“Não enxergar o Bananada como um festival diverso é cegueira. Não entender que o que acontece no Bananada é rock é toupeirice, burrice, rock Ultraje a Rigor”

Para o fundador do evento, que iniciou na segunda-feira, 12, sua 21ª edição, o “efeito Caetano” conseguiu mostrar a diversidade e o tamanho da programação

Fabrício Nobre, fundador do festival | Foto: Augusto Diniz/Jornal Opção

O 21º Festival Bananada chega hoje à sua terceira noite com programação no Teatro Goiânia, Retetê, Tropix, Monkey Pub, Shiva alt-bar e Ideologia 62. Somente na quarta-feira, 14, são 18 atrações incluídas em um total de mais de 100 shows inciados na segunda, 12, e que vão até domingo, 18. É uma maratona de horas e horas de muita música ao vivo.

Para comentar a escolha dos artistas que fazem parte da programação de 2019, conversamos com o fundador do Festival Bananada. Fabrício Nobre, de 40 anos, fala desde as atrações que não perde por nada ao cenário da música brasileira e seus recortes que aparecem apresentados em showcases e nos três últimos dias no shopping Passeio das Águas, os mais aguardados, com uma quantidade maior de shows concentrados em um só lugar.

Sentamos dois dias diferentes para conversar com Fabrício, em 31 de julho e 2 de agosto. Mantivemos os trechos que falam de parte da programação que já foi realizada na segunda e na terça-feira, 13, porque entendemos que são necessárias para não quebrar o contexto da entrevista. Publicaremos esse bate-papo com o fundador do Bananada dividido em duas etapas, assim como ele foi gravado, em datas diferentes.

Abaixo você confere tudo o que Fabrício falou sobre o que o público pode esperar ver ao vivo nos sete dias do festival. Em breve sai a segunda parte, com outros detalhes e curiosidades.

De quanto tempo é o contrato com o shopping Passeio das Águas para ser o espaço que recebe o Bananada de sexta-feira a domingo?
Cara, a gente tem um acordado para poder fazer alguns anos. Mas mudou a diretoria do Passeio das Águas, então deu uma balançada, entendeu? Mas acho que pelo menos este ano e o ano que vem a gente vai fazer lá. E eu quero fazer lá mais tempo porque a gente é muito bem recebido e eu acho que é muito confortável para o público lá.

E as adaptações que a gente teve de som, na acústica não muito boa nos palcos menores, a gente vai resolver esse ano. Acho que vocês vão ficar surpresos com a estrutura lá que está bem bonita. E que não vai ter problema de acústica porque todos os palcos vão ser outdoor. Não vai ter nenhum palco indoor. Então a gente não vai ter problema de acústica, eu imagino.

Eu gosto de fazer no Passeio das Águas. Num primeiro momento eu achava estranho fazer no shopping. Mas hoje em dia eu acho que as benesses de ser no shopping, de ser numa região que não é a região classe média alta de Goiânia é melhor. A galera que reclama que é longe pode pagar um Uber para ir até lá. E a galera que não pode pagar é mais perto da casa deles. Mais perto da UFG, mais perto do Centro de Goiânia. É mais perto do Balneário [Meia Ponte], mais perto do Goiânia 2.

Algumas coisas são vantagens. É muito mais seguro fazer dentro do shopping. Meu sonho é fazer no [Centro Cultural Oscar] Niemeyer, entendeu? De novo. Só que não no Niemeyer do jeito que está. No Niemeyer do jeito que eu acho que tem que ser. Do jeito que está não quero fazer nunca mais. Do jeito que eu fiz a última vez [2017] eu não quero fazer nunca mais. Nunca mais. Com o governo falando que está a favor, mas a maior parte dele colocando todas as dificuldades do mundo.

Eu acho que os lugares certos pro Bananada, Goiânia Noise, Vaca Amarela, para todas as ações de cultura legais são o [Centro Cultural] Martim Cererê e o Centro Cultural Oscar Niemeyer. Eles deveriam receber todos os nossos eventos. Todos. Só que tem que ter um interesse público de verdade. Receber os eventos não é só mais ou menos do interesse público não. Tem que ser um interesse público valendo.

Enquanto não tiver a gente está sendo muito bem recebido no Passeio das Águas. É excelente o nosso relacionamento com o Passeio das Águas. É excelente. Eles são ótimos. É ótimo fazer no Passeio das Águas.

Você falou sobre tirar os palcos da área coberta do Bananada. Notaram que o problema estava muito grande com a acústica do espaço?
Como a gente fez a primeira vez, a gente acho que não ia ter um grande problema de acústica. Mas ali ficou muito barulhento. Atrapalhou alguns shows. Incomodou. E a gente não é bobo, a gente vê, né? Não ficou o ideal, mas também não matou ninguém. Quem queria ver de pertinho estava curtindo. Acho que incomodou mais o ambiente em si do que quem estava a fim de ver os shows mais próximos. Estava longe do ideal. Mas não foi ruim. Acho que nós podemos melhorar muito isso para a experiência desse ano. E nós vamos melhorar a experiência desse ano.

