Ex-aliados criticam gestão de Eduardo Macedo como presidente do PMN

Partido se divide e grupo que não concorda com aliança com o senador Ronaldo Caiado, do DEM, denuncia presidente da sigla

Eduardo de Macedo Lucena, presidente do PMN: “Tudo não passa de fofocas, de falácias” | Deputada estadual Eliane Pinheiro, do PMN: “Eduardo Macedo não é uma pessoa ética” | Gilson Romanelli frisa que “tem dó de Ronaldo Caiado por ter como aliado Eduardo Macedo”

Yago Sales

Um disse me disse. É por aí que caminha o Partido da Mobilização Nacional (PMN) goiano em um momento em que as possibilidades de aliança partidária começam a se desenhar, com olhos voltados para as eleições de 2018. Há uma divisão no partido – as duas bandas da sigla negam – que acirra o debate interno.

Uma parte quer aderir ao programa da oposição capitaneado pelo senador Ronaldo Caiado (DEM); outra está insatisfeita com a aproximação do partido ao projeto de participar de uma chapa para enfrentar Zé Eliton (PSDB). Nesse contexto, opositores do presidente do PMN, Eduardo de Macedo Lucena, decidiram esmiuçar as contas da sigla e denunciam uso indevido de cheques pré-datados do partido que teriam voltado por falta de fundos.

O ex-presidente do partido em Goiás Francisco Assis Paulo dos Santos afirma que não tem divisão. Contraditoriamente, acredita que uma “minoria”, da qual fazem parte o atual presidente, sua mulher e o tesoureiro, “não quer o bem para Goiás”. “Tesoureiro que, na verdade, é o office-boy, um faz-tudo de Macedo”, ironiza Francisco. “Desde o ano passado eu denuncio à Execu­tiva nacional as irregularidades. Está tu­do protocolado, mas até agora es­peramos um posicionamento claro so­bre os cheques sem fundo que voltaram.”

Para ele, o fato não é raro. “Isso aconteceu outras vezes, inclusive em pagamento de despesas pessoais com churrasquinhos, por exemplo. Cheque do partido solto por aí suja a imagem do PMN goiano. Fui presidente e cheque nunca voltou. Ele [Eduardo Macedo] deu cheque até para agiota”, conta.

Francisco Assis questiona o fato de Ronaldo Caiado “abraçar” Eduar­do Macedo, pois os prejuízos políticos são evidentes devido ao comportamento supostamente “pouco ético” do presidente do PMN de Goiás. “Tenho a maior clareza de que ele dá cheque sem fundo. Acredito na Justiça, na direção nacional, sobretudo no presidente. Tenho certeza que Eduardo Macedo será destituído. Temos um histórico de gente com ficha limpa. É inaceitável.”

A única deputada estadual da sigla, Eliane Pinheiro, faz coro às críticas ao presidente e aponta outros problemas: “Eduardo Macedo não é uma pessoa ética, está vendendo o partido para conseguir cargos”, afirma Eliane. “Eu não converso nada com o partido estadual. Eu não reconheço esta pessoa. Avisei ao presidente nacional que ele pedia dinheiro para fazer eventos no interior”, disse.

Eduardo Macedo nega as acusações. Para ele, tudo não passa de retaliações por ter levado o partido para a frente “Oposição para mudar Goiás”, encabeçada por Ronaldo Caiado, e com a possibilidade de in­corporar nomes como Lúcia Vânia (PSB) e Daniel Vilela (PMDB), postula.

“Se eu fosse da base do Mar­co­ni, seria a melhor pessoa para a deputada Eliane Pinheiro”, contra-ataca Macedo. Segundo o presidente, a deputada está mais para o PSDB do que para o PMN. “Ela deveria filiar-se aos tucanos”, sugere Macedo, que afirma que deve compor a chapa do bloco oposicionista, como candidato a deputado federal.

Adversários sustentam que não se deve minimizar as denúncias de que, como presidente, Macedo esteja se beneficiando da estrutura do PMN. Além da questão dos cheques sem fundos, representantes da ala anti-Caiado – que querem o PMN de volta à base do governo – enviaram ofícios à executiva nacional denunciando que ele não atende à base e não prestou contas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Os ofícios, no entanto, não foram respondidos pelo presidente nacional, Carlos Massarolo.

“Barraco” na prefeitura

Na quinta-feira, 16, um homem foi à sala do Eduardo Macedo, na Superintendência de Gestão de Pessoas e Folha de Pagamento da Prefeitura de Goiânia, em busca de um emprego prometido. Aos gritos, foi retirado por guardas municipais. Quem estava no local ouviu do homem, muito nervoso — “dando pernadas em tudo” —, que Macedo lhe devia dinheiro. “Na verdade, ele estava cobrando cargos. O prefeito não tem conseguido atender aos pedidos de emprego”, minimiza Macedo.

A despeito das denúncias de que tem usado cheques do PMN, Eduardo Macedo disse que tudo não passa de conversa fiada. “São fofocas. Lamento desperdiçar espaço em um jornal tão importante para debater essas falácias, essas picuinhas.” Em seguidas ligações à reportagem, explicou que não existem cheques do PMN goiano sem fundos no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF).

O advogado da sigla, Rômulo Martins, entrou em contato com o jornal ao saber que o repórter buscava esclarecimentos sobre as denúncias. “É uma denúncia sem fundamentos. É preciso dizer que Eduardo assumiu o partido em 2016 e essas contas são de 2014. Um jornal não pode publicar algo com base em denúncias de pessoas que foram destituídas do partido”, diz.

Gilson Romanelli — que, durante o governo de Alcides Rodrigues, foi administrador do Estádio Serra Dourada — conta que articulou Eduardo Macedo para a presidência do PMN goiano junto à executiva nacional. Agora, é um de seus mais ferrenhos críticos. “Ele me deve há anos, me passou para trás”, garante. “É uma pessoa que não merece crédito. Ele quer apoiar o Caiado. Fico com dó de Caiado por ter o apoio de uma pessoa com essa índole. Infeliz­mente, nas mãos do Eduardo, o partido vai ser peça de negociata”, assegura.

Romanelli relata que, quando conheceu Eduardo Macedo, pensou ter encontrado um líder, mas agora se diz arrependido. “Não sabia de sua índole. Ele queria o partido para fazer negociata, para vender, trocar apoios. O que procurou fazer em Senador Canedo, em Rio Verde. Ele vendeu apoio a Iris Rezende (PMDB) em troca de cargo unicamente para ele”, frisa, antes de revelar que presenciou conversas de Eduardo Macedo com o empresário Carlinhos Cachoeira. “Eduardo queria colocar o partido à disposição do Carlinhos, que não quis”, afirma.

Eduardo Macedo responde que tudo são falácias de um grupo. “Esse grupo está descontente. Posso afirmar que nunca participei de qualquer negociata para vender o partido. Estamos querendo unificar um bloco para um novo projeto para Goiás.”

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