Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o coronel Edson Raiado, candidato a deputado estadual pelo PSD, afirma que Goiás construiu nos últimos anos um modelo de segurança pública que se tornou referência nacional e atribui parte desse resultado à atuação do ex-governador Ronaldo Caiado. Para ele, a chegada de Daniel Vilela ao governo representa a continuidade de uma política que priorizou o enfrentamento ao crime, a integração das forças policiais e o uso de tecnologia. Na avaliação de Raiado, a experiência de Goiás contrasta diretamente com a política de segurança adotada pelo governo federal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do PT.

Desafio para Daniel Vilela

Ao falar sobre Daniel Vilela (MDB), Raiado reconhece que assumir o governo depois de Caiado representava um desafio. Segundo ele, o ex-governador “ficou maior que a cadeira” e construiu um protagonismo que ultrapassou as fronteiras de Goiás. “Para o Daniel sentar nessa cadeira, no primeiro momento, gerou um ponto de interrogação e uma certa insegurança por parte da população se, de fato, ele daria continuidade”, avaliou.

Na avaliação do coronel, entretanto, Daniel conseguiu superar essa desconfiança e manter a estrutura construída na área de segurança. “Eu tenho percebido um Daniel muito forte, um Daniel determinado e um Daniel atento às questões específicas da segurança pública”, declarou. Raiado observa que o governador não confundiu liderança com chefia e passou a ouvir as estruturas responsáveis pela segurança.

“Basicamente, a polícia é a mesma, não mudou. Logicamente, muda a liderança. O Caiado é, de fato, o líder”, disse. Para Raiado, o ex-governador conseguiu estabelecer uma relação incomum com os policiais que atuavam na ponta. “Ele transpassou a barreira do líder tradicional governante e conseguiu ter nele a figura de liderança militar”, afirmou.

Tecnologia como arma contra o crime

Outro ponto destacado pelo coronel é a utilização de tecnologia, inteligência artificial e bancos de dados no combate à criminalidade. Raiado afirma que Goiás avançou nesse campo e considera que as ferramentas tecnológicas deixaram de ser uma promessa para se tornar parte do presente da segurança pública.

“Modéstia à parte, nós somos um dos precursores dessa tecnologia”, afirmou ao recordar sua atuação no comando do policiamento em Trindade. Segundo ele, a experiência mostrou como ferramentas tecnológicas podem auxiliar as forças policiais na localização de criminosos e na reconstrução de trajetórias.

“Se você tem uma tecnologia voltada para que você possa ir para o enfrentamento, você vai, de alguma forma ou de outra, impedir que o foragido passe despercebido”, afirmou.

Raiado cita como exemplo a possibilidade de cruzamento de informações para identificar características de pessoas, veículos e deslocamentos. “Eu consigo falar se o sujeito estava de mochila, até de sapato que ele estava utilizando. Eu consigo fazer uma trajetória de um veículo, um cercamento e trajetória de veículo”, disse.

Para o coronel, a tecnologia também pode reduzir a necessidade de confrontos físicos. “Tecnologia não é mais o futuro, é o presente. Está em toda a nossa vida. A tecnologia é um aliado do policial até para evitar esses confrontos com morte do policial também, com morte do marginal, que deve ser evitada se possível, mas principalmente a vida do policial que está ali defendendo a população”, afirmou.

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Para Raiado, Caiado colocou Goiás em outro patamar | Foto: Wesley Costa/Secom/Gov. de Goiás

O contraste entre Goiás e o governo Lula

Questionado sobre as diferenças entre a política de segurança pública adotada em Goiás, sob um governo que Raiado classifica como de direita, e a política federal do governo Lula, que ele classifica como de esquerda, o coronel fez uma comparação direta.

“É muito fácil você fazer essa diferença. Estados governados pela direita apresentam melhores resultados na redução da criminalidade, enquanto estados governados pela esquerda enfrentariam índices maiores”, diz.

Raiado resumiu sua avaliação em uma frase de forte conteúdo político: A principal diferença entre a esquerda e a direita é que a direita combate o crime e a esquerda tem conivência com o crime.”

O coronel defende que a segurança pública seja tratada como um dos pilares centrais da administração pública. “Você não tem como ter um comércio aberto se você não tiver segurança pública. Você não tem condição de levar seu filho na escola se você não tiver segurança pública”, argumentou.

Para ele, educação e outras políticas públicas continuam importantes, mas não funcionam plenamente sem segurança. “Segurança pública é o pilar que sustenta as demais necessidades do povo”, aponta.

