Raiado propõe centro integrado para atender crianças e adolescentes vítimas de violência em Goiás
05 setembro 2026 às 17h38

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Candidato a deputado estadual pelo PSD, o Coronel Edson Raiado afirma que chega à disputa eleitoral com uma bandeira que considera maior do que a própria carreira política: a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência e abusos. Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o policial que ganhou projeção nacional durante a operação que resultou na captura de Lázaro Barbosa, em 2021, afirma que pretende transformar essa pauta em uma das principais frentes de seu eventual mandato na Assembleia Legislativa de Goiás.
Para Raiado, a experiência acumulada ao longo de anos na segurança pública o colocou diante de situações envolvendo violência, vulnerabilidade social e, especialmente, crianças e adolescentes expostos a diferentes formas de abuso. Segundo ele, o desafio não está somente em criar leis de proteção, mas em garantir que aquilo que já está previsto na legislação seja efetivamente colocado em prática.
“Eu vejo como chamado de fato porque eu tenho a coragem necessária para ir para esse enfrentamento”, frisou o coronel.
A declaração resume, segundo o candidato, a disposição de levar para a política a experiência adquirida nas operações policiais. Raiado afirma que pretende cobrar do poder público uma atuação mais firme e integrada no atendimento às vítimas e no enfrentamento daqueles que cometem crimes contra crianças e adolescentes.
Para o candidato, proteger a infância significa agir antes que a violência produza consequências ainda mais graves. Ele defende que o Estado não pode aparecer apenas depois que o abuso ou a violência já ocorreu, mas precisa atuar na prevenção, no acolhimento e na reconstrução da vida das vítimas.

Um centro integrado para acolher vítimas
Entre as propostas apresentadas por Raiado está a criação de um Centro Integrado de Acolhimento e Inserção de Vítimas de Violência Humana. A ideia é reunir, em uma estrutura integrada, diferentes serviços necessários para acompanhar a vítima não apenas no momento da denúncia, mas também durante o processo de recuperação e reinserção social.
“Nós precisamos entender que o jovem não abraçado hoje é o adulto que vai estar tirando a vida de um pai de família amanhã”, afirma.
A frase sintetiza uma das principais preocupações apresentadas pelo candidato: evitar que crianças e adolescentes submetidos à violência e à vulnerabilidade sejam posteriormente atraídos pelo crime.
Na avaliação de Raiado, o enfrentamento precisa ser mais amplo. Além da proteção imediata, crianças e adolescentes vítimas de violência deveriam ter acesso a educação, esporte, capacitação e oportunidades, criando condições para que possam reconstruir suas trajetórias.
“O jovem precisa ser abraçado antes que o crime o abrace”, defende o candidato ao falar sobre a necessidade de políticas preventivas voltadas à infância e à adolescência.
Raiado também aponta a falta de integração entre os órgãos responsáveis pelo atendimento às vítimas como um dos problemas que precisam ser enfrentados. Na visão dele, conselhos tutelares, delegacias, assistência social e demais instituições não podem trabalhar de forma isolada diante de uma denúncia.
A proposta, segundo o coronel, é fazer com que a vítima tenha um atendimento mais organizado e contínuo, evitando que uma criança ou adolescente violentado precise percorrer diferentes órgãos e repetir sua história diversas vezes.
O coronel destaca que é visto pela maior parte da população como alguém durão e, às vezes, sem coração, por sua atuação firme e rigorosa contra a criminalidade. Mas ele garante que essa imagem não corresponde à realidade. “O Edson Raiado é uma pessoa como qualquer outra. Tenho coração, e ele amolece quando vejo crianças, adolescentes e idosos sendo maltratados, violentados ou aliciados por criminosos. Nesses casos, meu coração amolece e endurece ao mesmo tempo. Existem ocasiões em que precisamos separar o trabalho da nossa vida pessoal, e eu sei muito bem fazer isso”, conta.
“É preciso coragem para enfrentar”
A experiência na segurança pública aparece como um dos principais argumentos de Raiado para justificar sua entrada na política. Conhecido pelo trabalho em tropas especializadas e pela atuação no caso Lázaro Barbosa, o coronel afirma que não pretende abandonar, na vida pública, a postura de enfrentamento que marcou sua trajetória profissional. “Eu tenho a coragem necessária para ir para esse enfrentamento”, reforça.
Para ele, chegar à Assembleia Legislativa significaria ampliar a capacidade de cobrança e fiscalização sobre políticas públicas relacionadas à segurança, à infância e à proteção das vítimas.
A candidatura, portanto, é apresentada por Raiado como uma continuidade de sua missão na segurança pública, mas em outra frente. Se antes o enfrentamento ocorria predominantemente nas ruas e nas operações policiais, a proposta agora é levar esse combate para o campo das políticas públicas.
Saúde mental também entra na pauta
Outra bandeira apresentada pelo candidato é a criação de mecanismos específicos para o atendimento à saúde mental dos profissionais da segurança pública. Raiado afirma que a questão não deve ser tratada apenas como um problema individual do policial, mas também considerando o impacto sobre sua família. “Hoje o policial ele comete três vezes mais suicídio que uma pessoa comum”, afirma.
A partir dessa preocupação, o coronel defende um modelo de atendimento psicológico e psiquiátrico que seja descentralizado das próprias corporações. Segundo ele, muitos policiais podem deixar de procurar ajuda por receio de consequências profissionais.
A proposta inclui, de acordo com Raiado, um atendimento que alcance também familiares dos agentes. “Uma das nossas missões nessa nova empreitada nossa é justamente trazer um ponto de atendimento ao policial que cuide da família como um todo e que seja descentralizado da instituição”, diz.
Na avaliação do candidato, cuidar da saúde mental dos policiais também significa fortalecer a segurança pública. Um agente emocionalmente abalado, segundo a lógica defendida por Raiado, precisa encontrar mecanismos seguros para buscar ajuda antes que a situação se transforme em uma crise.
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