Teve um problema na sexta-feira do ano passado que foi o sistema que caiu. Isso gerou fila no caixa, no bar, na entrada.
F
oi o problema que a gente teve com o fornecedor de cashless, que é o melhor jeito de fazer compra hoje em dia, que é você não usar dinheiro ou fichas. É o melhor tipo de controle. Ninguém ou quase ninguém em Goiânia tinha feito aquilo. E foi muito ruim o atendimento que a gente teve da empresa. Inclusive a gente trocou a empresa. E na sexta-feira foi o caos, mas nossa equipe conseguiu resolver de sexta para sábado e para domingo. No sábado e domingo foi impecável. Não porque a empresa resolveu o problema, porque a gente resolveu o problema. Acho que esse ano a gente não vai ter esse problema de novo não. Acredito que não.

Da programação, algumas atrações o público queria muito ver. O Baco Exu do Blues era esperado que viesse porque foi uma atração que quase foi fechada para o ano passado.
Baco e Duda Beat foram os maiores pedidos. Estão aí. Baco e Duda Beat. Para todo mundo que quiser ver, tirar a prova se é lindo, se não é. A galera vai amar.

Lucas Manga [sócio do Bananada] chegou a dizer ao podcast No Beat da Banana, da Rádio Sagres e do Aproveite a Cidade, que tinha uma opção de trazer Baco, Duda Beat e Liniker ou trazer a Gal Costa. Vocês chegaram a pensar em trazer a Gal Costa ou é só pelo tamanho da atração e o preço?
Não. Não é isso. Tem alguns anos que a gente está sempre trazendo uma figura lendária da MPB. A gente trouxe o Jards Macalé, Caetano Veloso, Maurício Pereira. São figuras muito emblemáticas da MPB. Jorge Ben Jor, Os Mutantes, [Gilberto] Gil. Só aí eu já citei seis. Caralho! Eles são foda, né? E a gente sempre está pensando em um nome desse tipo.

A gente sondou alguns nomes: Ney Matogrosso, Gal Costa etc. Só que a gente acha que eles ainda vão estar relevantes nos próximos anos. E além do preço desses artistas, que eles estavam um pouco fora do nosso orçamento, estamos tentando segurar um pouco a onda do preço, tinha uma demanda muito grande para a gente trazer artistas pequenos e médios de uma vez, tipo Pitty, Duda, Baco, Black Alien e Criolo. A gente não podia ignorar que esses cinco artistas eram pedido do público. Fez a conta ficar muito pesada.

E pintou a oportunidade de a gente fazer o show do que na minha opinião é o maior músico brasileiro vivo em atividade, que é o João Donato. Quando eu fechei o João Donato eu falei “velho, esquece todos os outros, não precismos dos outros, vai ter o Donato, está tudo certo”. O Donato é o mais importante músico e instrumentista brasileiro em atividade. Porque o João Gilberto Morreu, o Tom Jobim morreu. Do mesmo nível do Donato acho que não tem.

Talvez, sei lá, um Toquinho.
Não. Não é do mesmo nível. É importante. Mas relevante, produzindo coisa nova, tocando pra caralho? E tem uma coisa que é incrível. O show do Donato vai ser na data do aniversário de 85 anos do Donato [sábado, 17]. Então essa coincidência foi maravilhosa. Eu acho que foi mais por a conta ter ficado pesada e por ter o Donato que a gente vai deixar mais pra frente a oportunidade de trazer um show como esse, como outra figura que a gente tenta.

Todo ano a gente tenta. Tem uns quatro anos que a gente tenta a Marisa Monte. Esse ano a gente nem tentou de novo porque a gente sabe que estava no final da turnê dos Tribalistas. A Daianne [Dias, sócia do Bananada e esposa] e eu até encontramos com ela. O Donato matou a vontade e o compromisso de ter um nome incrível da música brasileira.

E como surgiu a história de casar o João Donato com a Tulipa Ruiz no palco?
A Tulipa gravou uma música em homenagem a ele e os dois tocaram juntos uma vez no Rock in Rio, eu acho, essa música que é do último disco dela e se chama “Tafetá”. E eles ficaram amigos. Eu e a Dai estamos fazendo o booking da Tulipa. A Dai está viajando com ela, inclusive. Não hoje [a entrevista foi gravada no dia 31 de julho] – a Dai está aqui. Mas a Dai está fazendo booking e estrada com a Tulipa. E eu estou programando o Blue Note.

Teve um show do Donato no Blue Note que o Donato convidou a Tulipa e o Gustavo [Ruiz] para ver o show. Nesse dia, eu ia convidar o Donato para fazer a abertura do Bananada no dia 12. Estávamos no camarim eu, Tulipa, Gustavo, Donato, Ivone [Belém], que é a parceira e empresária do Donato. Falei “queria te convidar para fazer o Bananada”. A Ivone respondeu: “Que incrível! Sempre me falam do festival”. Ela tem família em Brasília. “Legal pra caramba. Vai ser uma honra.”

E o Donato animadaço. Estava feliz. O show foi foda no Blue Note. E perguntou “você que faz o Bananada?”. Ele é super descoladão. Ivone falou “que data que é?”. Eu “12 de agosto”. “Dia 17 de agosto é o aniversário de 85 anos do Donato”, a Ivone falou. Eu disse: “Não. 17 de agosto é a data da Tulipa no Bananada”. Foi quando eu disse “então porque a gente não faz um show inteiro junto?”.

É praticamente um show de aniversário.
O Gustavo olhou para o Donato, o Donato olhou para o Gustavo: “Vai ser incrível a gente fazer um show junto”. No outro dia eu liguei para a Daianne e para o Manga e falei “nós temos um show para fazer”. “Uai, mas esse show não existe”, responderam. “Não tem problema não, nós vamos fazer esse show”, eu disse. Anunciei o show antes de ensaiar, produzir e já vendeu três datas antes de o show estar pronto [risos].

