A criação de búfalos vem ganhando espaço em Goiás e já representa um rebanho de 21.056 animais, distribuídos em diferentes regiões do Estado. Segundo a gerente de Sanidade Animal da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), Denise Toledo, o órgão acompanha a evolução da atividade por meio do cadastro das propriedades, declaração obrigatória do rebanho e ações de vigilância sanitária.

De acordo com os dados apresentados pela Agrodefesa, a maior concentração de bubalinos está na Unidade Regional Rio Vermelho, que atende as regiões Noroeste e Leste de Goiás, com 3.717 animais. Em seguida aparecem as unidades Rio das Antas (Centro/Metropolitana), com 2.431 búfalos, Rio das Almas (Norte/Vale do São Patrício), com 2.270, e Rio dos Bois (Centro-Oeste/Sul), com 2.232 animais.

Também possuem presença significativa de búfalos as regiões atendidas pelas unidades Rio Caiapó (Oeste), com 2.024 animais; Rio Paranaíba (Sul/Sudoeste), com 1.852; Rio do Ouro (Norte/Chapada), com 1.784; Rio Itiquira (Entorno do Distrito Federal/Nordeste), com 1.435; Rio Verdão (Sudoeste), com 1.346; e Rio Corumbá (Sudeste/Estrada do Ferro), com 1.250 animais.

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O acompanhamento da criação de búfalos ocorre de forma permanente | Foto: Divulgação/Fabiano Pedrosa

Agrodefesa monitora crescimento da atividade no Estado

Segundo Denise Toledo, o acompanhamento da criação de búfalos ocorre de forma permanente pela estrutura de defesa agropecuária do Estado. “A Agrodefesa acompanha rotineiramente a atividade de criação de búfalos por meio do cadastro das propriedades e da declaração de rebanho, que é obrigatória para os criadores. E ainda pela vigilância ativa, visitando as propriedades”, explica.

A gerente destaca que a Agência também fiscaliza a movimentação dos animais, o que permite acompanhar a evolução dos rebanhos e a distribuição geográfica da espécie em Goiás.

“Esse trabalho permite monitorar a evolução dos rebanhos e a sua distribuição geográfica no Estado, servindo de referência para políticas públicas de sanidade animal”, afirma Denise.

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“Esse trabalho permite monitorar a evolução dos rebanhos e a sua distribuição geográfica no Estado” | Foto: Acervo pessoal

Cuidados sanitários seguem protocolos aplicados aos bovinos

Apesar de possuir características próprias, a criação de búfalos segue os mesmos protocolos sanitários adotados para os bovinos em Goiás. Entre as principais medidas estão a vacinação contra brucelose e a vigilância para febre aftosa.

Denise Toledo explica que os produtores precisam manter atenção permanente, especialmente porque Goiás é reconhecido internacionalmente como área livre de febre aftosa sem vacinação.

“Para manter essa conquista, todo o setor produtivo deve estar atento e vigilante quanto aos sintomas da doença. Se ela aparecer novamente, é preciso agir rápido e com eficiência para evitar prejuízos”, alerta.

Além dos cuidados sanitários, os criadores devem manter atualizados o cadastro da propriedade e a declaração do rebanho no Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago). Nos casos de movimentação dos animais para venda ou participação em eventos, é obrigatória a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA).

Brucelose é o principal desafio sanitário da bubalinocultura

De acordo com a gerente de Sanidade Animal da Agrodefesa, o principal desafio sanitário atualmente relacionado à criação de búfalos em Goiás é a brucelose, doença causada pela bactéria Brucella abortus.

Nas fêmeas, a enfermidade pode provocar abortos, retenção de placenta, corrimento vaginal purulento, infecções uterinas, infertilidade temporária ou permanente, além do nascimento de animais fracos ou natimortos. Nos machos, pode causar inflamações nos testículos e epidídimos, comprometendo a fertilidade e a qualidade do sêmen.

Além dos impactos econômicos para a produção, Denise Toledo destaca que a doença também representa risco à saúde pública por ser uma zoonose.

“A brucelose pode ser transmitida para humanos pelo contato direto com fluidos uterinos, fetos abortados ou placentas de animais infectados, bem como pelo consumo de leite cru e derivados não pasteurizados”, explica.

Vacinação é principal ferramenta de prevenção

A gerente da Agrodefesa ressalta que a vacinação é a medida mais eficiente para o controle da brucelose. Conforme a Instrução Normativa nº 2/2025 da Agrodefesa, a vacinação é obrigatória para fêmeas bovinas e bubalinas entre 3 e 8 meses de idade.

