Aberta inscrição para quem queira disputar vaga no Congresso

Sigla tem diretório organizado no Estado e pretende lançar candidaturas no ano que vem, mesmo sem estrutura nem dinheiro 

Presidente do Partido Novo em Goiás, Elison Bernardes: trabalho para fortalecer a sigla no Estado

Uma turma formada por empresários, profissionais liberais e de outras atividades se reúnem cada vez em local diferente em Goiânia, a fim de discutir estratégias para angariar assinaturas e fazer balanço dos resultados. É o Novo, um dos três últimos partidos a obter registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2015 – os outros foram Rede Sustentabilidade e o Partido da Mulher Brasileira.

Em Goiás, o Partido Novo tem diretório estadual formado. O presidente é Elison Bernardes, empresário do ramo imobiliário; vice-presidente, Darci Moreira, também do ramo imobiliário; secretário de Finanças, Marcelo Estrela, consultor financeiro; Adriano Sarmento, secretário de Assuntos Institucionais e Legislação. São 250 filiados entre ativos e inativos – 150 deles em Goiânia. Os dirigentes estão promovendo reuniões também em cidades do interior para angariar filiações.

Mas, é o Novo apenas mais um partido a se somar aos outros 34 registrados no TSE?
A resposta é não, segundo seus princípios declarados em estatuto. E a pretensão não é pouca. O Novo quer ser completamente diferente dos outros, a começar pelo fato de não usufruir do dinheiro do Fundo Partidário. Isso, sim é novo no espectro partidário brasileiro.

Como no restante do Brasil — a meta é 13 Estados e no Distrito Federal —, o partido em Goiás pretende lançar candidatos a deputado federal e a senador. Para isso, está convidando pessoas de destaque na sociedade, mas sem atividade político-partidária anterior. Por sinal, um dos convidados é uma sumidade da medicina goiana e brasileira, o cirurgião pediátrico Zacharias Calil Hamú.

As inscrições para quem queira concorrer a cadeira no Congresso pelo Partido Novo foram abertas no início deste mês e podem ser feitas até o dia 21 de abril. Os inscritos vão passar por uma seleção. “No Novo ninguém chega sendo candidato”, informa o presidente Elison Bernardes. O problema é que quem for escolhido para disputar não terá dinheiro para bancar a candidatura.

Mesmo sem representação no Congresso, e portanto, com direito ao mínimo do Fundo Partidário, o Novo tem cerca de R$ 2 milhões do Fundo. Como informa o presidente Elison Bernardes, o partido quer devolver esse dinheiro, fato tão inusitado que a Justiça Eleitoral não sabe como fazê-lo. Enquanto isso, o recurso está aplicado no Banco do Brasil.

O Novo está conseguindo conquistar a simpatia dos eleitores. Em 2016, mesmo sem dinheiro — ou seja, apenas com recursos doados por filiados e simpatizantes –, quatro filiados conseguiram vagas nas Câmaras de Vereadores de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Em São Paulo, a sigla obteve 140.769 votos, à frente de partidos tradicionais como o PP, PDT e PCdoB.

Essa simpatia pode ser medida no Top Like do Facebook. No meio da tarde de sexta-feira, 24, o Novo tinha 1.321.938 likes, atrás apenas do PSDB (1.322.985) a à frente do PT (1.181.396) — as demais siglas tinham abaixo dos 370 mil. “Neste domingo (26 de março) vamos superar o PSDB em likes. Nosso desafio é converter esses likes em filiação”, diz Elison Bernardes.

O trabalho para angariar filiados continua neste domingo, 26, com a manifestação chamada Novo na Rua, marcada para a tarde na Praça Tamandaré, no Setor Oeste, em Goiânia. No dia 6 de abril haverá uma reunião na UEG, em Anápolis. Os encontros do partido são feitos em locais públicos e, quando em locais fechados, estes são cedidos por filiados ou simpatizantes.

Sem cacique

Sobre o fato de ninguém chegar ao Novo sendo candidato, como referido antes pelo presidente estadual da sigla, houve um episódio ilustrativo no ano passado. Quando a candidatura do deputado federal Delegado Waldir Soares à Prefeitura de Goiânia não vingou em seu então partido, o PSDB, ele quis ir para o Novo.

O problema é que Waldir Soares queria garantia para ser candidato. Como não teve essa garantia, ele acabou indo para o PR, onde sua candidatura naufragou. Em resumo, Waldir Soares com seus 274.625 votos, o deputado federal mais votado na história de Goiás, foi recusado pelo Novo.

Médico Zacharias Calil: “Fui convidado e vou me filiar. É um partido diferente dos outros”| Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

O médico Zacharias Calil, que quase foi vice de Waldir Soares — foi “rifado no jogo de interesses partidários — está em fase de “namoro” com o Novo. Calil conta que se sente atraído pelas propostas do partido, que ele considera realmente diferente dos outros. São atrativos do Novo, diz, o fato de não aceitar pessoa sem idoneidade, de fazer um crivo para as candidaturas, não aceitar sindicalistas, e não utilizar dinheiro do Fundo Partidário.

“Me convidaram para me filiar. Fiquei meio receoso, lembrei que o PT também tinha começado com proposta de ser diferente. Eles me falaram que o PT é partido de sindicalista, e no Novo não tem sindicalista. Então, percebi nas propostas que é um partido diferente mesmo. Não quero passar pelo que passei na candidatura do Delegado Waldir. Ainda bem que pulei fora daquilo. Vi que o dono da Riachuelo deve se filiar e talvez até ser candidato à Presidência da República. Vou me reunir brevemente com o Novo e me filiar”, diz Calil.

O médico já manifestou sua pretensão de ser candidato a deputado federal. Com o Novo, Calil pode até disputar o Senado.

“Minha opção é por uma sociedade plural e eterna e governos transitórios”

Delano Calixto

O mundo está em processo de grande mudança e em alguns casos as estruturas estabelecidas não são mais capazes de acompanhar estes novos passos. Há 30 anos não se imaginava o mundo sem uma máquina de escrever ou uma máquina fotográfica, mas estas indústrias acabaram. Não houve uma transformação da indústria de máquinas de escrever ou fotográfica em indústrias de computadores ou câmeras digitais. Um grupo acabou e outro grupo assumiu seu lugar.

O mesmo está acontecendo com os partidos políticos. Não devemos esperar uma mudança radical de rumo de um partido, pois sua inércia é muito grande e mesmo que queira ele não consegue se transformar a contento. Os partidos antigos vão morrer e novos partidos, baseados em novos paradigmas começam a nascer. Minha opção pelo Partido NOVO se baseia na afinidade com seus conceitos liberais sem perder o foco em um mundo mais eficiente, assentado em fatos. Um mundo onde a sociedade seja plural e eterna, já os governos, transitórios.

Delano Calixto é engenheiro e empresário do ramo de infraestrutura em Goiânia, filiado ao Partido Novo de Goiás

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