E aí a gente marcou uma data, a Red Bull comprou a ideia e deu uma semana no Red Bull Station para a gente ensaiar. E o ensaio foi tão incrível que virou uma live, o show e eles gravaram duas músicas novas, inéditas, compostas no dia, que vão virar um compacto que vai ter no Bananada à venda. Virou um puta negócio foda e já tem gente do mundo inteiro, do Brasil inteiro, interessado no show.

A homenagem que a gente fez para o aniversário do Donato vai se desdobrar em um monte de coisas. Foi incrível. Talvez vire um disco. O ensaio foi mágico. Foi foda, cara! Foi muito foda! As músicas inéditas são lindas. Tem o Edgar participando de uma música e nós já demos uma pirada. Então vai ser bem especial. Esse show vai ser bem especial.

Essa coisa de ter um grande da MPB de 2015 para cá com o Caetano abrindo o Bananada…
Acho que desde o Jards [Macalé] e do Maurício Pereira já… É que o Caetano é muito maior. Mas já são lendas da MPB, né?

Mulheres Negras…
Mulheres Negras. Exato.

O que representou de mudança no Bananada a partir do Caetano?
Na verdade não foi uma mudança, foi escancarar que a mudança aconteceu. Desde a época que eu estava na Monstro [Discos], o Bananada já começou a receber uma nova MPB, música brasileira mais misturada com indie e com eletrônico. Isso já tem acontecido desde sempre. A Monstro lança discos… A Monstro lançou o Odair José, vai ter no Goiânia Noise [o show foi no sábado, 10]. Já é uma coisa que a gente fazia.

Quando a gente fez o Caetano, e na segunda, a gente quis mostrar duas coisas: uma que o festival não acontece só no final de semana, que é um evento de ação inteira, e que o Bananada não é só um festival só de rock. E eu chamo isso de efeito Caetano Veloso, que com esse único show a gente provou essas duas coisas.

Conseguiu ficar mais fácil mostrar para o público que não era um festival só de rock, era um festival de música.
Eu acho que falei isso no ano passado para você, talvez até em outras entrevistas. Achar que o Bananada é um festival de rock só é cegueira. E falar que o Bananada não é um festival de rock é burrice. É sacanagem. Aí não é ser cego, é ser burro. Não enxergar o Bananada como um festival diverso é cegueira. Não entender que o que acontece no Bananada é rock aí é toupeirice, é burrice, é rock Ultraje a Rigor. É rock burro, entendeu? E a última coisa que a galera que gosta de música e de rock quer ser é burro. Eu não sou burro. Eu posso ser tudo, menos burro. Burro eu não sou.

Alguns artistas são repetidos na programação. Mas é algo que temos visto nos festivais do Brasil inteiro.
Tipo?

menores atos veio ano passado. A Liniker veio em 2016 e em 2017. A própria Tulipa veio em 2017.
Cara, tem artistas que estão em plena produção fazendo um disco melhor que o outro, um show melhor que o outro. Eu vi o show do menores atos há três anos, era bom. O do ano passado era foda. E esse ano é incrivelmente foda. Eu não vou chamar o menores atos? Eu vou penalizar a banda que é incrível? A Liniker fazia um show OK, virou um show foda e virou um show um absurdamente foda, de patamar internacional. Está tocando no mundo inteiro. Eles vão lançar um disco e querem tocar na época do Bananada, eu não vou trazer a Liniker? Aí é me chamar de burro. Burro eu não sou.

O que o Bananada ainda tem de parceria com selos de fora e outros Estados?
Balaclava, que é um parceiro nosso. Vai ter Terno Rei, Raça, E A Terra [Nunca Me Pareceu Tão Distante], Jadsa [Castro]. Primavera Eu Te Amo está fazendo showcase. PWR está fazendo showcase. Milo Records, daqui de Goiânia, está fazendo showcase. Temos uma parceria com o El Beat Musical, que é da Colômbia, com Romperayo, Meridian Brothers. E agora para mim vem a banda mais foda da América Latina inteira, que é o Frente Cumbiero. Se você tiver que assistir a um show no Bananada, assista a esse. O do Donato não conta. Se você tiver que assistir a um show esse ano, veja o show da Tulipa com o Donato. Se você tiver que ver um show do Bananada, veja o Frente Cumbiero.

Temos parceiros, como a Urban Jungle, que é uma empresa de booking. Teto Preto, Edgar, Bixiga 70 e Otto é com eles. É um puta parceiro de primeira ordem.

Tem o selo do Emicida, o Lab Fantasma?
O Lab Fantasma, que todo ano traz um artista incrível, que esse ano vai ser a Drik Barbosa. Tocou ano passado com o Emicida, mas esse ano vem com o show dela. Está com uma carreira sólida, é legal pra caralho. Um show foda. O DJ dela talvez seja o melhor jovem DJ do Brasil, que é o DJ Faul. Ele vai fazer um set extra nas casas também. É um guri incrível. Todo mundo que é DJ fala “esse moleque é o DJ”.

Temos os parceiros de primeira ordem. Todo ano que o Lab Fantasma quiser me mandar eu vou querer fazer, entendeu? Todo ano que a Balaclava falar “o artista novo que a gente tem é esse” é esse.