No caso das bezerras bubalinas, deve ser utilizada a vacina B19, em dose única. O procedimento deve ser realizado sob responsabilidade de um médico veterinário cadastrado na Agrodefesa ou por auxiliares supervisionados diretamente pelo profissional.

As fêmeas vacinadas precisam ser identificadas com a marcação na face esquerda utilizando o algarismo final do ano da vacinação.

“O produtor deve comprovar a vacinação do rebanho no Sidago em até 30 dias após a compra da vacina. Propriedades inadimplentes ficam bloqueadas, impedidas de emitir a Guia de Trânsito Animal e de comercializar leite para laticínios”, informa Denise Toledo.

As exigências seguem as normas do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), que busca reduzir a ocorrência dessas doenças e garantir maior segurança sanitária para os rebanhos e para a população.

Família que acreditou nos búfalos cria marca pioneira de laticínios em Goiás

Quando a criação de búfalos ainda era uma atividade pouco explorada em Goiás, os irmãos Cristiane e José Pedro Araújo decidiram apostar em um mercado considerado desafiador: transformar o leite de búfala em produtos diferenciados para o consumidor. A iniciativa familiar deu origem à Agroindústria Búfalo Nobre, instalada em Caldazinha, e se tornou uma das pioneiras do Estado na produção de derivados de leite de búfala.

A história começou antes mesmo da entrada dos irmãos no negócio. O pai deles, José Araújo, engenheiro agrônomo e apaixonado pela atividade rural, iniciou uma pequena produção de queijos na propriedade da família. Com a participação dos filhos, o projeto ganhou escala, profissionalização e passou a investir na criação de búfalos e na fabricação de alimentos derivados do leite desses animais.

A família cria búfalos desde 1998 e, ao longo dos anos, vem aprimorando o manejo e investindo em tecnologia para melhorar os índices produtivos da fazenda.

“Criamos esta espécie com muito amor e estamos nos dedicando e nos especializando cada vez mais na atividade para melhorar nossos resultados”, afirma José Pedro.

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Cristiane e José Pedro Araújo: “criamos esta espécie com muito amor e estamos nos dedicando e nos especializando cada vez” | Foto: Acervo pessoal

Raças e produção de leite

Na propriedade, a criação é formada principalmente por animais da raça Murrah, com alguns exemplares da raça Mediterrâneo, voltados especialmente para a produção leiteira.

Além da criação dos animais, a família também atua no segmento de laticínios, produzindo queijos a partir do leite de búfala. Os produtos são comercializados em Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e Tocantins.

Segundo José Pedro, o objetivo é agregar valor à produção e mostrar ao consumidor as qualidades dos produtos derivados do leite de búfala.

Manejo exige cuidados específicos

Apesar de serem animais rústicos e adaptáveis, os búfalos possuem características próprias que exigem atenção no manejo diário.

“O búfalo tem suas particularidades. É um animal forte, inteligente e que precisa de alguns cuidados específicos, principalmente com as cercas, já que possui grande força física. A cerca elétrica também é uma alternativa utilizada na criação”, explica José Pedro.

Outro ponto fundamental é garantir condições adequadas de conforto térmico. Por possuírem menor quantidade de glândulas sudoríparas, os búfalos precisam de acesso à água e sombra para reduzir o estresse causado pelo calor.

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O búfalo tem suas particularidades. É um animal forte, inteligente e que precisa de alguns cuidados específicos | Foto: Búfalo Nobre

Da produção artesanal ao mercado de laticínios

O que começou como uma experiência dentro da propriedade rural se transformou em uma agroindústria estruturada. Atualmente, a empresa produz cerca de 40 variedades de produtos, incluindo queijos produzidos com leite de búfala e derivados do leite bovino.

O crescimento do empreendimento acompanhou uma mudança no olhar do consumidor sobre os produtos de búfala. Antes pouco conhecidos, alimentos como queijos, doces e outros derivados passaram a conquistar espaço pela qualidade e pelas características diferenciadas do leite, que possui maior concentração de sólidos quando comparado ao leite bovino.

Para os irmãos, o diferencial foi acreditar em uma atividade que ainda tinha pouca representatividade no Estado e construir uma cadeia própria de produção, unindo criação dos animais, processamento do leite e comercialização.

Legado familiar e empreendedorismo no campo

A trajetória da Búfalo Nobre também representa a continuidade de um sonho iniciado pelo pai dos empreendedores. José Pedro Araújo destaca o orgulho de manter vivo o projeto familiar e acompanhar a evolução da empresa ao longo dos anos.

“Temos muito orgulho em fazer parte dessa empresa que foi idealizada e tão sonhada pelo meu pai”, afirmou o produtor ao destacar a importância do empreendimento para a família.

