Demóstenes é o único que tem conseguido gerar fatos

Dentre todos os anunciados candidatos para as eleições majoritárias deste ano, governo e Senado, apenas o petebista Demóstenes Torres tem conseguido gerar fatos. Os demais vivem momento neutro, com algum destaque para o sempre inquieto Jorge Kajuru

Foto: Reprodução

Embora tenha se apresentado com fôlego de atleta, o governador José Eliton parece que ainda está tomando pé das atividades do governo. O ex-governador Marconi Perillo, que deixou o Palácio das Esmeraldas após sete anos e três meses, passou uma semana com seus familiares, e ainda não entrou no ritmo que é uma de suas marcas pessoais. A senadora Lúcia Vânia, que após a saída o seu concorrente direto dentro da base, o senador Wilder Morais, que desembarcou no DEM, parece ter se acomodado na nova situação. O próprio Wilder, mesmo abandonando a base aliada estadual e, por consequência, a Presidência regional do PP, estagnou. Os governadoriáveis Ronaldo Caiado, líder nas pesquisas atuais, e seu mais direito adversário na trincheira oposicionista, Daniel Vilela, igualmente enfrentam uma fase carregada de marasmo. A rigor, somente o também pretendente ao Senado Demóstenes Torres, tem se movimentado em quase todas as direções, e vai conseguindo desencadear uma série de fatos políticos.

Tudo isso, evidentemente, não significa muita coisa em termos de possibilidade futura na eleição, mas não deixa de se apresentar como referencial desde momento. Demóstenes tem dedicado sua agenda em tempo integral para, provavelmente, recuperar o longo tempo perdido após a cassação de seu mandato, em 2012. Ele, sem a menor dúvida, está no jogo, e com muita fome de ontem de fazer política. Talvez mais até do que em 2002, quando venceu a convenção do DEM e foi às urnas pela primeira vez.

Já o vereador Jorge Kajuru, especialista em atuar numa linha que chama bastante atenção, sofre barbaridade por não contar com uma boa estrutura partidária. O partido dele, o PRP, corre o sério risco de disputar as eleições sem ter nenhum nome de peso além do próprio Kajuru. Ele já pagou preço altíssimo por causa dessa deficiência. Em 2014, mesmo tendo sido o décimo candidato mais bem votado para deputado federal, ficou sem mandato porque o partido não conseguiu dar a ele o quociente eleitoral.

Governo
Os três principais candidatos ao governo estão atravessando a tal fase neutra. Não aconteceu, com nenhum deles, um movimento que gerasse algum fato político revelante. José Eliton, nesse sentido, ganhou destaque ao assumir o comando do Estado, no início de abril. E se mantém debruçado sobre as atividades de governo, mas sem gerar fato político novo.

Daniel Vilela viveu seu grande momento quando o prefeito Iris Rezende, mesmo sem citá-lo nominalmente, despachou qualquer possibilidade de apoiar a candidatura de Ronaldo Caiado sem que antes se tenha uma aliança entre os dois. Iris disse que vai apoiar o candidato que o seu partido, o MDB, lançar. Desde então, sua campanha segue claudicante, sem novidades, quase que aguardando o tempo passar.

O próprio Caiado também tem encontrado alguma dificuldade para se mexer no caldeirão de caldo fervente que abriga a oposição. Desde o anúncio de prefeitos emedebistas de três grandes cidades de apoio ao seu nome — Ernesto Roller, de Formosa, Paulo do Vale, de Rio Verde, e Adib Elias, de Catalão — o democrata não viveu nenhum outro fato político relevante. E nem o recebimento do senador Wilder em sua chapa fez tanto barulho assim. O novamente democrata, após uma temporada no PP, pelo menos até aqui, tem baixíssimo potencial de votos.

É claro que deve-se esperar muito mais movimentações e fatos políticos de agora até as eleições. Essa calmaria geral que se vê, com o devido registro da atuação fora desse padrão de Demóstenes, é momentânea. Mais cedo ou mais tarde os acontecimentos vão se avolumar uns sobre os outros. E é nesse jogo em que os fortes sobrevivem, e os mais fracos e isolados se perdem pelo caminho.

 

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