Poeta John Ashbery morre aos 90 anos

Um dos grandes poetas modernos dos Estados Unidos da América, John Ashbery, vinculado à “Escola de Nova York”, que despontou no cenário cultural nas décadas de 1950 e 1960, ao lado de nomes como Frank O’Hara, faleceu no domingo, 3, em sua residência, de causas naturais.

Bastante elogiado por críticos de grande estatura, como Harold Bloom, Ashbery ganhou o Pulitzer, em 1975, pelo livro “Self-Portrait in Convex Mirror”.

Abaixo, uma tradução de seu poema “A blessing in disguise”, feita por Adriano Scandolara, e publicada no site Escamandro em 1º de janeiro de 2014.

 

John Ashbery (1927 – 2017)

Um mal que vem para bem

Sim, eles estão vivos e podem ter essas cores,
Mas eu, em minha alma, estou vivo também.
Sinto que devo cantar e dançar, para dizer
Isso de certo jeito, sabendo que você pode estar atraído por mim.

E canto em meio ao desespero e o isolamento
A chance de te conhecer, de cantar de mim
O que é você. Você vê,
Você me segura contra a luz de um modo

Que nunca esperei ou suspeitei, talvez
Porque você sempre me diz que eu sou você,
E tenho razão. As grandes píceas rondam.
Sou seu para morrer junto, desejar.

Não posso jamais pensar em mim, eu desejo você
Num quarto em que as cadeiras
Estão com as costas viradas para a luz
Infligida sobre a pedra e os caminhos, as árvores reais

Que parecem brilhar para mim através das gelosias na sua direção.
Se a luz selvagem deste dia de janeiro é real
Eu me comprometo em ser-te verdadeiro,
Você que não consigo mais parar de lembrar.

Lembrar de perdoar. Lembrar de passar além de você, rumo ao dia
Nas asas do segredo que você jamais saberá.
Assumindo-me por mim mesmo, no caminho
Que os contornos pasteis do dia me atribuíram.

Prefiro “vocês” no plural, quero vocês
Vocês devem vir até mim, todos dourados e pálidos
Como o orvalho e o ar.
E então me começa a vir esse sentimento de exaltação.

           

A blessing in disguise

Yes, they are alive and can have those colors,
But I, in my soul, am alive too.
I feel I must sing and dance, to tell
Of this in a way, that knowing you may be drawn to me.

And I sing amid despair and isolation
Of the chance to know you, to sing of me
Which are you. You see,
You hold me up to the light in a way

I should never have expected, or suspected, perhaps
Because you always tell me I am you,
And right. The great spruces loom.
I am yours to die with, to desire.

I cannot ever think of me, I desire you
For a room in which the chairs ever
Have their backs turned to the light
Inflicted on the stone and paths, the real trees

That seem to shine at me through a lattice toward you.
If the wild light of this January day is true
I pledge me to be truthful unto you
Whom I cannot ever stop remembering.

Remembering to forgive. Remember to pass beyond you into the day
On the wings of the secret you will never know.
Taking me from myself, in the path
Which the pastel girth of the day has assigned to me.

I prefer “you” in the plural, I want “you”
You must come to me, all golden and pale
Like the dew and the air.
And then I start getting this feeling of exaltation.

 

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ADALBERTO DE QUEIROZ

Deus receba a alma do poeta Ashbery!