Sempre se discute a questão de o rock não estar em evidência no mercado. Mas o selo que você citou, a Balaclava, tem Terno Rei, Raça, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante. Só esses três lançaram discos em 2019 que são fantásticos.
Incríveis. Incríveis. São discos foda. Supervão é uma banda de rock com um disco foda. menores atos é um show de rock com um disco foda. Vai ter magüeRbeS duas vezes. Vai ter o Black Pantera. Foda. Rock. Falar que o Bananada não tem rock… BRVNKS, Boogarins.

Não tem nada mais rock do que o Boogarins. Nada mais rock. São quatro caras foda que tocam guitarra, batera, synth. Rock psicodélico brasileiro em conexão com o mundo. Não tem nada mais rock do que o Boogarins. Boogarins é a cara do Bananada. Boogarins é a vinheta da TV do Bananada. Vai falar que o TETO PRETO não é rock? O que é mais rock do que o TETO PRETO?

O TETO PRETO chocou uma parte do público em 2017 porque a vocalista Carneosso [Laura Diaz] foi se despindo ao longo do show e passou grande parte da apresentação pelada. Mas é pouco pelo o que vemos nas festas em que o TETO PRETO toca. Na Virada Cultural, em São Paulo, eram duas pessoas nuas no palco o show inteiro.
Se você for a uma festa da Mamba Negra… Se você não é uma pessoa adulta e preparada não vá.

Como vocês lidam com as críticas de que o festival teria sido conivente ou um patrocinador que fica chocado de ver um artista pelado no palco?
Bananada é um festival com censura 18 anos. Nenhum menor pode entrar desacompanhado dos pais, nenhum, onde as crianças que os pais entendem que podem participar do Bananada são muito bem-vindas. E pai vai levar a criança para ver junto se ele julga… O TETO PRETO vai tocar às 3 horas da manhã.

Eu tenho filhas menores de idade. Cada pai sabe onde pode levar o seu filho, entendeu? Agora, tem uma coisa que a gente não muda, que não tem no Bananada é marca na caixa cênica, onde fecha [e faz o sinal com a mão do quadrado que compreende o palco]. Tem marca em volta. Mas onde acontece o show, que é naquele buraco – pode até ter Natura, Devassa, Red Bull escrito em volta -, mas no artista não sou eu que mando, não é a marca que manda. É o artista. E o artista faz o que ele quiser.

Chamei a Pitty. Se ela quiser chegar lá, peidar e sair é problema dela. O palco é do artista. Como ele vai apresentar? O que que ele vai apresentar? Cara, a gente já teve o Grupo Empreza com o Mechanics. A gente já teve a Besta. Não é o problema. Quem não gosta vira as costas e vai ver o outro palco, vai comer, vai lanchar, entendeu?

A gente gosta daquele artista, acredita nele e o que ele propõe a gente acha que o público que pagou o ingresso está pronto para receber. É isso. O cara não vai enganado no Bananada. “Eu achei que ia ser.” Não. Tem 21 anos o negócio. O cara que achar a postura da Liniker ou do TETO PRETO ou do Edgar agressivo não vai ao Bananada. Vai para outro lugar. Não é agressivo. É transformador.

A Pitty tem uma relação antiga com o Bananada, apesar de não tocar tanto aqui. E ficou um tempo parada porque teve uma filha, mudou a formação da banda. O marido toca bateria na banda dela depois que o NX Zero acabou. Inclusive no primeiro GO Music, em 2013, a Pitty citou os amigos que têm na cidade. Ela já vinha com o Inkoma.
Eu que fiz a produção daquele palco do GO Music. Eu que trouxe a Pitty. Sou amigo da Pitty desde a época do Inkoma. A gente troca ideia, foi em festa junto. Ela já veio discotecar numa festa só para encontrar comigo, a Daianne e o Martin. A gente é amigo deles. Teve dois ou três shows que ela fez em Goiânia que abriram o show tocando uma música do MQN [banda do Fabrício].

E teve uma vez que me chamaram para cantar uma música do MQN e para tocar uma música dos Stooges com eles, entendeu? O primeiro produtor da Pitty é o Bigboss, amigo meu de Salvador, que é amigo do Leo Bigode, Leo Razuk e Márcio Júnior. Martin, guitarrista da Pitty, veio o ano passado para passear.

Ele era do Cascadura.
É do Cascadura. Veio tocar no ano retrasado o disco solo dele. Quando a gente vai para São Paulo, a gente sai para tomar cerveja com ele. Martin vai ao meu aniversário. A gente é amigo. Tem alguns anos que a gente está querendo que a Pitty venha. É um show caro. E agora tem a justificativa de um disco incrível. O disco que ela fez agora é muito legal.

É curioso que a vinda da Pitty fez com que as rádios FM de música voltassem a tocar até as músicas antigas da cantora na programação.
Que bom! Não sabia. Que do caralho! Fico feliz por isso.

As músicas do “Admirável Chip Novo” estão tocando nas rádios que tocam rock de Goiânia.
Que massa! Não sabia. Que bom. Está vendendo pra caralho o domingo, 18. Vai acabar antes de abrir.

