É possível sair da crise com ela no comando?

Nem os mais otimistas acreditam que a presidente vai conseguir reverter a terrível
situação econômico-financeira do país

Presidente Dilma Rousseff diz que não renuncia | Foto: Lula Marques/Agência PT

Presidente Dilma Rousseff diz que não renuncia | Foto: Lula Marques/Agência PT

Afonso Lopes

As contas brasileiras vão de muito ruim para pior ainda. Sem refresco e sem melhores perspectivas. Não há um só sintoma que indique uma eventual mudança brusca nesse cenário. Não com Dilma Roussef no comando. O duro é que sem ela também vai ser uma tarefa muito difícil. Se o impeachment crescer e apear a presidente do Palácio do Planalto, a linha sucessória é simplesmente desanimadora. Vai de Michel Temer a Renan Ca­lheiros, passando antes por Eduardo Cunha. De qualquer forma, a verdade é que a presidente não tem mais condições de governar, nem politicamente e muito menos administrativamente. A tal “gerentona” criada no laboratório político-eleitoral simplesmente deu chabu.

Assim, a pergunta que se faz é se o Brasil tem condições de sair da enrascada econômico-financeira em que foi atirado. O país é forte o suficiente para se acreditar que, sim, a crise vai ser superada. Mas, não, não tem muita chance de escapar do desastre administrado por um governo tão mequetrefe quanto esse que aí está. Um governo sem rumo, sem meta, e que acha que “quando atingir a meta (inexistente)” poderá dobrar a aposta.

A crise econômico-financeira é efeito colateral da crise mundial? Em uma pequeníssima parte, sim, é. Especialmente no que diz respeito ao fim da festa do boi que embalou o mercado de commodities na década de ouro, e desde o ano passado com o aparente cansaço do crescimento chinês. Esses dois fatores somados formam um belo obstáculo para a economia brasileira. Mas o buraco, imenso, é muito mais embaixo da linha do equador e na banda ocidental do mundo. A maior parte da crise se deve ao mau comportamento, para dizer pouco, desse péssimo governo, que só conseguiu tocar o barco muito lentamente durante algum tempo enquanto ainda havia uma certa folga no caixa. O dinheiro acabou, e aí surgiu esse enorme rombo. A crise é muito menos uma conjunção dos fatores negativos no mercado internacional, e muito mais a somatória de duas das piores características de qualquer governo: irresponsabilidade fiscal e incompetência.

Então, o que há no Palácio do Planalto atualmente não é mais a figura de alguém que possa liderar o país na retomada da vida normal, mas um zumbi sem eira, sem beira e sem qualquer capacidade de reação. Dilma se entregou para a crise e, assim, não tem como gerar qualquer traço de confiança em quem quer que seja. Nem o PT, partido ao qual é filiada, acredita na capacidade administrativa dela.

E onde entra a crise política nesse bolo de aspecto terrível? Sim, a deterioração plena das relações políticas, es­pecialmente no Congresso Na­cional, complica tudo, mas é necessário lembrar que não foi a crise po­lítica que arrasou as contas do governo. Ao contrário, a crise política é consequência do desarranjo econômico. O pior é que neste momento não há qualquer perspectiva de amenizar o negativismo econômico sem que antes se encontre um meio de apaziguar as questões políticas. E, portanto, e mais uma vez, a conclusão é óbvia: com Dilma no comando, a crise política não será superada. Ela simplesmente não é do ramo. Não sabe fazer política, não demonstra a menor vontade de fazer política. E isso é uma característica pessoal, que pode até ser mudada, mas no caso dela talvez não nesta encarnação. Ela não nasceu para a política. E como técnica, se revelou um fiasco total. Essa é a crise.

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