“Circuito Araguaia Pesca e Praia” estimula empreendimentos nas áreas de pesca esportiva e ecoturismo

Programa lançado nos municípios de Luiz Alves e Aruanã tem auxílio do Sebrae-GO e visa, sobretudo, aumentar a competitividade e a sustentabilidade dos micro e pequenos negócios da cadeia produtiva do turismo na região do Vale do Araguaia

Almoço de guias turísticos às margens
do Rio Araguaia. O ecoturismo é um dos negócios mais promissores da região

Aproxima-se a “temporada do Araguaia” e muita gente pretende, durante as férias de julho, curtir as praias e as águas do rio. É sabido, todavia, que as cidades do entorno do Rio Araguaia precisam desenvolver ainda mais sua capacidade de recepção e oferta de serviços aos turistas que por lá aportam.

Pois bem, em 24 de março de 2017, foi lançada por iniciativa de empresários dos municípios de Luiz Alves e Aruanã, região norte de Goiás, a marca “Circuito Araguaia Pesca e Praia”. Tal marca foi desenvolvida com o auxílio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Em­pre­sas em Goiás (Sebrae-GO). A mar­ca, que é disseminada pelas redes sociais por meio da hashtag #partiuaraguaia, possui um site de divulgação para os dois polos municipais. Tendo em vista o desenvolvimento de ativi­dades como o ecoturismo e a pesca esportiva na região banhada pelo Rio Araguaia, a marca pretende promover, a médio e longo prazo, a integração e cooperação de micro e pequenos empresários desses ramos.

Como informa o site do Sebrae-GO, a ideia do “Circuito Araguaia Pesca e Praia” foi desenvolvida durante o II Seminário para o Desenvolvimento do Turismo de Pesca Esportiva em Goiás, realizado em dezembro de 2016. Um grupo de empresários participantes do Projeto de Turismo do Araguaia, apresentaram a marca, com a ajuda do analista do Sebrae-GO, Nelson Bueno, que, à época, coordenou o seminário. Uma das metas expressas na ocasião consistia, efetivamente, em “tornar a pesca esportiva do estado de Goiás competitiva em território nacional e internacional, além de promover o potencial turístico e econômico da região do Araguaia”, disse Nelson ao Jornal Opção.

Desenvolvimento da marca

Segundo Nelson Bueno, a marca é o resultado concreto da união de 16 empresários do distrito de Aruanã e São Miguel do Ara­guaia: “A construção da marca ‘Circuito Pesca e Praia foi feita pelos empresários. O resultado mostra essa parceria, que tem como foco desenvolver e implantar estratégias de mercado para divulgação de produtos de pesca e praia do estado de Goiás.” Além disso, o Circuito Turístico compreende, para o analista do Sebrae-GO, “um conjunto de municípios com relativa proximidade em determinada área geográfica, caracterizado pela predominância de certos elementos da cultura, da história e da natureza, com possibilidades de atrair e seduzir turistas.” Na região do Araguaia, em especial, pode-se encontrar um intenso trabalho no tocante ao Circuito Turístico. “A prática”, observa Nelson, “tem comprovado êxito em países europeus, nos Estados Unidos, Chile e Argentina. Também ocorre no Brasil — nas Serras Gaúchas e no Circuito Histórico de Minas”, disse.”

Nesse sentido, o objetivo central do circuito é, para Nelson, “aumentar a competitividade e a sustentabilidade dos micro e pequenos negócios da cadeia produtiva do turismo na região do Vale do Araguaia, contemplando inovação, geração de emprego e renda, fortalecimento da atividade e das governanças turísticas municipais e regionais e promover a comercialização de produtos e roteiros turísticos no mercado de âmbito nacional.”

Quem ganha?

Ainda segundo Nelson Bueno, o projeto “atende aos micro e pequenos negócios da cadeia produtiva do turismo na região do Vale do Araguaia e produção associada, dos municípios de Aragarças, Aruanã, Britânia, Nova Crixás e São Miguel do Araguaia”, e sua ênfase recai nos segmentos de “meios de hospedagem, agências de turismo, alimentação fora do lar, atrativos turísticos naturais e culturais, guias de pesca, grupos culturais, artistas e artesãos, espaços de entretenimento e lazer.”

Dentre as ações estratégicas desenvolvidas pelo projeto estão, diz Nelson, “a Gincana Ambiental, Ordenamento da Praia, Curso de atendimento ao Turista, Consultoria de Boas Práticas de Fabricação, Feipesca, Pesca e Cia, e o Trade Pesca Show. O Projeto também trabalha a formatação de produtos de mercado, dentre eles a pesca esportiva, quelônios, karajás, safári fotográfico, passeio no ninhal. Além da criação do ‘Circuito do Araguaia – Pesca e Praia’, o Projeto formatou cinco produtos turísticos.”

