Cenário preocupante de crise será principal desafio do próximo reitor

Inserida no contexto de corte de repasse de recursos às universidades federais de todo o País, a Universidade Federal de Goiás se aproxima da escolha de um novo gestor para os próximos quatro anos na instituição

UFG tem três pré-candidato a reitor que terão o desafio de recuperar a capacidade de angariar recursos da instituição | Foto: Divulgação / UFG

Mesmo sem ainda ter sido cumprida a formalidade de publicação do edital para convocar as eleições da reitoria da Universidade Federal de Goiás (UFG), a data da realização da escolha do novo reitor tem uma data prevista. A votação possivelmente acontecerá no dia 28 de junho e conta, até o momento, com três pré-candidatos.

O ex-reitor, que esteve à frente da instituição entre 2006 e 2014, Edward Madureira Brasil, doutor em Agro­nomia pela UFG e professor do quadro da Escola de Agronomia (EA) da instituição, é um dos pré-candidatos. Outro que trabalha para coordenar as atividades da universidade é o doutor em Zootecnia pela Unesp, Reginaldo Nassar Ferreira, que está à frente do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFG. O terceiro nome na disputa é o de Romualdo Pessoa Campos Filho, que é doutor em Geografia no Instituto de Estudos Sócio-Am­bientais (Iesa).

Um dos três será escolhido para o cargo de reitor da UFG para o quadriênio que vai de janeiro de 2018 a janeiro de 2022 – Orlando Afonso Valle do Amaral, atual reitor, pode disputar a reeleição, como é permitido ao ocupante do cargo, mas tende a apoiar Edward Ma­dureira, que ocupou o posto de reitor antes dele.

Assim, resta a Edward, Regi­naldo e Ro­mualdo convencer a comunidade de que representam o grupo que tem o melhor projeto para estar à frente das decisões da UFG, o que passa pelo convencimento de um eleitorado que pode chegar perto de 40 mil pessoas – 2,5 mil professores ativos, 1,2 mil aposentados, outros 1,2 mil servidores técnico-administrativos e um número próximo a 30 mil alunos do ensino superior e pós-graduação distribuídos nas regionais de Goiânia, Catalão, Jataí e Goiás.

E o eleito precisará encarar a escassez de recursos que assola a instituição desde 2015. Naquele ano, o atual reitor negou que a UFG pudesse um dia fechar as portas por falta de recursos, mas admitiu que a situação financeira para manter todos os serviços e unidades em pleno funcionamento era delicada, devido ao corte de repasses feito pelo governo federal. Com o ajuste fiscal, o Mi­nis­tério da Educação (MEC), em 2015, já havia sofrido uma redução orçamentária de cerca de R$ 10 bilhões.

À época, Amaral já fazia um alerta para a situação enfrentada pela UFG em entrevista concedida ao Jornal Opção: “Tivemos um corte de 10% no orçamento de cus­teio, para pagamento de despesas básicas, e mais grave, de 50% nos recursos de capital, de investimentos para obras e equipamentos”. Como a instituição tinha en­frentado uma redução de recursos no ano anterior, a alegação era de que os gastos com contas como as de energia elétrica tiveram aumento de aproximadamente 50%.

Houve ainda o corte de cerca de 75% do Programa de Apoio à Pós-Graduação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Proap-Capes) naquele ano. De acordo com o presidente do Sindicato dos Do­centes das Universidades Federais de Goiás (Adufg), Flávio Alves da Silva, antes da gestão de Orlando do Amaral houve a aplicação de recursos do Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) na ampliação da es­trutura da instituição. Mas desde que assumiu a reitoria, Amaral tem enfrentado “uma situação muito penosa” na UFG. “Foi quando aconteceram as demissões de terceirizados, como nos setores de segurança e limpeza”, diz.

Presidente do Adufg, Flávio Alves e a coordenadora geral do Sint-IfesGO, Fátima Reis comentam a situação desfavorável do orçamento da UFG | Fotos: Divulgação

Flávio descreve que os cortes não ficaram, por exemplo, no recente anúncio de suspensão do programa Ciência Sem Fronteiras, mas aconteceu também na retração de investimentos vindos do Con­selho Nacional de Desenvol­vimen­to Científico e Tecnológico (CNPq) entre outros recursos extra-orçamentários. “A Fapeg (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás) perdeu muito recurso nos últimos anos”, relata.

Segundo o presidente do Adufg, há dificuldade dos professores na aprovação de projetos pela realidade de falta de novos recursos. “Os docentes estão fazendo pesquisa com muita fibra. O número de pesquisas e patentes deve cair na UFG pela situação em que se encontra.”