Cristiane Araújo ressalta que a transformação de uma pequena produção em uma empresa consolidada exigiu planejamento, aprendizado e busca constante por melhorias. Segundo ela, o apoio técnico foi fundamental para organizar processos e fortalecer a gestão do negócio.

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Produto produzido à partir do leite de búfala | Foto: Búfalo Nobre

Um exemplo para a bubalinocultura goiana

A experiência dos irmãos Araújo acompanha o crescimento do interesse pela criação de búfalos no Estado, atividade que ainda representa uma parcela pequena da pecuária goiana, mas que vem ganhando espaço pela possibilidade de agregar valor à produção rural.

Ao investir não apenas na criação dos animais, mas também na industrialização do leite, a família mostrou que a bubalinocultura pode ser uma alternativa para produtores que buscam novos mercados e maior rentabilidade no campo.

“‘A demanda é maior que nossa produção’, diz presidente da ABCB sobre búfalos”

Segundo Simon Fernandes Riess, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), o búfalo reúne características que favorecem a atividade, como adaptação, sustentabilidade e rentabilidade. “A bubalinocultura vem a cada ano ganhando um espaço expressivo no cenário da pecuária nacional, muito pelo fato de se tratar de um animal de fácil adaptação nos diversos biomas que nosso extenso país nos proporciona, mostrando-se um animal sustentável e de ótima rentabilidade”, destaca.

Goiás entre os maiores rebanhos do Centro-Oeste

Em Goiás, o setor também apresenta crescimento. De acordo com Riess, o Estado possui atualmente o maior rebanho bubalino do Centro-Oeste e vem acompanhando a expansão observada em outras regiões do país. A Região Norte, porém, concentra cerca de 70% do rebanho nacional, favorecida pela grande extensão territorial e pela adaptação dos búfalos às condições locais. “O Estado vem, juntamente com o cenário nacional, apresentando um crescimento espontâneo, puxado principalmente pela demanda dos produtos lácteos de alto valor agregado e pelo maior interesse sobre a carne bubalina”, explica o presidente da ABCB.

Leite e carne puxam a demanda

Além do leite e da carne, a cadeia bubalina também oferece produtos como o couro e seus derivados. Riess destaca que a procura por produtos lácteos de búfala tem crescido principalmente nos grandes centros, enquanto a carne começa a conquistar novos consumidores. “Temos acompanhado um crescimento muito grande nos dois produtos. Os derivados têm uma procura muito expressiva, principalmente nas grandes capitais, e a carne está iniciando um processo de interesse do consumidor”, afirma. Para ele, a maior divulgação das características nutricionais dos produtos é fundamental para ampliar o mercado. “Hoje podemos dizer, de uma forma geral, que a demanda é maior que a nossa produção”, ressalta.

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De acordo com Riess, o Estado possui atualmente o maior rebanho bubalino do Centro-Oeste | Foto: Acervo pessoal

Adaptação é uma das principais vantagens

Na avaliação do presidente da ABCB, a expansão da atividade depende diretamente do aumento da demanda. Com mais consumidores interessados, frigoríficos, laticínios e estabelecimentos comerciais tendem a investir no beneficiamento e na comercialização dos produtos. Ele reconhece que ainda existe preconceito em relação à espécie em algumas regiões, mas acredita que a divulgação vem ajudando a superar essas barreiras. “Acredito que a chave da expansão esteja no estímulo da demanda do mercado consumidor”, diz. Riess ressalta ainda que não há um sistema específico em que o búfalo necessariamente seja superior a outras espécies, mas sua principal vantagem está na capacidade de adaptação a diferentes regiões e condições climáticas.

Perspectivas para a bubalinocultura

Para os próximos anos, a expectativa é de continuidade do crescimento da atividade. Riess afirma que não é possível prever que o rebanho vá dobrar, mas considera provável uma expansão superior à registrada na última década. “Não consigo dizer que a bubalinocultura vai dobrar nos próximos anos, mas consigo garantir que vamos ter um crescimento ainda maior que o observado nestes últimos dez anos.

O búfalo vive hoje um momento único”, afirma. Ele destaca ainda a procura crescente por alimentos ricos em proteína e o interesse pelo leite A2, característica naturalmente presente nos búfalos. Nesse cenário, a ABCB busca atuar como elo entre os diferentes segmentos da cadeia, promovendo a espécie e trabalhando pelo melhoramento genético. “O mundo tem olhado para o potencial do nosso rebanho. Precisamos ir em frente para manter e melhorar ainda mais este reconhecimento internacional.”

