Quaest mostra Flávio Bolsonaro em baixa em Goiás apesar da força histórica do bolsonarismo
06 maio 2026 às 11h00

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A nova pesquisa Genial/Quaest indica que o senador Flávio Bolsonaro enfrenta um cenário mais difícil em Goiás, justamente um dos estados mais ligados ao bolsonarismo desde 2018.
O levantamento mostra que o desempenho eleitoral do bolsonarismo em Goiás caiu para 58% em 2026. O índice é inferior aos 66% registrados em 2018, auge da ascensão de Jair Bolsonaro, e também representa recuo em relação a 2022.
A pesquisa da Genial/Quaest ouviu 11.646 eleitores em 562 municípios entre os dias 21 e 28 de abril, com nível de confiança de 95%. O estudo comparou o desempenho do bolsonarismo em três momentos: a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, a disputa presidencial de 2022 e o atual cenário de 2026, em que Flávio tenta assumir o protagonismo do grupo político.
O dado de Goiás chama atenção porque o estado sempre esteve entre os mais favoráveis ao bolsonarismo. No entanto, analistas políticos avaliam que o enfraquecimento atual passa diretamente pela dinâmica local.
O principal fator é a força política do governador Ronaldo Caiado. Embora mantenha proximidade com o eleitorado conservador e tenha histórico de alinhamento à direita, Caiado construiu uma liderança própria no estado e hoje concentra grande parte do capital político goiano, inclusive entre eleitores moderados e setores não bolsonaristas. A avaliação é de que ele ocupa o espaço que antes era dominado exclusivamente pelo bolsonarismo.
Além disso, pesa contra Flávio Bolsonaro o desempenho considerado fraco de seu principal aliado local, o senador Wilder Morais, apontado como nome do PL para disputar o governo estadual. Nos bastidores, integrantes da direita avaliam que Wilder ainda não conseguiu se consolidar eleitoralmente nem apresentar competitividade suficiente para liderar o campo bolsonarista em Goiás.
Enquanto isso, Caiado mantém musculatura política elevada e aparece como figura dominante no estado, o que acaba reduzindo o espaço para o grupo ligado diretamente aos Bolsonaro.
A pesquisa também mostra que Goiás não foi um caso isolado de dificuldade para Flávio. O bolsonarismo perdeu espaço ainda em Minas Gerais e Pernambuco. Em Minas, por exemplo, o levantamento aponta avanço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro por 52% a 48%. Já em Pernambuco, o bolsonarismo caiu de 33% para 29%.
Por outro lado, Flávio conseguiu melhorar o desempenho do bolsonarismo em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará, Ceará e Bahia, embora em muitos casos sem recuperar os patamares alcançados por Jair Bolsonaro em 2018.
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