Falta de potenciais aliados tira o ex-prefeito de Senador Canedo do páreo; diante do risco da terceira derrota em sequência, ele já admite ser vice de um tucano

Vanderlan Cardoso vive novamente o drama da falta de alianças para assegurar competitividade na disputa na capital, o que a senadora Lúcia Vânia e o deputado Marcos Abrão (no detalhe) pouco podem amenizar
Vanderlan Cardoso vive novamente o drama da falta de alianças para assegurar competitividade na disputa na capital, o que a senadora Lúcia Vânia e o deputado Marcos Abrão pouco podem amenizar

Cezar Santos

Vanderlan Cardoso, do PSB, foi o primeiro pré-candidato anunciado à Prefeitura de Goiânia para o pleito deste ano. Ele começou a trabalhar com esse objetivo praticamente um dia depois de anunciado o resultado da eleição ao governo do Estado em 2014, vencida por Marconi Perillo. Como na campanha anterior, Vanderlan mais uma vez ficou em terceiro lugar.
Os motivos maiores da derrota, assim como ocorreu na eleição de 2010, foram os mesmos: falta de estrutura, falta de apoio, falta de coligação, falta de tempo de TV. É muita falta para um candidato só e o resultado não poderia ser diferente, como não foi.

No ano passado, quando a senadora Lúcia Vânia deixou o ninho tucano para se filiar ao PSB, Vanderlan sentia que sua hora estava chegando, que a eleição para a Prefeitura de Goiânia estava indo por um bom caminho. Lúcia Vânia, uma política de valor, experiente, dava uma densidade maior ao pequeno PSB, ainda mais que trazia consigo o PPS do sobrinho, deputado federal Marcos Abrão.

O fator Lúcia se mostrava ainda mais interessante para Vanderlan pelo fato inequívoco de que ela precisa de uma base boa para seu projeto de reeleição ao Senado em 2018 – aliás, foi este o motivo de ela ter deixado o PSDB, onde não tinha a garantia de legenda para a disputa. Nesse contexto, esperava Vanderlan, a senadora iria se engajar com unhas e dentes na campanha em Goiânia.

Mas, passada a euforia inicial, Vanderlan Cardoso está se vendo diante do mesmo drama vivido nas eleições de 2010 e de 2014. Drama que a senadora Lúcia Vânia não tem como amenizar neste 2016.

O problema é que o quadro vai se acirrando entre o PSDB e o PMDB na disputa pela prefeitura da capital – que é valiosíssima, praticamente um pré-turno para o pleito ao governo em 2018.
Para piorar, o ex-deputado Luiz Bittencourt, do PTB, entrou na parada e vem ocupando um espaço que Vanderlan achava que lhe cabia.

Esse quadro gerou o que se chama de “jogo da gata parida” para Vanderlan Cardoso. Num espaço pequeno para muitos ocupantes, os mais fortes vão se apertando e expulsando os mais fracos. Vanderlan está sendo expelido – há quem diga que ele já foi expelido, na verdade, e o próprio teria admitido isso.

Os dois fortões, PSDB e PMDB — mais o “fortinho PTB —, como é natural, vão atrair praticamente a totalidade das legendas para as alianças. Neste momento, são eles que oferecem a tal perspectiva de poder para os candidatos a aliados. É difícil imaginar que estes dois partidos não estejam no segundo turno da eleição, que é praticamente certo.

E aí, o que resta para o PSB?

Alguém dirá que os socialistas poderiam, quem sabe, se aliar ao PT, sigla que tem relativa força na capital – detém o poder municipal com Paulo Garcia, é bom não esquecer. Vanderlan já andou conversando com petistas. Mas essa aliança se torna uma possibilidade remotíssima nesta altura. Primeiro, porque o PT nacional, enrolado na maior onda de corrupção da história, espalha para o partido nos Estados uma onda de rejeição, e o PSB só teria a perder se aliando a essa marca.

Segundo, alguém imagina que Lúcia Vânia se engajaria numa campanha contra o candidato de Marconi Perillo? Que Marcos Abrão, que foi secretário de Habitação de Marconi e tirou da pasta experiência e um mandato de deputado federal, se engajaria numa campanha contra o candidato marconista?

Portanto, o arco de aliança para o PSB está restrito. Restritíssimo, aliás. As siglas que poderiam ombrear com o PSB devem preferir fazê-lo com o PSDB. Ou com o PTB ou outro partido que a base marconista escolher, se os tucanos não lançarem uma cabeça de chapa, hipótese que vai se tornando cada dia mais difícil, embora não impossível.

Fato é que Vanderlan Cardoso já sentiu o cheiro de óleo queimado, como se diz popularmente. Ele mesmo já admitiu que pode ser vice do nome tucano, processo que se afunilou entre os deputados federais Giuseppe Vecci e Delegado Waldir Soares e o vereador Anselmo Pereira.

A correligionários, na privacidade, Vanderlan Cardoso já disse que ele não pode emplacar uma terceira derrota em sequência. Isso seria praticamente um sepultamento de sua carreira política. Seria passar um atestado de que ele só serve mesmo para ser prefeito de cidade do interior. O que não é verdade, diga-se.

Não que ser prefeito de Senador Canedo e ter contribuído para mudar a face daquele município não tenha importância. Mas Vanderlan sente que pode e deve dar a mais goianos parte da experiência e do conhecimento que lhe possibilitou erguer um grande complexo empresarial, por exemplo.

A vice na chapa encabeçada pelo PSDB pode ser uma importante alavanca para um político que quer continuar sendo protagonista no jogo. E que tem pretensões maiores, como o ex-prefeito tem, o que é legítimo por parte de Vanderlan Cardoso. Para isso, naturalmente, é preciso que a chapa vença a eleição. Tarefa nada fácil aos tucanos, mas menos difícil com o concurso de Vanderlan, de Lúcia Vânia, de Marcos Abrão e de outros integrantes da base aliada marconista.