Três curtas brasileiros em Berlim

Competição internacional deste ano privilegia filmes que tratam a realidade diretamente e contribuem assim de maneira ativa para a atual compreensão social e política

Foto: Divulgação

Rui Martins
Especial para o Jornal Opção

Três curtas-metragens brasileiros foram selecionados para a competição in­ternacional da categoria, no Festival Internacional de Cinema de Berlim, de 15 a 25 de fevereiro, e fazem parte do gru­po de 22 filmes de 18 países concorrendo aos Ursos de Ouro e de Prata.
São eles, “Alma Bandida”, de Marco Antônio Pereira, “Terremoto Santo”, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, e “Russa”, de Ricardo Alves, em colaboração com o realizador português João Salavisa.

“Alma Bandida”, filmado em Minas Ge­rais, trata da incompatibilidade entre pessoas e conta a história de Fael, desejoso de presentear sua namorada. Em “Terremoto Santo”, Bárbara Wagner e Benjamin de Burca estabeleceram parceria com uma gravadora de música gospel da cidade de Palmares, em Pernambuco, a fim de tratar dos aspectos sociais e estéticos da prática pentecostal.

A liturgia dos cultos evangélicos é especialmente musical nessa região da Zona da Mata, marcada pela história da cana-de-açúcar e habitada por jovens que buscam nos cantos de louvor uma forma de trabalho.

“Russa” é filmado no Bairro do Aleixo, no Porto, numa realização dupla luso-brasileira. “A convite da Câmara Municipal do Porto, os realizadores João Salaviza (Urso de Ouro em 2012) e Ricardo Alves Jr. estiveram no Porto em residência artística para a produção de uma curta-metragem”, diz comunicado distribuído pela Berlinale.

“As narrativas e fragmentos de intimidade que encontraram no território escolhido, o Bairro do Aleixo, transformaram-se na matéria de um filme, por eles realizado, intitulado ‘Russa’.” No filme, Russa volta ao Bairro do Aleixo no Porto, visitando a irmã e os amigos com quem celebra o aniversário do filho. Neste breve encontro, Russa regressa à memória coletiva do bairro onde três das cinco torres ainda se mantêm de pé.

Compreensão sociopolítica
Foram também selecionados dois curtas portugueses: “Onde o Verão Vai” (episódios da juventude), de David Pinheiro Vicente, e a coprodução “Madness”, de João Viana, com Moçambique, Guiné Bissau e Qatar.

“Os curtas da competição internacional deste ano tratam a realidade diretamente e contribuem assim de maneira ativa para a compreensão social e política da atualidade. Os cineastas capturam pequenos mo­mentos, histórias e tópicos locais e os conectam aos eventos de grande im­pacto”, diz o comunicado da Ber­linale. “As relações de gênero e as es­tru­turas de poder ainda estão longe de ser iguais ou equilibradas, mas são temas dessas obras”, completa o comunicado.

Paralelamente, haverá também um programa especial de curtas-metragens dedicado ao 50° aniversário da Re­vo­lução Estudantil de Maio 1968, na Fran­ça, com 12 filmes da Alemanha, Áus­tria, Suécia e Estados Unidos, “mostrando estratégias estéticas ainda hoje atuais.”

O realizador português Diogo Costa Amarante, Urso de Ouro no ano passado com “Cidade Pequena”, é um dos três jurados que escolherão os Urso de Ouro e de Prata deste ano.

Rui Martins estará em Berlim, de 15 a 25 de fevereiro, a convite do Festival Internacional de Cinema

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