A diversidade musical nos palcos dos grandes festivais goianos

Com um público cada vez maior, os festivais são uma ótima oportunidade para os grupos independentes

Integrante da Rede de Festivais Independentes, o Vaca Amarela deu a largada:  a programação já tem nomes de peso confirmados e Drops com datas marcadas

Integrante da Rede de Festivais Independentes, o Vaca Amarela deu a largada:
a programação já tem nomes de peso confirmados e Drops com datas marcadas

Yago Rodrigues Alvim

“Diversidade”, diz João Lucas Ri­beiro. Produtor musical e coordenador do Vaca Amarela 2015, João já adianta a característica principal de um festival que há 14 anos tem feito da cena cultural alternativa de goiana um lugar bem mais sólido, consistente, e múltiplo. Afinal, que a cidade não respira só sertanejo, todos já sabem. O rock goiano já vem até garantindo seu espaço muito prestigiosamente no território brasileiro. E, não só o rock daqui tem tocado em diversos players por aí afora, como uma multiplicidade de estilos, vibes sonoras tem tocado por aqui. Por isso, tantos artistas, undergrounds ou não, tem na agenda uma apresentação já reservada para capital goiana.

Relembrando, diversos artistas musicais, filhos de A Musicoteca e doutras experimentações sonoras que ganham canais como Estúdio Showlivre ou Monkey Session, já se apresentaram por aqui. Não dá mais para reclamar que “não rola coisa boa” na cidade. Não são mais só shoppings e parques –– que aliás tem sido redescobertos em iniciativas como Deriva do Bem e até pela Filar­mônica do Estado que teve um público surpreendentemente inesperado para o Música de Filme, no Flamboyant.

Quem não descobriu o Centro Cultural da Univer­sidade Federal de Goiás (CCUFG) ou o Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON) ou ainda a nova agenda do Martim Cererê? Só para citar, shows de Otto, Marcelo Jeneci, Dani Black, Filipe Catto pelo Música no Campus, ou nomes conhecidos como o de Caetano – que abriu a última edição do festival Ba­nanada realizada –, Gal Costa, Milton Nascimento, Arnaldo Antu­nes, Banda do Mar e muitos outros embalaram a cidade num interim curto de tempo (2013/14). Pelo último Vaca Amarela mesmo, cantaram aqui Criolo, Céu, os goianos do Boogarins, Flora Matos, Far From Alaska que tem conquistado uma galera boa, Banda Uó, Haikaiss e Di Melo, que reaparece neste ano.

Sendo assim, João está certíssimo, principalmente no caminho que procura trilhar com mais uma edição do Vaca. E adivinha? O festival ocupa o Niemeyer, que recebeu um público de estatelar e brilhar os olhos no recente saudoso Bananada 2015. E está logo aí: setembro, bem no iniciozinho. São nos dias 4, 5 e 6 (um final de semana inteiro), em que música, gastronomia, cultura e artes integradas divertem jovens, adultos e seus pequenos.

As bandas trazem seus instrumentos de diversos cantos do Brasil canarinho, cheios de sonoridades atracadas em referências múltiplas e que vão além, integrando uma identidade nova, autoral e já bem aplaudida por um país novo, que tem se apresentado embebido de uma contemporaneidade de limites expandidos –– leia-se o bem da internet. Olha lá o misto da programação já confirmada do Vaca 2015: Cone Crew Diretoria, BALEIA, Rollin Chamas, Fresno e a cantora e bailarina espanhola Indee Styla.

E o Di Melo? Bem, o cantor se apresenta numa palinha do que será o Vaca, palinha intitulada “Vaca Drops”. Junto do cantor, aparecem as bandas Scalene, Aurora Rules, a alemã Kadavar e Francisco El Hombre (do memorável show do Bananada; os caras roubaram muito honrosamente a cena). Assim, João acresce que “não dá mais pra dizer que se trata de um festival de rock” e emenda: “Abraçamos a música alternativa como um todo. Queremos fazer um festival colorido e multicultural”.

O Vaca é produzido pelo grupo Fósforo Cultural, um coletivo de cultura que propõe uma gama de ações, sobretudo na cena da música independente. Com a proposta de promover diversos estilos de arte e eventos que agreguem um público irrestrito, a Fósforo está na ativa em Goiânia desde 2006, propiciando fomento e fruição aos bens culturais.

O festival ainda in­tegra a Rede de Fes­tivais Inde­pen­dentes que propõe intensificar espaços de troca, a fim de gerar uma rede que espalhe cultura pelo país. O objetivo é mesmo integrar, promover e ocupar espaços pú­blicos com essa arte autoral, que nasce independentemente. Assim, o país tem vivido uma explosão de festivais de música. Pela Rede apenas, são contabilizados mais de 100 sendo realizados por ano, muito comumente sem patrocínio algum público. Dessa realidade, mais de 30 mil músicos tem se beneficiado.

Com Goiânia Noise, Ba­na­nada e Vaca, o apelido Goiânia Rock City tem sim feito juz ao que tem rolado por aqui. Com os festivais, muita troca acontece e não só para quem aproveita os festivais, conhecendo som novo, galera, estilos, gastronomia, artes novas, acontece principalmente para esses músicos independentes, que talvez não teriam a chance de se apresentarem em qualquer outro lugar.

João, com seus quatorze anos de Vaca, destaca que, “na época de criação do festival, já tinham o Noise e Bananada, mas eles não atendiam a demanda das bandas da cidade. Várias grupos locais se consagraram no Vaca Amarela. É um palco que, com certeza, faz toda diferença pra uma banda”.

Vaca amarela 2015

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Drops

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