Técnico revela vantagens e desafios da criação de búfalos

O búfalo vem se consolidando como uma alternativa viável para a pecuária brasileira, especialmente por apresentar características produtivas que podem reduzir custos e melhorar a rentabilidade da propriedade. Segundo o veterinário Renato Amaral, que trabalha com búfalos desde 1995 e é técnico da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), uma das principais vantagens está na fertilidade.

“O búfalo tem naturalmente uma fertilidade muito superior. É um animal bem mais fértil”, afirma. Na produção de leite, outro diferencial é a maior concentração de sólidos, o que proporciona melhor rendimento industrial e permite obter mais queijo com uma quantidade menor de leite. Por isso, o leite de búfala costuma alcançar maior valor de mercado.

Rebanho e expansão dos laticínios

A criação de búfalos tem apresentado crescimento em diferentes regiões do país, principalmente nos polos onde existem laticínios especializados. “Hoje nós temos criadores de búfalos e laticínios de búfalos em todos os estados do Brasil”, destaca Amaral. O Sudeste concentra uma parcela importante da atividade, favorecido pela maior população e pelo número de consumidores.

Segundo o técnico, existem desde pequenos laticínios artesanais, que processam cerca de 50, 100 ou 200 litros de leite por dia, até grandes unidades, como uma localizada em Minas Gerais, que chega a trabalhar com aproximadamente 80 mil litros diários. Para o produtor de leite, entretanto, a proximidade com um laticínio ou com uma rota de coleta é fundamental para viabilizar a atividade.

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Renato Amaral: “o búfalo tem naturalmente uma fertilidade muito superior” | Foto: Acervo pessoal

Manejo exige alimentação, água e sombra

Apesar da rusticidade, o búfalo exige cuidados adequados para apresentar bom desempenho. O manejo básico inclui alimentação de qualidade, água limpa para beber e sombra, além dos cuidados sanitários, vacinação e acompanhamento dos bezerros desde o nascimento. O animal pode ser criado em diferentes sistemas, desde propriedades extensivas, com acesso a represas, até sistemas de pastejo rotacionado, confinamento, compost barn e freestall. “O búfalo se adapta bem”, explica Renato Amaral, ressaltando que não é obrigatório ter uma represa ou local para o animal se banhar. “O importante é ter sombra.” O manejo correto também influencia diretamente o comportamento dos animais.

Carne ainda busca organização da cadeia

Na produção de carne, um dos principais desafios é a falta de uma cadeia produtiva mais organizada e de uma identificação clara do produto no mercado. “Tem muito búfalo que vai para o frigorífico, é abatido como búfalo, mas sai de lá como uma carne de bovino”, explica Amaral. Apesar disso, já existem iniciativas específicas para comercializar a carne de búfalo. O técnico afirma ainda que a carne apresenta características nutricionais interessantes, com maior teor de proteínas, embora sabor e maciez dependam de fatores como idade, acabamento e características individuais do animal.

Mitos sobre agressividade e manejo

Entre os principais obstáculos à expansão da criação estão os mitos de que búfalos são animais selvagens, agressivos ou que constantemente rompem cercas. Renato Amaral explica que essas características são frequentemente confundidas com as do búfalo-africano, uma espécie selvagem diferente do búfalo doméstico criado no Brasil. “O búfalo que a gente trabalha, o búfalo que a gente cria, é um animal extremamente dócil”, afirma. Segundo ele, o comportamento também é resultado da forma como o animal é tratado: “Se você tratar bem esses animais, a resposta, logicamente, é muito mais positiva”. O técnico recomenda que quem pretende iniciar uma criação estude previamente, conheça as técnicas de manejo e, principalmente, visite outras propriedades. “A maioria dos criadores de búfalos é receptiva, recebe, conversa. Então vale a pena visitar algumas criações.”

Búfalos conquistam criadores em Goiás

A criação de búfalos vem sendo mantida e desenvolvida por produtores de diferentes regiões de Goiás, que encontram na atividade características como rusticidade, resistência a doenças, boa produção de leite e qualidade da carne. Embora ainda seja uma atividade de mercado mais restrito que a pecuária bovina, os criadores entrevistados destacam que o animal pode apresentar vantagens importantes, principalmente para a produção de derivados do leite.

Os relatos mostram, porém, que existem diferenças no manejo dos búfalos em relação aos bovinos. Enquanto alguns produtores consideram indispensável a disponibilidade de áreas úmidas, represas ou brejos, outros afirmam que o animal pode ser criado em áreas sem alagamentos, desde que tenha água limpa para beber, pastagem abundante e manejo adequado.