Qual é a capacidade de público por dia na sexta, sábado e domingo no Passeio das Águas?
Está desenhado para 7 mil pessoas e não vai ter mais gente do que 7 mil pessoas por dia. Muito provavelmente o domingo vai acabar antes de abrir. Os outros dias acho que até perto da porta vai ter ingresso. Mas o que está mais me impressionando é o tanto que a galera comprou a ideia do festival. O Banana Ouro [passaporte para os sete dias] a gente fez quase que o dobro do ano passado e tem um mês que acabou. No ano passado acabou tipo dez dias antes.

E o Prata [sexta, sábado e domingo] a gente teve que fazer três vezes mais do que o ano passado porque é o ingresso que mais vende disparadamente. A galera entendeu que a experiência do festival é no mínimo aquele final de semana. Talvez a gente nem abra venda para o Otto na segunda, 12, na bilheteria porque vendemos 1,3 mil a 1,5 Ouro. A gente está esperando 7 mil pessoas por dia, sendo que só com pulseiras ouro e prata a gente já vendeu 4 mil ingressos. Então vai ser bem legal de público [esses eram os dados de venda até o dia 31 de julho].

O Lucas Manga tem anunciado ações diferentes para a edição deste ano, como um desfile.
Vai ter uma ação bem do Crew Attack bem legal. Vai ter uma coisa bem legal que o Manga está participando que é uma Gaymada, que rola no final de semana. Está tendo o Flash Day Tattoo, que antes era só no final de semana.

Então voltou? Porque ano passado não teve.
Começou ontem [30 de julho] no Passeio das Águas. O Flash Day já está rolando. Vai ter o Estúdio RockLab no Passeio das Águas. A gente vai gravar 14 artistas em sete dias. E vai ter uma ação foda aqui no Coletivo Centopeia, que vai ser uma casa Tropical Transforma. Vai ter um programa de rádio gravado aqui, DJ sets e showcases durante a semana [das 15h às 20h]. Está bom de tirar férias na semana do Bananada.

Uma novidade foi abrir a seletiva de bandas locais, que mandaram material.
Isso aconteceu pelo seguinte fato. Quando eu morava aqui, estava muito presente no que estava acontecendo. E sei que em um ano acontece muita coisa e aparecem coisas muito novas. Eu tinha os slots de abertura dos dias do final de semana e pensei que fazer seletiva para fazer showcase a galera não ia animar. Mas abrir no final de semana todo mundo vai se inscrever. E a gente teve dezenas de inscrições, acho que centenas.

A gente selecionou quatro bandas. Três para o final de semana e chamamos o Chá de Gim para abrir o Otto na segunda. A gente não conseguiu parar em três. A gente queria quatro. E achou que o mais adequado para abrir o Otto fosse o Chá de Gim. WU-KAZULO, Høstil e Sê Bastião, que está tocando em todos, no Goiânia Noise e outros eventos. Eu fiquei fora, então tinha de fazer um jeito de as bandas chegarem em mim de uma vez. Foi bem por isso.

A programação de outros anos do Bananada perdeu três casas que fecharam: Cafofo, Diablo Pub e Complexo.
Mas a gente ganhou outros espaços também. Tropix virou um espaço. Dizem que o Beco é um lugar legal pra caramba, o Túlio montou o Ozz no Cafofo, o resquício da Diablo é a Monkey, que é do Japão. A gente tem uma ação muito mais agressiva na Roxy. E a gente assumiu que os teatros do Centro Cultural da UFG e do Sesc ficaram pequenos para as ações de meio de semana porque não dá para fazer o Hurtmold, Guizado e Otto em um teatro para 200 pessoas.

A programação do Teatro Goiânia não é um showcase, é a programação do Bananada. A programação do Teatro Goiânia e do final de semana foi curada e programada pela equipe do Bananada. Os showcases são propostas que a gente recebe.

De onde veio a ideia de trazer bandas que estão há mais tempo na ativa, como Hurtmold 20 anos e magüeRbeS na turnê de aniversário de 25 anos?
São os meus amigos, velho. São as bandas que eu vi a vida inteira. São os shows que eu acho mais legais. Felizmente estou programando casas muito legais em São Paulo no Grupo Vegas: Z, Blue Note. Como você o Hurtmold comemorando 20 anos, tem uma oportunidade de trazer, os caras afinzão de tocar no Bananada e não vou fazer? E também não vou colocar os caras para tocar no final de semana num lugar deslocado. Acho que o show do Hurtmold precisa de contemplação.

O grande lance de curadoria que a gente faz hoje e que talvez seja a minha principal função no Bananada hoje [Fabrício olha para o celular e diz: “Caralho! 30 ligações ao mesmo tempo”] é tentar pensar junto com a equipe Giovanna [Villeforte], Manga, Edimar [Filho], Daianne, que é quem ajuda diretamente na programação, o lugar ideal para fazer aquela performance musical ao longo daquela semana.

Claro que eu queria ter o Hurtmold na arena principal. Mas é o melhor lugar para ver? Não sei.

Poderia acontecer o que ocorreu em 2017 no palco do canto no Oscar Niemeyer, que o Wry veio e ficou um show para pouca gente.
Era melhor o Wry ter feito um puta showcase na Diablo. Faz mais sentido a gente colocar Batekoo em um palco ou fazer um after de meia-noite até as 6 da manhã na Roxy?

Você não limita o artista e tem muito mais a ver com o formato da noite.
Isso é o legal do formato do Bananada. Tem possibilidade incríveis. É muito mais legal colocar o El Efecto, que ia passar despercebido no final de semana, para entupir o showcase no meio de semana [virada de quinta-feira para sexta-feira à 1 hora no Ideologia 62]. Vai ser foda esse show dessa banda do Rio. Onde eles tocam tem público. É muito legal.

