Anselmo Pereira é o ponto de equilíbrio

O que parecia péssimo para o prefeito Paulo Garcia se transformou, na prática, em situação boa. Presidente da Câmara não ataca Executivo

Vereador Anselmo Pereira, presidente da Câmara de Goiânia: oposição equilibrada ao prefeito Paulo Garcia | Foto: Alberto Maio

Vereador Anselmo Pereira, presidente da Câmara de Goiânia: oposição equilibrada ao prefeito Paulo Garcia | Foto: Alberto Maio

Afonso Lopes

Não apenas por ser o mais experiente ve­rea­dor de Goiânia, mas até em função de seu temperamento político, o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, vereador Anselmo Pereira, eleito numa reviravolta contra a base governista de Paulo Garcia, não é a pedra no sapato que todos imaginavam que seria. Anselmo tem posição oposicionista, mas não é nada radical. Ele sabe manobrar muito bem entre todas as correntes do plenário e pacificou a maioria dos conflitos. É claro que ainda restam certas frases na tribuna absolutamente desconcertantes, com bate-bocas não apenas improdutivos como alguns até inacreditáveis. No balanço que se tem até agora, Anselmo tem feito um bom serviço de meio-campo.

Se a presidência é algo novo para Anselmo, que é do PSDB, o modus operandi da Câmara Municipal é velha rotina. O tucano já foi vice-presidente diversas vezes e é o campeão de mandatos municipais em atividade. Isso lhe dá conhecimento suficiente para servir como elo perfeito entre os interesses do governo de Paulo Garcia e os demais vereadores. E esse conflito era um dos grandes problemas enfrentados pelo prefeito até aqui.

Nem tanto

De qualquer forma, o presidente nem de longe faz o jogo governista. Ela surfa entre as ondas, ora pendendo para um lado, ora sendo determinante no sentido contrário. É claro que isso pode ter relação com o fato de que não há eleições municipais este ano, e que seria muito ruim manter tumultuada a relação entre os dois Poderes.

Mas basta olhar para a composição das principais comissões temáticas da Câmara dos Vereadores para perceber o viés claramente oposicionista dominante por lá. Dois dos mais duros adversários do prefeito, como os vereadores Elias Vaz e Tayrone di Martino, estão à frente de comissões fundamentais.

O que fica, no fundo, é a sensação de que Anselmo conseguiu imprimir uma imagem de maior independência da Câmara Munici­pal em relação ao Paço. Isso, claro, neste momento. Essa relação pode piorar muito, e aí, sim, ser problemática, caso o quadro político da cidade se modifique substancialmente. Isso deve ocorrer, mas não agora.

No ano que vem, o caldo vai começar a entrar em ebulição. A disputa eleitoral, acredita-se, vai pegar fogo. Os desgastes na imagem da Prefeitura e, de certa forma, também de Paulo Garcia, favorecem a formação de um quadro oposicionista mais forte, com melhor capacidade competitiva. Além disso, e também em função dessa imagem, PT e PMDB não estão sintonizados como estavam antes. Na Câmara, os peemedebistas formam a principal e mais numerosa bancada governista. Se houver rompimento, a situação tende a degringolar.

Então, e por enquanto, a eleição de Anselmo Pereira para a Presi­dência da Câmara Municipal acabou sendo um ótimo resultado para o grupo que ele representa, a oposição, e também para o próprio Paulo. Resta saber então até onde vai essa lua de mel.

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