Mais de 15 anos de criação em Hidrolândia

O criador Marcelo Francisco, de Hidrolândia, cria búfalos há mais de 15 anos. Atualmente, mantém aproximadamente 30 animais e trabalha com as raças Murrah e Mediterrânea. Segundo ele, a produção está voltada principalmente para o leite, a fabricação de queijo e a comercialização dos animais para abate.

“São animais dóceis, mas o manejo é um pouco diferente do gado normal. A gente está criando os búfalos com o intuito de tirar o leite”, afirma.

Marcelo destaca a rusticidade como uma das principais características da espécie. Segundo ele, os búfalos apresentam menor incidência de carrapatos e outros problemas comuns ao gado bovino. O criador também ressalta que não é obrigatória a existência de uma represa para manter os animais, embora a água seja fundamental para o bem-estar.

“Não precisa de uma região alagada. O que precisa mais é água de cocho saudável, limpinha, e capim bom. Não pode deixar faltar o capim”, explica.

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Marcelo Francisco: “são animais dóceis, mas o manejo é um pouco diferente do gado normal” | Foto: Acervo pessoal

Alimentação e manejo exigem atenção

De acordo com Marcelo, um dos erros cometidos por quem começa a criar búfalos é não considerar a velocidade com que os animais consomem alimento. Por isso, a oferta de pastagem precisa ser abundante. Ele afirma que o animal não deve ser mantido em pasto muito baixo e que o produtor precisa acompanhar regularmente o rebanho.

A presença de água também está relacionada ao comportamento natural do búfalo. Marcelo explica que, quando existe uma represa, o animal costuma entrar na água e no barro para se limpar e retirar carrapatos e outros elementos aderidos ao corpo. Para ele, isso ajuda a reduzir a necessidade de utilização de carrapaticidas.

O criador também chama atenção para o manejo. Segundo ele, apesar da fama de animal bravo, o búfalo pode se tornar dócil quando é acostumado ao contato humano. “Se você tem um manejo dele de 15 em 15 dias, levando no curral, tratando bem seu animal, fazendo os devidos procedimentos veterinários, então ele vai ficar mansinho”, afirma.

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O animal não deve ser mantido em pasto muito baixo | Foto: Acervo pessoal

Leite com maior rendimento para fabricação de queijo

Marcelo explica que o búfalo não necessariamente produz mais leite que raças bovinas especializadas, como a Holandesa e a Gir. O diferencial, segundo ele, está principalmente na composição do leite e no rendimento para a fabricação de queijo.

“Na vaca você vai gastar 10 litros de leite para fazer um quilo de queijo. Na búfala, você gasta quatro litros para fazer um quilo de queijo”, afirma.

Para o criador, essa característica representa uma vantagem econômica para quem trabalha com derivados. Ele ressalta, entretanto, que a criação exige conhecimento e manejo correto. “Quem conhece o búfalo, agrada demais, mas é um gado que não é para qualquer um. Tem que ter o manejo correto”, diz.

Marcelo não pretende ampliar significativamente o rebanho. A criação de búfalos permanece como uma atividade complementar à produção bovina que ele já mantém.

São Luiz de Montes Belos: tradição de 24 anos

Na Fazenda Boa Sorte, em São Luiz de Montes Belos, o criador Orlandir Laureano trabalha com búfalos há 24 anos. A atividade, segundo ele, foi herdada do avô, que já criava os animais.

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A propriedade possui nove represas e um lago de aproximadamente um alqueire | Foto: Acervo pessoal

Para Orlandir, quatro características se destacam na criação: a rusticidade, a qualidade do leite, a docilidade e o bom peso dos animais no momento da comercialização. “Os búfalos são muito dóceis, o leite é espetacular e, na hora de vender, você vai vender um búfalo que pesa bem”, afirma.

A propriedade possui nove represas e um lago de aproximadamente um alqueire, condição que, segundo o criador, proporciona conforto aos animais. Ele explica que o búfalo procura naturalmente ambientes úmidos, especialmente em períodos de calor.

Apesar disso, Orlandir afirma que não é necessário que toda criação esteja obrigatoriamente em área alagada. Segundo ele, a existência de represas, brejos ou locais úmidos favorece o bem-estar, mas o animal também pode ser criado em outras condições desde que tenha acesso à água.

Produção chega a 190 litros por dia

O criador já chegou a manter 95 animais na propriedade e, atualmente, possui aproximadamente 75. Em períodos de produção, chegou a retirar entre 180 e 190 litros de leite por dia, provenientes de cerca de 11 búfalas.

O leite era vendido para uma fábrica de sorvetes em Goiânia, que buscava a produção diretamente na propriedade. Atualmente, durante o período de seca e com a redução da oferta de pastagem, Orlandir não está produzindo leite para comercialização.