Ao todo, foram atendidos 99 microempreendedores individuais, 202 microempresas, 57 empresas de pequeno porte e 859 potenciais empresários. Segundo Nelson Bueno, foram realizadas 147 ações, sendo palestras, cursos, oficinas, e seminários nos municípios de Aragarças, Aruanã, Britânia, Nova Crixás, e São Miguel do Araguaia.

Personagens

Entre os empreendedores que anseio pelos resultados da marca do Circuito Araguaia Pesca e Praia, está Adailton Ferreira, proprietário da Pousada Eliana. Adailton foi um dos idealizadores do projeto e integrou o grupo composto por 16 empresários que se uniu para a divulgação da marca e implantação das estratégias para o fomento do turismo na região. A médio e longo prazo, Adailton acredita que o desenvolvimento integrado dos negócios relacionados ao turismo e à pesca estará bem encaminhado.

A pousada de Adailton, como destaca em entrevista ao site do Sebrae-GO, está no encontro dos Rios Araguaia e Vermelho, “situada em um local privilegiado, com porto exclusivo, facilitando a vida dos pescadores e turistas. A Pousada respeita os limites da lei que instituiu a ‘Cota Zero’ para o transporte de pescado em âmbito estadual. ”O projeto Cota Zero precisa do apoio da população. Grande parte dos ribeirinhos se tornou parceira e informa os fiscais. Hoje, até mesmo os pescadores esportivos já se conscientizam da necessidade”. A instrução normativa da “Cota Zero”, apontada por Adailton, é um ponto importante do circuito, de que trataremos mais adiante.

Outros empreendedores que estão envolvidos com o circuito são Maria Lina da Silva Carvalho, proprietário do Bar Choperia & Restaurante Saber e Arte Ltda, e Carlos Magno Silva Araújo, proprietário das pousadas Asa Branca 1 e 2, um dos mais arrojados negócios de pesca esportiva e turismo do Brasil. O negócio de Carlos, em especial, vem se desenvolvendo com expressividade fora da região do Araguaia também, como, por exemplo, no estado de Roraima.

Eixos do Circuito

Assim sendo, o projeto do circuito tem dois eixos principais, um voltado para o público do Estado de Goiás (e também de Mato Grosso), que o eixo “Sol e Praia”, e outro, voltado para o público que vem de outros Estados da federação e até de fora do país, que o eixo “Pesca Esportiva”. Segundo o site do Circuito Araguaia, o “pôr do sol visto das margens do Rio Araguaia é uma das imagens mais belas captadas por turistas. É natural também ver botos subindo rapidamente para respirar, gaivotas, mergulhões, jacarés e até cardumes de peixes subindo o rio durante a piracema. A região atrai milhares de turistas para a pesca esportiva. É proibida a pesca de três espécies de peixes durante qualquer época do ano: pirarucu, pirarara e filhote.”

Sérgio Carvalho, gerente do escritório Regional Oeste do Sebrae-GO, Maria Lina da Silva Carvalho, proprietária do Bar Choperia & Restaurante Sabor e Arte, e Nelson Bueno, analista do Sebrae-GO

Entretanto, do Rio Araguaia, que é um dos rios mais conhecidos e visitados da região, poucos sabem “sobre as suas características e suas peculiaridades que o fazem um dos mais importantes mananciais do Estado. No Rio Araguaia existe diversas espécies de peixes, como tucunarés, pintados, dourados, pirararas, entre outros. Na região podem ser encontrados arraias, tartarugas, jacarés, capivaras, suçuaranas, macacos, emas, veados e, também, aves exuberantes como as garças, martins pescadores e gaviões.” É neste ponto que o projeto também estimula o chamado “Safari Fotográfico”, que permite ao turista “apreciar os animais silvestres em seu habitat natural às margens do Araguaia”, ou ainda “ficar cara a cara com a onça suçuarana, jacarés, tartarugas, capivaras, emas, veados, lobos, macacos, além das magníficas garças, gaivotas e a ave-símbolo da região, o jaburu”. As belezas, diz o site, não param por aí: “Ao entardecer, se deixe encantar pelo balé aquático dos botos-rosa”. E, claro, o por-do-Sol, está entre essas experiências únicas que o turista tende a apreciar no local.
A “Pesca Esportiva”, segundo eixo, passou a ser praticada após um intenso trabalho de conscientização da população local, sobretudo aqueles que viviam do comércio do que era pescado, de que nem toda pesca lucrativa tem como destino a venda dos peixes. Um rio como o Araguaia, caudaloso e piscoso, com cerca de 300 espécies catalogadas, e com grande concentração de cardumes em determinados trechos faz de Luiz Alves e Aruanã redutos de pesca esportiva. O estímulo local a este tipo de pesca é um dos pontos mais importantes do Circuito, já que atrai um público internacional.

Mas tudo deve ser devidamente regularizado. Como diz o site do circuito, a “pesca esportiva no Araguaia só é permitida para os portadores da Licença de Pesca, seja ela provisória ou definitiva. Ambas são válidas em todo território nacional e podem ser emitidas pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abas­tecimento (Mapa). Fique atento: pescar no Rio Araguaia sem a licença é crime ambiental. Em caso de abordagem pelas autoridades ambientais, o pescador deve apresentar o documento junto com RG, sob o risco de perder os apetrechos de pesca, receber multa que varia de 500 a 2 mil reais, e ainda estar sujeito a prisão.”

