Destino de Friboi passa por Brasília

Bancada peemedebista se reúne com o vice Michel Temer, mas nega ter tratado da cogitada expulsão do empresário

Júnior Friboi: todos de olho em suas doações para campanhas

Júnior Friboi: todos de olho em suas doações para campanhas

Afonso Lopes

Deputados estaduais e federais do PMDB estiveram em Brasília para um bate-papo com o vice-presidente da Repúbli­ca, Michel Temer. Na volta, disseram que o caso de Júnior Friboi, que está sendo ameaçado de expulsão, nem foi ventilado no encontro. “Ele é só mais um filiado”, chegou-se a alegar. Se realmente o assunto não esteve em pauta, apenas os participantes da reunião podem saber com toda a certeza, mas é estranho que o caso não tenha despertado o interesse de Temer. Friboi entrou para o PMDB de Goiás pelas mãos de Temer, e é óbvio que sua saída, principalmente pela forma que pode se dar, escorraçado pelo co­mando regional, seria naturalmente do interesse pessoal do presidente nacional do partido. Friboi, ao contrário do que se ouviu aqui, não é apenas um filiado. Claro que não.

Trata-se de um bilionário cuja família detém um império que, ao longo das eleições, se tornou um dos principais doadores do país. Friboi é um sujeito que desembarca em Brasília na hora que quiser e é recebido com chuva de papel picado em qualquer dos grandes gabinetes de lá. Foi exatamente dessa forma que ele foi recebido em 2013 por Michel Temer para se filiar ao PMDB. E provavelmente seria assim em qualquer outro grande partido, de mamando a caducando.

Mas é claro que se pessoalmente ele é uma celebridade nacional que po­voa os sonhos dos grandes partidos, politicamente ainda tem muito o que aprender. Negociar carne com o mundo inteiro é uma coisa. Negociar espaços políticos é muitíssimo mais complicado. No processo de afunilamento de candidaturas ao governo no ano passado ele sentiu o peso des­sa barra ao ponto de se ver, de maneira constrangida até, a renunciar qualquer postulação. Ele se sentiu traído por Iris Rezende, reclamou disso pu­blicamente e, no segundo turno, quando a va­ca da candidatura de Iris já estava atolada no brejo, deu o troco anunciando apoio a Marconi Perillo.

É exatamente dessa forma que o assunto Friboi deveria ser tratado no comando regional do PMDB: chumbo trocado entre ele e Iris. Assunto pes­soal, muito além da abrangência par­tidária. Não consta, por exemplo, que ele tenha apoiado os demais candidatos da base aliada de Marconi. Ou seja, ele não se bandeou na campanha contra o PMDB. Apenas contra Iris.

O problema está exatamente aí: em Goiás, o PMDB pende para o lado que Iris pender. Se amanhã ou depois ele e Marconi se entendessem e formassem aliança, e é óbvio que essa possibilidade simplesmente não existe e está aqui apenas para exemplificar, o partido iria tucanar junto, praticamente sem dissidências. E “ai” daquele que ousasse ficar contra.

Friboi e Frederico Jayme co­meteram a ousadia de ficar contra Iris. E é exatamente por isso que estão sendo ameaçados. E nem dá pra despedir um e manter o outro: os casos são praticamente idênticos. Mas como mandar embora Friboi se Michel Temer foi quem deu carta branca para seu desembarque no partido? É encrenca séria, naturalmente, e o único jeito seria convencer Temer. Mas quando se olha para o tamanho da empresa dos familiares de Friboi e para a estupenda “boa vontade” dela nas doações de campanha, percebe-se que não é nada fácil transformar o vice-presidente um defensor da causa da expulsão. Além de Temer, Friboi também tem apoio total do senador Valdir Raupp, presidente nacional do PMDB.

Mas não é só apoio em Brasília que conta para o empresário. Na célula regional, é claro e notório que o grupo liderado pelo prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, também o defende. E esse é o único grupo que se mantém vitorioso no PMDB de Goiás. Todos os outros perderam bastante espaço. O único problema é que Maguito é sempre conciliador e nada dado a belicismo interno. Ele tem pregado união interna. Se não for atendido, pode ser que resolva reagir de maneira mais contundente. Até porque ele também tem o apoio dos comandantes nacionais do PMDB.

Nisso tudo, uma coisa parece certa: desunido como está, enfraquecendo-se com expurgos, dificilmente o PMDB vai conseguir ser protagonista nas eleições de 2018. Talvez o partido se veja na condição de caudatário de candidaturas de outros partidos. Como a do senador Ronaldo Caiado, do DEM. Já há quem sonhe feliz com essa possibilidade.

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