Outro ponto trata da definição de realização de concurso em todo o País para contratação de mais 4 mil servidores técnico-administrativos, acordada desde 2015. Só que o governo federal suspendeu essa ação – em 2007, o Reuni possibilitou a contratação de 1,3 mil professores, mas o aumento no quadro pessoal não chegou aos técnicos-administrativos.

“Além disso, o próximo reitor vai ter que ter muita capacidade de lidar com as adversidades”, declara Flávio. Para ele, há uma tendência de que se caminhe para uma “preocupante” tentativa de privatizar os cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado) nas instituições federais. “Isso é meio passo para privatizar a graduação”, observa.

Conjuntura desfavorável

O MEC anunciou, ainda no segundo semestre de 2016, que a previsão orçamentária para o ensino superior seria 15,2% menor. Com isso, o que era R$ 7,9 bilhões em 2016 cairia para R$ 6,7 bilhões neste ano. Isso em uma realidade de expectativa de aumento em 7% dos recursos disponíveis para uso do Minis­té­rio da Edu­cação em 2017, de mais R$ 9 bilhões para todo o ensino, em re­lação ao orçamento do ano anterior.

“A conjuntura não é boa. É uma conjuntura completamente desfavorável”, afirma Fátima dos Reis, coordenadora geral do Sindi­cato dos Trabalhadores Técnico-Adminis­tra­tivos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior do Estado de Goiás (Sint-IfesGO). À frente da entidade, Fátima não vê com bons olhos o projeto do governo federal para a educação e declara que o próximo reitor da UFG en­frentará uma realidade completamente diferente da vivida quatro anos atrás.

Para a representante do Sint-IfesGO, as melhoras conquistadas pelas UFG nos últimos anos sofreram com a redução de recursos no fim da gestão Dilma Rousseff (PT) à frente do governo federal e pioram com o governo Michel Temer (PMDB). “Cerca de 30% do quadro de servidores da instituição não é efetivo.”

Fátima alerta que aproximadamente 60% da verba de custeio da universidade é gasta com funcionários terceirizados. “O melhor seria investir em aulas, pesquisa e extensão”, declara. Sobre a contratação de mais técnicos, não existe expectativa. “No convênio firmado de gestão do Hospital das Clínicas (HC), havia um acordo para a contratação de mais 500 funcionários, mas esse número é pouco superior a 200”, diz.

Sem declarar voto a qualquer candidato, a presidente do Sint-IfesGO explica que a categoria dos técnico-administrativos da UFG apoiará aquele projeto que for o da universidade defendida pela entidade.

A direção da Adufg e do Sint-IfesGO informam que os dois sindicatos participarão da greve geral nacional de um dia que acontecerá no dia 28 de abril contra a aprovação das reformas da Previdência e trabalhista. “As universidades já sofrerão o impacto da Emenda Constitucional do teto de gastos feita pelo governo federal.”

Pré-candidatos reconhecem momento de dificuldade

Professor do Iesa, Romualdo Pessoa, do ICB, Reginaldo Nassar e o ex-reitor da UFG< Edward Madureira | Fotos: Reprodução

Sem saber por completo a situação na qual a Universidade Federal de Goiás se encontra, Romualdo diz que solicitará informações mais precisas sobre a respeito da instituição. Ele quer ter conhecimento de como estava quando o professor Edward Madureira saiu da reitoria em janeiro de 2014 e de como o atual reitor, professor Orlando do Amaral, encontrou as finanças da UFG.

Romualdo lembra que a gestão de Madureira foi marcada pela expansão da UFG, mas tem dúvidas sobre como o antecessor de Amaral deixou a instituição ao sair do cargo de reitor e diz ter consciência de que o quadro econômico é de retração, ainda mais com a aprovação da PEC 55 (Teto de gastos). “Os próximos cinco anos devem ser de dificuldade”, ressalta.
A ideia do professor do Iesa é a de que haja uma união da comunidade acadêmica para que o poder de pressão sobre o governo federal e o MEC aumente na luta por orçamento. “A universidade hoje está acomodada pelos recursos que recebeu em anos anteriores. E essa não vai ser mais a realidade.”

Para Romualdo, é preciso que o reitor deixe um pouco de lado o gabinete e percorra a universidade para dialogar. “É preciso que o reitor ocupe um papel de liderança dentro da UFG”, afirma. Ele reconhece que cresceu o número de professores em cerca de 50% e que aumentou também o número de alunos nos cursos de graduação, mestrado e doutorado, mas reclama que a escolha feita pela gestão passada foi a de não priorizar o crescimento do quantitativo de servidores técnico-administrativos. “A escolha de Edward foi apostar na terceirização”, alega.

Sobre pesquisa, mesmo com fontes diversas, Romualdo vê que a área também foi afetada pelo momento de cortes. “Isso gera uma disputa maior pelos recursos que chegam.” O pré-candidato defende que o reitor precisa incentivar o foco na qualidade dos projetos apresentados para que a instituição tenha condições de buscar a quantidade necessária de recursos.

