Aliados de Ronaldo Caiado pregam austeridade fiscal no início de governo

Políticos próximos ao governador eleito de Goiás apontam prioridades que devem ser defendidas durante os seis primeiros meses de mandato

O governador eleito, Ronaldo Caiado, tem a situação fiscal do Estado como uma de suas principais preocupações | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Os aliados de Ronaldo Caiado (DEM) subliham que os seis primeiros meses de gestão do novo governador serão de austeridade fiscal para que a máquina pública responda às promessas realizadas ao cidadão durante a campanha. Políticos próximos ao democrata dizem que ele está preocupado com a saúde financeira do cofre público goiano, que será o primeiro ponto a ser olhado com cautela.

O aliado de maior grau do democrata, Adib Elias (MDB), que coordenou a campanha ao Palácio, afirmou que o futuro governante vai dedicar os pri­meiros meses a se debruçar sobre a vida fiscal do Estado, considerada por ele como “uma situação extremamente di­fícil e completamente comprometida”.

A estrutura pública foi acompanhada por Adib nos últimos anos, principalmente na área de saúde, onde lamenta o fechamento de hospitais estaduais, idosos sem medicamento de alto custo e crianças sem atendimento em Unidades de Trata­mento Intensivo (UTI) neonatal. Segundo o aliado, a máquina administrativa está envelhecida e viciada em vários setores.

Coordenador geral da campanha democrata, Adib Elias diz que Caiado não tem compromisso com nenhum partido aliado e poderá indicar quadro técnico às Secretarias do governo | Foto: Divulgação

A coligação democrata foi colchoada por 12 partidos políticos cientes de que o loteamento do governo será apenas técnico, segundo Adib. “Caiado vai entrar no governo sem nenhum comprometimento com aliados e nenhum outro governador conseguiu isso em Goiás. Pela primeira vez, um governador vai escolher um quadro totalmente técnico para ocupar o Estado.”

O prefeito de Formosa, Ernesto Roller (MDB), defendeu junto ao governador eleito uma austeridade fiscal extremamente firme. As contas a pagar e compromissos do Palácio em Goiás serão revirados à exaustão em busca de equilíbrio e readequação de prioridades. Na estimativa do prefeito, o selo da futura gestão de Caiado será o da imposição de um ritmo próprio e mudanças de práticas administrativas. “O governo tem que se voltar para essas questões. Ele precisa saber qual é o comprometimento da receita do Estado, das dívidas. Isso tem que ser conhecido desde o primeiro dia”, ressaltou Roller.

“As contas do Estado serão reviradas à exaustão para readequação de prioridades de investimento”, ressalta o prefeito de Formosa, Ernesto Roller, que não pretende ocupar cargos | Foto: Divulgação

Na montagem do novo secretariado para 2019, Ernesto Roller não pretende ter seu nome indicado para assumir qualquer secretaria. “Tenho o compromisso de exercer meu mandato na minha cidade. Passei dois anos sofrendo perseguições da gestão tucana e agora terei um governador aliado”, comemorou o prefeito. Ele garante permanecer na Prefeitura de Formosa até o último dia de mandato.

O cirurgião pediatra Zacarias Ca­lil, eleito deputado federal pelo DEM com 155 mil votos, se tornou integrante dos aliados mais graduados ao novo inquilino do Palácio. Para ele, Caiado se debruçará em duas áreas consideradas mais importantes ao governo e à população: saúde e segurança pública. “Ele vai atuar muito nas secretarias e acredito em choque de gestão entre as duas administrações, a atual e a futura.” Calil também defende a tese de que o democrata já imponha a pulsação de seu governo desde o primeiro dia após o resultado das urnas. “Caiado fala isso desde o início da campanha. Estou confiante em uma resposta por parte do novo governador à altura que a sociedade pe­diu.”

O aliado mais votado à Câmara dos Deputados, Zacarias Calil, aposta num início de governo forte na área de saúde, tema esmiuçado por Caiado durante campanha | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Ao longo da campanha, Ronaldo Caiado afirmou que uma das suas principais preocupação é a situação fiscal de Goiás, que, segundo ele, impede o Estado de realizar em­préstimos e renegociar dívidas. “Mes­mo sabendo da situação fiscal do Estado, isso não diminui sua importância”, disse. Caiado ressaltou também que deve dar prioridade à segurança no Estado e deve buscar parceria federal para reduzir os índices de criminalidade de Goiás.

