Gari representa Goiânia em mostra de artes em São Paulo

Manoel Santos, servidor da Comurg, expõe na 14ª Bienal Naïfs do Brasil, em São Paulo. Mostra recebeu quase 1200 trabalhos e artista está entre os 121 artistas, de 21 estados, selecionados

Manoel com a obra selecionada, “Ajuda Nois Humanos”

O gari Manoel Santos está entre os 121 artistas, de 21 estados, selecionados para exposição na 14ª Bienal Naïfs do Brasil. O evento divulga a representatividade da criação primitiva, ingênua, espontânea e popular de artísticas autodidatas. A mostra teve abertura no último sábado (18) e recebe visitação até 25 de novembro no salão Sesc Piracicaba, em São Paulo, com entrada gratuita.

A obra selecionada “Ajuda Nois Humanos”, com técnica acrílica sobre tela nas dimensões 60×80 cm, passou pelo crivo de avaliadores especialistas em artes. A comissão recebeu quase 1200 trabalhos, inscritos por 583 artistas. O gari Manoel é artista plástico primitivista-autodidata com várias premiações no gênero e é bastante conhecido no meio artístico com obras espalhadas pelo mundo todo.

A exposição é composta de bordados, desenhos, esculturas, gravuras, pinturas e vídeos elaborados por 107 artistas selecionados e 14 convidados e tem objetivo de destacar peças que simbolizam não apenas as relações do homem com a fauna e flora, além do sagrado e religioso, mas também a visão crítica, engajamento e resistência dos autores deste tipo de produção.

A mostra com o tema “Daquilo que escapa”chama atenção para a transgressão do fazer artístico, desde o processo de criação, passando pelas linguagens e expressões dos autores que reclamam o seu lugar no sistema da arte contemporânea que ainda é elitista. A curadoria é de Armando Queiroz, Juliana Okuda e Ricardo Resende.

Segundo Manoel, a definição de arte naïf deve extrapolar os conceitos já definidos e escapa à tentativa de compreender em definitivo esse segmento da produção artística. “Eu costumo brincar fazendo o trocadilho que nossa arte pode ser primitiva, mas não é ingênua porque nós fazemos duras críticas sociais a qualquer tipo de repressão”, argumenta.

A expressão “naïf” é francesa, que significa ingênuo ou primitivo, faz referência a um importante seguimento artístico formado por pessoas sem formação acadêmica. Esses artistas desenvolvem técnicas próprias sem regras estabelecidas e podem até improvisar materiais reciclados em suas telas.

O presidente da Comurg, Aristóteles de Paula, elogiou a arte do servidor Manoel, que mesmo sendo reconhecido, continua trabalhando como gari na limpeza urbana. “Acredito que muita inspiração para pintar as telas vem do trabalho que ele realiza durante o dia varrendo as ruas da capital”, comentou, enfatizando a importância das atividades lúdicas e artísticas para todos os servidores da Companhia.

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Everaldo Leite da Silva

É curioso que a Faculdade de Artes Visuais da UFG não consegue formar um único artista de relevância, mas um gari, por puro talento – e sem incentivos públicos – acaba por representar o estado de Goiás numa importante mostra em São Paulo.