Wilder defende política de minerais críticos e destaca processos avançados em Goiás: “Mundo inteiro está atrás desses minerais”
30 maio 2026 às 17h22

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O senador Wilder Morais (PL) aproveitou uma audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado, na última quinta-feira, 28, para cobrar pressa na criação de uma política nacional para minerais críticos e estratégicos. Relator da proposta, o parlamentar goiano alertou que o Brasil flerta com o risco de perder espaço em um mercado global cada vez mais competitivo e sem paciência para a lentidão institucional.
A cobrança mexe diretamente com o Projeto de Lei 4.443/2025, de autoria de Renan Calheiros. Ao relatar a matéria, Wilder destacou que a demora do país em se posicionar vai custar caro, especialmente agora que o mundo vive uma explosão na demanda por matérias-primas voltadas à tecnologia de ponta e à transição energética. O debate, que já está em sua segunda rodada na comissão, foi aberto justamente a pedido do senador goiano.
Durante o encontro, Wilder Moraes destacou o potencial brasileiro na exploração de minerais considerados essenciais para a indústria mundial, como lítio, grafite, cobalto, níquel e terras-raras. Segundo o senador, Goiás já possui projetos avançados voltados à exploração desses recursos, especialmente no segmento de terras-raras, e pode ocupar posição estratégica nesse mercado. “O mundo inteiro está atrás desses minerais críticos. A nossa missão aqui, como parlamentares, é que a gente não possa perder esse bonde”, afirmou.
A grande preocupação do setor produtivo gira em torno do fantasma da segurança jurídica e do excesso de burocracia. O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, ponderou que a atividade mineral exige investimentos bilionários e de longo prazo, o que torna imperativo um ambiente regulatório estável para atrair o capital privado.
No mesmo tom, a consultora do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Rafaela Guedes, usou o histórico do próprio Brasil com o lítio para exemplificar como o protecionismo e as amarras do passado acabaram afastando investidores em vez de fortalecer a cadeia nacional. A avaliação consensual entre os debatedores é que o papel do Estado deve ser de fomento e fiscalização equilibrada, evitando a criação de novos conselhos ou barreiras que engessam o mercado.
Já o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, admitiu que a estrutura atual da agência é limitada para absorver as novas atribuições previstas na proposta, tornando o fortalecimento da ANM um pré-requisito para o sucesso da nova política.
O pano de fundo dessa disputa é o tamanho da riqueza em jogo: o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras-raras, essenciais para veículos elétricos, chips e energia limpa, atrás apenas da China. Com a explosão desse mercado nos próximos anos, o subsolo brasileiro tem o potencial de ditar o ritmo da geopolítica tecnológica global, desde que o peso do Estado não atrase o avanço do setor.
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