Além do leite, ele também comercializa animais para criadores e para abate. Segundo ele, já vendeu búfalos para diferentes regiões de Goiás e para Mato Grosso do Sul. “Se eu tiver 10, 20, 30, é direto. Vou me ligando para comprar”, relata sobre a comercialização de animais para reprodução.

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Orlandir afirma que não é necessário que toda criação esteja obrigatoriamente em área alagada | Foto: Acervo pessoal

Carne e leite são apontados como diferenciais

Orlandir também é produtor de gado Nelore e compara a criação das duas espécies. Para ele, o búfalo exige menos trabalho e apresenta maior resistência a problemas como carrapatos e moscas. “O gado Nelore é muito mais trabalhoso do que o bubalino”, afirma.

Na avaliação do criador, a carne de búfalo também apresenta características superiores. “A carne é muito mais macia do que a carne da vaca”, diz.

Ele destaca ainda o rendimento do leite para a produção de queijo. Segundo o criador, são necessários cerca de 9 a 10 litros de leite bovino para produzir um quilo de queijo, enquanto o leite de búfala pode permitir a produção de um quilo de queijo com aproximadamente 4,5 litros.

Orlandir afirma que existe mercado para o leite de búfala e que, se tivesse condições de produzir até 2 mil ou 3 mil litros por dia, conseguiria comercializar toda a produção. Seu sonho, segundo ele, seria chegar a 400 búfalas, mas o tamanho da propriedade limita a expansão.

Criador aposta no custo-benefício

O criador Edson Flávio Fiúza Cardoso trabalha com búfalos há cerca de seis anos e mantém atualmente 34 fêmeas. Segundo ele, o principal fator que o levou à atividade foi o custo-benefício em comparação com o gado bovino de produção leiteira.

“O búfalo é bem melhor do que a vaca cruzada para a gente, que produz pouco leite. O leite rende muito mais e tem menos despesa”, diz.

Edson destaca a composição do leite e seu rendimento na fabricação de queijo. Segundo ele, a matéria sólida do leite de búfala chega a aproximadamente 9%, o que aumenta o aproveitamento na produção de derivados.

Atualmente, ele fabrica entre 20 e 26 queijos por dia, utilizando a produção da própria propriedade. Os produtos são comercializados em Goiás, inclusive para supermercados e lanchonetes, além de compradores que buscam a produção diretamente na fazenda. “O tanto que eu fizer aqui, eu vendo”, enfatiza.

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Edson destaca a composição do leite e seu rendimento na fabricação de queijo | Foto: Acervo pessoal

Produção de derivados é prioridade

O criador comercializa o queijo por aproximadamente R$ 30 o quilo, com peças que pesam em torno de um quilo a 1,1 quilo. Para ampliar a produção, Edson pretende melhorar a estrutura das pastagens, com correção do solo e implantação de um sistema de pastejo rotacional durante o período das águas.

Ele também fez curso para ampliar a fabricação de derivados do leite de búfala, como burrata e muçarela. A intenção é utilizar integralmente a produção dentro da própria propriedade, agregando valor ao leite.

Segundo Edson, outro diferencial é a rusticidade do animal. “O búfalo é muito rústico. O pasto é igual, ele não exige muita coisa”, explica. Ele afirma ainda que, durante os seis anos de criação, não enfrentou problemas significativos com carrapatos nas búfalas.

Para o produtor, o gado bovino convencional exige muito mais trabalho. Ele também critica o preconceito que ainda existe em relação ao búfalo e defende que os consumidores conheçam os produtos derivados da espécie.

“As pessoas precisam conhecer os produtos derivados do búfalo para acabar com o preconceito”, reforça.

Em Turvânia, criação virou herança de família

Em Turvânia, o criador Fabiano Pedrosa mantém búfalos que são resultado de uma tradição familiar. Segundo ele, o avô já criava os animais muitos anos antes de morrer e deixou cerca de 200 cabeças para os herdeiros.

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Fabiano Pedrosa: “é um animal sadio demais. Nós não fazemos nada mesmo” | Foto: Acervo pessoal

Fabiano conta que, ao longo do tempo, o número de animais foi reduzido e posteriormente voltou a crescer. Atualmente, a família possui aproximadamente 60 búfalos, sendo cerca de 40 fêmeas entre novilhas, bezerras e vacas.

“Nós herdamos 50 cabeças de búfalo para cada herdeiro. Ele tinha uns 200. Nós fomos vendendo e chegamos a ficar com três búfalos e um garrotinho. Aí foi aumentando, aumentando, e chegamos em 50 de novo”, relata.