“Caiado tem coragem e moral” para enfrentar a criminalidade

Ao ser questionado sobre quem estaria mais preparado entre os candidatos à Presidência para enfrentar a crise de segurança pública no país, Raiado apontou diretamente para Ronaldo Caiado.

“Sem sombra de dúvida, hoje o homem que vai dar um direcionamento e tem a coragem necessária para fazer isso e tem a moral para fazer isso é Ronaldo Caiado”, garante.

Raiado disse que sua avaliação não se baseia apenas em uma relação pessoal com o ex-governador, mas na experiência política e na capacidade de articulação que atribui a Caiado.

“Eu falo isso não sendo parcial com a persona Ronaldo Caiado. Eu falo isso pela experiência que ele tem no Legislativo, no executivo e pelo poder que ele tem de articulação no nível nacional e com as instituições”, declarou.

Na visão do coronel, uma política nacional de segurança precisará respeitar as particularidades de cada Estado. “Quando você fala em segurança pública em âmbito nacional, você vai ter que sentar com todos os governadores”, afirmou.

Raiado também citou o embate de Caiado com o governo federal em torno da autonomia dos governadores sobre as polícias. “Ronaldo Caiado foi um dos únicos governadores que peitou o presidente”, disse.

Facções criminosas e a discussão sobre terrorismo

A classificação das facções criminosas como organizações terroristas também apareceu entre os principais pontos defendidos pelo coronel. Raiado critica a posição do governo federal de não equiparar grupos como PCC e Comando Vermelho a organizações terroristas.

Para ele, a dimensão territorial e econômica alcançada pelas facções justificaria uma mudança de tratamento. “Quando você fala em terrorismo, você tem que partir pela égide de território”, afirmou.

Raiado argumenta que as organizações criminosas passaram a controlar atividades e territórios em diferentes regiões do país. “Se você tem uma ideia, hoje o Rio de Janeiro tem 17 milhões de pessoas; em torno de 4,5 milhões de pessoas estão sob a égide da facção”, declarou.

Ele também defende uma atuação mais agressiva contra a estrutura financeira das organizações criminosas. “Nós teríamos que ter acesso às movimentações financeiras que acontecem de forma imediata, para que eu possa identificar aquele empresário que está ali capitalizando em detrimento da facção”, afirmou.

Polícia penal faz a diferença

Raiado afirma que a experiência goiana demonstra, na prática, que o enfrentamento sistemático ao crime pode alterar a realidade de um Estado. Ele cita principalmente a atuação integrada das forças de segurança e o controle do sistema prisional.

Segundo o coronel, uma das primeiras medidas adotadas por Caiado para enfrentar as facções ocorreu dentro dos presídios. “O primeiro passo que ele deu para que ele tivesse o controle das facções foi dentro do presídio”, lembra.

Raiado sustenta que a Polícia Penal passou por uma transformação e que o controle das unidades prisionais deixou de estar nas mãos de grupos criminosos. “Antes nós tínhamos um presídio onde o preso falava: ‘eu sou dono da ala’. Agora não existe isso mais. Quem é dono da ala é o policial penal”, declarou.

Ao comparar a situação atual de Goiás com o cenário de anos atrás, o coronel afirma que houve uma mudança significativa na sensação de segurança. “O que a gente vive em Goiás é inversamente proporcional ao que vive no país hoje”, afirmou.

E resumiu a percepção que, segundo ele, existe sobre a segurança goiana: “Aqui em Goiás, de fato, se o bandido testar, ele vai ser encontrado.”

Continuidade é a palavra-chave

Para Raiado, a manutenção dessa política depende da continuidade das ações implementadas nos últimos anos. É nesse ponto que ele coloca Daniel Vilela como peça importante da atual estratégia.

“O Daniel vai dar continuidade”, afirmou, ao avaliar a política de segurança do atual governo. Segundo ele, a estrutura policial construída durante a gestão Caiado permanece e vem sendo acompanhada pelo atual governador.

Tenho uma missão

Raiado também vê sua eventual eleição para a Assembleia Legislativa como uma extensão dessa atuação. “Hoje, mais do que nunca, a Assembleia precisa também de um representante da Segurança Pública para dar essa direção”, ressaltou.

O coronel diz que pretende atuar não apenas em defesa da Polícia Militar, mas de todas as instituições que compõem o sistema de segurança. “Eu me coloco como representante da segurança pública, não como representante somente da Polícia Militar”, declarou.

Na avaliação de Raiado, sua entrada na política representa uma mudança de campo, mas não de missão. “Eu me coloco na política como uma pessoa que vem, de fato, dar continuidade a uma missão e agora em um outro plano”, afirmou.

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