Eleitores de 16 e 17 anos acreditam na mudança do Brasil por meio da política

Jornal Opção conversou com jovens que, por vontade própria, vão estrear em eleições neste ano

Naízio Raposo, Antônio Ordones, Sarah Carezolli e Jeovan Batista, do IFG — Campus Goiânia: posições políticas tomadas pelas próprias convicções | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Terminou no dia 9 de maio o prazo para regularizar ou tirar o título de eleitor. O Jornal Opção conversou com seis eleitores de 16 e 17 anos que, apesar de ainda não serem obrigados, vão estrear no pleito de 2018, além de dois que terão 18 anos no dia da votação.

A reportagem procurou o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), mas o número de menores de idade de Goiás aptos a votar nas eleições deste ano ainda não está disponível — em 2016, foram 73.976, representando um aumento de 11.545 na comparação com 2014.

Alguns dos entrevistados se declararam de direita. Outros, de esquerda — a maioria rechaçou tal dicotomia. Um ou outro disse não gostar de política, mas reconhece a importância do exercício do voto. E houve quem declarou amar a política e já pensa em se tornar um político no futuro.

Em comum entre eles, a vontade de participar do processo democrático a fim de melhorar o Brasil — com base em suas próprias convicções. Quase todos ressaltaram que não são influenciados pelas posições políticas de seus pais.

“Meus pais são seres apolíticos. Sou o único da família interessado nisso”, frisa Antônio Ordones Neto, estudante de 17 anos do 3º ano do Instituto Federal Goiano (IFG) – Campus Goiânia.

Colegas de sala de Antônio, Naízio Raposo Nunes Júnior, 16, Jeovan Batista Meira, 17, e Sarah Carezolli Cabral, 18, sublinharam “caminhar com as próprias pernas”. “Meus pais apenas comentam o voto deles e falam para eu escolher bem. Mas não influenciam”, pontua Sarah.

Estudante do 3º do Colégio Nexus, de Anápolis, Henrique de Oliveira Parreira, 17, enfatiza que, na verdade, seus pais o incentivam a tomar suas próprias decisões políticas. Da mesma turma de Henrique, Marcella de Pina Dias Adôrno Bastos, 17 — terá 18 em outubro —, e Letícia Silva Victor, 17, que está no cursinho da escola em questão, também negaram ser influenciadas.

Maria Eduarda Fernandes, 17, foi a única que admitiu uma tentativa de influência dos pais. “Eles tentam me convencer das suas escolhas eleitorais. Eu escuto e absorvo apenas o que achar necessário.”

Henrique de Oliveira, Marcella de Pina, Maria Eduarda Fernandes e Letícia Silva, do Colégio Nexus, de Anápolis: participação no processo democrático a fim de melhorar a condição do Brasil | Foto: Divulgação

Henrique, Marcella, Maria Eduarda e Letícia, do Colégio Nexus, de Anápolis: participação no processo democrático a fim de melhorar o Brasil | Foto: Divulgação

Critérios
Para Antônio, o primeiro critério a ser analisado na hora de decidir em quem votar é se o candidato tem ficha limpa. Além disso, o estudante indica que não quer reeleger nenhum político. “Sou contra a reeleição tanto para o Legislativo quanto para o Executivo.”

As propostas e o desempenho durante a vida pública são outros pontos mencionados pelos jovens. Muitos ainda não têm certeza em quem votar para presidente e afirmaram que pretendem esperar os debates para ter mais convicção do voto.

Antônio e Naízio estão inclinados a votar em João Amoêdo (Novo). Jeovan e Sarah votariam em Jair Bolsonaro (PSL) algum tempo atrás. Mas, após pesquisarem sobre o deputado federal, desistiram e, hoje, estão indecisos. Henrique, Marcella e Letícia também não sabem quem escolher e Maria Eduarda tem uma só certeza: a de que não vai votar no presidenciável do PSL.

Os estudantes ouvidos pela reportagem relataram não conhecer políticos jovens de Goiás, consideraram importante a Operação Lava Jato — desde que as condenações não parem — e contaram se informam sobre política por meio dos debates em suas escolas, redes sociais, “TV Globo”, “TV Cultura”, “Voz do Brasil” e portais de notícias, como “G1”, “O Globo”, “Veja”, “IstoÉ” — jornais impressos não costumam fazer de seus cotidianos.

“Preciso estar a par de tudo o que acontece no meu país porque o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] e outros vestibulares cobram atualidades, principalmente na redação”, enfatiza Marcella.

Quer ser político
Antônio não é um jovem qualquer. Aos 17 anos, já presidiu o Grêmio Estudantil do IFG e é voluntário do Acredito, movimento criado por jovens com o intuito de renovar a política. Uma das principais ações feita por ele diz respeito à campanha “Meu Primeiro Voto”, que tem como objetivo incentivar menores de idade a tirarem o título de eleitor.

Segundo ele, é difícil convencer jovens a votarem porque a política se apresenta como “velha” e “chata”, além de ser explorada nas aulas de História e Filosofia de maneira “imparcial”. “Minha juventude é muito parada”, diz.

Esse amor pela política surgiu a partir do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). “Assisti à sessão inteira e foi vergonhoso. Não quero deixar aquilo acontecer de novo”, lembra Antônio, que quer se filiar ao Partido Novo em breve.

A política motiva ou desmotiva?

Os oito jovens entrevistados pelo Jornal Opção responderam se gostam de política e se ela os motiva. O que eles disseram:

“A política me motiva no sentido de conseguir, por meio dela, fazer a diferença na vida de outras pessoas. É um amor que nasceu dentro de mim”

Antônio Ordones Neto, 17 anos

“Passei a gostar de política depois que entrei no IFG. É uma área que pode ser interessante de ser estudada, mas, no Brasil, me desmotiva. É muito escândalo de corrupção. Dá a impressão de que não há nenhuma pessoa honesta”

Jeovan Batista Meira, 17 anos

“Gosto de política porque a vejo como algo necessário. Não tem como viver sem. Está no nosso dia a dia e define o nosso futuro. O momento da política me motiva a melhorá-la”

Naízio Raposo Nunes Júnior, 16 anos

“Não gosto de política, principalmente por causa da corrupção. Me desmotiva. Mas acho que é importante em alguns aspectos, de quem vai governar e estar no nosso controle”

Sarah Carezolli Cabral, 18 anos

“Atualmente, a política me desmotiva por conta da corrupção arraigada no sistema, mas me interesso sobre as decisões dos nossos representantes”

Henrique de Oliveira Parreira, 17 anos

“Não gosto tanto de política, mas acho necessária. Com esses casos de corrupção, confesso ter um pouco de desânimo em relação ao futuro do País, mas acredito que a culpa não está nos políticos em si. Está em todos nós. Afinal, o político advém do nosso meio”

Maria Eduarda Fernandes, 17 anos

“Não gosto de política porque tem muita desonestidade nesse meio, mas votar me motiva a pensar melhor sobre o futuro que quero viver”

Marcella de Pina Dias Adôrno Bastos, 17 anos

“Gosto de política. É algo que decide a nossa vida social, mas, olhando o contexto atual do País, me sinto desmotivada, pois acredito que grande parte dos brasileiros não se preocupam em estudar a fundo um candidato antes de votar”

Letícia Silva Victor, 17 anos

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