Segundo o criador, parte dos animais é utilizada para consumo da própria família, enquanto outros são vendidos ou doados. A produção também inclui leite e queijo, comercializados em Goiânia.

Rusticidade reduz necessidade de medicamentos

Fabiano considera a rusticidade uma das maiores vantagens do búfalo. Segundo ele, os animais apresentam boa capacidade de reprodução, permanecem em boas condições corporais e adoecem pouco.

“É um animal sadio demais. Nós não fazemos nada mesmo”, afirma. Ele cita como cuidados sanitários realizados pela propriedade medidas relacionadas a doenças como febre aftosa e brucelose em bezerras, mas afirma que não utiliza rotineiramente antibióticos ou vermífugos no rebanho.

A resistência dos animais também está relacionada ao aproveitamento do pasto. Segundo Fabiano, os búfalos permanecem em boas condições porque têm acesso à alimentação e são capazes de procurar o que precisam na propriedade.

Para ele, a carne e o leite produzidos pelos animais também são diferenciais. O criador relata que há consumidores que procuram os derivados de búfala justamente por apresentarem melhor tolerância em alguns casos de intolerância ao leite bovino.

Água ajuda no conforto dos animais

Fabiano julga importante que os búfalos tenham acesso a áreas úmidas. Segundo ele, por causa da coloração escura do couro, os animais sentem mais o calor e procuram barro, brejos ou represas para se refrescar.

“Ela gosta demais de ter uma represa, um brejinho. Porque, como o couro dela é preto, ela esquenta muito. Então, se ela tiver um barro para ela se lambuzar, ela se deita lá naquele barro”, explica.

Para o criador, o principal problema da atividade não está na alimentação ou na sanidade, mas na estrutura das cercas. Segundo ele, os búfalos são fortes, possuem couro resistente e podem romper arames, criando dificuldades para manter os animais dentro da propriedade.

“Ele quase não respeita a cerca. A cabeça dele é muito dura, o couro é muito duro. Ele vai com o chifre no arame, arrebenta o arame, dá um jeito e passa”, relata.

Mercado ainda é o principal desafio

Apesar das vantagens da criação, Fabiano não pretende ampliar o rebanho. A intenção é reduzir a quantidade de animais e manter apenas um número suficiente para produção de leite e consumo de carne.

O principal motivo é a dificuldade de comercialização. Segundo ele, o mercado de búfalos ainda é muito menor que o de bovinos, o que torna a venda dos animais mais trabalhosa.

“O comércio do búfalo não é igual ao comércio do bovino. Se eu chegar hoje e quiser vender dez bezerros de búfalo, é muito difícil. Tenho que correr atrás de compradores. Agora, se eu quiser vender dez Nelore, tem 50 compradores na hora e nem preciso correr atrás”, compara.

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O mercado de búfalos ainda é muito menor que o de bovinos | Foto: Acervo pessoal

Produção tinha mercado, mas não conseguia crescer

A dificuldade de ampliar o mercado consumidor e a falta de produtores de leite de búfala na região levaram a produtora rural Débora Alcântara, proprietária do Laticínios Búfalas do Cerrado, em Catalão, no Sudeste de Goiás, a encerrar a criação de búfalos. O rebanho chegou a aproximadamente 115 animais, utilizados na produção de leite que era processado no próprio laticínio da família.

Segundo Débora, a decisão não ocorreu por falta de qualidade dos produtos ou pela ausência de vendas. Ao contrário: tudo o que era produzido encontrava compradores. O problema estava na dificuldade de conquistar novos consumidores e, principalmente, de ampliar a oferta de leite de búfala na região.

“Na verdade, deu muito certo. Tudo o que a gente fazia, a gente vendia. Só que aqui na região as pessoas não têm o costume com o leite da búfala”, explica Débora.

Ela afirma que o desconhecimento sobre os produtos derivados do leite e da carne de búfala ainda representa uma barreira para o crescimento da atividade. “As pessoas ainda têm muito preconceito com o leite e os produtos feitos do leite e da carne de búfalo. É uma falta de conhecimento”, afirma.

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Débora Alcântara: “o rebanho chegou a aproximadamente 115 animais” | Foto: Acervo pessoal

Distância comprometia o lucro

Além da dificuldade de ampliar o consumo, a produtora enfrentou outro obstáculo: a falta de fornecedores de leite de búfala próximos à propriedade. Com a criação própria, a família conseguia manter a produção, mas o crescimento do negócio passou a exigir a busca por leite em outras regiões.

“Para você fazer com que as pessoas criem as búfalas para ter o leite, é muito difícil. Aqui já não comportava mais na nossa fazenda”, relata Débora.

