Com informações de Eduardo Marques

A Polícia Civil (PC) realizou, na manhã desta segunda-feira, 11, apreensão de seis ônibus utilizados no transporte de passageiros para ataques realizados em Brasília, no último domingo, 8. Dos seis veículos, cinco foram encaminhados para a sede da Receita Federal, em Senador Canedo, e outro ainda passará por investigação da PC. Os motoristas e proprietários dos veículos já foram identificados e serão ouvidos pela Delegacia Estadual de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

O delegado Rilmo Braga, gerente de planejamento operacional da PC-GO, informou que durante a madrugada a corporação recebeu informações de que um galpão no Bairro Feliz, em Goiânia, escondia os veículos. A princípio, a informação foi encarada com desconfiança, por conta da considerada dificuldade em manter vários ônibus ocultos. Monitoramento no início da manhã, porém, revelou que o local comporta a ocupação dos veículos.

“Verificada a verossimilhança da denúncia, realizamos abordagem e conseguimos contato com funcionários, que confirmaram que os ônibus foram a Brasília, retornaram e ficaram guardados a pedido dos responsáveis pelas duas empresas proprietárias dos veículos”, explicou o delegado.

Os veículos foram identificados com base em listagem divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com placas de cerca de 100 veículos ligados aos ataques em Brasília. Cinco dos veículos escondidos na empresa estavam nessa lista e já foram encaminhados para a Receita Federal, que dará sequência às perícias e investigações. Os proprietários e motoristas identificados serão investigados, a princípio, por delitos de atentado contra a democracia.

Há ainda um sexto ônibus identificado como parte da mesma viagem. “Todos entraram juntos e saíram juntos, o que demonstra que faziam parte do mesmo grupo”, pontuou o delegado.

Por ora, não há ordem contra motoristas, proprietários ou passageiros. Segundo o delegado, a ordem inicial é de realizar apreensões de veículos e celulares. Os responsáveis identificados, porém, devem ser conduzidos para interrogatórios e depoimentos, sem ordem de prisão, a principio.

Além dos proprietários dos ônibus, o responsável pelo galpão em que estavam os veículos também deve ser investigado. O inquérito deve investigar delitos de favorecimento real de outros crimes, neste caso, os atentados realizados contra as sedes dos três poderes.