O professor do Iesa afirma também que é preciso criar uma proximidade maior entre a universidade e a comunidade. “Precisamos fazer com que o trabalho da UFG chegue à sociedade. O nosso papel é levar o conhecimento à sociedade” , diz. Para ele, isso não tem sido feito da for­ma adequada. “Precisamos fazer um intercâmbio entre os saberes tradicionais e o conhecimento científico”, sugere. Um dos pontos de­fen­didos é a valorização da produção de artes e da música popular goi­ana, “com trabalhos de excelência” que precisam chegar aos bairros.

Em relação à segurança, ponto sensível na universidade atualmente, Romualdo diz que não há controle. Para ele, era preciso monitorar o que se passa pelo Campus 2 e na Praça Universitária. “A comunidade tem que se sentir segura. E quem se sente seguro hoje são os marginais”, afirma.

Ele diz que é necessário realizar o monitoramento por câmeras e o aumento de guaritas e questiona também o fato de não poder haver trânsito livre da Polícia Militar nas áreas da universidade.

Outros pontos comentados pelo pré-candidato são a melhora da iluminação e da infraestrutura de algumas unidades da UFG. “A universidade tem que ser forte como um todo; as áreas têm que dialogar.” Ele defende também que haja uma inclusão maior dos estudantes dos cursos do período noturno, para que eles se sintam parte da universidade.

Para Romualdo, o crescimento vivenciado nas gestões anteriores aconteceu sem que houvesse um planejamento. “A gente tem que encontrar forças para superar as dificuldades. É uma questão de sobrevivência manter a universidade pública, gratuita, inclusiva e de qualidade”, termina.

Grupo sem amarras
À frente do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), o professor Regi­naldo Nassar Ferreira, vê o momento como definidor dos rumos que a UFG quer tomar. “A universidade pode caminhar rumo à excelência ou perder essa inserção no cenário nacional e internacional.” Reginaldo vê avanços no crescimento proporcionado pelos recursos vindos do Reuni para a instituição nas últimas gestões, mas diz que é preciso trabalhar essa expansão nos eixos do ensino, pesquisa e extensão.

O professor defende que a atuação da UFG esteja voltada para a qualidade da pesquisa desenvolvida e em dar apoio ao pesquisador da instituição. “Isso gera a valorização dos cursos. E a extensão pode fazer esse conhecimento chegar à sociedade, que passará a reconhecer o bom trabalho da universidade.”

Reginaldo vê o momento de crise econômica como uma oportunidade de trabalhar as prioridades para que seja mantida a qualidade do trabalho realizado pela UFG. “O governo federal sinaliza para a internacionalização, com possibilidade de escolha de 20 universidades federais a serem colocadas em padrão internacional.”

Com isso, o professor do ICB diz que a instituição pode escolher, mesmo com dificuldades de recursos, a busca da construção de um projeto coletivo para motivar a comunidade acadêmica e alavancar a UFG no ranking nacional das federais. “Nosso grupo tem a liberdade necessária para discutir as necessidades da universidade sem qualquer amarra”, relata.

A ideia é envolver setores administrativos e de professores na motivação do corpo acadêmico, desde o reconhecimento das condições de trabalho até a valorização do material humano da UFG e sua potencialidade. “Somos um grupo novo, rejuvenescido. Que­remos reorganizar o organograma administrativo da instituição e debater com tranquilidade como funciona a universidade para focar no objetivo fim”, afirma.

Para Reginaldo, falta uma divulgação programada das atividades da UFG para que a sociedade saiba de fato que a universidade pública, gratuita e de qualidade pode atendê-la. “Há cursos que foram criados, mas que ainda não têm um rumo definido, como é o caso da Engenharia de Softwares, que nem laboratório tem. Como nosso egresso vai se inserir no mercado de trabalho?”, pergunta.

O crescimento realizado nas últimas gestões deve continuar, defende Reginaldo. “Mas queremos uma reitoria desprendida de dogmas e cargos para travar um debate amplo e aberto. A reitoria tem buscado soluções, mas perde-se a percepção do que vem a ser um campus universitário”, argumenta.

Sobre o problema de segurança, o professor do ICB diz que tentou, de forma isolada, debater a questão. Para ele, a construção de avenidas dentro do campus foi feita para facilitar o acesso de veículos, mas trouxe outros problemas. Um deles, de acordo com o docente, é a livre movimentação de traficantes e criminosos.

A respeito da suspensão do Ciências Sem Fronteiras, o professor diz que não houve a criação de novos recursos, o que tirou cerca de R$ 1 bilhão de bolas de mestrado. “O governo federal tem recursos e vai investir em instituições que tenham graduações e pós-graduações de qualidade com aulas em inglês”, descreve.

