Balestra e Sandes Júnior negam envolvimento no petrolão

Os deputados federais do PP goiano estão na relação de favorecidos com verbas desviadas da Petrobrás

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Os goianos Sandes Júnior e Roberto Balestra estão na lista divulgada pelo ministro do STF Teori Zavascki

Cezar Santos

Na noite de sexta-feira, 6, finalmente o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou a temida lista dos políticos que serão investigados por suspeita de envolvimento com o desvio de bilionário de dinheiro dos cofres da Petrobrás.

Para os goianos, uma surpresa para muitos, uma confirmação para outros: a inclusão dos deputados federais Roberto Balestra (na lista consta um “Renato” Egídio Balestra, nome que não existe na relação de deputados federais, portanto, um erro evidente) e Sandes Júnior. Em entrevista ao Jornal Opção Online, assim que a lista foi divulgada, ambos negaram envolvimento nas irregularidades.

A semana foi de muita tensão entre os políticos e de curiosidade por parte dos brasileiros em geral, na expectativa de divulgação da lista. A entrega da relação por parte de Zavascki significa na prática a determinação de abertura de 21 inquéritos contra 49 pessoas, sendo 22 deputados federais e 12 senadores. Todos eles serão investigados no Supremo no âmbito da Operação Lava-Jato da Polícia Federal.

Seguindo recomendação da Procuradoria-Geral da República, Zavascki determinou o arquivamento das denúncias contra os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Aécio Neves (PSDB)-MG) e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) por avaliar que as menções encontradas eram frágeis.

A lista elaborada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, abala a base da presidente Dilma Rousseff no Congresso. Estão citados políticos dos três principais partidos governistas: PT, PP e PMDB, além do senador aliado Fernando Collor, do PTB.

A oposição não ficou de fora, com uma das estrelas do PSDB mineiro, o senador Antonio Anastasia. No caso de Collor, investigado por lavagem de dinheiro, e no de Anastasia, os inquéritos já estavam abertos e diligências foram autorizadas.

As duas principais autoridades do Congresso Nacional integram a lista: Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), respectivamente presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados. Também estão na relação de senadores dois importantes ex-ministros do primeiro mandato de Dilma Rousseff: Edison Lobão (PMDB-MA), que comandava a pasta de Minas e Energia, e Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-chefe da Casa Civil.

A ex-governadora do Mara­nhão Roseana Sarney está na relação. Apesar de ter sido citada nas investigações, a presidente Dilma Rousseff ficou de fora: o procurador-geral da República informou que não tem competência para investigá-la, conforme determina a Constituição. A presidente foi citada no mesma investigação na qual aparece o ex-ministro Antonio Palocci Filho, cujo caso foi remetido ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava-Jato em Curitiba. O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que não tem mandato, também é investigado.

Ao descrever a “organização criminosa complexa” – coincidência com o mensalão –, nos pedidos de investigação, Rodrigo Janot fatiou o petrolão em quatro núcleos: 1) político (parlamentares que indicavam e mantinham funcionários de alto escalão da Petrobrás, em especial os diretores, recebendo vantagens indevidas pagas pelas empresas); 2) econômico (empreiteiras cartelizadas contratadas pela estatal); 3) administrativo (funcionários de alto escalão da petroleira indicados pelos integrantes do núcleo político); e 4) financeiro (operadores do recebimento das vantagens indevidas).

A confecção da lista foi possível a partir das informações fornecidas nos depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da petroleira Paulo Roberto Costa. Os dois fizeram acordos de delação premiada e colaboraram com os investigadores em troca de benefícios judiciais. O fato de a dupla ser ligada ao PP explicaria porque a maioria dos nomes corresponde a políticos da sigla. Mas isso é no mínimo estranho, uma vez que é o PT que detém o poder central e tem o presidente da República, responsável pelas nomeações dos servidores que possibilitaram o arrombo ao caixa da petroleira. Lula, antes, e depois Dilma, são os responsáveis pelas nomeações e manutenção dos que armaram o esquema.

A lista divulgada pelo ministro Teori Zavascki

PP
Senador Ciro Nogueira (PI)
Senador Benedito de Lira (AL)
Senador Gladson Cameli (AC)
Deputado Aguinaldo Ribeiro (PB)
Deputado Simão Sessim (RJ)
Deputado Nelson Meurer (PR)
Deputado Eduardo da Fonte (PE)
Deputado Luiz Fernando Faria (MG)
Deputado Arthur Lira (AL)
Deputado Dilceu Sperafico (PR)
Deputado Jeronimo Goergen (RS)
Deputado Sandes Júnior (GO)
Deputado Afonso Hamm (RS)
Deputado Missionário José Olímpio (SP)
Deputado Lázaro Botelho (TO)
Deputado Luis Carlos Heinze (RS)
Deputado Renato Molling (RS)
Deputado Renato Balestra (GO)
Deputado Lázaro Britto (BA)
Deputado Waldir Maranhão (MA)
Deputado José Otávio Germano (RS)
Ex-deputado e ex-ministro Mário Negromonte (BA)
Ex-deputado João Pizzolatti (SC)
Ex-deputado Pedro Corrêa (PE)
Ex-deputado Roberto Teixeira (PE)
Ex-deputada Aline Corrêa (SP)
Ex-deputado Carlos Magno (RO)
Ex-deputado e ex-vice governador João Leão (BA)
Ex-deputado Luiz Argôlo (BA)
(filiado ao Solidariedade desde 2013)
Ex-deputado José Linhares (CE)
Ex-deputado Pedro Henry (MT)
Ex-deputado Vilson Covatti (RS)

PMDB
Senador Renan Calheiros (AL), presidente do Senado
Senador Romero Jucá (RR)
Senador Edison Lobão (MA)
Senador Valdir Raupp (RO)
Deputado Eduardo Cunha (RJ), presidente da Câmara
Deputado Aníbal Gomes (CE)
Ex-governadora Roseana Sarney (MA)

PT
Senadora Gleisi Hoffmann (PR)
Senador Humberto Costa (PE)
Senador Lindbergh Farias (RJ)
Deputado José Mentor (SP)
Deputado Vander Loubet (MS)
Ex-deputado Cândido Vaccarezza (SP)

PSDB
Senador Antônio Anastasia (MG)

PTB
Senador Fernando Collor (AL)

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