A família chegou a buscar leite em Minas Gerais, a cerca de 350 quilômetros de distância. O transporte, porém, consumia boa parte da margem de lucro do negócio. “A gente já chegou a pegar fora, em Minas, 350 quilômetros, mas ficava tudo na estrada, o nosso lucro. Então, a gente tentou de todas as maneiras”, conta.

Também houve dificuldades relacionadas à fiscalização e às exigências sanitárias, incluindo questões envolvendo a Agrodefesa. Diante da impossibilidade de ampliar a produção de forma economicamente viável, a família decidiu encerrar a criação.

Rebanho foi vendido para abate

A decisão de abandonar a criação significou a venda de todo o rebanho. Os animais foram adquiridos por um frigorífico da região de Goiânia e destinados ao abate.

Apesar de ter se desfeito dos animais, a produtora deixa claro que a decisão não foi motivada por uma decepção com a criação de búfalos. Pelo contrário, ela lamenta o encerramento de uma atividade que considera bem-sucedida. “Se dependesse de mim, eu jamais teria deixado a atividade de lado”, afirma.

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Débora também destaca o rendimento do leite na fabricação de queijos | Foto: Acervo pessoal

Débora defende qualidade do leite e da carne

Para a produtora, parte do problema enfrentado pela cadeia está relacionada à falta de conhecimento do consumidor sobre as características dos produtos de búfala. Ela destaca a qualidade do leite, dos queijos e da carne.

“Quem conhece sabe da qualidade. O leite tem muito mais benefícios que o leite de vaca. Ele tem mais gordura, mas é uma gordura mais saudável.”

Débora também destaca o rendimento do leite na fabricação de queijos. Segundo ela, enquanto são necessários aproximadamente 10 litros de leite bovino para produzir um quilo de queijo, cerca de quatro litros de leite de búfala podem produzir a mesma quantidade.

“É o dobro do rendimento. É um leite muito bom”, ressalta.

Sobre a carne, a produtora também considera que ainda existe desconhecimento por parte dos consumidores. “A carne não tem carne de segunda. É uma carne supernobre, muito macia. Quem conhece sabe da qualidade.”

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Sobre a carne, a produtora também considera que ainda existe desconhecimento por parte dos consumidores | Foto: Acervo pessoal

Laticínio continuará produzindo

Mesmo com o fim da criação própria, a história do Laticínios Búfalas do Cerrado não terminou. Débora pretende continuar as atividades no estabelecimento, agora com leite bovino adquirido de produtores da região.

A nova etapa deve incluir a produção de queijos como provolone defumado e muçarela. Ao mesmo tempo, a empresária pretende manter a possibilidade de trabalhar novamente com leite de búfala.

“Estamos introduzindo o leite de vaca, mas não deixamos de lado o que a gente já tem aprovado. Temos mais de 30 tipos de produtos de leite de búfala aprovados pela Agrodefesa”, explica.

O laticínio também mantém atividades voltadas ao turismo rural. A propriedade recebe visitantes para conhecer o processo de produção e, ao final, promove eventos gastronômicos com queijos e vinhos e jantar completo.

“Nosso laticínio é muito bonito, nossa história é muito bonita. A gente conta um pouco da nossa história e faz alguns eventos”, diz Débora.

Possibilidade de retorno

Embora atualmente esteja concentrada na produção com leite bovino, Débora não descarta voltar a criar búfalos. A intenção, segundo ela, é que um eventual retorno seja feito com animais próprios, como ocorria anteriormente. “Quem sabe, né? A gente nunca sabe o dia de amanhã”, frisa.

A experiência, segundo a produtora, mostrou que existe potencial para a atividade, mas também revelou um dos principais desafios para quem pretende investir na criação de búfalos em Goiás: formar um mercado consumidor que conheça e valorize o leite, os queijos e a carne produzidos a partir do animal.

Comercialização.

Os relatos dos quatro criadores mostram que a criação de búfalos em Goiás reúne características que podem favorecer a atividade, especialmente a rusticidade, a resistência a problemas sanitários, o rendimento do leite na fabricação de queijos e a qualidade da carne. Ao mesmo tempo, os produtores apontam que o manejo exige conhecimento, atenção à oferta de pastagem e água e, principalmente, uma estrutura adequada de cercas.

A comercialização ainda aparece como um dos principais obstáculos para a expansão da atividade. Enquanto alguns criadores relatam facilidade para vender leite e derivados, a venda de animais para abate ou reprodução ainda depende de uma rede menor de compradores quando comparada à pecuária bovina tradicional.

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