Ele disse em seu discurso que seu projeto não tem nenhuma finalidade partidária e que não houve negociação prévia de cargos. Apesar disso, disse que a base do MDB foi essencial em sua campanha.

Ronaldo Caiado garantiu que não levará em conta as questões par­tidárias, em momento algum, na sua relação com os prefeitos das cidades goianas. “Ao chegar ao go­verno, vamos construir parcerias importantes para que haja celeridade nas demandas dos prefeitos. A eleição acabou dia 7 e não cabe a nós ficar em queda de braço. O cidadão que está nos ouvindo não quer saber de ‘tititi’. Ele quer saber como está a segurança na rua dele, se tem vaga para atender o doente. Não vou desviar desse foco, de dar satisfação ao eleitor”, frisou Caiado em entrevista à Rádio Sagres.

Outra preocupação do governador eleito é em prestar contas à sociedade. Por isso, Ronaldo Caiado afirmou que buscará uma relação mais próxima com a imprensa para levar ao conhecimento da sociedade o trabalho desenvolvido no governo.

“Sempre defendi uma abertura para que possa falar com a imprensa com mais frequência e possa fazer o relato de momento do Estado, além de debater e ouvir as críticas. Terei total transparência nas ações. O objetivo de governar é dar a Goiás a dimensão que o Estado merece. Eleição é só uma primeira etapa. O governante se consolida no último dia do governo. Aí sim você pode avaliar se ele é bom ou não”, ressaltou.

O próximo governador também anotou em suas prioridades finalizar as obras em andamento no Estado. “O prejuízo de Goiás é de quase R$ 2 bilhões em obras paradas. Tudo que foi prometido nos últimos 20 anos ficou em obras paradas. Não tenho essa ideia e nem pretensão de fazer grandes obras. Vamos fazer as obras necessárias para melhorar a vida dos cidadãos e concluir as que estão aí”, disse.

Questionado sobre como será o relacionamento com o Legislativo, Ronaldo Caiado lembrou que passou grande parte da carreira política na função de legislador e saberá como tratar com o respeito necessário a oposição. “Vou pedir audiência com cada deputado. Respeito a oposição. Sou um político que entende que não tem nenhuma situação que possa substituir o Estado democrático de direito. Respeita­rei as posições dos deputados. As matérias serão apresentadas aos deputados antes de irem para Assembleia Legislativa para que as dúvidas sejam sanadas. Tenho longa experiência como parlamentar e não tem nada mais afrontoso do que quando as coisas chegam sem se dar satisfação. Não terá gesto de esperteza no apagar das luzes, nenhuma lei de duração de 7 dias. Terei todo o respeito com o Legislativo de Goiás”, afirmou Caiado.

Transição

O presidente do Ipasgo, José Carlos Siqueira, e da agência Goiás Parceria, Afrânio Cotrim, foram escolhidos pelo governador José Eliton (PSDB) para liderar o período de transição de governo nos últimos dois meses de estadia tucana no Palácio.

O governador reuniu-se com o alto escalão no dia seguinte ao resultado da eleição para definir a equipe que entregará o governo a Caiado. Os dois foram escolhidos, segundo a administração, por serem da confiança do governo e por conhecerem de perto a realidade da administração.

José Carlos Siqueira informou que nos próximos dias será baixado um decreto para dar início aos trabalhos. “A transição será feita por meio de decreto com todos os critérios necessários para a transmissão das informações”, explicou.

Segundo o governador eleito, a Controladoria Geral da União já tem o papel de controle interno da gestão pública e os representantes das pastas escolhidas posteriormente por ele terão a obrigação de analisar os contratos do Estado e buscar a sua efetividade para a vida dos cidadãos.

“Em relação aos contratos, os secretários terão a obrigação de analisá-los. Vamos avaliar se os programas têm como consequência lógica levar qualidade de vida ao cidadão. Se não tiverem, não tem por que existir. O custo do Estado deve ser diminuído. E onde o governo pode cortar? Nas áreas que são ineficientes ao cidadão. É fundamental essa análise de cada órgão do Estado”, defendeu.

Ronaldo Caiado também reafirmou que irá compor um secretariado altamente eficiente em seu governo. “O compromisso que temos nesse momento é de dar ao cidadão um secretariado formado por pessoas que estejam acima de qualquer suspeita e totalmente qualificadas para assumir suas secretarias. Nunca trabalhei buscando assessoria submissa. Quero que os secretários sejam extremamente competentes”, assegurou.

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