O vereador e prefeito em exercício de Goiânia, Anselmo Pereira (MDB), reuniu 12 secretários da gestão de Sandro Mabel (UB) na Câmara Municipal de Goiânia para dialogar com vereadores da base e tentar destravar projetos no Legislativo.

O movimento ocorre em meio a impasses envolvendo propostas paradas em diferentes instâncias da Casa, sobretudo na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR). Entre os projetos que demandam maior articulação estão o Programa Morar no Centro, parado na CCJR desde abril, e o Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus), aprovado definitivamente nesta terça-feira, 12, após inclusão e inversão de pauta.

Participaram da reunião os secretários Coronel Cláudio (Comurg), Zilma Peixoto (Amma), Gisele Faria (Educação), Oldair José (Fazenda), Luiz Alberto (Esportes), Adonídio Neto (Sedicas/Semad), Eerizânia Freitas (Direitos Humanos), Luiz Pellizzer (Saúde), Sabrina Garcez (Governo), Ana Carolina Peixoto (Seplanh) e a servidora Isabela, representando o secretário Uugton Batista. Também estiveram presentes o secretário Tarcísio Abreu, da SET e Ariel Silveira, da Secretaria Particular (ligada à Segov), e a vice-prefeita licenciada Cláudia Lira, representando o Executivo no plenário.

Além da tentativa de destravar pautas, a movimentação também busca aproximar os secretários das demandas apresentadas pelos vereadores.

Segundo Anselmo Pereira, sua passagem temporária pelo Executivo busca simbolizar um momento de convergência entre os Poderes em prol da cidade. “É uma demonstração de que nós temos maturidade suficiente para passar por cima de qualquer questão política e ideológica, inclusive em um ano de disputas eleitorais. O que vale mesmo é a cidade”, afirmou.

O prefeito em exercício também disse que a articulação foi alinhada previamente com Sandro Mabel, que teria orientado o secretariado a ampliar o diálogo com os parlamentares. “O prefeito já nos orientou para isso. Ele falou: ‘Atendam os vereadores e façam esse afago a cada parlamentar, porque cada um tem sua peculiaridade’”, declarou.

Projetos travados

Entre as propostas consideradas prioritárias está o Programa Morar no Centro, que deve voltar a tramitar na Câmara nesta quarta-feira, 13. Segundo Anselmo, houve diálogo com o presidente da CCJR, Luan Alves (MDB), e com o procurador Kovalski para solucionar pendências técnicas relacionadas ao projeto.

Estamos destravando todas as exigências que pediram do Morar no Centro. A situação está equacionada”, afirmou. “Tenho certeza de que, na Comissão de Justiça, teremos praticamente todos os projetos apreciados.

Nos bastidores, vereadores relatam insatisfação com o funcionamento da CCJR, principalmente em relação à participação virtual dos parlamentares. Segundo relatos ouvidos pela reportagem, integrantes da comissão estariam enfrentando dificuldades para acessar as sessões remotamente.

No último dia 6, vereadores criticaram a condução da comissão após uma sessão ser encerrada cerca de 15 minutos após a abertura por falta de quórum. A vereadora Daniela da Gilka (PRD) afirmou que não recebeu convite para participação virtual em tempo hábil.

Vem acontecendo de as sessões serem finalizadas antes de conseguirmos participar como membros da CCJR”, afirmou a parlamentar. Segundo ela, o regimento interno da Câmara garante a participação virtual e o dispositivo precisa ser respeitado. “Compete ao líder sanar os problemas do colegiado e precisamos confiar nele”, disse.

Em resposta, o presidente da CCJR, Luan Alves, negou qualquer favorecimento ou priorização de matérias ligadas ao Paço Municipal. Segundo ele, os projetos seguem o rito ordinário da Casa. “Não vou dar urgência nem para projetos do Paço nem para projetos de vereadores. O que queremos é uma rotina normal, sem atropelar ninguém”, afirmou.

O parlamentar também destacou o grande volume de propostas em tramitação na comissão seguem este mesmo rito usual. “Hoje temos cerca de 200 projetos para serem apreciados na CCJ, entre matérias dos membros da comissão e dos demais vereadores. Vamos criando uma escala para discutir todas aos poucos”, declarou.

Luan Alves ainda reforçou que os vereadores precisam estar presentes desde o início das sessões, independente do formato da presença. “Desde o início dos anos 2000, a CCJR começa às 8h de quarta-feira, e não às 8h20 ou 8h30”, concluiu.

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