CMEIs parados, salas improvisadas e falta de diálogo revelam retrocesso na Educação em Goiânia

Pouco diálogo com a Secretaria, obras incompletas e salas modulares recebem críticas e colocam avanços alcançados em anos anteriores sob risco

Obra de CMEI parada: prefeito foi indiciado por CEI | Foto: Rafael Oliveira

Autoridades relacionadas à educação têm feito críticas contundentes à Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SME). As reclamações vão de investimentos abaixo do exigido por lei até obras paradas há anos em 15 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), passando por críticas à escolha de salas modulares com custo médio de R$ 80 mil. Na ocasião em que o prefeito Iris Rezende (MDB) foi instado a responder sobre o assunto, o mesmo apontou que os problemas vêm da gestão anterior. Entretanto, dados públicos sobre a educação dizem o contrário. 

Uma das principais queixas de Bia de Lima, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), é para com o secretário Municipal de Educação e Esporte, Marcelo Ferreira da Costa. Ela afirma tentar uma audiência há seis meses com o secretário, sem sucesso. O assunto da reunião seria diverso. A presidente do sindicato enumera: a modernização das escolas; a questão da baixa procura e alta desistência no Ensino de Jovens e Adultos; a regionalização de concursos públicos, para que professores concurseiros já saibam onde irão atuar e não desistam quando forem designados para escolas afastadas. 

Bia de Lima afirma que a secretaria está ausente do que acontece na educação municipal | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

O tema da violência também é caro a Bia de Lima, que afirma que a criminalidade já chegou à sala de aula e por isso encampa a campanha ‘A Educação Pede Paz’ e requisita colaboração do secretário. “O Sintego já detectou que a comunidade escolar não se sente abraçado pela escola, que é algo que não lhe pertence, e aí não tem problema atear fogo”, ela afirma. “Pedimos à secretaria portas abertas às escolas para nos ajudar a envolver a comunidade. Sei que não é simples, mas se não fizermos isso, não adianta achar que basta pintar a escola. Sem se sentir pertencente a escola, continuaremos com violência. Ninguém queima o que gosta.”

Concorda com o distanciamento da gestão a vereadora Sabrina Garcêz (PTB): “Marcelo da Costa tem um perfil fechado, não dialoga e não debate a educação. Tivemos muitos problemas com famílias de alunos após o fechamento das turmas de período integral porque não houve conversa, encerraram as atividades sem aviso. Além disso, não disponibilizam o estudo de rede utilizado para fazer lotação de professores”. Ilustra também o caso o fato de que, quando contactada pela reportagem, a SME se recusou a responder. 

Sabrina Garcêz afirma que o município gastou R$ 19 milhões para a criação de apenas 2 mil vagas em escolas | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Cmeis paralisados

Outra pauta frequentemente lembrada por vereadores é a dos CMEIs com obras paradas. O empréstimo de R$ 780 milhões aprovado pela Comissão de Finanças no dia 18 de junho deste ano se destinará, entre outros, a conclusão de 15 CMEIs. A questão foi motivo do indiciamento por improbidade administrativa do prefeito Iris Rezende (MDB) e do secretário municipal de Educação, Marcelo Ferreira da Costa (e outros). A solução encontrada pela prefeitura para acolher as crianças foi a contratação de 69 salas modulares – contêineres adaptados.

A medida emergencial tem sido comparada às escolas de placa, da década de 1980. Sabrina Garcêz  afirma que solicitou que o corpo de bombeiros fizesse uma vistoria nas salas modulares, pois se preocupou ao notar a instalação elétrica descoberta no exterior da sala, bem como a impressão de improviso e de pouca durabilidade dos contêineres. “Foi um contrato de R$ 5,6 milhões para 69 salas modulares, com custo médio de R$ 80 mil. Quantos CMEIs não dava para terminar com isso?” pergunta ela. 

Salas Modulares | Foto: Reprodução

Dados

Apesar de o prefeito afirmar que atuais problemas na rede municipal de educação vêm de gestões passadas, dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) mostram que, desde 2007, quando ele mesmo era prefeito, Goiânia conseguiu evoluir nos índices de avaliação da educação. 

Os resultados avançaram significativamente durante a gestão de Paulo Garcia (PT). Ao sucedê-lo, Iris recebeu uma rede que conquistou a nota 5,8 no fim da primeira fase do ensino fundamental.

Segundo os microdados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2017 a rede municipal goianiense se destacou positivamente das demais no quesito “Taxa de Distorção Idade-Série”, com um dos menores índices de fracasso escolar do estado.

De forma semelhante, o último Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (IOEB) de Goiânia foi de 4.8 – pouco acima da média nacional de 4.7 – o que colocou a cidade em 1364º lugar no ranking, também em 2017. Segundo o estudo da Comunidade Educativa CEDAC, a rede municipal de educação havia melhorado em relação à edição anterior no quesito “taxa de atendimento na educação infantil (0 a 6 anos)”.

Jornal Opção entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação, que não respondeu até a publicação desta matéria. O espaço está aberto para manifestação da pasta.

Secretário municipal Marcelo Ferreira da Costa | Foto: Reprodução

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Paulo Campos

Em 2016 Goiânia perdeu a oportunidade de eleger candidatos que vivem a modernidade, escolheu o atraso e sofre as consequências. E o pior é imaginar que o erro pode repetir-se com a reeleição do atraso. Oremos!