que se posicionar a cada votação

Marconi Perillo e Paulo Garcia vivem situações opostas em relação às bases que os sustentam nos legislativos | Wagnas Cabral

Marconi Perillo e Paulo Garcia vivem situações opostas em relação às bases que os sustentam nos legislativos | Wagnas Cabral

Afonso Lopes

Se a relação francamente ma­joritária que o governo do Estado mantém na Assem­bleia Legislativa vai se estender até o final deste mandato ninguém pode garantir. Pela lógica, e histórico, sim, nada deve mudar substancialmente. Mas há um fato novo, inédito até aqui. Em 2018, o grande líder desse grupamento, que vem comandando vitórias desde 1998, não estará mais com a faca e o queijo na mão. Marconi, reeleito no ano passado, não será candidato ao governo de novo. Em 2006, isso também ocorreu, mas todos tinham a clara sensação de que ele retornaria em 2010, como realmente aconteceu. Desta vez, a impressão que se tem é que Marconi Perillo deve procurar ares nacionais para sua até aqui vitoriosa carreira política.

Já na Câmara Municipal de Goiânia aconteceu um movimento exatamente inverso. O prefeito Paulo Garcia foi reeleito em 2012 a bordo de uma bem azeitada máquina que lhe garantiu de imediato boa sustentação. Ao longo desses anos, porém, a situação complicou muito. Vide o seu próprio partido, que elegeu quatro vereadores e hoje só tem um. Djalma Araújo saiu logo no começo e se abrigou na oposição. Tayrone di Martino, ex-assessor de imprensa de Paulo no mandato-tampão, entre 2010 e 2012, e Felis­berto Tavares também procuraram a chamada “serventia da casa”, a porta de saída. Continua no PT apenas o vereador Carlos Soares.

Mas não foi só no PT que houve debandada. Os partidos menores que formaram aliança eleitoral pularam fora depois, e passaram a atuar numa linha quase independente, negociando ponto a ponto as matérias de interesse administrativo ou político enviadas pela Prefeitura para a Câmara. Isso, evidentemente, ampliou bastante os desgastes que o prefeito Paulo Garcia sofreu ao longo do governo.

Presidencialismo mitigado

Presidente Dilma Rousseff: sofrimento com aliados por falta de tino no trato  |  Roberto Stuckert Filho/ PR

Presidente Dilma Rousseff: sofrimento com aliados por falta de tino no trato | Roberto Stuckert Filho/ PR

Uma das piores anomalias da democracia brasileira é exatamente o desencontro existente dentro da Constituição Federal. Parte dela foi feita com viés nitidamente parlamentarista. Só que a proposta caiu num plebiscito, e aí enxertou-se no texto a determinação presidencialista. O resultado é esse que aí está em todos os legislativos: prefeitos, governadores e presidentes da Re­pública dependem sempre de maioria segura para governar com um pouco mais de tranquilidade. Prin­cipalmente nos momentos difíceis.

E se tem uma coisa que não faltou neste governo de Paulo Garcia foram fases complicadas. Em 2012, ano da eleição, é claro que ele não teve condições necessárias para arrumar a casa que recebeu como herança. O secretário de Finanças-relâmpago, Cairo Peixoto, um craque na área, chegou a falar em dívida de 400 milhões de reais que seria remanescente do governo anterior. O acerto com o passado, portanto, deveria ter sido feito em 2013, já no primeiro ano de mandato. Mas aí entrou aquele fardo pesado da mitigação do poder central. Paulo precisou costurar a sua base de sustentação dentro das necessidades de governo. Em 2014, a bolha explodiu com o colapso total até no serviço de recolhimento cotidiano do lixo doméstico.

Desde então, a popularidade dele se desfez.

A ideia era equilibrar as contas agora e caminhar com menos percalços durante este ano, e desembarcar no ano que vem com uma máquina administrativa pronta para finalmente decolar. Pode não acontecer exatamente como foi planejado. A crise de liquidez provocada pelo governo federal não é um balde de água fria. É uma cascata glacial.

Apesar de todas essas idas e vindas, a situação do prefeito hoje é melhor do que foi no auge da crise do lixo, mas está muitíssimo longe do minimamente ideal. Ele teria que chegar a janeiro de 2016 com as contas totalmente equilibradas e com a máquina administrativa trabalhando sem problemas e a todo vapor, para deslanchar sua popularidade na primeira metade do ano e ter, assim, condições de exercer alguma influência como cabo eleitoral. Se conseguir fazer isso, vai beirar o milagre. Sua reforma administrativa, que deveria gerar uma economia este ano de 80 milhões de reais, já reduziu a previsão para míseros 30 milhões de reais. É muito pouco diante do tamanho das demandas. E quase a totalidade desses problemas de ajuste tem como origem a sua incerta e inconstante base de sustentação na Câmara dos Vereadores.

Observando-se a situação de Marconi e de Paulo Garcia é que se percebe a importância para o bom desempenho do Executivo manter uma boa base de sustentação nos Legislativos. O que existe de sobra em Marconi, faz uma falta danada para Paulo. Se quiser um reforço para esse argumento, inclua na lista a duríssima relação da presidente Dilma Roussef com o Congresso Nacional. Não é a toa que ambos, Dilma e Paulo, vivem momentos administrativos muito assemelhados. Já Marconi não precisa aumentar a sua base. Ao contrário, se perder um ou outro ele ainda terá plenas condições de administrar com certa tranquilidade política até 2018. É tudo o que ele quer.

Uma resposta para “Governo navega com absoluta maioria, mas prefeito vai conseguindo apoios silenciosos”

  1. Avatar Eurânio BATISTA disse:

    O Prefeito Paulo Garcia é o cidadão mais lembrado pelos motoristas de Goiânia. Quando os carros caem em buracos nas ruas ele é lembrado imediatamente.

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