Ele cita o caso do ICB, que teria captado R$ 10 milhões para aplicar em novos projetos, que contam com boa organização. “Em Goiás nós temos uma das melhores fundações de amparo à pesquisa do Brasil, que é a Fapeg. E se há um grupo que capta recursos internacionais e de outras fontes, ele vai procurar setores em que há a certeza do retorno do investimento feito, com indicadores de bons resultados.” Reginaldo quer que a UFG tenha essa capacidade de garantir o desenvolvimento de trabalhos com qualidade. “Não podemos perder esse momento de motivação na universidade”, explica.

Condição privilegiada
Quando o assunto é a situação estrutural em que se encontra a UFG, o professor Edward Madu­rei­ra, que já foi reitor por duas gestões seguidas, afirma que a instituição vive uma condição privilegiada “do ponto de vista de massa crítica”.
A avaliação geral de Edward é de que há uma quantidade grande de professores qualificados e uma infraestrutura avançada. “Há uma estrutura de laboratórios bem razoável e uma credibilidade bem grande pe­rante a sociedade”, observa o pro­fessor da Escola de Agronomia (EA).

Ele reconhece que a situação do quantitativo de servidores técnicos precisa melhorar, mas diz que o maior problema a ser enfrentado é o orçamentário. “A gente não pode cruzar os braços diante da restrição. Nós precisamos fazer com que o governo federal garanta o financiamento da educação superior federal pública, que é responsabilidade dele”, ressalta.

O momento, segundo ele, é de rever os gastos da UFG e de adequá-los à realidade vivida pela instituição.

O ex-reitor afirma que a sociedade tem de ser o foco da universidade e que é preciso criar uma maior aproximação entre a comunidade e a instituição. “As universidades federais precisam fazer o mesmo movimento em conjunto. São 63 instituições em aproximadamente 300 municípios. Juntas elas podem criar essa movimentação social para integrar empresas, governos e sociedade”, observa.

Para ele, é possível sempre fazer mais. “Muitas pesquisas no mestrado e doutorado têm aplicação prática no mercado, seja na agronomia, física, química ou em outras áreas. Temos um centro de inovação que atende vários setores, como o da mineração. As coisas estão bem maduras dentro da UFG.” O professor da Agronomia destaca que o processo de distanciamento entre comunidade acadêmica e sociedade é histórico, mas que aos poucos vem sendo quebrado.

Para Edward, é preciso envolver mais alunos e professores na extensão e aproveita para dizer que parte do trabalho de pesquisa que parece não ter aplicação imediata é imprescindível para mudar a sociedade no futuro. “O País precisa tomar uma decisão: se quer ser grande como nação, precisa retomar os investimentos em educação.”

Sobre a extinção do Ciência Sem Fronteiras, o ex-reitor reconhece que talvez o resultado do programa não tenha sido o de criar uma relação internacional mais fortalecida com outras instituições, mas conseidera um equívoco extingui-lo. “O subfinanciamento do Ministério da Ciência e Tecno­logia é outro problema gritante. Investir em educação é garantir o futuro de uma nação que envelhece cada vez mais”, relata.

Edward vê problemas na aprovação da PEC 55 (Teto de gastos), até na tentativa de atingir uma porcentagem de 33% dos jovens no ensino superior até 2024. “Minha decisão de ser candidato é para tentar reverter esse quadro de dificuldade que a universidade enfrenta por corte de recursos.” A alavanca do desenvolvimento esperado pelo País virá se o governo federal cumprir seu papel de apostar na promoção da sociedade que a universidade realiza.

Insegurança
“Investir em tecnologia de monitoramento como circuito de câmeras, iluminação pública e debater com a comunidade da UFG são medidas possíveis de en­frentar o problema”, diz Ed­ward, que ressalta, porém, a inserção da universidade em uma situação enfrentada por toda a sociedade. “A insegurança chegou à universidade, mas ela é um reflexo da ques­tão da segurança na cidade e no País”, observa. Para ele, a instituição precisa ser um local aberto e de trânsito livre para cumprir seu papel.

Segundo Edward, sua maior preocupação é garantir a manutenção dos avanços conquistados pela UFG a partir de 2005. “Temos equipamentos, pessoas, recursos, prédios. Nós temos uma das melhores universidades em tamanho e qualidade. Precisamos continuar sonhando em melhorar, criando, por exemplo, novos programas de pós-graduação.” l

Uma resposta para “Cenário preocupante de crise será principal desafio do próximo reitor”

  1. Avatar GUSTAVO disse:

    só tem petista na reitoria, o futuro é certo, a ruína da ufg

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