Eles vão entupir o showcase no meio de semana porque a molecada sabe, gosta, vai atrás. E eu ia fritar ali no mesmo dia que o Criolo, na hora que ele puder vir pra cá. Ou o Hurtmold, que ia tocar e ficaríamos nós quatro olhando para eles, pirando, cinco fãs. E no teatro vai ser uma comoção. A casa vai cair. Nego vai chorar. O som vai estar fodido. Se o cara quiser usar um piano ele vai usar, porque tem um piano, entendeu? Se ele quiser o som de detalhe de sopro e de percussão vai ter e vai estar impecável.

E não vai ter um cara bebendo e dando rata perto, entendeu? É isso. Faz mais sentido para a banda, faz mais sentido para mim, faz mais sentido para você que é fã. E a gente já sabe disso. Tem shows emocionantes no teatro. Teve o Lee Ranaldo, Ventre com o E A Terra, Metá Metá, que agora tem potência para pegar um palco grande. Já tinha.

E da última vez veio só a Juçara Marçal. Tudo bem que é o Kiko Dinucci e a mesma turma que sempre toca junto. Mas era show da Juçara.
O show do Metá Metá [domingo no palco Red Bull às 21h50] para mim talvez seja o show mais foda do Brasil hoje. A atitude deles é foda.

Tem uma banda que vem de Portugal, o Paus. O que fez o Bananada trazer essa banda?
O Paus [domingo no palco Red Bull Music às 18h30] é uma banda lendária do underground português. Talvez seja uma das cinco bandas mais importantes de Portugal dos últimos dez anos. É uma banda grande lá. E eu tenho uma fixação por rock alternativo português. Não é a primeira banda… Acho que tem oito ou nove anos que pelo menos uma vez por ano a gente traz uma banda portuguesa. Eu queria muito trazer o Paus para o Brasil. Eu sou fã. Tenho disco.

Tenho disco das outras bandas deles, que são o Linda Martini, que a banda de um dos bateristas e vocalista, tem a banda do outro vocalista, que é a The Vicious Five, minha banda favorita de Portugal.

Você falou “um dos bateristas”. Como assim?
São dois bateristas que tocam na mesma bateria ao mesmo tempo e cantam. É animal.

Tocando coisas diferentes na bateria, não necessariamente a mesma coisa.
Não. É ver para crer. Tem que sentar lá e ver os caras tocando. Eu vi três vezes o show esse ano. No último ano eu vi uns 300 shows. Uns 100 shows foda. E o Paus foi o top 5 que eu vi esse ano. É internacional no alto nível. Tocam em todos os festivais. É headliner no Parede de Coura em Portugal. Guess Who? em Amsterdã [Holanda], Eurosonic [Holanda]. É uma banda grande em Portugal. Não é uma bandinha.

A Red Bull tem um projeto no Brasil que no ano passado era com o BaianaSystem. O projeto de Portugal da Red Bull esse ano é com o Paus. Tanto é que o Paus veio para o Brasil e gravou um disco produzido pelo [Guilherme] Kastrup, tem participação da Maria Beraldo, do Edgar, do Dinho dos Boogarins. E vai gravar um álbum e vai levar um produtor brasileiro lá. E já em um remix com o Grassmass. Não é criança. É o Nação Zumbi de Portugal, é o Frente Cumbiero da Colômbia. Desse tamanho. É foda!

Se você gosta de música europeia alternativa no altíssimo nível mesmo, não perca o show. É um show foda. “Ah! O Bananada tá muito pop. Duda Beat, Pabllo Vittar.” O povo acha que a Pabllo Vittar vem de novo esse ano. Está falando mal da Pabllo Vittar até hoje.

Tem gente que acredita na informação falsa de que vão substituir a imagem na nota de R$ 50 por uma foto da Pabllo Vittar.
Então. Incrível. Se você é daquelas pessoas que reclamam e gostam de rock, de música alternativa de verdade, se você já não comprou o seu ingresso e foi trouxa e não pagou R$ 30, separa seus R$ 60 a R$ 70 para ver o Metá Metá e o Paus no mesmo dia que você vai ganhar o seu ano. Eu preciso ter uma avalanche de música incrível. Ainda vai ganhar um Boogarins de brinde [domingo no palco Red Bull Music às 20h10]. O povo torce o nariz porque é daqui, porque santo de casa não faz milagre.

No mesmo dia ter Metá Metá, Paus e Boogarins. Se o cara gosta de música, de rock… Você gosta de rock e de música e ver no mesmo dia três shows que são nível classe A mundial da autoridade. Eles podem tocar no Coachella [Estados Unidos], no Primavera Sound [Espanha], no Roskilde [Dinamarca], no Glastonbury [Reino Unido], no Paredes de Coura. Até porque todos eles já tocaram no Primavera Sound. Essas três bandas vão tocar juntas no mesmo dia por R$ 60. É em Goiânia.