Cota Zero

Para tanto, existe a “Cota Zero”. O termo “Cota Zero” surgiu a partir da Lei 17.985/2013 a qual estabelece a cota zero para transporte de pescado no Estado de Goiás, em todas as bacias Hidrográficas. Essa lei foi regulamentada pela Instrução Normativa n°0002/2013 da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima). Segundo a cartilha que informa sobre a “Cota Zero”, “tanto a lei quanto a Instrução Normativa não proíbem o ato da pesca, mas o transporte do pescado, que devera ser consumido no local”. Sobre para quem a licença de pesca é obrigatória, a cartilha responde que “toda pessoa deverá portar licença de pesca, sendo que o pagamento da taxa de pesca não é obrigatório para aposentados, maiores de 65 anos (homens) e 60 anos (mulheres), indígenas, quilombolas e menores de 18 anos”.

Com relação ao tempo que essa Instrução Normativa irá vigorar, a cartilha diz que a “instrução estabelece o prazo de três anos para cota zero de transporte. Estudos técnicos indicam ser este um período razoável para recuperação da fauna aquática e possível restabelecimento do estoque pesqueiro”. Sobre a constante dúvida de se pode ou não levar algo pescado nos rios para casa, a cartilha é clara: “A Instrução normativa traz, em seu Anexo 4, uma lista de espécies exóticas ou alóctones às bacias que tem captura e transporte permitidas. Possibilitando transportar 10 quilos por licença de pesca, destas espécies. Vale lembrar que todo o pescado deve estar inteiro ao ser transportado, com cabeça, couro ou escamas em bom estado, que possibilite a identificação da espécie.”

E se a pessoa estiver pescando em outro Estado e quiser trazer o que pescou de lá? Eis a resposta: “Para quem for pescar em outros Estados e resolver trazer o pescado de lá, deverá ter em mãos, documento de identificação com foto, além da licença de pesca do referido Estado ou a Licença de pesca Federal, devendo portar também documentos oficiais que comprovem que o peixe foi trazido de outro Estado.” E quais seriam as outras regulamentações importantes da Cota Zero? Diz, por fim, a cartilha: “A Instrução Normativa traz também nomes das espécies proibidas de captura e transporte (Anexo 3), além de estabelecer tamanhos mínimos e máximos de captura (Anexo 1 e 2) para consumo no local, consumo esse que deve ser de no máximo 5 quilos por licença de pesca. Com isso salienta-se a importância do pescador estar munido da Licença de Pesca.”

Wanderson Portugal Lemos, Diretor Técnico do Sebrae Goiás fala do “Circuito Araguaia Pesca e Praia”

Wanderson Portugal Lemos: “O Sebrae está de portas abertas”

“Rio, praia, sol, prosa de pescador, belezas naturais com uma riqueza de fauna e flora. Nas águas do rio Araguaia localiza-se a maior ilha fluvial do mundo, a Ilha do Bananal. Praia e camping, esportes náuticos, cultura carajá, pesca esportiva são algumas das maravilhas que podem ser vivenciadas por quem vai ao Araguaia. O rio tem 2.115 km de extensão que abriga uma população que empreende em várias frentes de negócios: hospedagens, alimentação, lazer e turismo, dentre outras. A nascente do Rio Araguaia fica na Serra do Caiapó, em Mineiros, e ele vai para o Norte, desaguando no Rio Tocantins. Passa por quatro Estados — Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará. Alguns dos municípios que margeiam o Araguaia são Aruanã, São Miguel, Luiz Alves e Britânia (GO); Alto Araguaia, Ponte Branca e Santa Terezinha (MT); Araguacema, Araguatins, Couto de Magalhães (TO); Conceição do Araguaia, São Geraldo do Araguaia e Bela Vista do Araguaia (PA).

O projeto “Circuito Araguaia – pesca & praia”- #partiuaraguaia, desenvolvido pelo Sebrae em Goiás, empresários e parceiros de Aruanã e Luiz Alves, apresenta roteiros para o turismo e a pesca esportiva. O projeto reforça a importância do rio Araguaia e amplia a visibilidade para o turista frente ao espetáculo que a natureza proporciona na região. Trata-se de uma ação que reforça o turismo sustentável, a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento dos empresários e em­preendedores de Aruanã e Luiz Alves. Desta forma, o Sebrae coloca em prática a sua missão de promover a competitividade e o desenvolvimento dos pequenos negócios em Goiás.

O Sebrae está de portas abertas para atender e oferecer seus produtos e serviços a todos os microempreendedores individuais, empresários de micro e pequenas empresas do campo e da cidade e todos aqueles que sonham em abrir e administrar um negócio próprio.”

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