Isso porque não estou colocando que no mesmo dia tem o Terno Rei [palco Tropical Transforma às 19h30], a BRVNKS [Tropical Transforma às 20h40], The Holydrug Couple, do Chile, que está agora na Europa [Tropical Transforma às 18h30]. Isso é no mesmo dia. E eu coloquei de lado a Pitty [palco Natura Musical às 22h40] e a Duda Beat [Natura Musical às 21 horas]. Você vai pagar R$ 60 para ver Paus, Boogarins e Metá Metá no mesmo dia. Você vai falar que o Bananada não tem música boa? Aí não. Aí é porque não quer ver. Porque embirrou comigo. Porque acha o Manga chato.

Essa trinca, velho, é de chutar… Eu te conheço. Você vai sair de lá falando “obrigado, Fabrício, isso aqui foi foda”. É foda! Não é brincadeira. Um show do Metá Metá hoje é destruidor. Mariá Portugal tocando bateria, Thiago França tocando sax, Kiko Dinucci na guitarra, a maior cantora brasileira, Juçara Marçal, tocando no mesmo palco, a mesma banda. Esses quatro caras juntos é uma coisa de outro planeta, velho. É ridículo!

Está claro para o público que o “BLVESMAN” é um dos grandes discos do final do ano passado. A turnê mesmo só começou em fevereiro com o show de lançamento na Áudio, em São Paulo. O que representa hoje ter o Baco Exu do Blues na programação do Bananada?
Quase 20% da programação do Bananada é hip hop. De 30% a 40% não é apenas música negra, é música negra performada por negros. E o Baco é o nome, cara. É o nome que você não pode ignorar. O disco é incrível, é foda. Eu já vi o show. O show é bom. Tem gente que vai se matar, morrer, chorar.

Mas você poder ter no mesmo festival Baco [palco Red Bull Music na sexta para sábado às 2 horas], Edgar [palco Red Bull Music na sexta às 23 horas] e Black Alien [palco Red Bull Music na sexta para sábado à 0h20], Luedji Luna [palco Natura Musical na sexta às 23h40], Liniker [palco Natura Musical na sexta para sábado à 1h10], Saskia [palco Natura Musical na sexta às 21 horas], Drik Barbosa [palco Natura Musical no sábado para domingo à 0h10]…

Baco, Black Alien, Edgar, Criolo [palco Red Bull Music no sábado para domingo à 1 hora], Drik, Luedji, Liniker, Saskia, Jadsa [Castro no palco Tropical Transforma no sábado às 20h30], Jéssica Caitano [palco Red Bull Music na sexta às 21h40]. Isso aqui, velho, é um panorama de música brasileira atual com raiz no hip hop e na música negra que um festival de hip hop talvez não teria uma entrega de programação e conexão com artista novo, mesmo com os meninos do WU-KAZULO. A gente também olhou com cuidado essa parte da programação. Tem alguns recortes que estão sendo feito que estão bem em cima disso, entendeu?

Uma atração que eu não quero deixar sem você comentar é o trio Tuyo [palco Natura Musical no domingo às 19h20], de Curitiba, que tocou com a Bruna Mendez no ano passado e agora vem com um disco lançado no final do ano passado.
Que está superbem. É a conexão completa. É o pop, a música negra e o indie no mesmo balaio.

Tem soul, tem de tudo ali no som da Tuyo.
Tudo. São foda. Show foda. A gente fez algumas vezes o show deles no Z, teve no Cine Joia também. Vi nos festivais e está foda. É das bandas que a Dai mais gosta. Acho que a galera vai ficar tipo igual foi o Francisco, el hombre ano passado. Inclusive o empresário é o mesmo, que é outro parceiro nosso da Difusa Fronteira. Foda. Eles são do caralho! Estão gravando umas coisas com a Bruna Mendez, lançaram coisa juntos. Tem uma conexão. Eles que estão produzindo o disco da Bruna, né?

Tuyo e a Bruna estão trabalhando com o produtor Gianlucca Azevedo.
É o mesmo cara que produz o Tuyo, que é um cara da banda. Não estou tão próximo da Bruna igual eu estava antes. Mas ela mandou algumas músicas e está bem foda. E eu sei que eles estão envolvidos.

E a Bruna Mendez faz dois shows. Por que da opção de botar a Bruna duas vezes?
Porque eu acho que ela cabe nos dois espaços, no teatro e na arena. Eu não queria que as pessoas fossem poupadas dela nem de um nem de outro. A gente é muito fã dela. Eu gosto muito da música que ela faz. E acho que fica muito explicito quando a gente é fã do artista.

Eu já ouvi “Calor, Sol e Sal” tocando em rádio de loja de departamento. Mas não sei se as pessoas de fato sabem quem é a Bruna Mendez [palco Tropical Transforma no domingo às 20 horas].
Acho que o negócio maior da Bruna é que ela não tem um piar. Ela não viaja. Ela fica aqui. Viaja pouco. Não tem tanta penetração nas redes sociais. Mas para mim ela é uma das maiores cantoras brasileiras. É uma puta compositora, toca bem guitarra, canta, programa. É uma baita artista. Acho a música dela incrível. Acho a Bruna muito foda. Então por isso que ela vai tocar muitas vezes, porque nós três [Fabrício, Dai e Manga] achamos ela muito foda.

Você comentou na internet sobre uma banda de um dos integrantes do Killing Chainsaw que vem. Que atração é essa?
É o Grenade. É ele, o Rodrigo Guedes. É uma banda do final dos anos 1990. Tocou no Bananada em 2001. Tocou com The Butcher’s Orchestra. A banda base. Foram os caras do The Butcher’s Orchestra. Rodrigo Guedes tocou com o Killing [Chainsaw], era o líder da banda, e está fazendo a trilha sonora de um filme chamado “Leste Oeste”, de um cara chamado Rodrigo Grota, que vai entrar em circuito comercial no Brasil inteiro no Lumière.

E a estreia é dia 8 [quinta-feira passada]. Aí o Rodrigo falou “se você arrumar um lugar para tocar eu topo”. Falei para ele: “Tem o QG do Bananada aqui [Coletivo Centopeia]. A gente vai estar com o PA montado para a semana. Você não quer fazer não?”. E aí é isso que vai acontecer [já rolou].

Quais são os shows do Bananada que você quer ver?
Já falei alguns, não?

Não quer escolher alguns que você não perde por nada? Ou não dá tempo mais de fazer isso?
Não. Dá tempo. Na verdade só dá tempo de fazer isso. Se eu não puder fazer isso é porque errei muito na produção. Não vi o Chico Bernardes ainda. Chapei na música. Quero ver [viu ontem e contou que gostou]. Hurtmold 20 anos. Grassmass e Guizado no mesmo dia [quinta-feira, 15, no Teatro Goiânia]. Não vou falar os óbvios, como Otto e os headliners.

Eu curto muito o Black Pantera, então talvez eu vá no showcase para encontrar o Japão e ver o Black Pantera e o magüeRbeS. Quero que dê tudo certo no Bananada para eu me acabar na festa da Batekoo no domingo. Eu falei vários. Estou ouvindo muito o disco do Supervão, então acho que vou fazer um esforço para estar lá na hora para ver [palco Tropical Transforma na sexta às 21h30]. Eu vou estar com o Donato, quero ver o show do Donato [palco Red Bull Music no sábado às 21h40]. Não perco o show do Frente Cumbiero por nada nesse mundo [palco Red Bull Music no sábado às 23h20].

Edgar é um show foda. Vi muitas vezes, mas quero ver a reação da plateia com o Edgar. A Luedji Luna é um show que quem não viu tem que ver [enfatiza o “tem que”]. Não é uma opção não ver se você gosta de música. Se você gosta de música e perder a Luedji Luna você pode rasgar a sua carteirinha de fã de música. Sábado é ridícula a sequência nos palcos principais: Felipe Cordeiro [palco Natura Musical às 20h50], Tulipa e João Donato…

Felipe Cordeiro vem com o pai, o guitarrista Manoel Cordeiro?
Vem a banda completa. Foda. Tudo. Raio lazer e o caralho. O sábado tem Felipe Cordeiro, Tulipa Ruiz e João Donato, Luiza Lian [Natura Musical às 22h30], Drik Barbosa, Criolo, Bixiga 70 [Natura Musical às 2h10 de sábado para domingo] e TETO PRETO. É ridículo.

No outro dia [domingo] Paus, Boogarins e Metá Metá, sem contar Duda Beat e Pitty no final. Paus, Boogarins e Metá Metá em sequência. Esse é daqueles que a galera que gosta de música vai ficar feliz, velho.

É curioso que a família do Maurício Pereira sempre tem alguma coisa para mostrar.
O melhor letrista do Brasil. O cara mais legal. Gente carinhosa, atenciosa. O Tim [Bernardes, vocalista do O Terno] é brutal. O menino [Chico Bernardes] é muito foda, muito elegante no trato. É gente foda, preparada para fazer música. Privilegiada de ter pai nessa oportunidade.

Sabe aqueles caras que têm tudo para dar certo? É igual a Luiza Lian também. Luiza Lian é outra que é gênio. A menina é incrível. O Charles [Tixier]. A mãe dela [Fabiana Lian] é incrível. Nepotismo usado para o bem [risos]. Já estou cansado só de pensar o tanto de nome que eu falei que tenho que ver, ainda mais o que eu vou ser surpreendido.

Pô, cara! Tem um cara muito foda, que é muito divertido e que a galera vai amar, que é o Romero Ferro [palco Tropical Transforma no sábado para domingo à 0h10]. Ele é muito gostoso de ouvir, foda, bom pra caralho. O show foda, tudo foda. Um puta cantor. O Jaloo com a MC Tha vai ser foda [Natura Musical na sexta às 22h20]. Está boa a programação, né?

Pensando nessa programação em agosto. Você já está com saudade de fazer o festival em maio e pensa em voltar para o mês tradicional do Bananada no ano que vem?
Estou não. Não sei.

Não tem nem a mínima possibilidade?
De voltar para maio? Vamos ter que avaliar nesta semana porque nós vamos lançar o ano que vem no domingo.

Tem alguma das casas dos showcases que se aproxima um pouco do Território Brasileiro, espaço da primeira edição do Bananada?
Acho que todas tem uma carinha de Território Brasileiro, uma carinha de Garage Café. O Bananada não foi naquele Território Brasileiro que depois virou The Pub. Foi em um antes daquele ainda. O que mais parece o Território Brasileiro era o Cafofo, que hoje é o Ozz.

Estilo um quintal?
É. Era um quintal fechado. Mas o estilo e a estrutura eram parecidos.

Uma resposta para ““Não enxergar o Bananada como um festival diverso é cegueira. Não entender que o que acontece no Bananada é rock é toupeirice, burrice, rock Ultraje a Rigor””

  1. O dia que esse Fabrício Nobre for um décimo do que eu sou ele pode falar de mim. E é burro, sim. Muito burro.

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